Justiça

Os 29 anexos da delação de Lúcio Funaro

Temer, Cunha, impeachment, doleiros, Eike Batista estão entre os alvos do doleiro

Foto: EBC

ANEXO 1 – MONITORAMENTO PARA EVITAR COLABORAÇÃO PREMIADA

COLABORADOR esclarece que conheceu Joesley Batista em 2011; Que no ano de 2015, a partir do mês de maio do mesmo ano, começou haver uma preocupação por parte do COLABORADOR e de Joesley a respeito do bloqueio das contas de Eduardo Cunha na Suíça; Que esse fato poderia fazer com que o Deputado Eduardo Cunha viesse a ser cassado ou a ter problemas no seu âmbito de influência política, fazendo com que o projeto tanto do COLABORADOR quanto de Joeslye pudesse ficar comprometido, pois a partir de então as nomeações de cargos no governo federal e as definições de pauta para Câmara dos Deputados deixaria de estar sob o comando de Cunha. QUE a preocupação era tão visível no COLABORADOR quanto em Joesley; Que, por ocasião do acompanhamento do processo junto às autoridades suíças, o COLABORADOR esteve reunido em Genebra com o advogado de Eduardo Cunha; Que esse advogado foi indicado a Cunha pelo próprio COLABORADOR; Que o nome do advogado é “Didier”; Que esse advogado prestou depoimento no Conselho de Ética a pedido de Cunha; Que o COLABORADOR pagou parte dos honorários desse advogado, não sabendo quem pagou a outra parte; Que Cunha outorgou a procuração a esse advogado na cidade de Cascais, Portugal; Que o COLABORADOR também se reuniu com esse advogado na Suíça para se inteirar da situação; Que a situação não era boa porque os documentos apresentados pelo advogado eram muito ruins, especialmente porque o procurador Stephen Lenz detinha vários documentos que indicavam que iriam transferir o processo de Cunha para o Brasil; Que nessa reunião com Diddier na Suíça também participou o sobrinho de João Augusto Heniques, operador de Cunha, o ex-Fernando Diniz e outros; Que a conta de Cunha foi “contaminada” por conta de transferências feitas por Henriques e por essa razão o sobrinho dele estava na reunião; Que o COLABORADOR passava todas essas informações para Joesley; Que Francisco de Assis, advogado do grupo JBS, certa vez indagou ao COLABORADOR se não queria conhecer um advogado que prestava serviços na Suíça para o grupo e que poderia ajudar na situação de Cunha; Que o nome desse advogado era Lucio Velo. QUE houve um almoço com o intuito de Francisco apresentar o COLABORADOR ao advogado Lucio Velo; Que nesse almoço também estava presente o advogado tributarista do grupo , de nome Bichara; Que esse almoço foi no restaurante Varanda, no shopping JK; Que no mês de outubro de 2015 o COLABORADOR começou a perceber que poderia ser alvo de investigações ou medidas judiciais; Que nessa época a Receita Federal começou a intimar o COLABORADOR para prestar uma série de informações; Que no dia 11 dezembro de 2015 o Joesley compareceu à casa do COLABORADOR acompanhado da esposa, ocasião em que trataram do crédito da compra da Alpargatas; Que nessa ocasião, em razão das preocupações acima relatadas, o COLABORADOR combinou com Joesley que a comissão devida ao COLABORADOR em razão da operação da Alpargatas e outros valores pendentes, ficaria com o próprio Joesley a fim de que o crédito fosse utilizado para amparar a família do COLABORADOR na eventualidade de ocorrer a prisão do COLABORADOR; Que no dia 15 de dezembro de 2015 o COLABORADOR foi alvo de busca e apreensão na operação Catilinárias; Que ao procurar um advogado foi-lhe indicado o advogado Antônio Mariz Oliveira; Que Joesley chamou o COLABORADOR no dia 18 de dezembro de 2015 para ir a sua casa, ocasião em que foi-lhe indagado se havia sido apreendido alguma coisa comprometedora em seu local de trabalho; Que nessa ocasião Joesely já estava de posse de cópia da Ação Cautelar 4044 (Operação Catilinárias); Que Joesley falou que quem lhe passou cópia dessa ação foi o advogado José Gerardo Grossi e que o conhecia em razão de uma venda de uma fazenda; Que Joesley nessa ocasião falou “vamos tocando juntos”, “vamos amarrar as pontas”, ou seja, Joesley estava combinando que combinassem as versões; Que nesta mesma reunião do dia 18 de dezembro de 2015 Joesley e seu advogado Francisco propuseram ao COLABORADOR fazer um contrato guarda-chuva a fim de dar aparência de legalidade aos negócios já efetuados entre o COLABORADOR e Joesley; Que esse contrato tinha função de dar dupla tranquilidade, ao grupo J&F e origem para os pagamentos efetuados as empresas do declarante ou de sua responsabilidade e de dar tranquilidade ao declarante de ter seus créditos reconhecidos pelo grupo J&F; Que essas conversas reforçaram o pacto que o COLABORADOR e o Joesley havia fechado no dia 11 de dezembro de 2015. QUE Joesley e Francisco chamaram Natalino Bertin para também alinhar contratos e discursos; Que no mês de fevereiro ou março de 2016 o COLABORADOR compareceu ao escritório de seu advogado Antônio Mariz, acompanhado de Francisco de Assis, advogado de Joesley; Que o objeto dessa reunião era deixar Francisco a par da estratégia de defesa, demonstrando assim que as partes estavam alinhadas; Que em caso de alguma discordância por parte de Francisco ou Joesley com relação à condução da defesa do COLABORADOR, Francisco e Joesley teriam a chance de explicitar ao COLABORADOR de imediato qual seria o problema; Que melhor explicando, Joesley queria acompanhar de perto, minuciosamente, qual seria a linha da defesa técnica do COLABORADOR, podendo inclusive sugerir estratégias; Que, em outra ocasião, entre fevereiro e junho de 2016, antes do COLABORADOR ser preso, Joesley chamou o COLABORADOR novamente em sua casa para conversarem sobre a situação de Eduardo Cunha; Que o COLABORADOR disse a Joesley que Cunha “estava se segurando”; Que nessa reunião Joesley disse que, caso acontecesse algo com Cunha, o COLABORADOR deveria “sair na frente”; Que “sair na frente” significa buscar fazer uma colaboração premiada, resguardando Joesley; Que Joesley tinha muito preocupação no sentido de que o COLABORADOR pudesse se juntar a Cunha e ambos delatassem Joesley e seus parceiros políticos, por isso queria garantir que o COLABORADOR permanecesse fiel; Que Joesley tinha medo da delação do COLABORADOR e da de Cunha; Que no primeiro semestre de 2016 o advogado Francisco de Assim foi por várias vezes à casa do COLABORADOR e ao seu escritório par saber como andava a situação processual do COLABORADOR; Que em uma dessas ocasiões encontrou com o irmão do COLABORADOR, de nome Dante; Que o COLABORADOR nessa ocasião afirmou na frente dos dois que, qualquer necessidade de dinheiro, caso acontecesse algo com o COLABORADOR, deveria ser suprida pelo grupo J&F, através de contato com Francisco ou Joesley; Que, com relação ao contrato guarda-chuva acima referido, o COLABORADOR deseja informar que quando assinaram o contrato, o assinaram com data retroativa a 2012 e que assinaram o contrato em duas vias, tiraram cópias, e destruindo o original. QUE esse contrato foi assinado em dezembro de 2015 ou janeiro de 2016; Que a intenção era que não houvesse originais para “não dar perícia”; Que, após a prisão do COLABORADOR, conforme estabelecido anteriormente, Dante procurou Francisco para receber parte do dinheiro devido ao COLABORADOR; Que Francisco afirmou que precisaria de alguns dias para que pudesse conseguir o dinheiro em espécie; Que foram feitos dois pagamentos a Dante, no valor de R$ 600.000,00 cada um, nos meses de julho e agosto, e para Roberta, irmã do COLABORADOR, foram feitos os seguintes pagamentos: um pagamento no valor de R$ 600.000,00; no mês de setembro e mais sete pagamentos de R$ 400.000,00, nos meses de outubro, dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril e maio, este último antecipado para final de abril. QUE em virtude desses pagamentos o COLABORADOR estava tranquilo no sentido de que Joesley estava cumprindo o pacto feito entre os dois; Que a certeza de que Joesley iria honrar esses compromissos e manter a família do depoe COLABORADOR nte segura financeiramente trazia tranquilidade ao COLABORADOR; Que, por outro lado, Joesley também se sentia seguro no sentido de que o COLABORADOR não iria tomar nenhuma medida contra os interesse dele e seu grupo; Que o COLABORADOR sabia que Joesley monitorava o ânimo do COLABORADOR em cumprir o pacto de silêncio e fidelidade através de contatos com a esposa do COLABORADOR, que é amiga da esposa de Joesley; Que esse monitoramento do ânimo do COLABORADOR também era feito por outras pessoas da família de Joesley em contatos com a família do COLABORADOR; Que no caso da irmã do COLABORADOR esse monitoramento era feito pelo advogado Francisco de Assis, quando do pagamento dos recursos; Que não passava pela cabeça do COLABORADOR que Joesley pudesse quebrar o pacto e delatar o COLABORADOR; Que essa sensação de segurança existia por conta dos pagamentos regulares feitos e por conta dos contatos feitos entre as duas famílias. QUE o declarante também enviava mensagens a Joesley no sentido de que esse ficasse seguro de que o COLABORADOR não delataria o grupo; Que em uma dessa situações o COLABORADOR enviou, por meio de sua irmã, uma mensagem para Francisco dizendo que “gente frouxa é uma merda”; Que essa frase era uma frase frequente na interlocução entre o COLABORADOR e Francisco e que, portanto, seria uma maneira fácil de Francisco compreender que realmente tratava-se de uma instrução do COLABORADOR para mudar a pessoa a quem era entregue os valores mensais; Que, explicando melhor, o COLABORADOR estava avalizando a mudança do interlocutor, do Dante para Roberta, e que os pagamentos poderiam ser pagos a esta; Que também houve uma situação em que o COLABORADOR foi informado por sua advogada que sua irmã Roberta confirmou que levou a Francisco outro recado, dentro de uma caneta Bic, no intuito de tranquilizar Joesley e Francisco quanto ao compromisso firmado entre o COLABORADOR e Joesley; Que, caso os pagamentos fossem suspensos, o COLABORADOR iria “estourar ele”, ou seja, iria executar títulos de crédito contra ele; Que certamente o ânimo do COLABORADOR em delatar Joesley também aumentaria significantemente; Que, contudo, a opção da delação incriminaria não somente Joesley mas também uma série de pessoas, dentre elas Geddel Vieria Lima, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Gabriel Chalita, Henrique Constantino e Michel Temer, de forma tangencial, entre outros; Que, com a certeza do rompimento do pacto por parte de Joesley, o COLABORADOR decidiu procurar o Ministério Público para fazer a colaboração premiada. QUE, no final de junho de 2016, o COLABORADOR estava em tratativas com o escritório Figueiredo Basto e, sem querer, acabou enviando a proposta de honorários para seu advogado à época, Dr. Antonio Cláudio Mariz de Oliveira; Que, logo após ao envio do arquivo por email, seu telefone deu sinal de recebimento de mensagem por meio do aplicativo Wicker, o qual era usado pelo COLABORADOR e várias pessoas para tratar de coisas sigilosas; Que nessa ocasião tratava-se de uma mensagem de Geddel Vieira Lima; Que Geddel perguntou se o COLABORADOR estava fazendo delação; Que COLABORADOR negou a informação e perguntou a razão da indagação; Que Geddel afirmou que a notícia havia chegado no Palácio do Planalto; Que, diante disso, o COLABORADOR percebeu que havia mandado a mensagem contendo a proposta de honorários do escritório Figueiredo Basto, escritório especializado em colaboração premiada, de forma equivocada para o advogado Mariz. QUE o COLABORADOR percebeu que a informação havia sido passada por Mariz a Michel Temer e que Temer prontamente acionou Geddel para sondar o COLABORADOR; Que o COLABORADOR ficou com muita raiva e ligou para Mariz xingando o advogado de “vagabundo” por ter quebrado o sigilo profissional; Que essa informação só poderia ter chegado a Temer de duas maneiras, uma diretamente por contato entre o advogado Mariz e Michel Temer, também seu cliente, e posteriormente passada a Geddel ou por intermédio de José Yunes e Mariz de Oliveira, cuja prima é casada com Yunes; Que nessa época José Yunes também trabalhava no Planalto como assessor de Temer; Que o COLABORADOR não conversava com Yunes ou Temer diretamente, daí a necessidade de acionar Geddel; Que, após a desconstituição de Mariz de sua defesa, o COLABORADOR continuou sendo monitorado quanto a possibilidade de fazer colaboração; Que, esclarecendo essa afirmação, explica que em razão do conflito com Mariz procurou o advogado Eduardo Ferrão, contudo esse não poderia atuar na lavajato; Que então pediu que Ferrão indicasse um outro advogado, sendo indicado o advogado Daniel Gerber; Que Gerber também passava informações para Joesley e Francisco sobre a estratégia de defesa do COLABORADOR. QUE Daniel Gerber dizia que conseguiria a soltura do COLABORADOR na audiência de custódia e que por isso não haveria necessidade de se fazer colaboração; Que, como o COLABORADOR não foi solto, ficou nervoso e falou com Gerber no dia da audiência de custódia “fala pro teu chefe (Ferrão), pro Padilha (Eliseu) que eu vou arrebentar com todo mundo”; Que nesse dia Gerber jã não era mais advogado do COLABORADOR, porém compareceu ao ato processual; Que Gerber afirmou que, ouviu do advogado Ferrão, que o COLABORADOR não foi solto porque o COLABORADOR contratou outro escritório para acompanhar a audiência; Que, questionado qual a relação de Eliseu Padilha com o fato explicou que Eliseu Padilha é cliente e amigo íntimo de Ferrão. QUE, por ocasião do vazamento do boato de que o COLABORADOR faria colaboração, Eliseu Padilha também foi correndo falar com Gerber para saber se o COLABORADOR estava fazendo de fato delação; Que, em razão do contato de Padilha, Gerber foi ao encontro do COLABORADOR na Papuda indagar sobre o tema; Que esse evento ocorreu antes da audiência de custódia. QUE também era monitorado através de um advogado de Brasília chamado MARCOS JOAQUIM, ligado a EDUARDO CUNHA, o qual ligava para a esposa do COLABORADOR e perguntava sobre intenções de delação e sua estratégia de defesa. QUE quando de sua prisão, JOESLEY se aproximou de GEDDEL e enviava recados para políticos e membros do Governo de que estava “cuidando do LUCIO”. Que JOESLEY procurou MICHEL TEMER e outros membros do PMDB e avisou que a situação estava sob o controle, requisitando favores e boa vontade do GOVERNO em troca disso. QUE efetivamente não pagou os valores integrais que devia ao COLABORADOR. Que no dia em que sua irmã foi presa, o GOVERNO entrou em pânico, e GEDDEL começou a ligar a esposa do COLABORADOR, que ligou três vezes naquele dia, e continuou as investidas com a esposa do COLABORADOR, conforme relatado nos documentos em anexo. QUE o COLABORADOR decidiu colaborar após a prisão de sua irmã.
Elementos comprobatórios: 1. Troca de mensagens com GEDDEL; 2. Registros telefônicos com GEDDEL; 3. E-mail trocados com advogados; 4. Registros de entrada da PAPUDA; 5. Depoimentos prestados a Policia Federal de Brasília; 6. Telefone de RAQUEL PITTA, o qual contem mensagens e ligações de GEDDEL.

