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COVID-19

Doria sobre vacina: ‘expectativa é não ter judicialização nossa nem do governo’

Ao JOTA, governador de SP afirmou que é papel da ciência, não ‘da ideologia’, definir quem não poderá se imunizar

Doria parcelamento
O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB) / Crédito: Governo de São Paulo / Divulgação

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em entrevista exclusiva ao JOTA nesta segunda-feira (19/10) que espera que não haja judicialização acerca da possibilidade de que a Coronavac, vacina contra a Covid-19 da farmacêutica chinesa Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan, seja obrigatória para toda a população do estado.

Reiteradamente, Doria tem dito que considera correto o fato de a imunização ser estabelecida como obrigatória a todos aqueles que puderem receber as doses. A questão se tornou mais uma disputa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que descartou a possibilidade afirmando que essa medida só poderia ser tomada com a anuência do governo federal, o que não acontecerá.

“Espero que não haja judicialização, nem nossa, nem das pessoas, nem do governo federal. Afinal de contas estamos vivendo uma pandemia. No final do dia de hoje teremos mais 700 brasileiros mortos”, afirmou Doria em webinar da Casa JOTA (confira a programação desta semana).

Para o governador, quanto mais brasileiros estiverem imunizados, melhor. “Não faz sentido ter pessoas imunizadas e pessoas não imunizadas. Pessoas não imunizadas podem contrair a Covid-19, podem sofrer com as consequências de uma contaminação de um vírus cruel e fatal como esse. Muitas poderão morrer. E muitas poderão contaminar outras pessoas”.

Doria defendeu, ainda, que em uma situação de pandemia, a ciência diz que o correto é que todos sejam imunizados, exceto aqueles que por casos específicos de saúde não possam receber a vacina. “Isso quem deve dizer é a ciência. Não é a ideologia, não é o partido, não são entes políticos, não são extremistas, é a ciência”.

Na próxima quarta-feira (21/10), Doria teria uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para tratar da inclusão da Coronavac no Programa Nacional de Imunização. O noticiário desta tarde, contudo, destaca que o encontro deve ser cancelado, porque amanhã haverá uma reunião entre Pazuello com os secretários de Saúde, incluindo o do governo de SP, Jean Gorinchteyn.

Ao JOTA, o governador evitou cravar uma data para a disponibilização da Coronavac à população. Segundo ele, a partir de agora, a liberação depende da Anvisa. “Os dados de testes estão sendo todos encaminhados para a agência. Acredito que a Anvisa, mantendo seu comportamento técnico, isento, republicano e científico, como tem mantido até aqui, vai promover a aprovação da vacina do Butantan até o mês de dezembro”, afirmou.

Ele disse continuar “confiante” de que “em dezembro poderemos iniciar a vacinação com os médicos, paramédicos, enfermeiros, e aqueles que atuam no âmbito da saúde. Incluindo profissionais de segurança, limpeza e manutenção dos hospitais e centros de saúde. A partir de janeiro, para todos os demais”.

Recuperação da economia e 2ª onda

Segundo o governador, o fato de 96% da economia do estado já estar completamente aberta é fruto de um “controle adequado da evolução da pandemia”.

Ele citou como exemplo a “recuperação acentuada de sete semanas” em números decrescentes em infecção, óbitos e ocupação de leitos de UTI. Questionado, Doria não comentou se teme uma segunda onda da Covid-19.

“Hoje, temos 96% da economia do estado completamente aberta. Isso porque conseguimos ter um controle adequado da evolução da pandemia, fazendo isso com critério, cuidado, com zelo e principalmente priorizando a vida. Olha o que está acontecendo com países da Europa, voltando com uma nova onda de pandemia, porque houve um certo desleixo da própria população”, disse.

O governador destacou exemplos de países como Inglaterra, Espanha, França, Itália e Portugal, que vivem atualmente situações de recrudescimento de medidas restritivas.

“Aqui nós estamos controlando bem, ainda que isso que represente muita contrariedade. Nós temos um governo que lamentavelmente é negacionista. Bolsonaro entende que é essa não é uma pandemia gravíssima, continua minimizando, chamando de gripezinha. Inclusive acusando as pessoas que ficam em casa se protegendo, corretamente aliás, de fracassados, de covardes”, disparou.

Para ele, uma das saídas da crise econômica pós pandemia será atraindo investimentos nacionais e internacionais para o estado. Essa intenção, afirmou, está presente no plano apresentado na última semana pelo secretário da Fazenda de SP, Henrique Meirelles.

O foco do programa é atrair R$ 36 bilhões em investimentos, principalmente em obras de infraestrutura e transporte. A estimativa é que esse plano crie 2 milhões de novos empregos. Um dos negócios, de acordo com o governador, foi anunciado hoje com o grupo Cosan.

“Hoje anunciamos um investimento do grupo Cosan, que é nacional, de R$ 6 bilhões, no programa de trilhos, ferrovias e trens aqui em São Paulo. Um investimento que terá a geração de 134 mil novos empregos. Isso é prova de confiança no governo de SP, no posicionamento de um governo liberal, pró-mercado. Um governo desburocratizante. Aqui não queremos burocracia e agilizamos muito os processos de aprovação”.

PSDB nas eleições

Ao JOTA, Doria comentou também que as expectativas sobre a performance do PSDB no pleito municipal deste ano são de “ligeira melhora em relação ao pleito de 2018″.

“Cada campanha é uma campanha, eu reconheço isso. Mas o PSDB está muito bem em SP, com Bruno Covas (PSDB). Só na capital, o Bruno tem 11 partidos o apoiando”, disse Doria, acrescentando que essa situação é um “alento, pensando partidariamente no PSDB, porque nosso desempenho em 2018 não foi bom”.


“Não estou classificando aqui como culpa do candidato [Geraldo Alckmin, na época]. Reconheço também um reflexo na formação da bancada na Câmara e Senado. Em resumo, teremos um resultado, na minha expectativa, melhor do que tivemos. E com certeza a eleição do Bruno Covas aqui em SP, ainda que em uma disputa dura”, finalizou.