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Setor de bebidas visa a manter retomada e barrar crescente mercado ilegal em 2022

Dados da Abrabe indicam alta de mais de 200% do número de apreensões de bebidas em relação ao ano anterior

Setor de bebidas visa manter retomada e barrar crescente mercado ilegal em 2022
Crédito: Pexels

Depois do baque em 2020, o setor de bebidas alcoólicas enxerga uma luz no fim do túnel. Em 2021, a escalada dos índices de vacinação e o relaxamento das medidas restritivas permitiram a recuperação do comércio, e a expectativa de Cristiane Foja, presidente-executiva da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), é de que a curva continue a indicar uma retomada econômica. Para polir o quadro, a entidade busca saídas para conter o crescimento do mercado ilegal no país — que lhe toma uma fatia desse bolo e já incomoda.

Em meio à paralisação e ao quebra-quebra generalizado devido à crise causada pela pandemia da Covid-19, com impacto de até 70% nas vendas, o setor de bebidas alcoólicas finalizou o ano passado com um crescimento de 8% em relação a 2018. Foja espera seguir na toada no próximo ano e recuperar os volumes de 2014.

“A vacinação tem se mostrado a garantia da retomada eficaz e acreditamos que, com o arrefecimento da pandemia, a economia do Brasil possa voltar a crescer. O setor de bebidas alcoólicas é extremamente sensível à renda do brasileiro, é nisso que colocamos nossas atenções e expectativas positivas”, salientou a executiva.

Mercado ilegal

Dados da associação indicam um aumento de mais de 200% no número de apreensões de bebidas em comparação com o ano anterior. Segundo Foja, “além de prejudicar a competitividade das empresas que seguem os padrões de segurança, qualidade e regulamentação legal, as bebidas falsificadas trazem um enorme risco à população”.

Ao longo deste ano, a associação implementou treinamentos em parceria com frentes de repressão do poder público para engajar profissionais da Polícia Civil, da Polícia Rodoviária Federal, da Receita Federal e dos Programas de Proteção e Defesa do Consumidor (Procons). Lançou ainda a campanha “Diga Não ao Comércio Ilegal de Bebidas Alcoólicas” para reforçar a importância do combate às práticas ilegais no setor.

No Legislativo, os esforços da entidade estão voltados a apresentar o combate às vendas ilícitas como solução para elevar a arrecadação, não o aumento de carga tributária. “Existe um ponto ótimo para tributação de bebidas alcoólicas. Passado esse ponto, não se recolhe um centavo a mais, todo esse volume se transfere para a ilegalidade. Vimos esse movimento com o aumento do IPI em 2015. Hoje muitas bebidas já chegam perto de 90% de carga tributária. Não há espaço para mais”, concluiu.