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Diretor jurídico da CBF descarta partidas de futebol com torcida no curto prazo

Qualquer aglomeração no momento pode representar um desserviço, avalia Luiz Felipe Santoro

partidas de futebol
Santoro: “Pela realidade do país como um todo, acho muito difícil que a gente volte, no curto prazo, a ter público nos estádios, nos ginásios, em função da aglomeração”. Crédito: divulgação/Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou no começo da semana o plano de retomada nas atividades na cidade. Em uma das etapas, há a previsão de partidas de futebol com público a partir de julho, com a limitação de 30% da capacidade de cada estádio. Se aplicada ao Maracanã, que comporta cerca de 78 mil torcedores, a regra permitira partidas de futebol com mais de 20 mil expectadores. “Acredito que a gente caminha, pelo menos no curto prazo, para eventos sem público”, avalia o diretor jurídico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luiz Felipe Santoro. “Pela realidade do país como um todo, acho muito difícil que a gente volte, no curto prazo, a ter público nos estádios, nos ginásios, em função da aglomeração”, diz. Qualquer aglomeração no momento pode representar um desserviço, avalia.

Mesmo com o calendário mais apertado em função da interrupção na disputa de jogos, os planos preveem o término dos campeonatos estaduais. “Assim que houver permissão das autoridades públicas, nossa intenção é que os campeonatos estaduais sejam retomados para terminar em campo”, ressalta Santoro. “Assim que os estaduais acabarem, temos a intenção de começar o Campeonato Brasileiro, ainda com as 38 rodadas de turno e returno”.

As frases do do diretor jurídico da CBF foram ditas durante webinar realizado pelo JOTA na tarde desta quarta-feira (3/6), que também teve a participação do head da NBA Brasil, Rodrigo Vicentini.

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A liga de basquete americana tem no Brasil o segundo maior mercado externo do mundo. “A gente vem em um crescimento vertical no Brasil, que é um mercado da NBA que fica atrás somente da China”, destaca Vicentini. “De 2017 a 2019, a NBA cresceu 50% em número de fãs no Brasil”.

Para ele, a pandemia vai provocar uma transformação grande quanto ao modo como o conteúdo esportivo é disponibilizado aos fãs. “Em vez de ser feito para a TV, o esporte vai ser feito pelo fã”, explica. “Vejo uma aceleração no processo de tecnologia, para que o fã consiga interferir, mudar ângulo de câmera. Acho que vai ter uma imersão muito maior”, projeta. “Existe um comitê [da NBA] analisando o que podemos oferecer a mais aos fãs”.

Segundo o head da NBA no Brasil, o negócio da liga “é produzir conteúdo”. Como exemplo, citou o documentário sobre Michael Jordan. “Algo bem marcante [no período de isolamento] foi o Last Dance, documentário que está na Netflix e que conta a história do Michael Jordan no Chicago Bulls. Está fazendo muito sucesso”. De acordo com a plataforma de streaming, o documentário foi visto por mais de 23 milhões de usuários de fora dos Estados Unidos nas quatro primeiras semanas depois do lançamento.

As equipes da NBA devem definir nesta quinta-feira (4/6) como será a retomada da maior liga de basquete do mundo. Uma das alternativas é a exclusão de 8 das 30 equipes que disputam a competição.

Aqui no Brasil, não há um cronograma definido quanto à volta das partidas de futebol. “A CBF tem contato direto com o Ministério da Saúde e com diversas secretarias estaduais”, diz Luiz Felipe Santoro, diretor jurídico da confederação.

Santoro foi questionado sobre o contato que os clubes têm estabelecido com autoridades, incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que em maio recebeu os presidentes do Flamengo e do Vasco. “Vejo com muita naturalidade o fato de algumas equipes quererem discutir com o poder público, principalmente com o poder público local”, avalia Santoro.

No entendimento do diretor jurídico da CBF, no retorno do futebol “teremos um público altamente consumidor de conteúdo, em notícia, mas não tão presente in loco”.

Webinars

A conversa com Luiz Felipe Santoro e Rodrigo Vicentini faz parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando para discutir os efeitos da pandemia na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

Entre os convidados, já participaram do webinar estão o apresentador e empresário Luciano Huck, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP), o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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