ANEXO 2 – RELAÇÕES COM O GRUPO JBS – NEGOCIAÇÕES COM AGENTES PÚBLICOS E POLÍTICOS PARA BENEFICIO DA JBS. PAGAMENTOS DE PROPINAS ATRAVÉS DE COMISSÕES AO COLABORADOR.
QUE o primeiro contato que teve com o grupo JBS foi através de JOESLEY BATISTA em 2011. QUE conheceu ele através do PAULINHO DE ANDRADINA (PAULO SÉRGIO DE OLIVEIRA FORMIGONI), conforme já narrado em anexo anterior. Que o primeiro projeto que trabalhou para o Grupo JBS foi o relacionado a liberação de um financiamento do FI/FGTS para a ELDORADO CELULOSE. Que as tratativas foram travadas com JOESLEY BATISTA e com o presidente da ELDORADO, ADÉSIO LIMA (EX-VICE PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL e pessoa de extrema confiança do JOESLEY). QUE após a definição de que o COLABORADOR iria atuar dentro da CEF, começaram os encontros com ADÉSIO para as tratativas técnicas do projeto, ressalta-se que nunca tratou de comissões e pagamentos de propina com ele. QUE estes assuntos eram tratados com JOESLEY, JOSÉ CARLOS KRUBZIC e WESLEY BATISTA. QUE mantinha relacionamento profissional com outro executivo da JBS, FRANCISCO DE ASSIS, o qual geria a parte jurídica, e com quem o COLABORADOR atuou na aquisição do GRUPO BIG FRANGO, operação lícita. QUE a JBS tinha um funcionário chamado DENILTON, o qual era responsável por produzir e operar o caixa 2 e contabilidade paralela (a qual englobava grande parte dos recebimentos do COLABORADOR). QUE DENILTON foi quem organizou os pagamentos feitos ao COLABORADOR no exterior. QUE após a deflagração de operações que envolveram a JBS, JOESLEY proibiu inicialmente DENILTON de frequentar as dependências da JBS e acabou o enviando para o exterior para evitar sua prisão. QUE assim, o COLABORADOR ficou sem acesso ao saldo de sua conta corrente junto ao grupo J&F, até o SR. ANTÔNIO BARRETO assumir essa função. QUE de seus interlocutores no GRUPO JBS os que tratavam de assuntos relacionados a propina eram JOESLEY, WESLEY, JOSÉ CARLOS KRUBZIC, ANTÔNIO BARRETO E DENILTON e raramente com RICARDO SAUD. QUE para recebimentos no exterior, a JBS utilizava os serviços de um doleiro chamado RAUL, baseado no Uruguai, fato esse confirmado pelo doleiro TONY que prestava serviços ao COLABORADOR. QUE não teve muitos recebimentos através de operação de câmbio no exterior, sendo que a maioria dos recebimentos advindos da JBS foram através de emissão de nota fiscais emitidas pelas empresas do COLABORADOR. QUE quando o COLABORADOR precisava de dinheiro em espécie ou remessas para o exterior se utilizava dos serviços de JUCA e PETER, muitas vezes através de um esquema de pagamentos de boletos de supermercado. QUE a maioria das operações feitas para o GRUPO J&F, lícitas e ilícitas, tinham pagamento de comissões para o COLABORADOR, e giravam em torno de três por cento. QUE cabe ressaltar que o COLABORADOR tinha um acordo com JOESLEY na qual todas as operações que eram feitas sob o CNPJ da JBS no âmbito da CEF, não gerariam créditos de comissão, pois a JBS já era uma empresa consolidada no mercado. QUE todos os recebimentos e créditos em aberto do COLABORADOR com a JBS constam em planilhas e documentos já apreendidos, contendo a descrição dos contratos e valores exatos. QUE tem dois contratos firmados com o GRUPO JBS para recebimento de comissões, o primeiro em relação a intermediação da operação do FGTS com a ELDORADO e segundo contrato foi firmado depois da primeira busca e apreensão contra o COLABORADOR em 2015, e serviu para dar cobertura a 80% das notas envolvendo pagamentos de propina que o COLABORADOR tinha emitido para empresas do grupo JBS. QUE após a busca e apreensão em 15/12/2015, o COLABORADOR e JOESLEY realizaram uma reunião em 18/12/2015, na qual definiram a elaboração desses contratos para dar lastro às notas que já haviam sido emitidas para as empresas do GRUPO J&F por operações ilícitas e licitas, e a pagamentos ao COLABORADOR. QUE nesta reunião estavam presentes o COLABORADOR, JOESLEY e o FRANCISCO DE ASSIS, os quais apresentaram uma cópia do pedido de busca e apreensão que havia sido deferido pelo MINISTRO TEORI ZAVASCKI, citando vários repasses de dinheiro da JBS para o COLABORADOR. Que o objeto desse contrato era a intermediação do conflito entre o GRUPO BERTIN e a JBS. QUE nesse contrato de R$ 100.000.000,00, também foi contabilizado nesse contrato notas fiscais emitidas em um valor de aproximadamente R$ 20.000.000,00, referentes a operações licitas feitas entre agentes privados, sendo que nunca houve a quitação desses créditos do COLABORADOR junto ao GRUPO JBS. QUE do mesmo modo foi elaborado um contrato semelhante com o GRUPO BERTIN, pois o COLABORADOR instruiu NATALINO BERTIN a faze-lo para dar lastro aos pagamentos de comissões recebidos da BERTIN através da emissão de notas da empresa do COLABORADOR. Que o contrato com o GRUPO BERTIN, foi no valor exato pago ao COLABORADOR. QUE esses contratos foram confeccionados entre dezembro de 2015 e março de 2016.   QUE o COLABORADOR acabou executando na justiça o contrato em aberto com a JBS acima referido, sendo que esclarece que JOESLEY contabilizou na conta corrente interna do COLABORADOR as notas já pagas pela ELDORADO nesse contrato. QUE o correto seria a contabilização de comissão por serviços prestados no âmbito de obtenção de recursos no âmbito do FI FGTS, restando o contrato referente a Eldorado sem nenhum pagamento. QUE ainda, não foram pagos os valores devido no contrato de R$ 32.000.000,00, entre a empresa VISCAYA com a ELDORADO. QUE o COLABORADOR acabou também executando judicialmente o contrato da ELDORADO. QUE pela contabilidade do COLABORADOR o GRUPO JBS ainda deve cerca de 70-80 milhões de reais, sendo que cerca de 30 milhões são de operações licitas envolvendo apenas empresas privadas e que não tiveram envolvimento ou pagamento de propina de políticos ou funcionários públicos. QUE a porcentagem que recebeu referente aos contratos da CEF, foram em torno de 3% dos valores liberados. QUE entre as operações que realizou com o Grupo JBS, estão ainda um repasse de quinhentos milhões de reais, uma operação de trezentos milhões e uma de dois bilhões e setecentos milhões para a compra da ALPARGATAS. Ainda houve a transação da compra da DELTA ENGENHARIA, na qual a JBS teve a opção de compra da DELTA para exercer entre 30-60 dias por um real. QUE a JBS acabou não exercendo a opção de compra, pois houve oposição do Governo à compra devido a JBS já dominar o setor de proteína, e muitos empréstimos de crédito junto ao BNDS. QUE, entende que grande parte do lucro da JBS é relacionado ao esquema de fraude e sonegação do ICM e o incentivo fiscal que ele conseguia através de pagamento de propina a políticos no Mato Grosso. Ainda que outro fator determinante para o crescimento exponencial do Grupo JBS, foi a grande oferta de crédito por parte de Bancos Públicos, beneficiando o GRUPO. Há ainda, a venda de ativos superavaliados para fundos de pensão estatais. Ademais, que entre o último semestre de 2014 e primeiro semestre de 2015, JOSE CARLOS GRUBISICH e JOESLEY pediram ao COLABORADOR que sondasse junto ao FI/FGTS a possibilidade de se transformar a dívida (debit) da ELDORADO junto ao FI/FGTS em equity (participação acionaria). QUE o COLABORADOR entendia que essa operação não seria viável, mesmo se aprovada, pois os valores de avaliação do FI/FGTS não coincidiriam com os da ELDORADO, tendo o projeto não evoluído. Novamente em 2014 o COLABORADOR foi procurado por HUMBERTO JUNQUEIRA DE FARIAS, para tentar que o FI/FGTS aportasse valores em outro projeto do grupo J&F, dessa vez ligado à uma empresa da área de energia chamado AMPLA. QUE neste caso o COLABORADOR solicitou a HUMBERTO que procurasse FABIO CLETO e seu correspondente na VITER. QUE embora o projeto tenha sido levado até o ROPI, não evoluiu pois o valution utilizado pelo grupo J&F não foi aceito pela VITER. Que logo após, JOESLEY decidiu desacelerar investimentos no setor de infraestrutura, devido a operação lava jato. Que esse ROPI (Relatório de Oportunidade de Investimento) está disponível junto a VITER na CEF. QUE neste caso também haveria o pagamento de propina na aprovação do projeto. Ainda, que no início de 2014, JOESLEY e RICARDO SAUD solicitaram diretamente ao EX-MINISTRO DA AGRICULTURA ANTONIO ANDRADE a liberação de certos frigoríficos, e proibição de outros, ao direito de exportarem carne para determinados países, para assim beneficiar a exportação da JBS. QUE o então MINISTRO ANTONIO ANDRADE, determinou que o SR RODRIGO FIGUEREDO, funcionário do Ministério e indicado pelo COLABORADOR e CUNHA, tomasse as devidas providencias, através de uma portaria do Mapa, para atender tal demanda. QUE em contrapartida, o EX-MINISTRO solicitou propina no valor de R$ 25.000.000,00, alegando que precisava de tais recursos para a campanha de pré-candidato a vicegovernador de Minas Gerais. QUE esses recursos seriam divididos entre o PMDB nacional e PMDB de Minas Gerais, em forma de recursos para candidatos a Deputados Federais e Estadual do PMDB de Minas Gerais. QUE esses Deputados Estaduais auxiliariam na indicação de ANTONIO ANDRADE para vice na chapa de FERNANDO PIMENTEL na convenção Estadual do PMDB. Que o pagamento de tal valor foi feito durante o período eleitoral através de uma doação oficial para o=-0 de Minas Gerais no valor de R$ 1.000.000,00, pagamentos de R$ 9.800.000,00 para fornecedores diversos indicados por ANTONIO ANDRADE, dos quais somente R$ 8.300.000,00 foram liquidados e pagamentos de R$ 15.000.000,00 através de doações oficiais de um supermercado de Minas Gerais. Tudo sob orientação de ANTONIO ANDRADE. QUE ficou determinado que o saldo de R$ 4.200.000,00 fosse quitado em espécie. QUE o COLABORADOR e EDUARDO CUNHA, não participaram dessa operação e tomaram conhecimento dos fatos após as eleições. QUE fora a relação comercial com o grupo JBS, o COLABORADOR também tinha um relacionamento pessoal com a família de JOESLEY. Cita-se a festa de aniversário organizada pela esposa de JOESLEY em 23/01/17, quando o COLABORADOR já estava preso, na qual está, acompanhada de sua mãe, filho, irmã, sobrinha e uma amiga foram até a casa do COLABORADOS levar bolo e vários presentes para sua filha. QUE quanto aos pagamentos recebidos da JBS após a sua prisão, esclarece que avisou seu irmão e sua esposa que se algo lhe acontecesse deveria procurar JOESLEY. QUE informou seu irmão que a JBS devia valores para o COLABORADOR em relação as operações de venda da DELTA e de intermediação de alguns negócios como GRUPO BERTIN.QUE nunca contou que tinham valores lícitos devidos. QUE quando de sua prisão, seu irmão procurou FRANCISCO DE ASSIS e disse que precisaria de valores para cobrir as despesas do COLABORADOR e que tais valores deviam ser deduzidos do que era devido pela JBS. QUE FRANCISCO fez duas entregas de 600 mil reais ao irmão do COLABORADOR, e pediu que este assinasse um recibo. QUE o irmão do COLABORADOR não concordou e pediu que todos os valores fossem recebidos via emissão de notas fiscais da empresa VISCAYA. QUE FRANCISCO alegava que devido ao Compliance da empresa os pagamentos não poderiam ser feitos pela VISCAYA. QUE o irmão do COLABORADOR pediu então que os pagamentos fossem feitos através de depósitos na conta corrente da empresa, o qual FRANCISCO novamente não concordou e preferiu que fosse utilizada a sistemática de retirada de valores em espécie. QUE o COLABORADOR nunca teve bloqueio de suas contas bancárias, e que a JBS se recusou a fazer os depósitos para esconder o vínculo contratual com o COLABORADOR. QUE com a recusa da JBS em fazer os depósitos, os pagamentos continuaram a serem feitos em dinheiro mediante assinatura de recibo. QUE isso causou desentendimentos com seu irmão o qual não tratou mais desse assunto. Neste momento a irmã do COLABORADOR passou a organizar esses recebimentos a seu pedido, sendo sido informada pelo colaborador que esses recursos tinham origem em dividas licitas do grupo JBS para com o colaborador. QUE esses pagamentos foram mensais, sendo três no valor de seiscentos mil reais e os subsequentes no valor de quatrocentos mil reais; QUE no mês de novembro de 2015 a JBS não efetuou o repasse e os pagamentos ocorreram de Julho 2015 até a celebração de acordo de Colaboração premiada da JBS. QUE logo após o penúltimo pagamento de quatrocentos mil reais, FRANCISCO DE ASSIS enviou uma mensagem para a irmã do COLABORADOR, informando que iria para Nova York, portanto, iria antecipar o pagamento daquele do mês de maio para o final de Abril. QUE tal fato causou estranheza ao COLABORADOR, pois normalmente os pagamentos atrasavam e não antecipavam. QUE nesta ultima entrega à irmã do COLABORADOR, quem foi fazer a entrega foi RICARDO SAUD, normalmente feitas pelo funcionário FLORISVALDO. QUE esta entrega foi gravada e utilizado na colaboração da JBS. Por fim, o COLABORADOR esclarece que sua esposa RAQUEL PITA, através da empresa ALBEJ, comprou um imóvel situado na Rua Guadalupe, 54, Jardim América/SP, com valores lícitos doados pelo COLABORADOR. QUE a doação foi feita através de um mutua com empresa VISCAYA. QUE o COLABORADOR doou os valores para a aquisição da casa, e registrou a casa no nome de sua esposa pois é casado com separação total de bens, e queria, em caso de morte do COLABORADOR, deixar uma residência para sua esposa e filha de 1 ano. QUE sua esposa também tem um imóvel em Portugal, adquirido com patrimônio lícito, com o devido recolhimento de tributos e declaração no imposto de renda de RAQUEL.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS
1. Contratos com a JBS 2. Ligações e trocas de mensagens com JOESLEY 3. Fotografias com JOESLEY 4. Planilhas de contabilidade do Colaborador.

ANEXO 3 — RELAÇÃO SENADO-CÂMARA – FUNCIONAMENTO DA DIVISÃO DE VALORES EM TROCA DE APROVAÇÃO DE MEDIDAS.

QUE o COLABORADOR acabou desenvolvendo um forte relacionamento com o PMDB quando o DEPUTADO EDUARDO CUNHA saiu do PP e entrou no PMDB. Que assim passou a conviver com membros do Congresso, podendo observar, e muitas vezes participar das relações entre o Senado Federal e a Câmara do Deputados, e como as negociações para aprovação de projetos funcionavam. QUE era comum a bancada o PMDB negociar dentro da Câmara e Senado pagamentos de propinas em troca de aprovações, que a parte operacional e de pagamentos de valores, eram negociadas na Câmara por EDUARDO CUNHA, e no SENADO pelo SENADOR ROMERO JUCA. QUE tem conhecimento que o esquema funciona dessa maneira desde a ascensão de EDUARDO CUNHA dentro do PMDB e na Casa, até a prisão do COLABORADOR. QUE devido ao seu relacionamento com CUNHA, sempre vivenciou a parceria entre EDUARDO CUNHA e ROMERO JUCA nas negociações dentro do Congresso. QUE ROMERO JUCA era a pessoa que negociava os projetos que queriam aprovar dentro do Congresso com caciques do PMDB dentro do Senado, como RENAN CALHEIROS, JADER BARBALHO, EUNICIO DE OLIVEIRA, VITAL DO REGO – que acabou sendo substituído pelo SENADOR RAYMUNDO LYRA e os antigos caciques como EDSON LOBAO. QUE o referido esquema funcionava da seguinte maneira; quando um projeto de lei ou Medida Provisória chegava ao Congresso ou era feito dentro no Congresso, era definido internamente qual político iria conversar com os empresários que iriam se beneficiar ou pleiteavam essa aprovação. QUE assim, o Político pedia valores em troca para que a medida fosse aprovada. QUE as negociações eram lideradas pelo político que fosse o mais próximo do setor beneficiado. QUE então os Deputados e Senadores conversavam para definir a estratégia de aprovação da referida medida. QUE sempre era CUNHA quem liderava na Câmara, e na maioria das vezes, ROMERO JUCA e RENAN CALHEIROS no Senado. Que com RENAN CALHEIROS a interface nunca foi feita por EDUARDO CUNHA, pois não tinham um bom relacionamento. QUE para superar esse impasse era acionado o SENADOR ROMERO JUCA que tinha ótima interlocução com os dois parlamentares. QUE EDUARDO CUNHA comentava com o COLABORADOR sobre o trâmite do Projetos e medidas específicas que já havia conversado com JUCA e acertado no Senado. QUE por exemplo, no caso especifico do pagamento dos valores devidos pela HYPERMARCAS, a operacionalização para a Câmara – via EDUARDO CUNHA – foi feita através do COLABORADOR e no SENADO principalmente através de MILTON LYRA. Ainda, que o SENADOR EUNÍCIO DE OLIVEIRA, recebeu valores através de notas da CONFEDERAL, através de um parente que trabalhava em seu Gabinete chamado RICARDO e através de NELSON NEVES. QUE não sabe detalhar a participação de EDUARDO CUNHA em outras medidas. Que conheceu NELSON MELLO em 2012 e manteve um relacionamento comercial até dezembro de 2015. Ainda que conheceu JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR através de JOESLEY BATISTA tendo mantido um relacionamento de 2011 até 2015. QUE em certa ocasião, NELSON MELLO disse ao COLABORADOR que quem respondia, além dele pelas relações institucionais do grupo era somente JOAO ALVEZ QUEIROS JUNIOR. O COLABORADOR ainda sabe que houve tratativas feitas através do DEPUTADO ALEXANDRE BALDY, genro do sócio de JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR, NELSOM ainda informou ao COLABORADOR que outra empresa do GRUPO tinha uma rede de televisão e rádios em Goiás, a qual havia contribuído de forma fundamental para eleição do DEPUTADO SANDES JUNIOR- que este Deputado sempre propunha matérias de cunho tributário em projetos e medidas na Câmara. Que a medida provisória que NELSON MELLO solicitou para o colaboradora qual objetivava não arrolar bens de sócios de empresas pela Receita Federal do Brasil – tinha o intuito de facilitar as transações imobiliárias de JOAO ALVEZ QUERIOZ JUNIOR, feitas através da empresa STAN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS. Que durante todo o relacionamento com JOAO ALVEZ DE QUEIROZ JUNIOR um notou um expressivo interesse deste por assuntos políticos. QUE para aumentar seu relacionamento com parlamentares, JOAO ALVEZ DE QUEIROZ JUNIOR, designou a permanência de NELSON MELLO três dias por semana em Brasília e alugou uma casa no lago Sul para receber políticos. QUE o COLABORADOR acredita que JOAO ALVES QUEIROZ FILHO estava tentando implantar em sua empresa uma estratégia similar à que o grupo JBS tinha internamente, angariando e pagando políticos para obter benefícios a suas empresas. QUE NELSON MELLO tinha um bom relacionamento com RICARDO SAUD.

ANEXO 4 – ESQUEMA NA CAIXA/ POLITICOS PMDB
QUE sobre o apoio político que o COLABORADOR tinha na CAIXA, tem a esclarecer que estava amparado pelo grupo político composto por EDUARDO CUNHA, HENRIQUE EDUARDO ALVES e MICHEL TEMER. QUE GEDDEL não tinha nenhuma relação com a área do FI/FGTS. QUE estes davam apoio à manutenção de FABIO CLETO na CAIXA, sendo que foi EDUARDO CUNHA, com o apoio de HENRIQUE ALVES e o aval de Michel Temer quem indicou FABIO CLETO para a Vice-Presidência da CAIXA. QUE após a provação de um pleito dentro da CAIXA, o COLABORADOR recebia uma comissão das empresas. Que a operacionalização e divisão das propinas com agentes políticos e públicos funcionavam da seguinte maneira: Quando as operações eram feitas pelo COLABORADOR, eram emitidas notas contra a empresa pagadora e os valores eram depositados em sua conta. Com os valores já depositados, o COLABORADOR marcava com EDUARDO CUNHA, para definirem como seria a divisão. QUE CUNHA era quem definia como seriam feitas as divisões, QUE o COLABORADOR aceitava e respeitava a divisão proposta por ele sempre. QUE CUNHA e o COLABORADOR tinham uma conta corrente interna, controlada pelo COLABORADOR. QUE quando as operações eram feitas por CUNHA, este informava qual a parte que correspondia ao COLABORADOR. QUE CUNHA não sacava os valores, deixando-os de crédito para compensar operações futuras. Assim, quando CUNHA fazia uma operação, ele já tinha um saldo devedor com o COLABORADOR e os valores eram compensados. Que a parte dos valores destinados a HENRIQUE eram tratados por CUNHA que acertava com ele a parte dele. QUE sabe que HENRIQUE recebia parte dos valores da comissão pois, pessoas enviadas por ele retiraram dinheiro no escritório do COLABORADOR – um assessor parlamentar dele chamado WELLINGTON ou NORTON. QUE algumas vezes o COLABORADOR mandou entregar valores a HENRIQUE em Brasília ou mandava no seu avião para Natal. QUE não sabe como era efetuado os repasse nem os valores de comissão referente à parte de Michel TEMER. QUE sabe que MICHEL TEMER está envolvido em repasses do FI/FGTS. QUE embora nunca tenha tratado de dinheiro com MICHEL TEMER, sabia que ele estava a par de todas as operações, podendo citar por exemplo a campanha de 2012 quando arrecadou valores para financiar a campanha do CHALITA para a prefeitura de São Paulo e o COLABORADOR conversou com o CUNHA e disse que “precisa falar para o Michel ligar para o Henrique Constantino, para o Henrique liberar um adiantamento aí pra campanha do Chalita”, e MICHEL TEMER ligou na hora para o CONSTANTINO , na frente do colaborador. QUE TEMER estava a par de todos os acertos, sendo que quando o COLABORADOR solicitava a CUNHA algum tipo de ação de TEMER, este o fazia da sequência. QUE houve algumas entrega de valores em espécie do COLABORADOR para ALTAIR, homem de confiança de CUNHA.QUE ALTAIR pegou esses referidos valores e entregou para o pessoal do TEMER, que não sabe se foi para o YUNNES ou outro operador. Que os valores gerados de propina pela operação da LLX junto ao FI/FGTS, foram, de acordo do EDUARDO CUNHA, totalmente revertidos em favor da campanha de 2014 do PMDB, que o COLABORADOR não participou dessa operação em nenhuma etapa.

