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Justiça fixa teto de 5,72% para reajuste de planos de saúde individuais em 2018

Percentual é baseado no IPCA relativo a saúde e cuidados pessoais; pedido do Idec cita relatório do TCU

imagem: Agência Brasil

O juiz José Henrique Prescendo, da 22ª Vara Cível Federal de São Paulo, decidiu (íntegra da liminar) na terça-feira (12/6) que a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) deve aplicar a inflação setorial da saúde como teto para a correção dos planos de saúde individuais e familiares em 2018. Com essa medida, o reajuste autorizado neste ano para este tipo de plano em todo o país não pode ultrapassar 5,72%. O percentual é baseado no IPCA relativo a saúde e cuidados pessoais.

A decisão é resultado de ação civil pública apresentada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). A entidade pede a suspensão do reajuste dos planos de saúde individuais e familiares, válido para os anos de 2018 e 2019. O aumento está previsto para ser divulgado nas próximas semanas pela agência.

O pedido, segundo o Idec, tem como base relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que aponta distorções, abusividade e falta de transparência na metodologia usada pela ANS para calcular o percentual máximo de reajuste dos planos individuais.

Segundo o Idec, os problemas nessa metodologia atingem diretamente 9,1 milhões de beneficiários de planos individuais, do total de 47,4 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil. Em 2015, 2016 e 2017, os reajustes permitidos pela agência superaram 13% ao ano.

Com base no documento, o Idec argumenta que a metodologia de cálculo máximo de reajuste utilizado pela ANS é a mesma desde 2001 e leva em consideração a média dos percentuais de reajuste aplicados pelas operadoras aos planos coletivos com mais de 30 usuários. O problema, ainda segundo o Idec, é que os reajustes dos coletivos, base para calcular o aumento dos individuais, são informados pelas próprias operadoras à ANS e sequer são checados ou validados de forma adequada pela agência.

O instituto também critica o que classifica como distorção apontada pelo TCU em um dos itens que compõe o reajuste. De acordo com o Idec, os custos que os planos têm devido às atualizações do rol de procedimentos, ou seja, as despesas relacionadas ao aumento de coberturas, como novos exames, tratamentos e procedimentos, estariam sendo computados em dobro desde 2009.

Essa distorção teria ocorrido porque, ao calcular o percentual de reajuste dos planos individuais, a ANS desconsiderou que tal impacto já era incorporado pelas operadoras quando essas calculam os reajustes que aplicam nos planos coletivos, que por sua vez servem de base para a ANS aumentar os individuais.

Além da liminar concedida, o Idec pede que seja reconhecida a ilegalidade e abusividade dos reajustes autorizados pela ANS desde 2009, conforme o TCU; que a agência não repita este erro nos reajustes futuros, excluindo os fatores computados em duplicidade; que a ANS compense os valores pagos a mais pelos consumidores dando descontos nos reajustes dos próximos três anos.

O instituto também quer que a agência divulgue em seu site e em três jornais de grande circulação os índices corretos que deveriam ter sido aplicados de 2009 em diante. A medida, segundo o Idec, permite que consumidores saibam o que pagaram a mais.

Por fim, o instituto pede que a agência seja condenada pagar uma indenização por danos coletivos ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), com a finalidade de financiar projetos relacionados à proteção e defesa do consumidor de planos e seguros saúde.

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A agência informou nesta quarta-feira (13/6) que não foi notificada da decisão.  Também disse que irá tomar “todas as medidas cabíveis em defesa da prevalência das deliberações técnicas feitas pela reguladora”.


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