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Dodge: relatório do Coaf revela movimentações atípicas de Palocci após prisão

Chefe do MP defendeu a manutenção da prisão do ex-ministro diante do perigo de continuar lavando dinheiro

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, informou, nesta quarta-feira (11/4), ao Supremo Tribunal Federal que um relatório elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras revelou que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, mesmo após sua prisão, tem movimentações financeiras atípicas, que indicam atos de lavagem de dinheiro e dissimulação de valores.  Palocci está preso pela Lava Jato desde setembro de 2016.

O Supremo julga hoje o pedido de liberdade do ex-ministro. De acordo com a PGR, o Coaf encontrou transferências que chamam atenção: 1) entre 2 janeiro de 2016 e 18 de maio de 2017 foram movimentados R$ 1,5 mi pertencentes empresa projeto aplicando letra financeira, sendo resgatados R$ 626 mil; 2) período de 2 janeiro 2013 a 18 maio de 2017 foram aplicados R$ 7,6 mi em fundo de investimento, sendo resgatados R$ 7,1 mi; e 3) entre 1 de janeiro de 2017 e 30 de junho de 2017 foram transferidos R$ 415 mil do fundo de previdência privada para conta da esposa do ex-ministro.

Segundo Dodge, as movimentações de montantes elevados ocorreram nas tentativas de frustrar a lei penal após a decretação de sua prisão preventiva e o bloqueio de bens. Para a chefe do MP, os valores deveriam ter ressarcido os cofres públicos e foram movimentados em benefício do paciente (Palocci) e família.

Dodge defendeu a manutenção da prisão do ex-ministro, classificando-o de “homem poderoso, com conexão com homens poderosos, e, caso seja concedido o HC e ele seja liberado, pode influenciar no andamento da ação penal”.

A chefe do MP afirmou que existem motivos de decretação da ordem de prisão preventiva para manter a ordem pública e a aplicação da lei penal, sendo que há perigo de o condenado continuar a lavando dinheiro. Palocci foi condenado a 12 anos, e a prisão preventiva foi decretada na mesma condenação. A culpa do réu, diz o MP, foi portanto confirmada.


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