ANEXO 5 — RELACIONAMENTO COM EDUARDO CUNHA – SOCIEDADE EM NEGÓCIOS ILÍCITOS, PAGAMENTOS DE PROPINA E CONTABILIDADE INTERNA

QUE o COLABORADOR foi apresentado pelo EX-DEPUTADO ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO, ALBANO REIS ao DEPUTADO EDUARDO CUNHA no início da década de 2000. QUE o COLABORADOR logo desenvolveu um forte relacionamento com CUNHA. Ainda, que naquele ano CUNHA era candidato à Deputado Federal, pelo PP. QUE ali iniciou a relação de negócios entre o COLABORADOR e CUNHA, sendo que começaram a traçar as suas estratégias de poder. QUE se CUNHA fosse eleito ele teria o comando da companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro (SEDAE) e iria também comandar o fundo de pensão dos funcionários da SEDAE. QUE combinaram que quando CUNHA fosse eleito deixaria o COLABORADOR administrar os recursos desses fundos, para que gerassem propina para serem divididas entre eles. QUE quando CUNHA ganhou, cumpriu que havia combinado e durante o período de 2003 até o final de 2006, administrou alguns fundos que eram da PRECE.  QUE os pagamentos referentes a essas operações eram de acordo com a necessidade de CUNHA. QUE em 2006, CUNHA se candidatou à reeleição, e pediu para que o COLABORADOR além de ajudar com a campanha dele, ajudasse com a campanha de SÉRGIO CABRAL. QUE romperam com SÉRGIO CABRAL após a eleição pois este não cumpriu com o que havia combinado, que era manter CUNHA no controle da companhia de água e esgotos e do Fundo de Pensão. QUE SÉRGIO CABRAL passou o comando dos Fundos de Pensão para um amigo chamado GEORGE SADALA. QUE em 2007 não teve nenhum negócio com o DEPUTADO EDUARDO CUNHA. QUE em 2008 EDUARDO CUNHA perguntou se o COLABORADOR tinha investidores suficiente para entrar em uma sociedade com FURNAS, em uma usina hidrelétrica, que se chama Serra do Facão. QUE para entrar nesse negócio os investidores deveriam ter a disponibilidade de investir 80 milhões de reais em equity, e ainda teriam de arrumar 400 milhões de fiança, para que FURNAS obtivesse um empréstimo do BNDES. QUE o COLABORADOR conseguiu os investidores, fez o project finance junto com o ABN AMRO e arrumou a fiança bancária também neste banco. QUE por pressão política, exercida no BNDES, pelo PT, o empréstimo no BNDES não foi liberado. QUE o COLABORADOR se retirou do negócio. QUE essa investida em FURNAS gerou uma investigação contra o COLABORADOR que levou à deflagração da operação denominada Barão Gatuno no Rio de Janeiro. QUE houve busca e apreensão nos escritórios do COLABORADOR, sob a alegação de que o COLABORADOR teria investido 7 milhões de reais e depois vendido sua participação por 80 milhões de reais para Furnas. QUE efetivamente o COLABORADOR foi reembolsado por FURNAS os 80 milhões de reais investidos, valor este que estava subscrito no capital. QUE esta operação não gerou prejuízo ao Colaborador e aos investidores. QUE em 2010 CUNHA foi novamente candidato à Deputado e o COLABORADOR ajudou na campanha com recursos. Ainda, em 2011, quando a EX PRESIDENTE DILMA já havia assumido o mandato, O COLABORADOR arrecadou fundos para a campanha dele junto ao GRUPO BERTIN. QUE em 2011 que o COLABORADOR sugeriu a CUNHA de assumirem a vice presidência da Caixa, ligada ao FI-FGTS. QUE CUNHA achou que era uma boa opção para seu projeto de poder. QUE como CUNHA tinha um péssimo relacionamento com a EXPRESIDENTE DILMA, quem fez o pedido foi HENRIQUE ALVES, através de ANTONIO PALOCCI, sendo FÁBIO CLETO nomeado à vice-presidência da Caixa. QUE desconhece se foram repassados valores referentes a essa diretoria ao PT,  pois era uma diretoria do PMDB. QUE como já descrito em anexo especifico, o COLABORADOR e EDUARDO CUNHA trabalharam em 2012 para arrecadar recursos para a campanha de GABRIEL CHALITA, para a prefeitura de São Paulo. QUE nesse período tinham esquema de propina dentro da Caixa na área do GEDDEL quanto na área do FÁBIO CLETO. QUE combinavam a divisão das comissões caso a caso, a qual dependia se era época de campanha, qual empresa estava pagando, etc. QUE o único
pagamento a EDUARDO CUNHA fora do pais, foi o foi na gestão do GOVERNADOR GAROTINHO, em uma conta no Banco Northern Trust em Nova Iorque nos Estados Unidos, tendo como favorecido o Banco Merril Lynch, chamada GLORIETTA LLP. QUE estes valores eram relacionados à PRECE. QUE em 2014, CUNHA já era líder do PMDB, e queria a presidência da Câmara e HENRIQUE EDUARDO ALVES era candidato à governador pelo Estado do Rio Grande do Norte. QUE o COLABORADOR achou que existiam fortes possibilidades de CUNHA se tornar presidente da Câmara e o apoiou nesse projeto. QUE CUNHA acabou sendo eleito. QUE para essa eleição de 2014 o COLABORADOR disponibilizou um adiantamento de 30 milhões de reais, emprestados por JOESLEY. QUE O COLABORADOR emitiu dez milhões de reais de notas de suas empresas e transformei isso em dinheiro com TONI. QUE algumas entregas foram efetuadas para ANTONIO ANDRADE que era candidato à vice-governador, através de seu operador MATEUS MOURA no escritório do COLABORADOR. QUE estes valores retirados no escritório do COLABORADOR foi distribuído para outros candidatos pelo Brasil, que iriam, depois de eleitos, votar em EDUARDO para a presidência da Casa. Que outros 20 milhões foram pagos a CUNHA diretamente por JOESLEY. QUE esses valores foram debitados da conta corrente do COLABORADOR junto a JOESLEY. QUE após ter sido eleito a Deputado em 2014, CUNHA se candidatou e ganhou a presidência da Câmara. Que o COLABORADOR também pagou outros políticos em 2014 em seu escritório que precisa pegar suas anotações apreendidas para relembrar os nomes. QUE após romper com o Governo DILMA, CUNHA pautou e liderou a votação do Impeachment da PRESIDENTE DILMA. Que em uma sexta feira, na véspera da votação da aceitação do impeachment, dia em que o COLABORADOR tinha uma audiência na Justiça Federal de Brasília – devido a uma queixa crime do COLABORADOR contra o Presidente do COAF – EDUARDO CUNHA enviou mensagem ao COLABORADOR perguntando se o COLABORADOR teria disponibilidade de recursos para poder comprar os votos necessários dos deputados para aceitarem o impeachment. QUE o COLABORADOR então disponibilizou recursos para CUNHA.

QUE a partir da metade 2015, CUNHA começou a ter problema devido a descoberta de suas contas na Suíça. QUE haviam muitos delatores o citando em suas colaborações, até que no final de 2015, o COLABORADOR e CUNHA sofreram uma operação de busca e apreensão no âmbito da operação Catilinárias. QUE após CUNHA descobrir que estava com problemas com as contas na Suíça, pediu que o COLABORADOR viajasse para Portugal para encontrar o advogado Suíço Didier e o próprio CUNHA na cidade de Cascais. Que o encontro ocorreu no hotel que estava hospedado o COLABORADOR. Que o nome desse hotel onde ocorreu a reunião era MIRAGEM CASCAIS, tendo a reunião ocorrido aproximadamente entre Abril e Maio de 2015 Que CUNHA outorgou procuração ao advogado DIDIER, indicado pelo COLABORADOR. QUE após essa viagem a Portugal o COLABORADOR fez outras viagens para França e Suíça, com o intuito de controlar os processos de CUNHA na Suíça. QUE o COLABORADOR passou o controle dos procedimentos na Suíça para o advogado de CUNHA, MARCOS JOAQUIM GONÇALVES. QUE o COLABORADOR tem ciência que o ADVOGADO MARCOS JOAQUIM e o ADVOGADO ALEXANDRE, antigo advogado de CUNHA, foram até a Suíça com o intuito de se reunirem com DIDIER.  QUE a defesa de CUNHA tentou preservar dos dados das contas no exterior, e para que estes não fossem enviados ao Brasil, e que CUNHA respondesse pelos eventuais crimes apurados pelo MPF Suíço, em território Suíço. QUE CUNHA achava que iria conseguir reverter a remessa de informações ao Brasil. QUE com as inúmeras denúncias e acusações que surgiram contra CUNHA, ficou impossibilitado os negócios com o COLABORADOR, que além de não haver mais confiança de empresários com o Deputado, acabou sendo arrastando para o meio das denúncias. Que a última operação que fizeram foi a referente ao credito para compra da ALPARGATAS, a qual a JBS nunca pagou. QUE em 1º de julho de 2016 o COLABORADOR foi preso e seu contato com CUNHA cessou. QUE durante todo o relacionamento do COLABORADOR e CUNHA eram sócios nos valores ilícitos arrecadados, tinham uma conta corrente com compensação interna. QUE o COLABORADOR era o operacional e CUNHA o agente político. QUE era notório que o COLABORADOR era pessoa de
confiança de CUNHA, sendo que diversas pleitos que eram para CUNHA vinham através do COLABORADOR. QUE reitera que conheceu GEDDEL através EDUARDO CUNHA e que quando o Geddel assumiu a área de PJ, vislumbraram que ali havia uma oportunidade de atuar conforme atuavam junto ao FI-FGTS. Que o COLABORADOR acompanhou todo o processo de criação e aumento do partido PSC, o qual foi muito auxiliado PELO DEPUTADO EDUARDO CUNHA. Que o DEPUTADO EDUARDO CUNHA possuía influência em vários partidos de diferentes correntes políticas, mas que era notória sua influência sobre a bancada evangélica. QUE CUNHA ficou devendo 30 milhões ao COLABORADOR, pois o COLABORADOR acreditava que quando CUNHA assumisse a presidência, iria recuperar esses valores através de negócios utilizando-se da influência de CUNHA. Que ainda o COLABORADOR tem conhecimento, através de conversas com o DEPUTADO EDUARDO CUNHA, que além do interesse na operação do BANCO NACIONAL, o DEPUTADO também estaria atuando para ajudar ANDRE ESTEVES para levantar a falência do BAMERINDUS, instituição que também foi comprada pelo BTG PACTUAL. No caso do BAMERINDUS, um dos principais interesses era a utilização dos créditos fiscais.  QUE esclarece que a função dos funcionários ALTAIR e SIDNEY ZABO junto ao DEPUTADO EDUARDO CUNHA eram apenas de fazer a logística de recebimento de valores e a distribuição dos valores a serem pagos.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas do Colaborador; 2. Troca de mensagens com CUNHA; 3. Identificação da conta GLORIETTA LLP; 4. Contabilidade interna das empresas do COLABORADOR.

ANEXO 6 – OPERADORES EDUARDO CUNHA
QUE o COLABORADOR, tem conhecimento que além dele, outras pessoas operavam valores ilícitos para o EX-DEPUTADO EDUARDO CUNHA. QUE o COLABORADOR foi apresentado a EDUARDO CUNHA pelo EX DEPUTADO ESTADUAL DO RIO DO JANEIRO ALBANO REIS, tendo posteriormente apoiado a candidatura de CUNHA a deputado federal em 2002, passando a trabalhar em esquemas ilícitos com CUNHA nos fundos da fundação PRECE em 2003. QUE no Rio de Janeiro, CUNHA usava os serviços de Benjamin Katz que operava valores relacionados a contratos de FURNAS. QUE conhecia BENJAMIM KATZ através de DARIO MESSER. Que soube que KATZ cobrava valores de empresas que operavam em FURNAS, pois CUNHA não queria ter esse contato direto. Que no âmbito de FURNAS, CUNHA tratava direto com a ODEBRECHT, ANDRADE, CAMARGO e OAS, e deixava suas outras áreas de atuação para BENJAMIN, diminuindo assim seu risco à exposição. QUE o esquema em Furnas, cobra propinas a escolha de empresas que iriam formar consórcios com a Estatal, para o pagamento de faturas e ainda era cobrado um percentual do contrato. Que no caso de FURNAS os principais parceiros do DEPUTADO EDUARDO CUNHA foram a ODBRECHT e a ANDRADE GUITIERREZ, sendo que CUNHA lhe informava que tudo o que era arrecado em FURNAS era dividido entre vários partidos e políticos. QUE sabe citar a construção da Hidrelétrica de Santo Antônio como um exemplo em que houve o pagamento de propina a CUNHA pela Odebrecht. QUE o operador de CUNHA na PETROBRAS era JOAO HENRIQUES, o qual CUNHA tentou emplacar como diretor da área internacional sem obter êxito. QUE, JOAO HENRIQUES tinha problemas com o TCU quando foi funcionário da Estatal. QUE posteriormente acabou conseguindo nomear junto com a bancada de MINAS o diretor da área internacional. Que sabe através da advogada BEATRIZ CATTA PRETA que CUNHOU cobrou valores devidos a FERNANDO SOARES, referente a propina de sondas da 7BRASIL, de JULIO CAMARGO.
QUE o COLABORADOR operou para EDUARDO CUNHA, na CAIXA ECONOMICA FEDERAL, com o grupo JBS, no Ministério da Agricultura e na PRECE. QUE o contato de EDAURDO CUNHA na ODERETCH era BENEDICTO JÚNIOR e FERNANDO REIS e na OAS- LEO PINHEIRO. Que CUNHA teve o comando da CEDAE durante o governo GAROTINHO no Rio de Janeiro, no qual dividiu os valores de propina com o então Governador. QUE a relação de EDUARDO CUNHA com GAROTINHO se deu por conta da religião evangélica e por influência do EX DEPUTADO FRANCISCO SILVA, padrinho político de EDUARDO CUNHA e dono da RADIO MELODIA – emissora evangélica. QUE em razão deste e do pastor Everaldo do PSC, CUNHA estreitou seu relacionamento com GAROTINHO. QUE as divisões dos valores ilícitos recebidos por CUNHA eram divididas entre o operador e o próprio CUNHA, sendo que este distribuía parte para políticos e pessoas ligadas a órgãos públicos para manter seu apoio político. QUE além dos valores que repassou para CUNHA em espécie no Brasil, fez algumas remessas para fora do Brasil em 2005/2006 relativo as operações feitas na PRECE. QUE CUNHA passou uma conta no BANCO NORTHERN TRUST BANK, chamada GLORIETA LLP, que acredita que ele esteja como beneficial owner, sendo que esta conta era de uma offshore na Nova Zelândia ou na Austrália,     mas que o Banco onde a conta da off Shore foi  aberta era a unidade Americana do NORTHERN TRUST BANK, em Nove Iorque. QUE na época era uma estrutura segura para ocultação de patrimônio. QUE o COLABORADOR acredita que essa conta não foi bloqueada e nem identificada durante a Operação Lava Jato.  Que fez remessas para essa conta durante uns dois ou três anos. QUE tem as informações dessa conta em seus documentos, que as remessas feitas para essa conta não eram a partir da conta do declarante para não criar vinculo e assim expor a conta de CUNHA, foram utilizados também doleiros. QUE o COLABORADOR tem os registros em sua contabilidade interna. QUE estes pagamentos duraram de 2003 a 2006, quando CUNHA pediu que o COLABORADOR parasse de fazer os depósitos nesta conta. QUE acredita que o principal objetivo de CUNHA com os valores ilícitos era o seu projeto de poder e não o enriquecimento, e que CUNHA nunca conversou com sua esposa ou filhos acerca da origem de seu dinheiro ou operações que conduzia.  Que 90% dos valores pagos a CUNHA foram em espécie, entregues em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília de acordo com disponibilidade de caixa do COLABORADOR.  QUE o COLABORADOR sempre atuou no setor privado, administrando seus recursos próprios em renda variável e derivativos e na mesa de operação de uma corretora de valores em São Paulo. QUE também tinha investimentos no setor imobiliário através de uma holding chamada IMC e participação em algumas incorporações. QUE apesar de ter muitos negócios COM EDUARDO CUNHA, sempre manteve negócios próprios e não vinculados com CUNHA. QUE embora não sabia como todos os operados de CUNHA faziam para efetivar os repasses, tem conhecimento que a ODEBRETCH usava os serviços do doleiro TONY para pagamentos, conforme narrado pelo próprio TONY. . ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Conta no Banco MERRIL LYNCH chamado Glorieta LLP(Colaborador não possui mais os dados ) 2. Contratos 3. Planilha de pagamentos elaboradas pelo COLABORADOR à época.

ANEXO 7 – BANCADA DE EDUARDO CUNHA NA CÂMARA
QUE o EX-EDUARDO CUNHA tinha uma bancada muito forte na Câmara dos Deputados que o mantinham na liderança e ajudavam no seu projeto de poder. QUE   dentre os deputados que estavam na bancada do Deputado Eduardo Cunha, cabe citar, ANDRE MOURA, FERNANDO DINIZ, LUCIO VIEIRA LIMA, BALDY, ARLINDO CHINAGLIA, ELISEU PADILHA, SERGIO DE SOUZA, MOREIRA FRANCO, SANDRO MABEL, PRIANTE, MANOEL JR, FERNANDO DINIZ, FERNANDO JORDAO, ANTONIO ANDRADE (OPERADOR MATEUS MOURA), CANDIDO VACAREZA, HUGO LEAL, WLADIMIR COSTA, CARLOS BEZERRA, ALEXANDRE SANTOS, SORAYA SANTOS ,TADEU FELIPELLI, TEREZA CRISTINA, SARAIVA FELIPE, MAURO LOPES, WALDIR MARANHAO, ROGERIO ROSSO. QUE durante todos os seus mandatos, EDUARDO CUNHA sempre teve influencia sobre vários deputados, através de doações na época de eleições, pela distribuição de cargos nas áreas que tinha controle, e a distribuição de valores arrecadados por negócios lícitos e ilícitos no decorrer do mandato. QUE primeiramente CUNHA liderou a bancada do então GOVERNADOR GAROTINHO na câmara, composta pelos deputados do PMDB do Rio de Janeiro e por membros do PSC. Depois liderou os deputados do Rio de Janeiro, do PSC juntamente com os deputados do PMDB de Minas liderados pelo DEPUTADO FERNANDO DINIS – o qual se tornou grande aliado de CUNHA. QUE quando se tornou vice líder do PMDB começou a definir junto a HENRIQUE EDUARDO ALVES, quais parlamentares seriam membros das comissões e como seria a distribuição de relatorias de acordo com os interesses deste CUNHA e seus aliados. QUE na campanha de 2014 houve a distribuição de 30 milhões de reais advindos de propina para vários deputados, que depois de eleitos deveriam votar a favor de EDUARDO CUNHA para PRESIDENTE DA CÂMARA. QUE desse valor, aproximadamente R$ 7,8 milhões de reais foram distribuídos pelo próprio COLABORADOR. QUE a lista completa dos nomes dos DEPUTADOS que receberam a propina constam nos documentos apreendidos pelo COLABORADOR, mas que se recorda de MANOEL JUNIOR, PRIANTE, ANTONIO ANDRADE (candidato a vice governador que bancou vários deputados federais do PMDB de Minas com dinheiro de CUNHA) e o próprio assessor dele de ANTONIO ANDRADE, MATEUS MOURA, o qual retirou o valor destinado a ele no escritório do COLABORADOR. QUE A bancada do DEPUTADO EDUARDO CUNHA era composta por vários partidos, incluindo o PMDB, PSC, SD, PR, DEM, PP e até mesmo por parlamentares do PT. QUE a relação de CUNHA com a bancada era baseada na distribuição de cargos dentro das comissões, na indicação das relatorias nos projetos nos quais tinha interesse, de juntar as forças para as indicações em órgãos do governo e nos pagamentos de propinas. QUE o COLABORADOR teve contato com vários deputados ligados ao DEPUTADO EDUARDO CUNHA, mas quem cuidava da distribuição de valores na maioria das vezes era o próprio CUNHA. QUE o COLABORADOR normalmente providenciava os recursos e disponibilizava para o funcionário de CUNHA ALTAIR retirar os valores. Que CUNHA, pagava os Deputados de sua bancada, para continuar com seu projeto de poder, se eleger, e conseguir aprovar as medidas de seu interesse na casa, gerando assim mais poder e influência com empresários que iriam fazer doações de campanha e pagamentos de propina. QUE o COLABORADOR pode identificar em seus documentos comprovação de pagamento de propina a pedido de CUNHA para os seguintes políticos da bancada do PMDB.
1. GABRIEL CHALITTA, conforme anexo anterior. 2. HENRIQUE EDUARDO ALVES. 3. MANOEL JUNIOR; 4. ANTONIO ANDRADE; 5. SANDRO MABEL; 6. DEPUTADO CASTRO DO PIAU; 7. DEPUTADO ALEXANDRE SANTOS; 8. DEPUTADA SORAYA SANTOS. 9. DEPUTADO CANDIDO VACAREZZA; 10.MICHEL TEMER.

