Jazz

27º álbum

As Long Waves de Franco Ambrosetti

Pistonista lidera quinteto com DeJohnette, Scofield, Uri Caine e Scott Colley

Em entrevista a um jornalista alemão, em 1987, Miles Davis – reconhecidamente avarento em matéria de elogios – declarou: “Há um bom trompetista no grupo de George Gruntz que eu ouvi no Festival de Jazz de Berlim. Ele toca pra cacete. Se tivesse de escolher um trompetista eu o escolheria. E não Wynton (Marsalis), nem Freddie (Hubbard). E Woody Shaw morreu. Então eu escolheria ele”.

O “Príncipe as Trevas” referia-se ao suíço Franco Ambrosetti, um dos mais respeitados jazzmen europeus, ainda ativo e criativo aos 77 anos. Tanto que a citação acima está no texto de apresentação de Long Waves (Unit Records), o 27º álbum do pistonista como líder, já disponível nas lojas e plataformas virtuais.

Não se trata apenas de mais um ítem importante na discografia de Ambrosetti. É, sim, um registro fora de série, já que ele comanda um quinteto integrado por quatro músicos norte-americanos que são estrelas de primeira grandeza no firmamento do jazz: o extraordinário baterista Jack DeJohnette, 76 anos, sagrado jazz master pela NEA (2012); o guitarrista John Scofield, 67; o pianista Uri Caine, 62; o baixista Scott Colley, 55.

Durante um break na sessão de gravação de Long Waves, em janeiro último, o trompetista-líder comentou: “Sinto-me como se estivesse tocando com este grupo há uns cinco anos. Estamos atuando, ouvindo e reagindo conjuntamente. Não se trata de cada um tocar o que lhe vem à cabeça não. É mais como se fosse uma conversa constante”.

A carreira do guitarrista Scofield atingiu o topo de visibilidade em fevereiro de 2017 quando, repetindo o feito do ano anterior, levou o 59º Grammy de “melhor álbum de jazz instrumental” com Country for Old Men (Impulse). No 58º Grammy ele também ganhara idêntico “gramofone de ouro” por conta de Past and Present, também da Impulse, num reencontro com o grande saxofonista Joe Lovano. Ele diz que o agora lançado Long Waves é o melhor disco que já fez com Ambrosetti.

Sobre o pianista Uri Caine reescrevo o comentário que fiz nesta coluna, recentemente (15/6), quando da edição de Devotion (Greenleaf), em trio com o trompetista Dave Douglas e o baterista Andrew Cyrille: “De formação erudita e apurada técnica, concebe o jazz como o ‘som da surpresa’, não se contentando apenas com o conforto harmônico dos acordes de base (…) É tão íntimo de Bach ou Mahler como de Thelonious Monk ou Cecil Taylor”. O baixista Scott Colley – o mais “moço” do quarteto de Ambrosetti – exibe uma invejável folha corrida, com serviços prestados a Herbie Hancock, Andrew Hill, Michael Brecker, Pat Metheny, dentre outras sumidades.

Na maioria das sete faixas de Long Waves o líder Ambrosetti dá preferência ao som mais redondo, caloroso, envolvente, do flugelhorn – o irmão mais gordo do trompete. Na setlist, os temas mais conhecidos são a balada Old folks (8m35) e On Green Dolphy Street (9m05). As composições de autoria do pistonista são: Milonga (7m10), romântica, em tempo lento; Silli’s waltz (5m25) e Silli’s long wave (8m45), dedicadas à Madame Ambrosetti.

(Samples de Long Waves em: https://music.apple.com/us/album/long-waves/1463109137)


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