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‘Ações de governos têm impacto na saúde mental e no nível de ansiedade’

Segundo pesquisadora Margarita Gómez, eficácia do enfrentamento à Covid-19 é maior se população confia no governo

saúde mental
Margarita Gómez:  “Nos locais onde os governos adotaram o lockdown, o nível de preocupação foi reduzido”

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou que os britânicos entrariam em quarentena no dia 23 de março. Até então, a política adotada era a da contaminação em massa para que se atingisse a “imunização de rebanho”. Ao mudar de postura, houve um impacto imediato no nível de preocupação e na percepção da população de que o governo estava tomando as medidas necessárias para enfrentar a pandemia. É o que aponta um estudo feito por 12 institutos internacionais de pesquisa chamado “Global Behaviours and Beliefs at the Onset of the Covid-19 Pandemia”.

O levantamento mostra que depois do anúncio de Johnson a preocupação dos britânicos diminuiu. De acordo com a pesquisa, há uma evidência de que quanto mais rigorosa for a medida do governo para conter a pandemia, menor a preocupação das pessoas.

O estudo começou em 20 de março e é feito por 14 pesquisadores de instituições de ensino como Princeton University, Cambridge University, Harvard Business School e Massachusetts Institute of Techonology (MIT). Um dos objetivos da pesquisa é entender melhor os comportamentos individuais na pandemia e qual a influência dos governos e de políticas públicas. A pesquisa é feita pela internet, em 69 idiomas, e até agora foram coletadas mais de 110 mil respostas em 176 países. O Brasil é o segundo país que mais enviou respostas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Nesta terça-feira (12/5) o webinar realizado pelo JOTA em parceria com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper conversou com a mexicana Margarita Gómez, uma das pesquisadoras. Ela é diretora-executiva do Laboratório de Pessoas no Governo da Universidade de Oxford.

Os dados globais apontam que houve uma alta adesão às medidas protetivas:

  • 91,4% não estão tendo contatos sociais
  • 89,4% passaram a lavar as mãos com mais frequência
  • 78,05% ficam em casa
  • 68,9% buscam manter distância mínima de 2 metros

Segundo a pesquisa, a maior parte dos entrevistados acredita que as ações dos respectivos governos não foram excessivas. Quanto à percepção de respostas insuficientes à pandemia, o Brasil é um dos países com o maior índice, junto com Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.

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“Nos locais onde os governos adotaram o lockdown, o nível de preocupação foi reduzido”, explica Gómez. “As ações que os governos tomam têm impacto na saúde mental e no nível de ansiedade que as pessoas têm”, diz.

“Quando temos liderança forte e uma direção clara do que as pessoas precisam fazer, isso muda o comportamento e faz com que as pessoas sigam as recomendações”

A maioria das pessoas que participou da pesquisa acredita que os respectivos governos e a população ao redor não estão tomando as medidas necessárias, e isso aumenta a preocupação e os níveis de depressão. Ainda de acordo com a pesquisa, a adoção de políticas públicas decisivas pelos tomadores de decisão tem a capacidade de mudar essa percepção.

Além disso, os pesquisadores entendem que os governos devem levar em consideração que, ao planejar a extensão ou afrouxamento das restrições, é preciso avaliar não somente a disseminação do vírus, mas também que essas escolhas influenciam a saúde mental da população.

Margarita Gómez explicou que quando há discursos diferentes entre o governo federal e a administração local, há impacto no comportamento das pessoas. “Menos pessoas seguem as regras e há mais reclamações sobre as medidas tomadas em nível nacional e local”, diz. “Há um aumento de incertezas, e com isso as pessoas não tomam as melhores decisões”.

O próximo passo da pesquisa agora, revelou Margarita Gómez, é analisar de que forma as pessoas seguem as diferentes medidas que governos ao redor do mundo estão implementando.

Se quiser participar da pesquisa, basta clicar aqui.

JOTA realiza a partir das 11h30 desta quarta-feira (13/5) mais um webinar em parceria com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper. A convidada será com Verónica Osorio, co-founder and Social Media Director at Bloomsbury Policy Grouptive. Ela vai falar sobre gerenciamento de crise na pandemia. O webinar será em inglês.