Mercado

Brasília

Justiça transforma em réus ex-dirigentes da Petros por gestão fraudulenta

Investigação apura aportes irregulares do fundo de pensão da Petrobras na Multiner S.A.

petros
Crédito: Fernando Frazão / Agência Brasil

A Justiça Federal de Brasília transformou em rés 13 pessoas, entre ex-dirigentes do fundo de pensão de funcionários da Petrobras (Petros), acusados de gerirem o fundo de forma fraudulenta. A investigação ocorre no âmbito da operação Greenfield. O processo corre sob o número 1030131-91.2019.4.01.3400, cujo sigilo foi levantado pelo juiz federal Vallisney de Souza Ferreira.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), os dirigentes permitiram a aprovação de aportes em condições irregulares de 2009 a 2014 .

Em 2009, segundo o MPF, foi aprovado um aporte por parte da Petros de R$ 102 milhões em favor da empresa Multiner S.A., por meio de um fundo de investimentos em participações, “sem a observância dos deveres de diligência e por meio da utilização de documentos fraudulentos” elaborados pela por uma empresa de consultoria.

Entre os denunciados do MPF estão Wagner Pinheiro de Oliveira, ex-presidente da Petros, Luís Carlos Fernandes Afonso e Newton Carneiro da Cunha, ex-diretores financeiro e administrativo da instituição, respectivamente.

De acordo com o despacho do juiz federal, além do aporte irregular na Multiner, eles também teriam desviado mais de R$ 41 milhões para investir no Fundo de Investimentos em Participações da Multiner (FIP MULTINER). Para o MPF, isso ocorreu “em flagrante benefício aos referidos sócios da empresa Multiner S.A.”.

Em 2012, segundo a Procuradoria da República, quando já tinham ciência que o investimento realizado daria prejuízo à Petros, os ex-dirigentes ainda teriam aprovado um novo aporte, novamente de R$ 102 milhões.

Já em 2014, um novo aporte fraudulento teria ocorrido na empresa por parte da Petros: dessa vez, de R$ 57,8 milhões.

No recebimento da denúncia, o juiz Vallisney de Souza Oliveira afirmou que a denúncia cumpre os requisitos do Código de Processo Penal.

“Está demonstrada até agora a plausibilidade das alegações contidas na denúncia em face da circunstanciada exposição dos fatos tidos por criminosos e as descrições das condutas em correspondência aos elementos que instruem a denúncia”, assinalou o magistrado.

Além dos ex-dirigentes da Petros, viraram réus José Augusto Ferreira dos Santos, ex-sócio controlador da Multiner S.A., Humberto Pires Grault Vianna de Lima, representante da Gestora Vitória Asset Management, Diego de Magalhães Ozorio e Luiz de Magalhães Ozorio, sócios da LD Consultoria em Informática, que foram responsáveis por estimar o valor da Multiner S.A..

Todos eles negam as acusações.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito