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Novo presidente do BNDES promete abrir ‘caixa-preta’, que pode não existir

Segundo Gustavo Montezano, dois meses serão necessários para haver clareza sobre o tema

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, durante entrevista coletiva, no Ministério da Economia. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou que sua primeira e principal meta à frente da instituição pública financeira será abrir a “caixa-preta” do banco e explicitá-la para a sociedade brasileira.

O problema, segundo o próprio presidente, é que não há clareza se essa caixa-preta ainda existe. Questionado diversas vezes por jornalistas em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (16/7), no Ministério da Economia, Montezano disse que ainda não tem posição formada sobre o tema e que precisará de dois meses para tal.

“Tenho cabeça aberta e limpa. É prematuro, dois meses é prazo curto, mas é importante que seja feito o quanto antes para tirar esse peso e aliviar a agenda do banco”, afirmou o novo presidente.

Questionado pelos jornalistas se, após esse prazo, ele chegar à conclusão de que não há caixa-preta e isso então desagradar ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), Gustavo Montezano afirmou que será preciso ser “transparente”.

“O governo não pode se preocupar se informação agrada A ou B, nosso propósito será falar a verdade. Se no final alguém ficar infeliz, não consigo controlar isso”, disse o executivo.

A não abertura da chamada “caixa-preta” do BNDES foi um dos fatores que levaram Bolsonaro a fazer cobranças duras ao ex-presidente do banco Joaquim Levy, que pediu demissão em junho deste ano.

Na coletiva, Montezano explicitou outras quatro metas de seu mandato à frente do BNDES: acelerar a venda de participações acionárias que o banco detêm; concluir, até o fim do ano, a devolução de R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional; estabelecer um plano trienal para a instituição; e tornar o banco uma prestadora de serviços ao governo, em vez de conceder empréstimos.

Venda de ações

Com relação à venda das ações de companhias abertas, Montezano falou que sua diretoria está estudando o quanto será desinvestido. Atualmente, cerca de R$ 110 bilhões estão sob posse do banco.

“São posições especulativas. Há segmentos de investimento público que dão mais retorno à sociedade do que deter ações”, declarou.

Além disso, para o novo presidente, não está clara qual parcela da carteira acionária será vendida.

Devolução ao Tesouro

Montezano também falou que pretende concluir a devolução de R$ 126 bilhões aos cofres do Tesouro Nacional ainda este ano. Desde janeiro, R$ 40 bilhões já foram devolvidos.

O restante, cerca de R$ 150 bilhões, segundo ele, devem ser devolvidos até o fim de sua gestão, em 2022.

A venda das ações e a devolução dos recursos não impactará, segundo Montezano, a capacidade do banco de prestar serviços de auxílio para concessões e privatizações, sua última meta à frente da instituição financeira.


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