Do Supremo

'diálogo cabuloso'

Rosa Weber aponta suspeição para analisar pedido de afastamento de Moro

Ministro da Justiça já trabalhou no gabinete da ministra no STF. PT aponta prevaricação em divulgação de grampo

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Ministra Rosa Weber / Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, se declarou suspeita para julgar notícia-crime do PT contra o ministro da Justiça, Sergio Moro, que pede seu afastamento do cargo cautelarmente. A ministra justificou “razões de foro íntimo” e pediu que o caso seja redistribuído pela Presidência da Corte.

Moro, até então juiz federal da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, foi designado no início de 2012 como assessor da ministra no STF, quando trabalhou com Rosa no voto para o julgamento do mensalão do PT, que se destacou pela tese sobre lavagem de dinheiro. Ex-juiz que se notabilizou pela Lava Jato, Moro é doutor pela Universidade Federal do Paraná e autor do livro “Crime de Lavagem de Dinheiro”.

“Razões de foro íntimo levam-me a invocar o art. 145, § 1º, do CPC, combinado com o art. 3º do CPP. Encaminhem-se, em decorrência, os autos ao eminente Presidente desta Suprema Corte para fins de redistribuição”, escreveu a ministra.

O caso envolve uma notícia-crime do PT  (PET 8300) contra o ministro da Justiça, Sergio Moro, e investigadores da PF pela divulgação de um áudio no qual um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) diz que mantinha um “diálogo cabuloso” com o partido.

O PT afirma que o vazamento do áudio é uma armação “forjada” e que  “vem no momento em que a Polícia Federal está subordinada a um ministro acuado pela revelação de suas condutas criminosas”.

Os áudios fazem parte da Operação Cravada que tinha como alvo membros do núcleo financeiro do PCC que agia de dentro de presídios do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Relatório da PF relata “indicativos de vínculos da organização criminosa PCC com partidos políticos”. No entanto, a investigação está concentrada em outra linha e essa aproximação com partidos não seria objeto de investigação.”

O PT afirma que houve prevaricação, isto é, o ato de tornar público elementos que, sabidamente, não possuem qualquer verossimilhança com a realidade, e que até então pertenciam a
investigações sigilosas, apenas para provocar o murmurinho em detrimento do Partido dos Trabalhadores.

“Dessa forma, torna-se evidente que o noticiado Sergio Moro, em razão dos recorrentes episódios que melindram a confiabilidade de sua figura à frente da pasta da Justiça e Segurança Pública, não possui condições de permanecer no cargo e, nos termos do art. 319, IV do Código de Processo Penal, deve ser afastado cautelarmente”.


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