QUE para o DEPUTADO MANOEL JUNIOR, identificou o pagamento de 150 mil reais, tendo cruzado essa anotação com a planilha referente ao doleiro TONY. QUE para ANTONIO ANDRADE, identificou repasses de R$9.800.000,00 na planilha que mantinha com JOESLEY. QUE ainda, fez repasses também a mando de EDUARDO CUNHA aos DEPUTADOS SORAYA SANTOS, ALEXANDRE SANTOS, DEPUTADO MARCELO CASTRO PIAU no valor de R$1.000.000,00, os quais também constam na planilha referida como JOESLEY.  Pagamentos para o DEPUTADO SANDRO MABEL, a pedido de CUNHA, no valor de R$ 2.000.000,00. QUE ainda identificou o registro de pagamentos a HENRIQUE EDUARDO ALVES nos valores de R$4.950.000,00 e ainda pagamentos debitados para o próprio EDUARDO CUNHA no valor de R$5.623.000,00. Que ainda identificou  as doações de R$1,500.000,00 para MICHEL TEMER e 700 mil para CANDIDO VACAREZZA, que tais registros estão na agenda do COLABORADOR abaixo anexada e em cadernos que anotações, que os pagamentos de propina em foram de doações foram feitas diretamente para estes dois candidatos pelo GRUPO BERTIM e descontados da contabilidade do COLABORADOR. QUE abaixo constam os documentos e planilhas com a identificação dos pagamentos a esses políticos por EDUARDO CUNHA. Já identificado no material apreendido pela Policia Federal.
DO LOTEAMENTO DE CARGOS:
QUE através de deu relacionamento político tanto na Câmara quanto no Senado, o COLABORADOR tem conhecimento do sistema de divisão de cargos dentro do Congresso. QUE essa divisão de cargos tinha o intuito de manter a área de influência e arrecadação dos políticos e retribuir favores através de ‘pagamentos’ em forma de cargos. QUE o COLABORADOR tem ciência da seguinte divisão de cargos em órgãos federais: PMDB CAMARA: QUE a Vice-Presidência de Fundos e Governo da Caixa Econômica Federal pertencia a EDUARDO CUNHA e HENRIQUE ALVES. QUE a Liderança do Governo do PRESIDENTE MICHEL TEMER na Câmara, indicou para esse cargo o DEPUTADO ANDRE MOURA o qual era ligado a EDUARDO CUNHA.
QUE a VICE PRESIDÊNCIA DA CAIXA ECONOMICA FEDERAL DE LOGÍSTICA era de MOREIRA FRANCO, através de JOAQUIM LIMA. QUE a VICE PRESIDÊNCIA DE PESSOA FÍSICA DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL era de FABIO LENZA através do EX SENADOR JOSE SARNEY. Inda que a Diretoria comercial da Infraero era do PMDB da Câmara. A Companhia Docas em Santos era controlada por MICHEL TEMER através de WAGNER ROSSI e MARCELO AZEREDO que depois foi diretor da Caixa Econômica Estadual do Estado de São Paulo. QUE em relação a ANVISA, haviam cerca de duas diretorias indicados pelo SENADOR EUNICIO OLIVEIRA. QUE igualmente, o Senador indicou seu genro RICARDO FENELON, para uma diretoria na ANAC sem ter nenhuma experiência na área de aviação civil. QUE em relação ao Basa, no o Banco da Amazônia também existe a indicação política de membros do PMDB DO SENADO. QUE o Ministério das Cidades era do PP, e o cargo já foi ocupado por Gilberto Occhi, que hoje comanda a CAIXA ECONOMICA FEDERAL. QUE o Ministério dos Transportes é comandado pelo PR e seus associados no Brasil inteiro, que inclui a indicação para cargos no DNIT. QUE o Porto de Salvador é comandado por GEDDEL VIEIRA LIMA. Que o Banco do Brasil era ocupado por funcionários de carreira ligados ao PT. QUE o Ministério da Agricultura foi indicação do PRESIDENTE TEMER na gestão de WAGNER ROSSI, e de EDUARDO CUNHA na gestão de ANTÔNIO ANDRADE, cabendo ressaltar que na gestão de ANTONIO ANDRADE, o Deputado EDUARDO CUNHA não participou de nada ligado ao CONAB. QUE a POSTALIS era de indicação do PMDB SENADO, a REFER indicação do PP e do PR, e a FUNCEF, PETRUS e PREVI eram de indicação do PT.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Registro de doação feita a GEDDEL e LUCIO ALVEZ de LIMA; 2. Relação de pagamentos feitos ao DEPUTADO MANOEL JR, por ordem do DEPUTADO EDUARDO CUNHA; 3. Registro de movimentações diárias com doleiro TONY;
4. Contabilidade interna do COLABORADOR. 5. Cadernos com anotações do COLABORADOR.
ANOTAÇÕES DO COLABORADOR EM DOCUMENTOS APREENNDIDOS PELA POLICIA FEDERAL.
Manoel Junior Relação de pagamentos feitos ao deputado Manoel Jr , por ordem do Deputado Eduardo Cunha .
02/10/14 50.000,00 e sp paraiba 02/10/14 100.000,00 ted 3/10 paraiba
• Movimentações diárias com identificação do doleiro: R$ 50.000,00 – buscou no escritório de Lúcio em SP, em 14-10-2014
R$ 100.000,00 – enviado em 3 (três) TED´s Enviadas em 14-10-2014 .
Obs: Esse saque e essas teds constam do movimento do dia 14-10-14
ANTONIO ANDRADE
Total repassado R$ 9.800.000,00
Pela planilha do Joesley _____________________________________________________ Alexandre Santos e Soraya Santos
R$ 1.000.000,00  via planilha  Joesley _____________________________________________________ Marcelo Castro Piaui
34
R$ 1.000.000,00 via planilha  Joesley
Sandro Mabel
R$ 2.000.000,00 via planilha Joesley
Eduardo Cunha
R$ 5.623.000,00 via planilha Joesley
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Henrique Alvez
R$ 3.500.000,00 doacao em dinheiro levado por LF ate Natal , através do avião Learjet 40 prefixo PR RNF
R$ 1.000.000,00 entregue por LF a Wellinton funcionário de Henrique Alvez em São Paulo
R$ 300.000,00 em duas doações oficiais de R$ 150.000,00 uma para PSC e outra para o PTB.
19/04/2013 Jundiaí Salvador 2, 5 AirBp 171139 – 1409L 19/04/2013 Salvador Natal 1, 9 BR 732109383 – 1100L 20/04/2013 Natal Porto Seguro 2, 2 Shell 0084260 – 400L 20/04/2013 Porto Seguro Jundiaí 2, 5 Shell 000984 – 1594L
Voo feito com o avião do Lucio Funaro, para transportar dinheiro para Natal. _____________________________________________________ 1. Manoel Junior • Pagamentos efetuados e debitados nessa data da planilha do Eduardo Cunha 02/10/14 50.000,00 e sp paraiba 02/10/14 100.000,00 ted 3/10 paraiba
• Movimentações diárias com identificação do doleiro: R$ 50.000,00 – buscou no escritório de Lúcio em SP
R$ 100.000,00 – enviado em 3 (três) TED´s Movimentos  diários do dia 14-10-2014
2. Políticos do PMDB • Planilha JOESLEY com débitos na conta Lucio de dinheiro de caixa dois entregues para os políticos abaixo descriminados .
28/08/14 -900.000,00 JM ADV NF  * -25.391.568,76 28/08/14 -4.000.000,00 JM ADV NF  * -29.391.568,76 28/08/14 -1.000.000,00 JM FGA  * -30.391.568,76 28/08/14 -2.000.000,00 JM SUPER BH  * -32.391.568,76 28/08/14 -900.000,00 JM ADV BH  * -33.291.568,76 28/08/14 -1.000.000,00 JM P/ M.C.  * -34.291.568,76 28/08/14 -1.000.000,00 CE ASRG  * -35.291.568,76 28/08/14 -1.000.000,00 CE PIAUI  * -36.291.568,76 28/08/14 -2.000.000,00 CE SAND  * -38.291.568,76 28/08/14 -3.000.000,00 CE ARRU  * -41.291.568,76 28/08/14 -2.623.000,00 CE REF SALDO  * * -43.914.568,76
JM – Antônio Andrade (deputado federal e candidato a vice governador de minas) CE – Eduardo Cunha CE ARRU – Não edificado CE SAND – Sandro Mabel CE PIAUI – Marcelo Castro ( deputado federal reeleito ) CE ASRG – Alexandre Santos/Soraia Santos (alexandre santos  ex deputado federal e Soraya atual )
Os pagamentos via “caixa 2” se encontram na planilha da JBS por estarem vinculados aos montantes repassados por tal empresa à Eduardo Cunha e debitados na planilha  Lúcio Funaro.
3. Henrique Eduardo Alves
• Planilha BOB.xls com relação de pagamentos: /img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/EXCEL/BOB.xls
18/09/14 3.500.000,00 e chico anisio Lançamento errado no diário – Lúcio levou no avião PR-RNF para Natal.
12/06/13 200.000,00 v weling Welligton funcionário gabinete HEA.
26/09/14
1.000.000,0 0 e sp 450 hotel/350 norton/augusto 29/09 Hotel – flat próximo escritório – entregue ao EC (BOB) Norton – funcionário HEA Augusto – ?
• Movimentações diárias com identificação do doleiro: Arquivos: /img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2012/MOV SET 14/
/img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2013/MOV JUN 13/mov 1206.xls
/img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2014/MOVS SET 14/mov 2409.xls • JR pegou 250.000 SP e entregou Norton dia 25  /img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2014/MOVS SET 14/mov 2509.xls
37
/img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2014/MOVS SET 14/mov 2609.xls
• Recibos de Doações: /img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/DOAÇÕES 2014/DOAÇÃO PSC  26062014.PDF
/img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/DOAÇÕES 2014/DOAÇÃO PTB  26062014.PDF
/img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP REGINA – DIA A DIA/MOVS 2013/MOV ABR 13/mov 1904.xls Não está em nenhuma planilha, mas está nas movimentações diárias do dia 19/04/2014. Foi indicado na planilha de voos a utilização da aeronave de Lúcio por Weligton para levar o montante de R$ 1.000.000,00 para Natal /img_Item-13-i-NA4V4NAE.E01/vol_vol2/BACKUP OUTLOOK REGINA 180315/Outlook.pst>>Início do arquivo de dados do Outlook/Caixa de Entrada/ASSUNTOS DIVERSOS/RE: RELATÓRIO ABASTECIMENTOS/CJ ABRIL – 2013.xlsx
19/04/201 3 Jundiaí Salvador 2,5 AirBp 171139 – 1409L 19/04/201 3 Salvador Natal 1,9 BR 732109383 1100L 20/04/201 3 Natal Porto Seguro 2,2 Shell 0084260 – 400L 20/04/201 3 Porto Seguro Jundiaí 2,5 Shell 000984 – 1594L

