Do Supremo

STF

Dodge quer investigar presidente do PP e ex-ministro de Dilma

Frente de investigação envolve pagamento de propina por apoio do PP a Dilma em 2014 e ação contra impeachment envolvendo JBS

Senado

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o ex-ministro Edinho Silva (PT), além de Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a chefe do MP, a apuração tem como base a delação da JBS e vai analisar suposto pagamento de propina em 2014 e 2017 em favor do senador para que o partido apoiasse o governo nas eleições presidenciais e não agisse a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em 2014, segundo os delatores da JBS, o PP teria recebido pagamentos  para compor a coligação do PT nas eleições. A maior parte do pagamento teria sido feita por meio de doações eleitorais oficiais ao Diretório Nacional do PP, contudo, uma parte do pagamento, aproximadamente R$ 2,5 milhões, foi feito em dinheiro por um supermercado do Piauí.  Ao todo, Ciro teria recebido R$ 42 milhões, sendo que o valor inicial acertado era de R$ 20 milhões.  O senador, dizem os delatores, trazia os pedidos, que eram checados com Edinho Silva, que autorizava os pagamentos. 

Após o rompimento do PMDB com o governo, em março de 2016, Joesley Batista afirmou que se encontrou com Ciro e que o senador atendeu seu pedido e adiou uma reunião partidária que provavelmente decidiria pelo desembarque do PP do Governo, atrasando a ruptura, que acabou acontecendo em 12 de abril de 2017.

Joesley contou aos investigadores que combinou que pagaria ao senador o valor de R$ 8 milhões. Este encontro aconteceu na residência do empresário em Brasília/DF. O empresário afirmou ainda que recebeu o parlamentar em sua casa em São Paulo, quando o político colocou à disposição diversos outros cargos pelos quais ele poderia defender os interesses de Joesley, dentre os quais, a presidência da CEF, da Funcef, da CaixaPar, junto a Alexandre Cordeiro, membro do CADE, e outros. O delator disse que antes de ir embora Ciro recebeu uma mala de R$ 500 mil da mãos de Ricardo Saud.

Segundo o MP, as condutas, dentro do contexto de pagamento de vantagens indevidas a membro do Congresso Nacional em razão de suas funções, em especial para não agir em relação ao processo de impeachment de Dilma Rousseff,  apontam, pelo menos, para o crime de corrupção passiva qualificada.

“Nesse cenário, de recebimento em espécie de valores indevidos por parlamentar federal, além de recebimento de vantagem indevida como doação eleitoral, não se pode deixar de destacar, também, a possibilidade de cometimento de crime de lavagem de dinheiro diante da crível chance de ter ocorrido ocultação dos valores”, escreveu Dodge.

O pedido vai ser analisado pelo ministro Edson Fachin, relator da JBS.


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