Do Supremo

Após vazamentos

‘Fica desgastado em termos de nome para o Supremo’, diz Marco Aurélio sobre Moro

Para Ministro, presidente colocou o ministro Sergio Moro ‘numa sabatina permanente’ quando anunciou acordo

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Ministro Marco Aurélio Mello, do STF | Crédito: Carlos Humberto/SCO/STF

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, nesta terça-feira (11/6), que uma eventual indicação de Sergio Moro para ocupar uma cadeira na Corte está fragilizada após os vazamentos de conversa do ministro da Justiça com procuradores do Ministério Público Federal (MPF), divulgados pelo site The Intercept Brasil.

Para o ministro do STF, Moro foi colocado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, numa “sabatina permanente” ao anunciar que foi feito um acordo para que ele fosse indicado ao Supremo após ocupar o cargo de ministro da Justiça. Marco Aurélio afirmou ainda que a divulgação das conversas, se verdadeiras, “não robustece o perfil dele nessa caminhada – ao contrário, fragiliza o perfil”.

“O presidente o colocou numa sabatina permanente quando anunciou que houvera um acordo para ele deixar uma cadeira efetiva sem direito a aposentadoria, abandonando 22 anos de magistratura, para vir para a Esplanada ser auxiliar dele, presidente da República. Isso implicou colocá-lo na vitrine, e aí para quem está na vitrine o estilingue funciona. Então, ele ficará sendo acuado esse tempo todo, até 1 de novembro de 2020, quando o ministro Celso de Mello se aposenta compulsoriamente, e fica desgastado em termos de nome para o Supremo”, disse o ministro.

Marco Aurélio ainda falou que não compreende como Moro deixou o cargo de juiz para assumir o Ministério da Justiça. “Como é que se deixa um cargo efetivo dessa forma? Menosprezo à magistratura? Se foi, ele não está credenciado para o Supremo”, falou.

O ministro avaliou que o teor das conversas divulgadas são discrepantes com a “organicidade do Judiciário”, e disse que não se admitiria o mesmo teor de troca de informações com a defesa. “Todos nós somos contra a corrupção, mas não um combate a ferro e fogo, porque aí é retrocesso”, disse Marco Aurélio.

“O juiz dialoga com as partes – e o Ministério Público é parte acusadora, é o Estado acusador – no processo, com absoluta publicidade, com absoluta transparência. Se admitiria um diálogo com os advogados da defesa? Não. Também não se pode admitir, por melhor que seja o objetivo, com o Ministério Público”, opinou.


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