ANEXO 8 – MICHEL TEMER- INTERMEDIAÇÃO DE PAGAMENTOS DE PROPINAS PARA INTERPOSTOS DO PRESIDENTE – PAGAMENTOS POR PROJETOS DE LEIS – ENTREGA DE VALORES.
QUE conhece MICHEL TEMER pois este é sócio do mesmo clube que o COLABORADOR em São Paulo, o Alto de Pinheiros. Ainda que quando TEMER era Secretário de Segurança Pública em São Paulo, morava na mesma rua que o COLABORADOR, na Rua Alberto Faria, Alto de Pinheiros em São Paulo capital. QUE nunca teve contato a não ser social com MICHEL TEMER nessas ocasiões. Que posteriormente foi ter contato com MICHEL TEMER quando já tinha operações de financiamento com órgãos públicos e relacionamentos políticos principalmente do PMDB na esfera federal. QUE MICHEL TEMER sabia da relação próxima do COLABORADOR com EDUARDO CUNHA e que tinha muito trânsito dentro do PMDB e da bancada de EDUARDO CUNHA. QUE CUNHA constantemente informava o COLABORADOR sobre suas conversas com TEMER, expondo detalhes de planos e prospecções de negócios que poderiam arrecadar valores para campanhas. QUE CUNHA fazia a interface com MICHEL TEMER, pois o PRESIDENTE queria evitar ao máximo exposição e vínculos com negócios ilícitos. QUE teve alguns encontros com MICHEL TEMER, quando estava com CUNHA, como em um comício em Uberaba em 2012 de apoio a campanha do DEPUTADO FEDERAL PAULO PIAU para prefeito de Uberaba e em um culto em São Paulo, na época da campanha de GABRIEL CHALITA, na Igreja Assembleia de Deus do Bispo Samuel Ferreira. QUE embora nunca tenha conversado diretamente com TEMER sobre dinheiro, pois esta interface era feita por CUNHA, recebia informações de divisões de propina, prospecções de negócios e instruções através de CUNHA. QUE TEMER participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB, podendo citar a campanha de GABRIEL CHALITA e uma doação da JBS feita somente para os SENADORES do PMDB, e nenhum valor a membros da CÂMARA. QUE nessa doação especifica, temer reassumiu a PRESIDÊNCIA do partido, afastando VALDIR RAUPP da PRESIDÊNCIA e entrando nas negociações para resolver esse impasse.
QUE o fato de DEPUTADOS aliados de MICHEL TEMER, como CUNHA e HENRIQUE EDUARDO ALVES não estarem recebendo valores, implicaria no não recebimento de TEMER e de atrito com grandes aliados e arrecadadores. Que EDUARDO CUNHA lhe passava informações como detalhes das negociações na eleição de GABRIEL CHALITA para prefeito de São Paulo e a negociação do apoio do CHALITA para o PT no segundo turno em troca de secretarias que TEMER ia ter direito a indicar. QUE uma dessas secretarias foi depois ocupada por uma filha de Temer chamada Luciana. QUE o deputado EDUARDO CUNHA relatava negociação de cargos intermediada por TEMER, alegando que “Michel tem acesso a isso”. QUE CUNHA era a pessoa que tinha mapeado todas as pessoas que poderiam utilizar para seu projeto de poder, onde cada uma tinha influência, e utilizava isso para ele e seu grupo de caciques do PMDB se mantivessem no poder. QUE o COLABORADOR era o principal operador de EDUARDO CUNHA, devido a sua capacidade de alavancagem e arrecadação de valores muito superiores que os outros operadores do PMDB. QUE a divisão de cargos do PMDB era dividida entre cargos que eram de indicação da câmara e cargos que eram do senado. QUE os líderes das casas solicitavam os cargos de acordo com a vontade de suas bancadas. Como o PMDB tinha a maior bancada, e assim liderança tinham muita força para indicações. QUE alguns cargos de grande destaque eram distribuídos a senadores e deputados devido a sua importância dentro do partido. QUE por exemplo, EDUARDO CUNHA tinha a presidência de FURNAS e o SENADOR VALDIR RAUP, a indicação do diretor de obras MARCIO PORTO. QUE de 2007-2010 a hierarquia dentro do PMDB era a seguinte; HENRIQUE EDUARDO ALVEZ como o líder, e fazendo a interface de EDUARDO CUNHA para pleitos junto ao GOVERNO do PT. Ainda, que nessa época EDUARDO CUNHA tinha um bom relacionamento com ARLINDO CHINAGLIA e CANDIDO VACAREZZA, tendo sido nomeado PRESIDENTE DA CCJ, principal comissão dentro da CÂMARA DOS DEPUTADOS. Que foi nesse período que houve um embate entre o GOVERNO e o DEPUTADO EDUARDO CUNHA, que culminou em CUNHA nomeado o EX PREFEITO DO RIO DE JANEIRO- LUIZ CONDE para a PRESIDENCIA DE FURNAS.
Que a relação de EDUARDO CUNHA com MICHEL TEMER era mais velada, fechada, preservando o PRESIDENTE, motivo pelo qual o COLABORADOR não tratou dos assuntos ilícitos diretamente com TEMER. Já com HENRIQUE EDUARDO ALVES, a relação era mais aberta, a qual acabou oportunizando um bom relacionamento entre o COLABORADOR e HENRIQUE EDUARDO ALVES. QUE em 2015, após a eleição de EDUARDO CUNHA para presidente da CÂMARA, o mesmo exigiu da PRESIDENTE DILMA a nomeação de HENRIQUE EDUARDO ALVES para o MINISTERIO DO TURISMO. Que nesse momento GEDDEL VIEIRA LIMA se aproximou deste grupo do PMDB, não ficando mais apenas restrito às operações da CEF. Que deste momento até a metade de 2015, EDUARDO CUNHA era uma das pessoas com mais poder no pais. QUE não tinha um relacionamento com JOSE YUNES, tendo apenas uma transação em 2014, envolvendo valores que a ODEBRETCH iria doar para MICHEL TEMER. QUE dirigentes da ODEBRECHT utilizaram o doleiro ALVARO NOVIS para fazer com que os valores destinados a TEMER chegassem nas mãos de YUNES. QUE assim, o COLABORADOR recebeu um telefonema de GEDDEL pedindo que o COLABORADOR retirasse uma remessa de um milhão de reais. Que GEDDEL informou que precisava que os valores fossem enviados para Salvador. QUE GEDDEL lhe informou que o dinheiro que iria retirar com JOSE YUNES era referente a uma doação via CAIXA 2, da Odebrecht acertada juntamente o ELISEU PADILHA e MICHEL TEMER. QUE estes valores eram de MICHEL TMER, o qual estava enviando uma parte do dinheiro arrecadado para GEDDEL. QUE o COLABORADOR concordou em fazer a retirado, tendo GEDDEL informado o telefone do YUNES para o contato. QUE o COLABORADOR ligou para o YUNES e combinaram a retirada no escritório de YUNES em uma casa de muro de vidro no Itaim em São Paulo Que foi em seu carro junto com um segurança até o escritório, tendo sido recebido por YUNES, em uma sala onde havia o documento de Diplomação de YUNES como Deputado Federal e um Diploma de Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo. QUE após conversaram e trocaram cartões, a secretária e o motorista de JOSE YUNES entregaram um caixa contendo um milhão de reais. QUE nunca fez entregas de valores a YUNES.  Que o COLABORADOR retornou com os valores até o seu escritório e pediu para que um funcionário fosse até a Bahia fazer a entrega para GEDDEL. O dinheiro foi entregue em Salvador por um funcionário de logística de transporte de valores do doleiro TONY, o qual retirou os valores em São Paulo e no dia seguinte fez a entrega em Salvador na sede do PMDB da Bahia. QUE TEMER e GEDDEL são amigos muito antes do presidente MICHEL TEMER assumir a PRESIDENCIA. QUE GEDDEL tinha grandes expectativas que iria ser nomeado ministro. QUE GEDDEL foi líder do PMDB na câmara por vários anos, inclusive na época em que MICHEL TEMR foi presidente da casa, tendo uma extensa relação de convivência e amizade dentro do PMDB. QUE tem conhecimento que além de YUNES, WAGNER ROSSI e MARCELO AZEREDO eram grandes operadores de MICHEL TEMER. Ainda que TEMER tem uma relação muito próxima com a empresa CONSTRUBASE – de VANDERLEI NATALE, podendo citar como exemplo um fato ocorrido em 2003/4, época em que EDUARDO CUNHA tinha o controle político da CEDAE, no Rio de Janeiro, e a CONSTRUBASE tinha obras com a CEDAE de que não tinhas recebido. QUE MICHEL TEMER solicitou para CUNHA que recebesse o presidente da CONSTRUBASE, WANDERLEI, para que CUNHA conseguisse que a CEDAE quitasse a dívida com a CONSTRUBASE. Que não participou da reunião sobre a CEDAE, tendo CUNHA lhe relatado o fato. Ainda que TEMER tem grande influência no porto de Santos, sendo que tem negócios com a empresa RODRIMAR, por isso teve grande envolvimento com a Medida Provisória dos Portos, de n° 595, a qual teve as duas sessões mais longas da Câmara Federal, em 2013.QUE essa MP envolvia interesse de grandes grupos, pois seu conteúdo além de validar os contratos, prorrogação os contratos com aqueles preços e obrigava os portos a seguirem determinações dessa MP. QUE essa referida MEDIDA PROVISORIA, foi feita para beneficiar os grupos já instalados nos Portos, tendo EDUARDO CUNHA como o articulador e o responsável pela arrecadação frente a algumas empresas tinham interesse na redação dessa MP. QUE HENRIQUE EDUARDO ALVES pautou e conduziu a votação, tendo TEMER diretamente influenciado a MP, com o intuito de defender os interesses dos grupos ligados. QUE CUNHA narrava os pleitos e intervenções de MICHEL TEMER no andamento dessa MP. QUE após a provação da MP acredita que tenham recebido uma comissão pela aprovação da mesma as seguintes pessoas dentre outras: TEMER, CUNHA, HENRIQUE ALVES (que era presidente da câmara a época), o MINISTRO DO TRANSPORTE, tendo conhecimento de repasses por GONÇALO TORREALBA proprietário do Grupo Libra. Que desconhece como foi operacionalizado o pagamento de propina a EDUARDO CUNHA e HENRIQUE ALVES geralmente eram feitos em espécie, tem conhecimento desse fato por relatos do DEPUTADO EDUARDO CUNHA, narrando que tinha atendido aos pleitos do GRUPO LIBRA e SANTOS BRASIL. Que dentre os grandes investidores interessados, estavam o GRUPO SANTOS BRASIL, o GRUPO LIBRA, ligado ao EDUARDO CUNHA. QUE a SANTOS BRASIL contribuiu muito para o PMDB. Ainda a ELDORADO e a RODRIMAR tinham interesse em ter um terminal no Porto de Santos. QUE TEMER tem um histórico de operar no porto de Santos, tendo influência de indicar o presidente e outros cargos. QUE MARCELO AZEREDO foi indicado ao posto que ocupou em empresa ligada ao PORTO DE SANTOS por TEMER. QUE MICHEL TEMER operou no Ministério da Agricultura em duas ou três épocas diferentes, tendo conhecimento que se beneficiou na gestão de WAGNER ROSSI. A indicação de WAGNER ROSSI para o MINISTERIO DA AGRICULTURA foi de MICHEL TEMER. QUE WAGNER ROSSI era amigo pessoal DO PRESIDENTE MICHEL TEMER e já havia ocupado cargos em órgãos ligados ao PORTO DE SANTOS por indicação de Temer. QUE WAGNER tinha negócios junto com JBS no qual MICHEL TEMER foi beneficiado. QUE esses negócios com o Ministério da Agricultura envolviam facilitação nas inspeções, na obtenção de licenças para exportação, autorização para plantas exportarem, a não fiscalização da JBS e maior rigidez nas inspeções em outros frigoríficos. QUE JOESLEY sempre lhe falava que WAGNER ROSSI estava à frente do Ministério, mas que se reportava ao TEMER. QUE após um tempo saiu o indicado de TEMER e surgiu a oportunidade de mudar o MINISTRO, para se alinhar aos interesses de JOESLEY. QUE assim CUNHA pediu que o COLABORADOR perguntasse a JOESLEY se ele tinha interesse, já que já tinham outros negócios da CAIXA, e que CUNHA somente iria indicar alguém para o cargo se JOESLEY tivesse interesse, para não “ocupar esse espaço no governo se não interessasse a JOESLEY”. QUE o COLABORADOR foi até JOESLEY e falou “olha, eu tenho chance de indicar o Ministro da Agricultura. Você tem interesse?”. JOESLEY respondeu que tinha interesse e indagou quem seria.  QUE o COLABORADOR lhe informou que seria ANTÔNIO ANDRADE -Deputado Federal de Minas Gerais, hoje vice-governador de Minas. QUE não o conhecia à época, mas CUNHA informou que iria indicar um deputado da bancada de Minas Gerais que obedecesse a CUNHA. QUE quem bancou a indicação de ANTONIO ANDRADE foi EDUARDO CUNHA e a bancada de Minas Gerais. QUE após a indicação do MINISTRO, JOESLEY começou a fazer pedidos impossíveis o que gerou atrito com CUNHA. QUE não ficou acertado valores, pois iriam valorar cada pleito atendido. QUE JOESLEY tentou ´”atravessar”, o COLABORADOR e CUNHA através de contatos diretos com o MINISTRO. QUE CUNHA reclamou para o COLABORADOR que JOESLEY tentou contato direto com o MINISTRO, o qual não o recebeu. QUE o COLABORADOR passou uma mensagem para JOESLEY chamandoo de “moleque” já em janeiro de 2014. QUE o MINISTRO ANTONIO ANDRADE avisou CUNHA um dos compromissos agendados com JOESLEY, e CUNHA foi até o MINISTERIO. QUE quando CUNHA entrou encontrou JOESLEY, o qual reclamou que o COLABORADOR havia sido muito áspero com ele, tendo CUNHA respondido que tinha sido a seu mando, pois aquilo não era o combinado e que JOESLEY estava dando uma ‘ missão que era impossível. Nós estamos aqui para trabalhar em conjunto”. QUE assim JOESLEY viu que não iria conseguir acesso com o MINISTRO sem a ajuda de CUNHA. QUE os benefícios que a JBS obteve junto ao MINISTERIO nas quais o COLABORADOR participou da aprovação foram a exportação de despojo,
que é um pedaço do gado que não é utilizado no Brasil, mas que na China e em alguns países asiáticos eles comem. Operação que foi aprovada e uma outra operação foi a proibição do uso de uma substancia que se chama ivermectina, pois quando aplicada ao gado causa problemas em um teste que é feito na carne que é exportada, a qual assim é rejeita e causa um prejuízo muito grande para o frigorífico. QUE esta operação precisou da ajuda do ALOÍSIO MERCADANTE, que na época era o Ministro da Casa Civil, quem solicitou essa ajuda foi JOESLEY. QUE ANTÔNIO ANDRADE cuidou do trâmite dentro do MA, mas ele sozinho não conseguiu. QUE dentro do Ministério da Agricultura, tinha a indicação por CUNHA de um funcionário que se chamava RODRIGO FIGUEIREDO, que era quem fazia interface, pois o Ministro não tinha tempo. QUE nessas duas operações foram 7 milhões de reais de da propina foi creditado na conta interna do COLABORADOR na JBS. Que desses valores, R$3.000.000,00 foram repassados para ANTONIO ANDRADE e R$ 1.500.000,00 para EDUARDO CUNHA, sendo que TEMER E HENRIQUE ALVES receberam parte dessa propina, que essa distribuição foi que mantinha a força política de CUNHA. QUE a propina foi paga pela JBS ao COLABORADOR em conta interna, já a parte referente ao MINISTRO ANTONIO ANDRADE foi entregue ao operador dele MATEUS MOURA, e a parte de EDUARDO CUNHA foi paga a pessoa de sua confiança chamada ALTAIR . QUE essas medidas que beneficiaram o Grupo JBS no âmbito do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA são: • Oficio Circular número 2, datado de 5 de Fevereiro de 2014, o qual revoga a circular número 279, de 2004. Esse oficio proíbe os Entrepostos de Carnes e Derivados (ECD) de exportarem despojos de boi, autorizando somente os frigoríficos habilitados a exportar. Esse ato gerou uma série de medidas Judiciais por de ECD associações contra o oficio. • Proibição do uso, produção e importação de Ivermectina, datado de 30/05/2014.
Ainda, que o COLABORADOR Intermediou doações do GRUPO CONSTANTINO para a campanha de GABRIEL CHALLITTA, para beneficiar um pleito de MICHEL TEMER, pois EDUARDO CUNHA não tinha interesse em nada relacionado a prefeitura de São Paulo e nem tinha um relacionamento próximo com GABRIEL CHALLITTA. QUE ainda houve uma entrega de R$ 500.000,00, a pedido de CUNHA para a campanha do PAULO SKAF ao governo de São Paulo, em um escritório na Avenida 9 de Julho em São Paulo, para DUDA MENDONÇA para atender o presidente TEMER.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas 2. Mensagens de texto 3. Contratos.
ANOTAÇÕES DO COLABORADOR NO MATERIAL APREENDIDO.
Créditos de 2mm e 5mm referentes a operações no Ministerio da Agricultura feitas na planilha do Joesley para Lucio . Participaram dessa operação Lucio , Eduardo , Antonio Andrade .
11/03/14                                   -1 .000.000,00
nf 104 visc/jbs                                    -4 .751.679,67
18/03/14                                    2 .000.000,00
cred despojos                                    -2 .751.679,67
** 03/04/2014                                   -6 .749.000,00
ref quitação casa guad                                   -9 .500.679,67
03/04/14                                      -338.000,00
desp helicoptero                                    -9 .838.679,67
16/04/14                                   -1 .830.000,00
nf 106 visc/jbs                                   -1 1.668.679,67
17/04/14                                      -783.000,00
nf 089 arag/jbs                                   -1 2.451.679,67
06/05/14                                      -895.900,00
nf 110 visc/eldorado                                   -1 3.347.579,67
07/05/14                                   -1 .823.330,00
nf 094 arag/eldorado                                   -1 5.170.909,67
03/06/14                                   -1 .341.087,24
nf 113 visc/eldorado                                   -1 6.511.996,91
01/07/14                                    5 .000.000,00
ref verme                                   -1 1.511.996,91
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Repasses de dinheiro para Rodrigo Figueiredo ,funcionário do Ministério da Agricultura.
ROD BSB data vlr Histórico saldos 26/08/14                  250.00 0,00 e bsb                50.000 ,00 02/09/14                    50.00 0,00 e bsb              100.000 ,00
ANEXO 9 —OPERADORES DO PRESIDENTE MICHEL TEMER
QUE o COLABORADOR, como grande arrecadador de propina do PMDB, têm conhecimento de que o PRESIDENTE MICHEL TEMER tem operadores de propina em diversas áreas. QUE em alguns casos teve conhecimento direto de operadores de MICHEL TEMER, e em outros casos através do núcleo político do COLABORADOR. QUE observou com o tempo que em cada área de atuação, MICHEL TEMER tinha um operador especifico para minimizar o risco de exposição de suas condutas ilícitas. QUE fez operações com três operadores de MICHEL TEMER, sendo estes EDUARDO CUNHA, GEDDEL VIEIRA LIMA e JOSE YUNES, conforme já relatado em anexos anteriores. QUE no caso de CUNHA, cabe ressaltar que diversos negócios tinham como sócios nas propinas, além de CUNHA, o COLABORADOR e HENRIQUE EDUARDO ALVES, o PRESIDENTE MICHEL TEMER. QUE CUNHA lhe narrava as tratativas e as divisões com MICHEL TEMER, destacando-se o caso de arrecadação de GABRIEL CHALITA – o qual o COLABORADRO operacionalizou. Ainda, no caso de JOSE YUNES e GEDDEL VIEIRA LIMA, destaca-se a operação de remessa de valores advindos de propina da ODEBRETCH a qual o COLABORADOR operacionalizou a entrega. QUE tem conhecimento de outros operadores do PRESIDENTE MICHEL TEMER principalmente através de relatos de EDUARDO CUNHA e JOESLEY BATISTA. QUE não conhecia RODRIGO ROCHA LOURES, mas que esse era o operador do PRESIDENTE MICHEL TEMER, junto ao Grupo JBS, depois que GEDDEL deixou de ser ministro. QUE JOESLEY BATISTA foi quem passou essa informação. QUE GEDDEL e o COLABORADOR eram fortes arrecadadores de doações e propinas junto a JBS. QUE a estratégia de negócios de JOESLEY BATISTA envolvia a corrupção de funcionários públicos e pagamentos de propinas para manter sua influência política e beneficiar suas empresas. QUE frequentemente JOESLEY BATISTA e EDUARDO CUNHA comentavam com o COLABORADOR que WAGNER ROSSI, ex-Ministro da Agricultura, operava os interesses do PRESIDENTE MICHEL TEMER desde a época do PORTO DE SANTOS. QUE WAGNER ROSSI atendia aos interesses de MICHEL TEMER junto ao GRUPO JBS, que era um dos grandes doadores de campanha e grande pagador de propina. QUE na época da campanha de GABRIEL CHALITA, MICHEL TEMER conseguiu que a produtora do filho de WAGNER ROSSI fosse contratado para produção de material. QUE à época, o tesoureiro informal da campanha, HUGO FERNANDES NETO, reclamou ao COLABORADOR que os preços eram mais caros que as outras empresas do mercado mas que teria que usar essa empresa devido ao vínculo com MICHEL TEMER. QUE esta contratação foi após WAGNER ROSSI perder o Ministério e MICHEL TEMER fez esse pedido a candidatos que ele apadrinhava (SKAFF, CHALITA) para contratassem a produtora como compensação. QUE esses pagamentos foram feitos de três maneiras; pagamentos em espécie para Hugo Fernandes Neto, pagamentos de contas de fornecedores de campanha e doações oficiais.     QUE o vínculo com a campanha de GABRIEL CHALITA era de MICHEL TEMER, pois EDUARDO CUNHA não tinha interesse na campanha da PREFEITURA ou de PAULO SKAFF. Que CUNHA pedia que todos os pagamentos feitos para essas campanha fossem debitados de sua conta corrente, alegando que posteriormente faria o acerto com MICHEL TEMER. Que têm conhecimento que o ex-presidente do Porto de Santos e MARCELO DE AZEREDO, operavam os interesses do PRESIDENTE TEMER, também junto ao Porto. QUE JOSE YUNES operava para o PRESIDENTE TEMER, como já relatado em anexo anterior, sendo que o COLABORADOR foi utilizado para operacionalizar entregas de valores para políticos do PMDB. QUE acredita que JOSE YUNES seja o maior operador de MICHEL TEMER, sendo que frequentemente EDURDO CUNHA que YUNES fazia o branqueamento das propinas destinadas a MICHEL TEMER através de sua incorporadora YUNES. QUE igualmente o CORONEL LIMA era operador do PRESIDENTE TEMER, atuando junto à empresa estatal ELETRONUCLEAR e as obras da Usina de Angra. QUE LIMA tem uma empresa com contratos na ELETRONUCLEAR.
49
QUE na área política o PRESIDENTE TEMER tinha GABRIEL CHALITA, como já mencionada de afilhado político e PAULO SKAFF, à época candidatos à Prefeitura de São Paulo e Governador do Estado. Que a relação de EDUARDO CUNHA e MICHEL TEMER oscila, dependendo do momento político. QUE por exemplo na época do impeachment de DILMA ROUSSEF, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e consequentemente a assunção de TEMER como PRESIDENTE. QUE CUNHA sempre foi o arrecadador e administrador dos valores enquanto MICHEL TEMER atuava no núcleo político. QUE em 2014, EDUARDO CUNHA, foi até o escritório do COLABORADOR e lhe informou que MICHEL TEMER pediu que o COLABORADOR entregasse em um escritório ligado a DUDA MENDONÇA – que prestava serviços para a campanha- 500 mil reais em dinheiro para a campanha de PAULO SKAFF. QUE o COLABORADOR enviou um funcionário seu os valores requisitados até um endereço na Rua 9 de julho em São Paulo, o qual foram recebidos por uma mulher no referido endereço. QUE tais valores foram debitados da conta que o COLABORADOR mantinha com CUNHA, o qual tinha sua própria compensação interna com MICHEL TEMER. QUE esta entrega foi realizada pelo funcionário do COLABORADOR chamado JOSE CARLOS BATISTA. QUE tais registros se encontram em anotações de cadernos que o COLABORADOR mantinha.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Caderno de anotações do COLABORADOR. 2. Recibos das doações oficiais
ANEXO 10 — CAMPANHA GABRIEL CHALITA
QUE o COLABORADOR fez doações não registradas para a campanha da Prefeitura de São Paulo de GABRIEL CHALITA a pedido de MICHEL TEMER. QUE como já declarado em anexo anterior, o COLABORADOR e CUNHA tinham obtido a nomeação de FÁBIO CLETO, para a vice-presidência da CEF. Assim MICHEL TEMER requisitou de EDUARDO CUNHA um grande apoio para a campanha do CHALITA. QUE EDUARDO CUNHA procurou o COLABORADOR e avisou que MICHEL TEMER havia solicitado valores e que assim teriam que fazer um esforço para arrecadar para a campanha do CHALITA. QUE CHALITA não fazia parte do grupo que era próximo de CUNHA, que era do grupo político ligado a MICHEL TEMER. QUE para obterem as doações, o COLABORADOR abordou o GRUPO CONSTANTINO. QUE HENRIQUE CONSTANTINO tinha um pleito na CAIXA, o qual o COLABORADOR já estava auxiliando para a liberação de um financiamento e com isso iria receber uma comissão. Que pediu para CONSTANTINO antecipar um valor desse pleito para pagar a campanha de CHALITA. QUE CONSTANTINO informou ao COLABORADOR que não teria problema em adiantar esse valor, porém queria uma confirmação de que o pedido estava vindo através de MICHEL TEMER. QUE então, o COLABORADOR pediu que EDUARDO CUNHA, conversasse com MICHEL TEMER, para que ele ligasse para HENRIQUE CONSTANTINO. QUE CUNHA conversou com MICHEL TEMER, o qual ligou para HENRIQUE CONSTANTINO agradecendo a doação, dando a entender que o vicepresidente estava a par da transação e que era para esta ser efetuada. QUE após esse aval de TEMER, CONSTANTINO concordou com as doações. QUE o COLABORADOR falou a HENRIQUE CONSTANTINO, que deveria procurar HUGO FERNANDES DA SILVA NETO, que era quem cuidava da campanha de CHALITA para definir valores.  QUE HUGO também deveria procurar  DENÍLTON, pessoa ligada a JOESLEY e organizar para que pagassem dois três milhões de reais de boleto. QUE esse pagamentos dos boletos foram debitados da conta corrente do COLABORADOR com a JBS.
QUE o COLABORADOR efetuou repasses através das empresas de CONSTANTINO e através de valores em espécie para HUGO FERNANDEZ DA SILVA NETO. QUE também fez pagamentos a uma gráfica, chamada ALL-WIN PRODUÇÕES E ARTES GRÁFICAS, através de notas faturadas para a empresa do COLABORADOR. Ainda, que fez repasse através de boletos de fornecedores da campanha do CHALITA os quais o COLABORADOR pediu que JOESLEY pagasse. QUE esses boletos constam nas planilhas do COLABORADOR. QUE foram pagos para a campanha, cerca de 3 milhões de reais através de JOESLEY, cerca de 3 milhões em dinheiro em espécies ao assessor de CHALITA, cerca de 3 milhões de reais através de pagamento pela empresa do COLABORADOR, e cerca de 5-7 milhões doados por HENRIQUE CONSTANTINO. QUE todos esses valores foram doados via caixa 2. QUE o COLABORADOR esteve com GABRIEL CHALITA em sua casa para conversarem sobre as doações de campanha. QUE neste almoço na casa do COLABORADOR também estavam EDUARDO CUNHA, IVO LODO – PRESIDENTE DO BANCO BVA e HUGO FERNANDES DA SILVA NETO, tesoureiro informal da campanha. QUE o BVA não chegou a fazer doações por acabou enfrentando problemas financeiros. QUE o COLABORADOR tem cópia dos recibos dos pagamentos dos boletos. QUE HENRIQUE CONSTANTINO, teve que fazer os pagamentos via caixa 2 pois é concessionário público, ou seja, ele não pode fazer doações oficiais. QUE o COLABORADOR não podia fazer os repasses via doações legais pois suas empresas  não tinham faturamento suficiente. Que o COLABORADOR também organizou a doação de 500 mil reais pelas HYPERMARCAS. QUE esta doação foi feita via caixa 2 em dinheiro em espécie. QUE NELSON MELLO entregou uma mochila com dinheiro no escritório do COLABORADOR com 500 mil reais. QUE o COLABORADOR avisou HUGO FERNANDES DA SILVA NETO que foi retirar a mochila em seu escritório. Que como forma de agradecer HENRIQUE CONSTANTINO pelo apoio a campanha de CHALLITTA, foi feito um almoço na casa do pai de HENRIQUE CONSTATINO nos fundos do parque do Ibirapuera – o qual estava em prisão domiciliar à época. QUE estavam presentes nesse almoço o
COLABORADOR, o DEPUTADO FEDERAL EDUARDO CUNHA, GABRIEL CHALITTA, HENRIQUE CONSTANTINO e seu irmão JOAQUIM, NENE CONSTANTINO e HUGO. Que o COLABORADOR tambem doou horas de voo em seu helicopetro para o Chalitta conforme planilha em anexo.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas do colaborador; 2. Recibos de pagamento de boletos; 3. Depósitos na conta da empresa ALL WIN.
Provas : Voos Chalitta Helicoptero Lucio funaro prefixo PR- FMB
DATA
TEMPO VÔO ORIGEM DESTINO PASSAGEIRO 09/08/2012 0,70 Campo de Marte Vargem Grande Sr. Lucio 09/08/2012 0,7 Vargem Grande Campo de Marte Sr. Lucio 11/08/2012 0,7 Campo de Marte Vargem Grande Sr. Lucio 11/08/2012 0,7 Vargem Grande Sorocaba Sr. Lucio 12/08/2012 0,7 Sorocaba Vargem Grande Sr. Lucio 12/08/2012 0,7 Vargem Grande Campo de Marte Sr. Lucio
15/08/2012 0,4
Marte/H. Sta. Marcelina
H.Sta Marcelina/Marte Sr. Chalita
15/08/2012 0,4
Marte/H. Sta. Marcelina
H.Sta Marcelina/Marte Sr. Chalita 17/08/2012 0,9 Campo de Marte Laranjeiras Sr. Vinicius 17/08/2012 0,8 Laranjeiras Campo de Marte Sr. Vinicius 17/08/2012 1,0 Campo de Marte Vargem Grande Sr. Lucio 19/08/2012 1,0 Vargem Grande Laranjeiras Sr. Vinicius 19/08/2012 0,9 Laranjeiras Campo de Marte Sr. Vinicius 19/08/2012 0,7 Campo de Marte Vargem Grande Sr. Lucio 19/08/2012 0,8 Vargem Grande Campo de Marte Sr. Lucio 21/08/2012 0,2 Campo de Marte Rede TV Sr. Chalita 21/08/2012 0,2 Rede TV Campo de Marte Sr. Chalita 21/08/2012 0,5 Marte/Iguatemi Iguatemi/Sorocaba Sr. Lucio 21/08/2012 0,9 Sorocaba/Rede TV RedeTV/Congonhas Sr. Chalita 21/08/2012 0,2 Congonhas Campo de Marte Sr. Chalita
23/08/2012 0,5 Marte/WTC WTC/Marte Sr. Chalita 23/08/2012 0,3 Marte/WTC WTC/Marte Sr. Chalita 24/08/2012 0,4 Marte/Meliah Meliah/Marte Sr. Chalita 25/08/2012 0,8 Campo de Marte Vargem Grande Sr. Lucio 25/08/2012 0,7 Vargem Grande Sorocaba Sr. Lucio 26/08/2012 0,8 Sorocaba Vargem Grande Sr. Lucio 26/08/2012 0,8 Vargem Grande Campo de Marte Sr. Lucio 26/08/2012 0,5 Campo de Marte Sorocaba Manut. 28/08/2012 0,4 Sorocaba Campo de Marte Manut.
30/08/2012 0,5
Marte/Centro Empresarial
Centro Empresarial/Marte Sr. Chalita
30/08/2012 0,5
Marte/Centro Empresarial
Centro Empresarial/Marte Sr. Chalita
Pagamentos Efetuados a empresa All Win :
Empresa utilizada para efetuar serviços na campanha do Challitta indicada pelo Hugo .                         Repasses em dinheiro para a campanha do Challitta , feitos em meu escritório ao Sr Hugo
HUGO Data vlr Histórico saldos
09/05/12        -100.00 0,00
v            -100.000 ,00
17/05/12        -100.00 0,00
v            -200.000 ,00
31/05/12             -235. 000,00
v            -435.000 ,00
01/06/12        -215.00 0,00
V           -650.000 ,00
06/06/12          -50.00 0,00
v            -700.000 ,00
12/06/12          -50.00 0,00
v            -750.000 ,00
06/07/12          -50.00 0,00
v            -800.000 ,00
06/08/12             -200. 000,00
v         -1.000.00 0,00
09/08/12        -150.00 0,00
v         -1.150.00 0,00
17/08/12        -100.00 0,00
v         -1.250.00 0,00
10/01/13          -50.00 0,00
v         -1.300.00 0,00
17/01/13          -50.00 0,00
v         -1.350.00 0,00
02/04/13        -200.00 0,00
v         -1.550.00 0,00
• Estão no Hd apreendido pela PF
joe/planilha 2 01.09.14 Data vlr historico saldos
01/11/11

