Jazz

Maior guitarrista vivo

Bill Frisell e Thomas Morgan ao vivo no Vanguard

ECM lança Epistrophy, novo álbum do duo guitarra-baixo

Foto: divulgação

“Bill Frisell é o nosso maior guitarrista vivo. Thomas Morgan é o mais talentoso baixista surgido na cena jazzística no novo milênio. No formato minimalista do duo (…), o som cintilante, encantador, de Frisell e sua atuação sempre ousada ficam ainda mais evidentes”.

O comentário é do eminente crítico Thomas Conrad quando da edição pela ECM, em 2017, do álbum Small Town, registro de sets desse par de ases, em noites de março do ano anterior, no Village Vanguard – o “santuário” novaiorquino do jazz.

O mesmo refinado selo de Manfred Eicher (comemorando este ano o 50º aniversário de fundação) vem de lançar outros nove takes daquelas apresentações, reunidos no CD intitulado Epistrophy. São ao todo 68 minutos de música sofisticada, quase camerística, criada por 10 cordas que se entrelaçam com engenho e arte admiráveis. Ou seja, com o rigor exigido pela inteligência (a técnica) e o “descuido da emoção” (o swing e a improvisação típicas do jazz).

No programa bem variado do novo disco do duo Frisell-Morgan há cinco canções ou standards mais ou menos conhecidos, e quatro composições jazzísticas de nascimento.

No primeiro grupo, os temas são os seguintes: All in fun (8m35), que Jerome Kern escreveu para um musical da Broadway de 1939; uma combinação de Wild flower/Save the last dance for me (9m35); You only live twice (8m10), daquele filme de James Bond/Sean Connery de 1967; Red River Valley (8m10), do repertório country; In the wee small hours of the morning (6m55), standard lançado por Frank Sinatra na década de 1950, e que foi recriado por jazzmen tão diversos como Art Blakey, Gerry Mulligan e Keith Jarrett.

As peças de pedigree jazzístico da setlist são particularmente marcantes: a swinging faixa-título Epistrophy (7m25) e a balada Pannonica (7m05), joias das mais preciosas do legado de Thelonious Monk (1917-1982), o “High Priest of Bebop”; Lush life(4m35), aquela impressionista composição que Billy Strayhorn (1915-1967), o alter ego de Duke Ellington, escreveu na década de 1930, embora só revelada no concerto da orquestra no Carnegie Hall, em 1948; Mumbo jumbo (8m), de autoria do inesquecível baterista-compositor Paul Motian (1931-2011), que foi parceiro do guitarrista Frisell em mais de 15 álbuns, dentre os quais destaco Time and Time Again (ECM, 2006), em trio completado pelo saxofonista Joe Lovano.

Na review do novo registro da dupla Frisell-Morgan, ao vivo, no Village Vanguard, publicada no site All About Jazz, John Kelman sintetizou muito bem: “Durante o set todo, a empática conexão de Morgan com Frisell é palpável. Enquanto há passagens nas quais eles tocam solos delineados, a maior parte do tempo é consumida numa espécie de espaço igualitário onde a música é mais uma conversação do que qualquer outra coisa. E que se move quase sempre em direções imprevisíveis”.

(Samples do álbum Epistrophy em: www.ecmrecords.com/catalogue/1548675766)


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