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CORONAVÍRUS

Eduardo Leite: ‘não concordo com uma substituição do Plano Mansueto’

Governador do RS diz em webinar do JOTA que plano precisa ser separado do socorro emergencial aos estados

Eduardo Leite
Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil
Reportagem alterada às 19h39 de 9 de abril de 2020 para corrigir o número de casos de Covid-19 no estado do Rio Grande do Sul e em Porto Alegre

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), defende que a União ajude os estados com liquidez, mas faz a ressalva de que esse momento de crise “não pode ser uma abertura para deixarmos de ser responsáveis com as contas públicas”. Segundo o chefe do Executivo gaúcho, sem o auxílio, haverá ainda mais dificuldades para quitar os salários de servidores públicos, que são pagos com atrasos há quatro anos por causa da crise econômica no estado.

Eduardo Leite participou do webinar que é promovido pelo JOTA de segunda a sexta-feira com autoridades e especialistas para discutir os impactos da crise na política, na economia e nas instituições. Neste sábado, o JOTA recebe a partir das 11h30 o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No plano federal, Leite entende ser necessário diferenciar o Plano Mansueto do projeto em discussão no Congresso para socorro dos estados. “O Plano Mansueto previa a ampliação da capacidade de pagamento de estados, desde que cumprindo determinadas normas de saneamento das contas”, lembra. “Essa é uma situação anterior ao coronavírus e os assuntos acabaram se misturando. Não concordo com uma substituição do Plano Mansueto. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

Questionado sobre a possibilidade de privatizar o Banrisul, o governador tucano respondeu que “é muito cedo para pensarmos em coisas nesse sentido, estamos no meio do furacão”.

No entanto, frisou que as estão mantidos os planos de privatização das companhias estaduais de energia elétrica, de gás, de mineração, além de concessões rodoviárias.

Coronavírus no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul tem, até o momento, 618 casos confirmados de Covid-19, sendo 303 na capital, Porto Alegre.

Nessa quinta-feira (9/4) o governador Eduardo Leite emitiu um decreto que permite abertura de lanchonetes, restaurantes, salões de beleza e lojas de chocolate, desde que haja autorização municipal. “O pacto federativo, além da divisão do bolo tributário, deve ser também de divisão de responsabilidades”.

Para ele, “a restrição uniforme no estado gera efeitos colaterais muito graves em municípios que não têm nenhum caso da doença”. “Restrições impostas muito antes que o momento certo é como prender o ar muito tempo antes de mergulhar, vai faltar fôlego na hora mais importante”.

Mesmo com essa possibilidade de abertura de alguns estabelecimentos, Leite acredita que as restrições devem continuar com maior intensidade pelo menos até a próxima semana nos maiores municípios do estado.

O Rio Grande do Sul tem 1001 leitos de UTI e, no momento, 61% estão ocupados. “Não está descartada a instalação de hospitais de campanha no estado”.

Sobre a hidroxicloroquina, o governador disse que “o Rio Grande do Sul segue os protocolos e orientação do Ministério da Saúde com relação ao medicamento, de uso nos casos grave”.

Webinars

A conversa com Eduardo Leite fez parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando, durante a pandemia da Covid-19, para discutir os efeitos na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

O convidado sábado será o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que conversa com o JOTA a partir das 11h30.

Maia será entrevistado pelo analista-chefe do JOTA em São Paulo, Fábio Zambeli, e pela analista do JOTA no Congresso, Raquel Alves. O deputado falará sobre a agenda da Câmara durante a crise do coronavírus.

Para receber o link da transmissão, basta clicar aqui.

Entre os convidados, já participaram o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS); o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP); o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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