-300.000,00  v

-300.000,00
01/02/12

-300.000,00  v

-600.000,00

9.750.000,00  credito

9.150.000,00 30/03/12  gti
55
-475.000,00 8.675.000,00
02/04/12

-570.000,00  gti

8.105.000,00
02/04/12

-600.000,00  v

7.505.000,00
02/04/12

-205.000,00  ted rec etros

7.300.000,00
04/04/12

-18.810,01  pagto boleto

7.281.189,99
11/04/12

-141.000,00  teds rec itau et

7.140.189,99
11/04/12

-300.000,00  v

6.840.189,99
13/04/12

-141.000,00  ted rec itau et

6.699.189,99
19/04/12

-200.000,00  ted rec itau

6.499.189,99
19/04/12

-100.000,00  ted rec citi

6.399.189,99
20/04/12

-22.507,23  pagto boleto

6.376.682,76
23/04/12

-46.375,00  ted rec j

6.330.307,76
23/04/12

-3.625,00  dep dinh

6.326.682,76
24/04/12

-100.000,00  ted rec citi disc

6.226.682,76
25/04/12

-50.000,00  ted rec citi

6.176.682,76
25/04/12

-21.800,00  ted rec cef ser

6.154.882,76
25/04/12

-17.600,00  ted rec cef ser

6.137.282,76
26/04/12

-100.000,00  ted rec itau

6.037.282,76
27/04/12

-26.000,00  ted rec cef ser

6.011.282,76
27/04/12

-12.000,00  ted rec cef ser

5.999.282,76
27/04/12 -27.000,00
ted rec cef ser  5.972.282,76
27/04/12

-25.000,00  ted rec cef ser

5.947.282,76
27/04/12

-21.000,00  ted rec cef ser

5.926.282,76
27/04/12

-24.000,00  ted rec cef ser

5.902.282,76
27/04/12

-20.000,00  ted rec cef ser

5.882.282,76 27/04/12  ted rec cef ser
56
-23.000,00 5.859.282,76
27/04/12

-22.000,00  ted rec cef ser

5.837.282,76
30/04/12

-10.600,00  ted rec cef ser

5.826.682,76
02/05/12

-2.000.000,00  cia

3.826.682,76
02/05/12

-351.000,00  gti

3.475.682,76
02/05/12

-200.000,00  teds recs cruz

3.275.682,76
03/05/12

-150.000,00  teds rec itau tere

3.125.682,76
04/05/12

-158.000,00  teds itau tere

2.967.682,76
07/05/12

-176.160,00  teds prosp 4/5

2.791.522,76
07/05/12

-176.293,00  teds recs prosp

2.615.229,76
08/05/12

-72.547,00  teds rec prosp

2.542.682,76
09/05/12

-100.000,00  teds cef stoc

2.442.682,76
11/05/12

-26.996,00  ted cef stoc

2.415.686,76
15/05/12

-63.004,00  dep cef stoc

2.352.682,76
15/05/12

-100.000,00  ted/dep yuni

2.252.682,76
21/05/12

-112.000,00  teds cef roys

2.140.682,76
21/05/12

-16.307,00  dep rec cef roys

2.124.375,76
22/05/12

-114.700,00  teds roy cef

2.009.675,76
22/05/12

-117.993,00  dep roy cef

1.891.682,76
23/05/12

-19.000,00 ted roy cef

1.872.682,76
25/05/12 -21.116,00
ted rec g ener  1.851.566,76
28/05/12

-10.000,00  ted rec g ener

1.841.566,76
29/05/12

-138.884,00  ted g ener cruz

1.702.682,76
29/05/12

-130.000,00  ted g s/a cruz

1.572.682,76
30/05/12

-20.000,00  ted g s/a cruz

1.552.682,76 30/05/12  ted rec disc citi
57
-100.000,00 1.452.682,76
30/05/12

-1.000.000,00  carro joesley

452.682,76
30/05/12

-150.000,00  ted rec itau et

302.682,76
31/05/12

-363.600,00  nf 8 J&F visc

-60.917,24
31/05/12

-386.400,00  nf 9 JBS visc

-447.317,24
01/06/12

-385.000,00  nf 12 J&F visc

-832.317,24
01/06/12

-565.000,00  nf 10 JBS visc

-1.397.317,24
28/06/12

-375.300,00  nf 15 J&F visc

-1.772.617,24
29/06/12

-1.624.700,00  nf 14 JBS visc

-3.397.317,24
03/07/12

-515.000,00  nf 17 J&F visc

-3.912.317,24
04/07/12

-1.485.000,00  nf 16 JBS visc

-5.397.317,24
23/08/12

-382.000,00  teds env nilt

-5.779.317,24
23/08/12

-100.000,00  teds rec citi

-5.879.317,24
24/08/12

-63.000,00  ted rec citi

-5.942.317,24
24/08/12

-48.272,00  dep rec ch citi

-5.990.589,24
24/08/12

-1.728,00  dep rec ch citi

-5.992.317,24
27/08/12

-69.774,72  dep rec ch citi

-6.062.091,96
27/08/12

-17.225,28  ted rec citi

-6.079.317,24
28/08/12

-880.000,00  nf 020 JBS visc

-6.959.317,24
28/08/12

-120.000,00  nf 006 JBS serra

-7.079.317,24
28/08/12 5.800.000,00
ref op 250 jf set  -1.279.317,24
06/09/12

-453.000,00  nf 21 J&F visc

-1.732.317,24
06/09/12

-1.200.000,00  nf 25 J&F visc

-2.932.317,24
10/09/12

-330.000,00  nf 22 J&F visc

-3.262.317,24
10/09/12

-930.000,00   nf 26 J&F visc

-4.192.317,24 14/09/12  nf 007 J&F serra
58
-108.000,00 -4.300.317,24
18/09/12

-600.000,00  nf 027 J&F visc

-4.900.317,24
24/10/12

1.000.000,00  doação psc/ivanildo

-3.900.317,24
• Os repasses ao Challitta via Joesley. Repasse cia Challitta • Doacao PSC p Chalitta via Joesley
• Planilha em HD aprrendido pela PF
Pagamentos All Win:
2012 DEZEMBRO 13/12 – NF 670 – ALL WIN x VISC –  $ 65.000,00 Ted Visc Bradesco
18/12 – NF 671 – ALL WIN x VISC – $ 35.000,00 Ted Visc Bradesco
27/12 – DEPÓSITO EM DINH – $ 50.000,00
2013 FEVEREIRO 04/02 – NF 676  – ALL WIN x VISC     –    $ 75.000,00 Ch Visc Bradesco
20/02 – NF 284  – ALL WIN x VISC     –    $ 25.000,00 – PAGTO PARCIAL Ch Visc Bradesco – 24.000,00 Dep em dinh – 1.000,00
59
20/02 – NF 284 – ALL WIN x VISC     –    $   5.000,00  – PAGTO PARCIAL Dep em dinh – 5.000,00
26/02 – NF 284 – ALL WIN x VISC     –    $ 45.000,00 – SALDO FINAL Chs 121/122/123 – ARAG CEF (15.000,00 CADA)
MAIO 06/05 – NF 687 – ALL WIN x ARAGUAIA – $ 60.000,00 – PAGTO PARCIAL Ted BRB Arag
JUNHO 06/06 – NF 687 – ALL WIN x ARAGUAIA – $ 225.000,00 – PAGTO PARCIAL Ted BRB Arag
AGOSTO 20/08 – NF 687 – ALL WIN x ARAGUAIA – $ 175.000,00 – PAGTO PARCIAL
OUTUBRO 28/10 – NF 687 – ALL WIN x ARAGUAIA – $ 150.000,00 – SALDO FINAL Ted BRB Arag

ANEXO 11 — HENRIQUE EDUARDO ALVES
QUE o COLABORADOR conheceu HENRIQUE EDUARDO ALVES em 2010/2011, através do DEPUTADO EDUARDO CUNHA, no prédio em que CUNHA e HENRIQUE EDUARDO ALVES tinham apartamento funcional. QUE tem um bom relacionamento com HENRIQUE EDUARDO ALVES. QUE nesta época HENRIQUE era o líder do PMDB e CUNHA almejava sucede-lo. QUE CUNHA era a pessoa que operacionalizava e arrecadava as propinas e HENRIQUE trabalhava com o lado político pois era o mais antigo deputado dentro do partido. QUE o COLABORADOR ajudou HENRIQUE na campanha para Governador de 2014, através de doação de dinheiro via caixa dois. QUE era CUNHA quem conversava e definia com HENRIQUE ALVES quais eram os repasses destinados a cada um. QUE o COLABORADOR e CUNHA tinham uma conta corrente da qual CUNHA especificava que ‘’tinha que dar X para o Henrique desse, X desse negócio aqui, tem que dar tanto para o Henrique, o Henrique precisa disso aqui de ajuda’’. QUE HENRIQUE EDUARDO ALVES recebeu pagamento de propina de todas as operações realizadas pelo COLABORADOR junto ao FI-FGTS, assim como das operações realizadas na área de GEDDEL. QUE não sabe quais os valores totais que CUNHA destinou a HENRIQUE ALVES. QUE sabia dos pagamentos a HENRIQUE pois, várias vezes, CUNHA requisitou que o COLABORADOR fizesse entregas no Rio Grande do Norte. QUE o COLABORADOR mandava algum emissário seu fazer as entregas ou ia entregar pessoalmente com seu avião à algum funcionário dele. QUE algumas vezes um funcionário de HENRIQUE vinha até o escritório do COLABORADOR em São Paulo. QUE então o COLABORADOR emprestava seu avião para o funcionário ir até o Rio Grande do Norte. QUE normalmente o funcionário que vinha fazer as retiradas se chamava WELLINGTON, e estava lotado no gabinete dele. Que uma vez entregou dinheiro pessoalmente a HENRIQUE ALVES no HOTEL TIVOLI da Alameda Santos em São Paulo, quando este era PRESIDENTE DA CAMARA DOS DEPUTADOS.
QUE em relação à campanha de 2014 doou cerca de 15 milhões de reais a pedido de CUNHA. QUE operacionalizou esses valores através de pagamentos de boletos com JUCA e TONY, e pediu que os doleiros fizessem a entrega. QUE tem os registros dos voos feito em seu avião para NATAL, cujo prefixo é PTMJC. QUE alguns voos foram efetuados no avião do GRUPO BERTIN. QUE todos os valores foram pagos via caixa 2 com exceção de uma doação efetuada pela empresa ARAGUAIA COMERCIALIZADORA DE ENERGIA para o PTB do Rio Grande do Norte.  QUE o COLABORADOR enviou para uso na campanha de HENRIQUE um helicóptero para Natal, para ficar a sua disposição. QUE tudo que era pago a HENRIQUE era debitado dos créditos referente a CUNHA. QUE CUNHA e o COLABORADOR dividiam os valores ilícitos com HENRIQUE, pois era um dos caciques dentro do PMDB, e os ajudava nas nomeações. QUE em uma ocasião levou HENRIQUE e CUNHA para almoçar na casa do JOESLEY, para que JOESLEY conhecesse o líder do PMDB. QUE quando o BANCO JULIUS BAER quebrou o sigilo bancário de HENRIQUE ALVES, este fechou a conta na Suíça e enviou todos os recursos desta conta para uma conta em Dubai. QUE essa conta que recebeu esses recursos nos Emirados Árabes. QUE foi feita uma operação dólar cabo para que HENRIQUE conseguisse ter acesso aos valores no Brasil. QUE então, fez pagamentos em espécie durante o período 2010 a 2015 para HENRIQUE EDUARDO ALVES, por solicitação do DEPUTADO EDUARDO CUNHA. QUE sabe através de EDUARDO CUNHA que ALVARO TEXEIRA DE MELLO, um dos melhores amigos de HENRIQUE EDUARDO ALVES era seu operador. Que EDUARDO CUNHA sempre se relacionou muito bem com HENRIQUE, devido a essa parceira na qual um era o operador financeiro e o outro fazia a interface política. Que Eduardo Cunha lutou para a nomeação de HENRIQUE ser nomeado ministro após ser derrotado nas eleições para governador. Que em diversas ocasiões esteve junto com HENRIQUE e EDUARDO, os quais foram os principais arrecadadores para HENRIQUE ALVES na campanha para o governo do Rio Grande do Norte em 2014. QUE ALVARO TEIXEIRA DE MELLO, era quem operava as medidas provisórias para HENRIQUE EDUARDO ALVES. Que EDUARDO CUNHA seguiu o mesmo caminho político de HENRIQUE ALVES, mas de maneira muito mais rápida pois era um operador e negociador mais eficiente, tendo assim mais recursos e cargos para distribuir entre os seus aliados. QUE além disso EDUARDO CUNHA tinha a vantagem de ter o apoio de grande parte da bancada evangélica. Que HENRIQUE EDUARDO ALVES e EDUARDO CUNHA foram os responsáveis pela nomeação de FABIO CLETO para a Vice-Presidência de Fundos e Governo da Caixa Econômica Federal, conforme já descrito em anexo anterior. QUE o colaborador entregou o CV de FABIO CLETO para EDUARDO CUNHA, o qual por sua vez encaminhou a HENRIQUE ALVES que encaminhou a PALOCCI. QUE PALOCCI posteriormente informou a HENRIQUE ALVES que o CV havia sido aprovado.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Registros de voo no avião do COLABORADOR; 2. Registros de voos no avião do GRUPO BERTIN; 3. Pagamentos de boletos para JUCA e TONY; 4. Planilhas do COLABORADOR; 5. Troca de mensagens e ligações com HENRIQUE e CUNHA; 6. Recibo das doações oficiais.

ANEXO 12 – MINISTRO MOREIRA FRANCO
QUE o atual MINISTRO MOREIRA FRANCO foi vice-presidente da Caixa – o mesmo cargo ocupado por Fábio Cleto de 2011 até 2015 – em 2009. QUE como o COLABORADOR tinha um bom relacionamento com o GRUPO BERTIN, estes procuraram o COLABORADOR para que os ajudasse com um pleito de FI/FGTS para o financiamento de usinas térmicas de propriedade do grupo para uma de suas empresas a CIBE. Que na época a CIBE teria grande dificuldade em conseguir um financiamento, pois a CIBE era uma subsidiaria da CIBEPAR – CIBE PARTICIPAÇÕES – e vinha acumulando autuações e multas aplicadas pela ANEEL por descumprir os prazos nos contratos das usinas. QUE este pleito estava parado sob a responsabilidade de ROBERTO MADOGLIO. QUE o COLABORADOR foi conversar com CUNHA e perguntou se ele podia conversar com MOREIRA FRANCO para resolver o pleito da CIBE. QUE CUNHA respondeu que “ó, dando dinheiro, o Moreira faz qualquer coisa”. QUE o COLABORADOR respondeu que a CIBE estaria disposta a pagar uma comissão para que o problema fosse resolvido. QUE então o COLABORADOR foi no avião do GRUPO BERTIN, juntamente com SILMAR ROBERTO BERTIN e o outro sócio da CIBE, o representando da EQUIPAV para um almoço em Brasília em uma casa no Lago sul. QUE após o almoço CUNHA já havia organizado uma reunião os sócios da CIBE e MOREIRA FRANCO. QUE após cerca de cinco horas que haviam saído na reunião, ROBERTO MADOGLIO ligou para os representantes da CIBE para organizar uma nova reunião, pois MOREIRA FRANCO já havia conversado com ele pedido que MADÓGLIO desse andamento ao projeto. QUE com o apoio de MOREIRA FRANCO, o projeto foi aprovado com a liberação de cerca de 300 milhões, e a BERTIN pagou uma comissão de cerca de 4%. A liberação do recurso se deu apesar de multas no valor de 1.2 milhão, contraídos a partir de julho de 2009. Assim mesmo, a liberação do dinheiro do FI/FGTS foi aprovada pelo Ministério da Fazenda com o aval do CADE.
QUE o pagamento foi feito em dinheiro em espécie, sem a emissão de notas pelo COLABORADOR. QUE sobre o percentual de 4% pagos pela BERTIN, o COLABORADOR sabe que 60% ficou com MOREIRA FRANCO, 25% com EDUARDO CINHA, e os 15% restantes ficaram com o COLABORADOR; QUE a BERTIN enviou os valores para o COLABORADOR, que repassou para EDUARDO CUNHA, sendo que este repassou a parte devida a MOREIRA FRANCO. Que CUNHA cobrou o COLABORADOR acerca dos pagamentos, pois MOREIRA FRANCO estava o pressionando, pedindo dinheiro. QUE durante a época em que o ministro MOREIRA FRANCO estava a frente da Vice Presidência de Fundos da Caixa, a empresa mais beneficiada com recursos do FI/FGTS foi a Odebrecht e suas subsidiarias; QUE o COLABORADOR, muito embora, não conheça as operações da Caixa Econômica Federal durante a gestão Moreira Franco desconfia de todas envolvendo a Odebrecht, em razão da alta concentração na alocação de recurso no mesmo Grupo e pelo fato de que o filho do ministro, PEDRO MOREIRA FRANCO, trabalhava na Odebrecht, onde chegou ao cargo de diretor na Empresa. Ainda, que em 2010 MOREIRA FRANCO estava lutando para manter-se no cargo de Vice -Presidente da CAIXA ou então escolher seu sucessor, sendo que organizou uma reunião entre ANDRÉ DE SOUZA (outro membro do conselho do FI) e MICHEL TEMER para definir a situação. QUE o COLABORADOR e CUNHA também estavam querendo a nomeação deste cargo, então CUNHA junto com HENRIQUE EDUARDO ALVES e a bancada deles, se articularam e tiraram o cargo de MOREIRA FRANCO, ficando assim com a indicação do cargo. Que no ano de 2010 o GRUPO BERTIN fez várias doações a campanha eleitoral a pedido do COLABORADOR e de EDUARDO CUNHA, inclusive tendo identificado em suas agendas anotações referentes a essas operações. QUE MOREIRA ficou com uma outra vice-presidência da Caixa, e, em seu lugar, foi nomeado para o cargo, JOAQUIM LIMA. QUE o COLABORADOR tem conhecimento de que a bancada do CUNHA e do HENRIQUE era composta pelas seguintes pessoas: ANDRE MOURA, FERNANDO DINIZ, LUCIO VIEIRA LIMA, BALDY, ARLINDO CHINAGLIA, ELISEU PADILHA,
SERGIO DE SOUZA, MOREIRA FRANCO, SANDRO MABEL, PRIANTE, MANOEL JR., FERNANDO DINIZ, FERNANDO JORDAO, ANTONIO ANDRADE – OPERADOR MATEUS MOURA, CANDIDO VACAREZA, HUGO LEAL, WLADIMIR COSTA, CARLOS BEZERRA, ALEXANDRE SANTOS, SORAYA SANTOS, TADEU FELIPELLI, TEREZA CRISTINA, SARAIVA FELIPE, MAURO LOPES, WALDIR MARANHAO, ROGERIO ROSSO, WASHIGTON REIS, SOLANGE ALMEIDA, ROSE DE FREITAS e ANDRÉ VARGAS. QUE MOREIRA tinha um operador na INFRAERO chamado ANDRE LUIZ MARQUES, conhecido como ANDRÉ BOCÃO, que operava desde balcões de embarque, hangares, concessões, etc, renovando contratos sem licitações. QUE o COLABORADOR soube pela pessoa de HENRIQUE CONSTANTINO e de GERMAN, da AVIANCA, que MOREIRA FRANCO auxiliou HENRIQUE junto a INFRAERO, principalmente sobre assuntos relacionados a renovação de hangares sem realização de licitação face a mudança do locatário, ou ainda distribuição dos balcões de atendimento, entre outros assuntos; QUE o operador de MOREIRA FRANCO para estes assuntos de menor importância era o ANDRÉ LUIZ MARQUES; QUE sobre a liberação; ou não de um novo aeroporto privado em Caieiras pela CAMARGO CORREA e o filho do PAULO SKAF houve bastante confusão; QUE a OAS havia ganho as concessões aeroportuárias e as normas para privatização também eram uma circunstância desfavorável a CAMARGO CORREA e ao filho de PAULO SKAF; QUE sobre os temas de concessão e da construção do novo aeroporto o Deputado EDAURDO CUNHA interveio em favor da OAS, não sabendo se a intervenção foi realizada em favor de outra empreiteira. QUE, em 2013, quando CUNHA havia se candidatado a líder do PMDB, o COLABORADOR fretou um avião para fazer o trecho Brasília-Rio de Janeiro, em um sábado, pois tinham a eleição da executiva do PMDB nacional. QUE na volta do voo estavam o COLABORADOR, MOREIRA FRANCO, EDUARDO CUNHA, ALEXANDRE SANTOS e mais um deputado do Rio de Janeiro dentro do avião, que tais registros constam do plano de voo. QUE, tais informações se prestam a ilustrar que MOREIRA FRANCO apoiava a candidatura de EDUARDO CUNHA a liderança do PMDB; QUE para se tornar líder da Câmara dos Deputados EDUARDO CUNHA compôs a ida de HENRIQUE EDUARDO ALVES para a presidência em alternância de poder com MARCO MAIA, tendo posteriormente composto com as bancadas estaduais do PMDB para a distribuição dos cargos e comissões aos quais o PMDB tinha direito. QUE, o Deputado EDUARDO CUNHA queria nomear um aliado seu para a VP Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal (VIFUG) para poder operacionalizar o fim da falência do Banco Nacional, através na novação dos títulos de Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) que estão na carteira do Banco; QUE EDUARDO CUNHA também tinha a intenção de operacionalizar recursos  para projetos de infraestrutura em conjunto com a VP Gestão de Ativos de Terceiros (VITER); QUE esta articulação não deu certo porque não havia composição entre o VP da VITER e o FABIO CLETO e, sem isso era quase impossível implementar qualquer operação.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas colaborador 2. Registro de voo; 3. Registro na agenda do colaborador sobre o pagamento de propina negociado com o GRUPO BERTIN, transformado em doação oficial no ano de 2010.

