Do Supremo

PGR

Na reta final do mandato, Dodge diz que apoiou intensamente a Operação Lava Jato

A PGR disse que ações que estão em sigilo no STF ‘expressarão o empenho’ com que ela atuou no futuro

Pezão; Raquel Dodge; eleitoral
Procuradora-geral da República, Raquel Dodge Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em seu último dia atuando como procuradora-geral da República no Supremo Tribunal Federal, Raquel Dodge disse que cumpriu seu papel ao comandar o Ministério Público e disse que está convencida de que apoiou intensamente a Operação Lava Jato.

A chefe do MPF chegou ainda a se emocionar ao falar de “sintomas” que mostram certo enfraquecimento da democracia e disse que ainda não decidiu se irá se aposentar após o fim do mandato.

Dodge fica no comando da PGR até 17 de setembro. Até que Augusto Aras, indicado por Jair Bolsonaro, seja aprovado no Senado, é o subprocurador Alcides Martins quem assume. Alcides é presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF).

Dodge rebateu críticas de que, sob sua gestão, a Lava Jato enfraqueceu. Desde que assumiu, de acordo com dados divulgados no início deste ano pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, foram homologados 110 acordos de colaboração premiada. Apenas um ocorreu na gestão Dodge, iniciada em setembro de 2017.

“A maior parte das peças que ajuizei aqui no STF estão sob segredo de justiça, são sigilosas, e no tempo próprio elas expressarão o empenho com que eu trabalhei no enfrentamento da corrupção naquilo que me cabe de atuação originária aqui no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça”, falou Dodge.

Disse ainda que deu “toda a estrutura necessária” para os membros das forças-tarefa da Lava Jato no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. “Dotando não só toda a procuradoria com a verba necessária para fortalecer essa atuação como também apoiando todas as iniciativas que eles tiveram que chegaram ao meu conhecimento na forma de requerimento. Não teve nada que foi indeferido e, pelo contrário, muito foi fortalecido”, falou.

E continuou: “Em relação a todos os recursos que chegaram para minha atuação pessoal, empenhei-me também, muito pessoalmente, em sustentar todas as teses necessárias pro enfrentamento da corrupção, então nesse sentido estou com muita clareza e muito convencimento pessoal de que apoiei intensamente esse trabalho”.

Repetindo o tom que adotara em discurso no plenário do Supremo Tribunal Federal horas antes, Dodge disse que o grande desafio do século 21 para o Brasil e para o mundo é não deixar que as democracias morram. Em sua visão, há “muitos sinais de retrocesso” nas democracias pelo mundo.

A procuradora-geral da República falou que fortalecer as democracias é um papel das instituições e também da sociedade. “Posso testemunhar ao longo desses dois anos que a sociedade brasileira está muito atenta sobre o que está acontecendo, demanda resolutividade das instituições, critica as instituições e isso é muito correto e cobra resultados. Acho que é um sinal de que a sociedade brasileira está não só atenta, mas mais amadurecida”, falou.

Dodge falou que problemas que atingem o país, como serviços públicos precários nas áreas da saúde, no transporte e na proteção da vida humana e alto desemprego, são “sintomas de que devemos ficar atentos para fortalecer esse tecido social e, com ele, a democracia brasileira”. “Eu me empenhei muito para trabalhar nessas áreas mais nodais, achando que, fazendo assim, a gente conseguiria fortalecer essa promessa de sociedade que está na nossa Constituição”, falou, com a voz embargada.

Raquel Dodge disse que está fazendo a transição em conjunto com Aras e Alcides Martins, que assumirá interinamente, e não sabe se irá se aposentar após o fim do mandato.


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito