Concorrência

De saída

Cristiane Alkmin vai deixar o Cade para ser secretária da Fazenda de Goiás

Conselheira estava descontente com rumos do tribunal antitruste e assumirá pasta de Ronaldo Caiado (DEM)

Cristiane Alkmin
Conselheira do Cade Cristiane Alkmin em sabatina no Senado - Crédito Edilson Rodrigues/Agência Senado

A conselheira Cristiane Alkmin, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), aceitou convite do governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), e será a secretária de Fazenda do Estado no próximo governo, renunciando a seu mandato na autarquia de Defesa da Concorrência.

A informação foi confirmada pela equipe de Caiado, que acrescentou que a indicação partiu do futuro ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes. Procurada, ela não atendeu às ligações da reportagem. Segundo o JOTA apurou, ela só renunciará no próximo ano.

Colunista do JOTA, Cristiane chegou ao Cade em setembro de 2015 por indicação de Joaquim Levy, então ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff (PT) e futuro presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sua saída não surpreendeu aos colegas do antitruste. Ela já vinha apresentando sinais de insatisfação com os rumos que o tribunal administrativo vem tomando nos últimos tempos.

Na última sessão, realizada na quarta-feira passada, ela chegou a reclamar que não teria tido acesso ao estudo do Departamento de Estudos Econômicos (DEE/Cade) que subsidiou o despacho da Presidência a favor da instauração de um inquérito administrativo contra a Petrobras.

Frequentemente, a conselheira montava trincheira com o outro economista do Cade, João Paulo de Resende, em decisões nas quais, na maioria das vezes, acabava vencida pela maioria.

Não foram poucas as vezes nas quais chamou atenção dos conselheiros para a falta de uniformidade nas decisões e de critérios para cálculo de penas, especialmente em casos de cartel.

Nas últimas semanas, a aproximação dela com Paulo Guedes chamou atenção de membros da equipe de transição. Enquanto alguns davam como certo um convite para compor a equipe do superministro de Bolsonaro, outros apostavam que ela estaria fazendo um papel de pacificadora diante da possibilidade de transferência do Cade da estrutura do Ministério da Justiça para o da Economia — o que acabou não se concretizando.

De acordo com o regimento, em caso de renúncia, uma nova nomeação será feita para completar o mandato do substituído. O mandato de Cristiane vai até 15 de setembro do ano que vem.

Outros quatro conselheiros também encerram seus mandatos em 2019: João Paulo de Resende, Paulo Burnier e Polyanna Vilanova. Sobrarão o presidente, Alexandre Barreto, Mauricio Bandeira Maia e Paula Farani.

Perfil

Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt tem mestrado e doutorado em ciências econômicas pela Escola de Pós Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV/RJ). É professora de micro e macro para vários MBAs da FGV/RJ e de managerial economics para o MBA de Manchester Business School.

Foi secretária-adjunta da Seae/MF, gerente-geral de assuntos corporativos da Embratel, representante da área internacional do Ibre/FGV e diretora do departamento econômico do Family Office do Grupo Libra. Foi também consultora para empresas nacionais e organismos internacionais, como o Banco Mundial, através da Davanti Consultoria e Treinamento Econômico.

No exterior, trabalhou como gerente estratégica da Cementos Progreso, na Guatemala, diretora do departamento econômico da Compañia de Comércio e Exportación, em Porto Rico, e diretora adjunta da Autoridade de desenvolvimento Local, também em Porto Rico.


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