ANEXO 13 — ELISEU PADILHA
QUE embora o COLABORADOR não conhecesse ELISEU PADILHA, sabia que este é muito amigo de GEDDEL LIMA VIEIRA. QUE o COLABORADOR teve envolvimento direto com PADILHA, devido a uma operação envolvendo JOSE YUNES já detalhada em anexo especifico. QUE o fato de o COLABORADOR operar propinas para vários integrantes da cúpula do PMDB, fez com que temessem uma delação. QUE a única operação de entrega de valores de propina que teve com Padilha foi buscar uma parte de dinheiro ilícito no escritório de JOSE YUNES. QUE esses valores eram de uma negociação para recebimento de doações via caixa 2 da ODEBRETCH para MICHEL TEMER. QUE intermediou o pagamento a pedido de GEDDEL. QUE essa transação envolveu 10 milhões de reais para TEMER. CUNHA, RENAN CALHEIROS para as eleições de 2014. QUE estes valores foram acertados, em um jantar, no Palácio do Jaburu, entre CLAUDIO MELLO, MARCELO ODEBRECHT, MICHEL TEMER e PADILHA. Que desses 10 milhões de reais, PADILHA pediu que a ODEBRECHT, entregasse 4 milhões de reais no escritório do JOSÉ YUNES, em SP, sendo que desses quatro milhões de reais, um milhão era destinado ao GEDDEL. Como Geddel não tinha ninguém da confiança dele em São Paulo ele ligou para o COLABORADOR e perguntou se poderia retirar o dinheiro e entregar em Salvador. Ainda que em julho de 2016 assinou um contrato de cessão de direitos creditórios para DANIEL GERBER receber seus honorários referente a causa do COLABORADOR diretamente na JF no valor de R$ 600.000,00. QUE esse valor seria debitado do saldo devedor da J&F com o COLABORADOR. QUE DANIEL GERBER tinha acertado diretamente com FRANCISCO SILVA a operacionalização do pagamento, pois o colaborador já se encontrava preso. Que apos a assinatura no contrato de cessão, a JBS e GERBER decidiram não fazer o pagamento dessa maneira pois a J&F ficou com medo de exposição de sua relação de pagamentos ilícitos com o COLABORADOR. QUE o COLABORAR possui o referido contrato. Ainda que FRANCISCO DE ASSIS manteve contato com GERBER de julho a outubro de 2016, tendo apresentado GERBER para JOESLEY. QUE recentemente o MINISTRO ELISEU PADILHA contratou DANIEL GERBER como seu advogado para os casos da Lava Jato. QUE esclarece que ficou estarrecido com o fato  do advogado ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA não separar os assuntos de clientes do mesmo escritório. Ainda que quando contratou GERBER, FERRAO já advogava para o COLABORADOR, que nunca imaginou que iriam transmitir as informações sigilosas entre advogado e cliente com terceiros.
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS 1-copia do contrato de cessão de direitos do colaborador para DANIEL GEBER.
ANEXO 14 — VICE PRESIDENCIA DE PESSOA JURIDICA DA CAIXA ECONOMICA FEDERAL –  GEDDEL
QUE entre 2011 e 2015 o COLABORADOR  foi quem operacionalizou todas as operações do GRUPO JBS, junto à Vice Presidência de Pessoa Jurídica da CEF, desde  que  GEDDEL assumiu esse cargo no primeiro semestre de 2011. QUE esclarece que essas operações envolveram créditos para outras empresas do GRUPO dos irmãos Batista que não tivessem o CNPJ da JBS. QUE dentre as operações que fez para o GRUPO constam a feita para a SEARA, ELDORADO, J&F HOLDING, VIGOR, FLORA e ALPARGATAS. QUE antes de sua prisão o crédito do COLABORADOR junto ao Grupo era de cerca de 50 milhões de reais. QUE tem créditos com a JBS de transações lícitas e ilícitas. Que nas operações licitas com a JBS utilizou de seus relacionamentos pessoais para viabilizar negócios do interesse do grupo JBS.   QUE essas operações dentro da VP de Pessoa Jurídica da CEF funcionavam da seguinte maneira. O COLABORADOR recebia um pleito da JBS, especificava quais eram as operações de crédito e detalhava a operação. QUE após o COLABORADOR analisar o projeto, apresentava-o a agencia da CEF onde a JBS mantinha conta, e dali em diante a sistemática era a mesma do FI-FGTS. QUE o COLABORADOR e GEDDEL atuavam para agilizar o processo para que a liberação do crédito fosse a mais rápida possível. QUE esclarece que mesmo com a atuação de agentes públicos e políticos perante a CEF, era necessário que os projetos estivessem dentro das normas da Caixa, com garantias e taxas de juros de mercado. QUE não houve nenhuma operação feita fora dos padrões que a Caixa adotava. QUE através do pagamento de propinas utilizava-se de informações privilegiadas, acesso à estrutura da CEF e preferência na análise dos pleitos. QUE dessa área da Vice-Presidência da CEF, se beneficiaram o COLABORADOR, EDUARDO CUNHA, GEDDEL e HENRIQUE EDUARDO ALVES. QUE os valores liberados através de esquema na CEF foram em torno de cinco bilhões de reais, sendo devido cerca de 170 milhões de reais
em propina. QUE tais valores constam nas planilhas do COLABORADOR apreendidas pela Polícia Federal. Que tem os registros até o ano de 2015. Que as operações que foram feitas durante o período de 2011 a 2015 na CEF  foram para as empresas J&F, FLORA, VIGOR, ELDORADO, SEARA, ALPARGATAS (as quais JOESLEY não pagou a totalidade dos valores devidos), MARFRIG, OESTE SUL (empresa do GRUPO CONSTANTINO) e SPMAR (Concessionaria do Rodoanel de São Paulo do GRUPO BERTIN). QUE com exceção da OESTE SUL, SEARA E ALPARGATAS em todas essas operações houve a distribuição de propina. Que os valores recebidos por EDUARDO CUNHA também podem ter sido repassados a outros políticos ,mas o colaborador não tem conhecimento de quais. Que o COLABORADOR não conversava com funcionários da Vice Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa, sendo que a única pessoa com a qual se relacionou nessa VICE PRESIDENCIA foi GEDDEL OLIVEIRA LIMA. QUE não conhece um gerente chamado GIOVANI ou o diretor da área chamado DERZIE e desconhece se tinham conhecimento do recebimento de propina. Que após a saída de GEDDEL da CEF para disputar as eleições de 2014, o esquema continuou funcionando, no entanto o COLABORADOR não sabe como GEDDEL fazia para atender os pleitos dentro da CEF, mas que efetivamente as operações continuaram a ocorrer da mesma forma que nos anos anteriores.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas do COLABORADOR; 2. Registros de contabilidade interna; 3. Notas fiscais emitidas; 4. Registro de telefonemas entre o colaborador e membros do grupo JBS; 5. Registros de telefonemas entre o colaborador e Geddel;
ANEXO 15 — FI-FGTS (GEDDEL VIEIRA LIMA—JBS)
QUE o COLABORADOR conheceu GEDDEL VIEIRA LIMA quando este assumiu a Vice-Presidência da área de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, época na qual GEDDEL e EDUARDO CUNHA não tinham muita afinidade, em razão de terem sido adversários dentro do PMDB. QUE tinha muita afinidade com EDUARDO CUNHA, e sempre o chamou de Eduardo – nunca de Cunha ou de deputado – e manteve com ele uma excelente relação. QUE GEDDEL, à época, não se interessava pela área de Pessoa Jurídica, por acreditar que não fosse uma área de boa atuação, o que se devia à sua falta de habitualidade com o mercado financeiro. QUE, então, depois do primeiro semestre de 2011, o COLABORADOR vislumbrou na situação uma oportunidade de estender à área de Pessoa Jurídica o esquema de liberações já empregado dentro do FI-FGTS, com a ajuda de políticos e funcionários públicos que receberiam pagamentos ilícitos. QUE o COLABORADOR pretendia intermediar as transações, agilizando os tramites e repassando informações privilegiadas para as empresas que o contratassem. QUE chamou EDUARDO CUNHA, explicou suas novas pretensões na CEF e pediu-lhe que conversasse com GEDDEL, para descobrir se havia interesse deste no esquema. QUE no inicio do esquema que envolvia GEDDEL, o COLABORADOR passava os pleitos e questionamentos para CUNHA, e este os transmitia e definia quanto seria repassado a GEDDEL, ao COLABORADOR e ao próprio CUNHA. QUE cabe detalhar como funcionava o esquema na área de GEDDEL e qual era a divisão  política dentro da CEF. QUE o projeto era apresentado na agência aonde o tomador de recursos tinha conta corrente, depois disso GEDDEL mandava sua equipe avançar com a análise. QUE depois dessa analise por parte da equipe de GEDDEL, a operação seguia para a área de risco e após era definida a taxa de juros e prazo dentro da classificação que o setor de risco deu. QUE nessa área havia efetivamente o poder discricionário de fazer com que as demandas que fossem do interesse do grupo politico no poder andassem rapidamente, embora não houvesse como alterar os parâmetros de prazo e taxa passados pela área de risco e as garantias. QUE a época de GEDDEL frente da Vice Presidência se conseguiu fazer muitos negócios, pois o governo adotou uma politica de expansão de credito através dos bancos publico para evitar a recessão. Que depois que saiu da Vice Presidência da CEF, GEDDEL continuou a ter influência na área antes ocupada por ele devido a seu poder político. QUE a divisão politica dentro da CEF era seguinte até 2016:
• PRESIDÊNCIA – PT • VP FINANÇAS – PT • VP VITER – PT • VP RISCO – PT • AREA DE MARKETING – PT
• VP VIFUG – PMDB • VP PESSOA JURIDICA – PMDB • VP LOGISTICA – PMDB (CARGO DE JOAQUIM LIMA APADRINHADO DE MOREIRA FRANCO). • VP PESSOA FISICA – PMDB (CARGO DE FABIO LENZA, APADRINHADO DO PMDB SENADO, SARNEY).
• A VICE PRESIDÊNCIA OCUPADA PELO GILBERTO OCCHI ERA DO PP .
• A CAIXAPAR e a EGEA TAMBÉM FAZIA PARTE DA ÁREA DE CONTROLE DO PT .
QUE acredita que inicialmente o dinheiro não era para o enriquecimento de GEDDEL ou CUNHA. QUE GEDDEL tinha dívidas da campanha das eleições para governador da Bahia, de 2010. QUE, por exemplo, após a campanha de 2014, CUNHA ficou devendo valores que o COLABORADOR havia adiantado para a campanha, e as operações na área de GEDDEL o ajudariam a equilibrar a conta corrente mantida pelos dois.
QUE as operações davam entrada nas agencias nas quais as empresas possuíam suas contas. Em seguida, o COLABORADOR passava as informações para CUNHA, que as repassava a GEDDEL, que atuava no trâmite de fato. QUE inicialmente todas as comunicações eram feitas por intermédio de CUNHA, sendo que o COLABORADOR não conversava com GEDDEL, tampouco o conhecia pessoalmente. QUE os pagamentos a GEDDEL ocorreram de 2011 até 2015. QUE a primeira operação que o COLABORADOR fez na área de GEDDEL foi para a J&F, no valor R$ 300.000.000,00. QUE, à época, a JBS acabara de criar a J&F como holding. QUE o COLABORADOR conseguiu liberar os valores dessa operação e teve que operacionalizar o pagamento para GEDDEL. QUE, em razão das dívidas da campanha de 2010, GEDDEL optou por receber os valores na Bahia. QUE o COLABORADOR foi em seu avião até a Bahia, ocasião na qual conheceu GEDDEL. QUE o primeiro encontro foi no hangar da Ibero Star, no aeroporto de Salvador, o mesmo onde Carlos Suarez guarda seu avião. QUE o COLABORADOR desceu com a mala com os valores em espécie, conversou com GEDDEL por menos de dez minutos e voltou para seu avião. QUE sempre encontrava com GEDDEL no mesmo HANGAR. Também entregou se recorda de ter entregue dinheiro para Geddel em São Paulo, no Hotel Renaissense, na Alameda Santos e uma vez em Salvador, no Hotel Pestana, no dia em que a filha de Geddel estava fazendo uma festa para comemorar seus 15 anos. QUE, para conseguir dinheiro em espécie, utilizava os serviços do Doleiro conhecido como TONY. QUE o sistema operado entre os dois era o de pagamento de boletos (juntados ao presente anexo), como de supermercados ou lotéricas, em troca de dinheiro em espécie. QUE justificava na contabilidade da empresa os pagamentos dos boletos como distribuição de lucros para o próprio COLABORADOR. QUE Tony, por vezes, realizava a entrega de valores pelo COLABORADOR em Salvador. QUE as comissões sempre giravam em torno de 3% e – com exceção de um pagamento em forma de doação para a campanha de 2014 para o PMDB da Bahia, através da empresa ARAGUAIA, comercializadora de energia, e outros também em forma de doação do GRUPO BERTIN para campanhas indicadas por GEDDEL – todos os pagamentos foram feitos em espécie. QUE a empresa ARAGUAIA, embora esteja em nome de terceiros, é de propriedade do COLABORADOR. QUE GEDDEL demonstrava naturalidade ao receber os valores e nunca reclamou de qualquer cobrança dentro da CEF, tampouco mencionou quaisquer repasses para funcionários da Caixa. QUE, ao descer do avião, o COLABORADOR era indagado por GEDDEL a respeito da quantia que estava sendo entregue. QUE nessas ocasiões, conversavam brevemente sobre política e sobre as próximas operações vislumbradas. QUE não gostava de levar valores superiores a três ou quatro milhões de reais. QUE um desses voos para entregas a GEDDEL consta em uma planilha de voo que Júlio Camargo entregou para a PGR, no bojo de sua colaboração premiada. QUE esse voo, realizado por um avião Citation Mustang, foi solicitado por CUNHA como parte do crédito de R$ 500.000,00 dado a ele por Julio Camargo junto à empresa Global Taxi Aéreo. QUE o avião decolou de São Paulo e fez paradas em Salvador e São João da Boa Vista. QUE neste voo foi até São João acompanhado de sua esposa, que não sabia da existência dos valores na aeronave. QUE o COLABORADOR tem uma casa perto de São João na qual passou o final de semana. QUE, seguindo esse esquema, realizou uma operação para a MARFRIG (Anexo 16), de propriedade de MARCOS MOLINA; e outra para a empresa IMOBILIÁRIA OESTE SUL IMÓVEIS, de Henrique Constantino, na qual não houve pagamento de comissão, funcionando como agradecimento pelas vezes em que Constantino cedeu seu avião particular para Geddel ou seu pai, que sofria de uma enfermidade, e as contribuições significativas de Constantino à campanha de Chalita em São Paulo. QUE, ainda nos mesmos moldes, realizou diversas operações para J&F, VIGOR, FLORA e ELDORADO CELULOSE, tanto de empréstimo em conta empresarial como de adiantamento a contratos de exportação (ACE). QUE essas operações eram tratadas com JOESLEY BATISTA. QUE, em todas as operações feitas para a JBS, JOESLEY sabia que GEDDEL seria o sujeito atuante na Caixa Econômica Federal, ainda que nunca tivesse conversado com o COLABORADOR especificamente sobre os pagamentos de valores a GEDDEL ou CUNHA nas operações em questão. QUE o COLABORADOR ressalta que tinha um acordo com o JOESLEY, de acordo com o qual todas as operações realizadas pela CEF no CNPJ da JBS não receberiam comissão, pois segundo JOESLEY a JBS já tinha uma posição consolidada no mercado e muito crédito, tendo justificativa o pagamento de comissão somente no tocante às demais empresas do GRUPO. QUE os valores para JOESLEY giraram em torno de 4 bilhões de reais; para o grupo BERTIN, cerca de dois bilhões de reais; e para a MARFRIG, a operação foi de aproximadamente 300 milhões de reais. QUE o COLABORADOR mantinha uma espécie de conta corrente com GEDDEL e repassava os valores quando este os requisitava. QUE todos estes valores repassados serão individualizados e comprovados materialmente após acesso aos documentos apreendidos pela Polícia Federal. QUE, conforme anotações do COLABORADOR, as datas e valores dos repasses realizados pelo COLABORADOR a GEDDEL no ano de 2014 foram os seguintes: 1. R$ 650.000,00 – 17/02/2014 2. R$ 500.000,00 – 26/02/2014 3. R$ 800.000,00 – 20/03/2014 4. R$ 1.000.000,00 – 08/05/2014 5. R$ 1.000.000,00 – 25/07/2014 6. R$ 1.500.000,00 – 29/08/2014 7. R$ 3.250.000,00 – 18/09/2014 8. R$ 1.200.000,00 – 01/10/2014 9. R$ 500.000,0 – 19/12/2014 Sendo os valões identificados pelo COLABORADOR de os seguintes: R$ 500.000,00 -28/01/2015. R$ 500.000,00- 13/05/2015. QUE o colaborador e GEDDEL não cessaram suas atividades ilícitas envolvendo os financiamentos da CEF com a deflagração da Operação Lava Jato, pois não tinham negócios com a Petrobras e acharam que o escopo das investigações não iria expandir para outros setores. QUE o COLABORADOR tinha uma briga contra a empresa SCHAIN (Anexo 32), uma das empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras e operavam uma das plataformas, sendo que denunciou fraudes e pediu que deputados amigos fizessem requerimentos contra as empresas na Câmara. QUE acreditavam que não teriam problemas até março de 2015, quando JOÃO JORGE CHAMILIAN, amigo do COLABORADOR, dono da empresa AUTO MIAMI, recebeu uma carta da Receita Federal, para que explicasse como haviam sido pagos dois carros que foram vendidos pela empresa de JOÃO JORGE para EDUARDO CUNHA. QUE esses carros haviam sido pagos com cheques de empresas do COLABORADOR, com valores abatidos da conta corrente de propina entre o COLABORADOR e CUNHA. QUE o veículo estava em nome da empresa C3, de propriedade de CUNHA. QUE, com a finalidade de contornar a situação, o COLABORADOR elaborou um contrato de mútuo, que veio a ser utilizado para ajuizar uma ação contra a C3. QUE, através dessa ação, CUNHA pagaria ao COLABORADOR os valores que devia em razão da campanha de 2014. QUE, logo após essa primeira notificação, foram descobertas as contas mantidas por CUNHA na Suíça e a cobrança por respostas acerca do financiamento do carro ganhou grande proporção. QUE isso iniciou um processo de atrito entre o GOVERNO e CUNHA, que começou a ter forte atrito com a Ex-Presidente DILMA ROUSSEFF, em virtude do processo de impeachment e do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Que conversava com GEDDEL sobre o clima político, sobre o fato de que a Ex-Presidente Dilma precisava sair do poder para não mais atrapalhar o projeto de poder do COLABORADOR e seus aliados do PMDB. QUE após o impeachment de DILMA, CUNHA perdeu muito poder, e continuou sendo fragilizado com uma sequência de colaborações envolvendo seu nome. QUE os repasses para GEDDEL relacionados a esses contratos acabaram no final de 2015, logo antes de GEDDEL assumir o cargo de Ministro do Governo TEMER. QUE um pouco antes de o COLABORADOR ser preso (na operação Sépsis, deflagrada em 1º de julho de 2016), GEDDEL falou: “não… para, dá uma segurada e depois nós acertamos isso aí.” QUE acredita que GEDDEL tenha ficado receoso de continuar com os recebimentos devido à exposição do COLABORADOR. QUE como o COLABORADOR tinha um crédito muito grande com o JOESLEY e CUNHA, GEDDEL tinha ciência que o COLABORADOR não iria fugir, pois tinham negócios desde 2011.

QUE o COLABORADOR acredita que JOESLEY, ao acompanhar o processo de fragilização das pessoas do PMDB com quem tinha negócios ilícitos, ficou receoso. QUE JOESLEY sabe que MICHEL TEMER não iria manter na época pessoas envolvidas com escândalos de corrupção. QUE cita, por exemplo, uma conversa tida com JOESLEY sobre a demissão de Wagner Rossi. QUE Rossi –  Ministro da Agricultura entre 1 de abril de 2011 até 17 de agosto de 2011 – narrou a JOESLEY, após demitir-se, pressionado pela mídia em razão de denúncias às irregularidades no Ministério: “ah… por toda a minha vida eu fui companheiro do Temer e a primeira bola dividida que eu preciso dele, ele me rifou, me deixou à deriva”. QUE Ricardo SAUD era funcionário do Ministério da Agricultura, e o COLABORADOR acredita que a amizade entre SAUD e JOESLEY, foi usada para corromper o WAGNER ROSSI. QUE na metade de 2016 ocorreu a prisão do COLABORADOR. QUE a última operação realizada com GEDDEL foi de valor expressivo, quando GEDDEL já não mais ocupava o cargo de Vice-Presidente da área de Pessoa Jurídica da CEF, no final de 2015. QUE JOESLEY pediu ao colaborador, em 11 de dezembro de 2015, na casa deste último, a liberação de um crédito de dois bilhões e setecentos milhões de reais, para a compra da ALPARGATAS, combinando o pagamento de uma comissão de 3% pela operação. QUE o COLABORADOR pediu a GEDDEL a liberação do crédito. QUE o COLABORADOR pagou a GEDDEL um valor aproximado de R$ 20.000.000,00 em razão das demais operações realizadas no âmbito da Caixa Econômica Federal, mas que GEDDEL não chegou a receber comissão referente à compra da ALPARGATAS, pois logo depois o COLABORADOR foi submetido a busca e apreensão. QUE GEDDEL, na ocasião, lhe disse: “deixa esse dinheiro aí com você, não quero saber desse dinheiro, não sei o que pode lhe acontecer, se precisar você já tem dinheiro contigo”. QUE com a exposição do COLABORADOR, ele já esperava que seria preso. QUE houve um incidente com uma casa que possui no interior de SP, na qual a Polícia Federal fez uma busca de prospecção. QUE, como a cidade tem 30 mil habitantes, houve conversas acerca do fato que haviam dois agentes da PF, armados, perguntando aonde era a casa do COLABORADOR. Que um conhecido do COLABORADOR anotou a placa do carro e a enviou a ele.
QUE o COLABORADOR, ao solicitar o levantamento da placa do carro, descobriu que se tratava de um veículo que prestava serviço descaracterizado para a Polícia Federal de Campinas. QUE, como já havia sofrido busca e apreensão, pensou se tratar de outra operação ou prisão preventiva. QUE, portanto, guardou documentos que tinha no escritório e passou a se desfazer de registros e anotações. QUE avisou sua esposa que não tinha recebido os valores devidos de um dos contratos que tinha com JOESLEY, e que se algo lhe acontecesse poderia cobrar dele, mas que ela nunca o fez. QUE esclarece que sua esposa nunca soube a natureza de nenhum de seus contratos ou origem de recebimentos. QUE sempre mencionou que os créditos e contratos eram de valores lícitos.  QUE nessa época também chamou seu irmão e avisou que se algo acontecesse com o COLABORADOR deveria procurar Francisco de Assis, que trabalhava na JBS, e poderia cobrar os créditos que o COLABORADOR tinha com o GRUPO. QUE, com a exposição do nome do COLABORADOR, JOESLEY se afastou, com medo de ter seu nome vinculado a escândalos. QUE JOESLEY repassou parte dos valores devidos ao COLABORADOR, os quais foram usados para sustento de sua família, sem mais repasses a GEDDEL.

ELEMENTOS COMPROBATORIOS
1- Registro voo para a BAHIA; 2- Boletos pagos para JUCA/TONY; 3- Ligações e mensagens telefônicas com CUNHA e GEDDEL; 4- Agenda do COLABORADOR; 5- Contratos de empréstimos firmados pela are de PJ da CEF no qual o COLABORADOR atuou; 6- Notas emitidas pelas empresas; 7- Planilha de pagamentos; 8- Contabilidade 2015; 9- Planilha Geddel, Planilha Tony, Planilha Eduardo, Planilha voos – Avião Lúcio.
ANEXO 16 – OPERAÇÕES ENTRE A MARFRIG E GEDDEL NA VP JURÍDICA DA CEF
QUE além das operações para o GRUPO BERTIN e a JBS já citadas, o COLABORADOR também intermediou uma operação para a MARFRIG na VICE-PRESIDÊNCIA DE PESSOA JURÍDICA NA CAIXA. QUE essa operação foi feita em 2012, e envolveu a liberação de valores de cerca de 300 milhões de reais. QUE essa operação teve o pagamento de comissão para o COLABORADOR e pagamento de propina para EDUARDO CUNHA, GEDDEL e um operador que se chama IVANILDO MIRANDA, do Mato Grosso do Sul. QUE IVANILDO MIRANDA foi quem apresentou MARCOS MOLINA da MARFRIG para o COLABORADOR. QUE IVANILDO MIRANDA, era quem operava o esquema de compensação fiscal para a JBS e MARFRIG no Mato Grosso. QUE MARCOS MOLINA, foi conversar com o COLABORADOR e perguntou se poderia ajudar com a liberação de um empréstimo para a MARFRIG dentro da Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da CEF. QUE o COLABORADOR informou que através de seus contatos dentro da CEF e com pagamento de propina a funcionários públicos poderia agilizar a aprovação do empréstimo, e que no êxito do contrato a MARFRIG deveria pagar uma comissão para o COLABORADOR. QUE o COLABORADOR levou esse pleito até GEDDEL, e perguntou se seria possível aprovar o projeto. QUE GEDDEL informou que sim, e o processo seguiu o mesmo trâmite dos outros esquemas operado pelo COLABORADOR dentro da CEF. QUE após a liberação dos valores para a MARFRIG, o COLABORADOR emitiu notas através de sua empresa VISCAYA e recebeu o valor restante em diversas prestações em dinheiro em espécie em seu escritório em São Paulo. QUE após o pagamento de algumas parcelas, a MARFRIG começou a atrasar o pagamento, sendo que o COLABORADOR os chamou e pediu que liquidassem o restante dos valores devidos. QUE a MARFRIG acabou quitando sua dívida com o COLABORADOR em janeiro de 2013.
QUE a comissão foi de 3% do contrato, e gerou valores em torno de 9 milhões de reais. QUE a comissão foi dividida entre o COLABORADOR, GEDDEL, EDUARDO CUNHA e IVANILDO MIRANDA.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Notas emitidas pela empresa VISCAYA de propriedade do COLABORADOR; 2. Contabilidade interna; 3. Planilha do COLABORADOR;
MFB data vlr historico saldos
01/08/12         500.000 ,00
pagto NF 18 visc
500.000 ,00
09/08/12         500.000 ,00
v           1.000.00 0,00
10/08/12         500.000 ,00
v           1.500.00 0,00
17/08/12         500.000 ,00
v           2.000.00 0,00
24/08/12         500.000 ,00
v           2.500.00 0,00
31/08/12         500.000 ,00
v           3.000.00 0,00
06/09/12         500.000 ,00
v           3.500.00 0,00
14/09/12         500.000 ,00
v           4.000.00 0,00
21/09/12         750.000 ,00
v           4.750.00 0,00
28/09/12         117.000 ,00
pagto NF 19 visc
4.867.00 0,00
28/09/12      1.250.000 ,00
v           6.117.00 0,00
04/10/12         500.000 ,00
v           6.617.00 0,00
05/10/12         500.000 ,00
v           7.117.00 0,00
26/10/12         158.300 ,00
conh 2637 henber
7.275.30 0,00
26/10/12         160.830 ,00
conh 2639 henber
7.436.13 0,00
26/10/12         180.870 ,00
conh 2640 henber
7.617.00 0,00
26/12/12         200.000 ,00
v           7.817.00 0,00
27/12/12         200.000 ,00
v           8.017.00 0,00
27/12/12         100.000 ,00
deps efet serra
8.117.00 0,00
17/01/13         200.000 ,00
v           8.317.00 0,00
18/01/13         150.000 ,00
v           8.467.00 0,00
24/01/13         350.000 ,00
v           8.817.00 0,00 01/02/13 250.000,00 v          9.067.00 0,00

ANEXO 17 – TADEU FILIPPELLI
QUE TADEU FILIPPELLI foi Deputado Federal pelo Distrito Federal. QUE o COLABORADOR não o conhece pessoalmente. QUE FILIPELLI foi quem substituiu EDUARDO CUNHA na presidência da CCJ, e  acabou se elegendo vice-governador de Brasília. QUE os negócios que tiveram pagamento de propina para FILIPELLI envolviam um esquema de pagamento de propina para a redução do ICMS gasolina de aviação a pedido do HENRIQUE CONSTANTINO. Ainda, que a pedido também de CONSTANTINO, através de EDUARDO CUNHA, FILIPELLO atuou na desoneração da folha nos setores aéreos e de transporte rodoviário e um esquema na licitação para troca da empresa de ônibus que fazia o transporte coletivo de Brasília. QUE não havia interessados na concorrência e FILIPELLI concordou em beneficiar unicamente a empresa de HENRIQUE CONSTANTINO. QUE o COLABORADOR foi no avião de HENRIQUE CONSTANTINO para encontrarem CUNHA e fazerem o pleito para FILIPELLI. QUE FILIPELLI atendeu ao que foi requisitado por HENRIQUE CONSTANTINO. QUE no esquema envolvendo a redução do ICMS para gasolina de aviação pleiteada por CONSTANTINO houve o envolvimento de HENRIQUE ALVES, CUNHA e FILIPPELI.  QUE a redução foi feita através do Governo do Distrito Federal, publicado em 18/04/2013. QUE tal MP baixou o ICMS da Querosene de Aviação de 25% para 12% no Distrito Federal. QUE o impacto nas aéreas era expressivo, pois o combustível é o segundo maior custo das empresas aéreas. QUE igualmente no pleito para que houve a desoneração da folha nos setores aéreos e de transporte rodoviário o pleito também foi atendido e houve pagamento de propina, através da MP 563-2012. QUE os pagamentos foram feitos através de através de notas fiscais emitidas pela empresa do COLABORADOR contra a ABRATT, a qual fez os pagamentos a pedido de HENRIQUE CONSTANTINO. QUE as notas pelo COLABORADOR contra a empresa de HENRIQUE CONSTANTINO foram todas contabilizados na sua empresa.
QUE nesta mesma época Brasília fez uma licitação para a troca do serviço de ônibus, e não havia concorrência para a empresa de HENRIQUE CONSTANTINO. QUE FILIPPELLI acordou com o HENRIQUE CONSTANTINO somente suas companhias iriam essa concorrência. QUE esses assuntos foram todos com o  COLABORADOR em reuniões que esse mantinha frequentemente com EDUARDO CUNHA. QUE após o recebimento de propina o COLABORADOR creditou os valores na sua conta e de CUNHA. QUE foi EDUARDO CUNHA quem fez a distribuição de valores. Que foi TADEU FILLIPELI quem indicou DEUSDINA DOS REIS PEREIRA para ser a Diretora da área de Fundos e Governo da CEF, cargo abaixo de FABIO CLETO. Que o COLABORADOR não tem conhecimento da participação de DEUSDINA DOS REIS PEREIRA em esquemas de corrupção. Que quando TADEU FELIPPELLI exerceu a presidência da CCJ, ele operava com o DEPUTADO EDUARDO CUNHA para atenderem os seus interesses.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Notas ficais emitidas; 2. Aprovação da MP 563-2012.
ANEXO 18 – FI FGTS/ JBS / FÁBIO CLETO
QUE no primeiro semestre de 2011 o COLABORADOR conheceu os executivos e acionistas do GRUPO JBS através de um empresário de Andradina que se chama PAULO SÉRGIO FORMIGONI DE OLIVEIRA- vulgo Paulinho de Andradina. QUE PAULO SÉRGIO FORMIGONI DE OLIVEIRA era sócio da família BERTIN. QUE o primeiro encontro foi na J&F e estavam presentes PAULO SERGIO, o COLABORADOR e JOESLEY BATISTA. QUE a reunião foi em uma sala anexa a de JOESLEY. QUE, naquela época, JOESLEY estava com um problema ortopédico e chegou de muletas à reunião. QUE o motivo da reunião foi para que o COLABORADOR ajudasse em uma liberação junto ao FI/FGTS na Caixa Econômica Federal para o Grupo JBS. QUE PAULO SÉRGIO havia contado a JOESLEY que o COLABORADOR teve êxito na liberação de um financiamento do FI/FGTS para o grupo BERTIN no ano de 2009. QUE PAULO SÉRGIO, quando apresentou JOESLEY ao COLABORADOR, disse-lhe que quando o financiamento fosse aprovado, haveria uma comissão paga por JOESLEY, e que PAULO SÉRGIO teria direito a uma participação nestes valores. QUE, na reunião, JOESLEY explicou que precisava da liberação de um financiamento para a ELDORADO CELULOSE junto ao FI/FGTS. Que na reunião, JOESLEY fez muitas perguntas, querendo saber detalhes do envolvimento político do COLABORADOR, com quais pessoas tinha trânsito, em quais órgão público, estatais, etc.  Que nesta primeira conversa não conversaram sobre detalhes específicos do financiamento, pois o COLABORADOR não tinha conhecimento de informações relevantes como o valor do financiamento e etapa em que se encontravam os trâmites internos. QUE, então, o COLABORADOR contou que havia indicado junto a membros do PMDB o vice-presidente da Caixa, o Sr. FÁBIO CLETO. QUE a indicação de FABIO CLETO para a CEF se deu através de conversas e posterior entrega de seu curriculum para o DEPUTADO EDUARDO CUNHA, que na sequência, CUNHA entregou o documento para o DEPUTADO HENRIQUE EDUARDO ALVEZ- à época líder do PMDB. QUE por sua vez, HENRIQUE EDUARDO ALVEZ, na condição de líder do PMDB na Câmara, encaminhou a indicação ao MINISTRO PALOCCI, o qual aprovou a indicação e a encaminhou ao então MINISTRO GUIDO MANTEGA, que finalmente aprovou a nomeação. QUE como será detalhado em anexo futuro, o COLABORADOR tinha um relacionamento muito próximo com CUNHA. QUE após essa primeira reunião na JBS, JOESLEY pediu que o COLABORADOR marcasse um jantar para conhecer FÁBIO CLETO. QUE assim o COLABORADOR conversou com FABIO CLETO sobre o projeto que iria gerar recebimentos ilícitos e foi marcado um jantar na casa do COLABORADOR.QUE neste jantar estavam presentes o COLABORADOR e sua namorada à época, JOESLEY e FÁBIO CLETO. QUE JOESLEY queria ter certeza que o COLABORADOR tinha mesmo o contato dentro da CAIXA QUE na sequência o COLABORADOR pediu que FABIO CLETO recebesse JOESLEY e executivos da JBS na CEF em Brasília, devendo requisitar com estes as informações referentes ao processo de financiamento do projeto Eldorado. QUE ficou acertado que FABIO CLETO deveria manter o COLABORADOR constantemente atualizado do processo dentro da CEF, para que pudesse assim repassar as informações privilegiadas para que JOESLEY pudesse melhorar e adequar o projeto para sua aprovação. QUE recebia as informações privilegiadas diretamente de FABIO CLETO, que estas eram impressas ou através de troca de mensagens em celulares não apreendidos do COLABORADOR. QUE 2012, quando o relacionamento com FABIO CLETO estava estremecido, recebia as informações via DEPUTADO EDUARDO CUNHA ou por ALEXANDRE ROSA MARGOTTO. QUE neste caso as informações também eram impressas ou através de trocas de mensagens. QUE esse acesso a informações privilegiadas encurtava o processo de aprovação e adaptava os projetos apresentados à CEF, nos moldes para aprovação. QUE nesta época FÁBIO CLETO trabalhava em uma área da CEF que se chama VIFUG (Vice-Presidência de Fundos e Governo), sendo que a parte técnica do projeto antes de ir para o comitê era feita pela VITER (VicePresidência de Recursos de Terceiros), área de atuação de MARCOS VASCONCELLOS, ligado ao Partido dos Trabalhadores. QUE após a liberação dos valores da ELDORADO, o COLABORADOR repassou parte de sua comissão a PAULO SÉRGIO mas não se recorda
precisamente qual foi o valor, mas foram pagos com cheques do COLABORADOR cujo registros constam nos documentos apreendidos. QUE todas as operações que participou dentro da CEF necessariamente tinham que cumprir os trâmites previstos em normativas internas que eram os seguintes; 1) apresentação pela empresa pleiteando os recursos junto a VITER; 2) estruturação do projeto nos moldes da VITER; 3) envio do projeto para o comitê do FI/FGTS para a aprovação do ROPI (Relatório de Oportunidade de Investimento); 4) após aprovado por 2/3 dos membros do comitê o projeto voltava para a VITER, para serem elaborados os seguintes quesitos – rating, legal opinion, acordo de acionistas, enquadramento, valuation (em caso de equity) e viabilidade econômica financeira; 5) o projeto era enviado novamente ao comitê do FI/FGTS para aprovação do REFI, Relatório Final de Investimento; 6) se aprovado por 2/3 do Conselho era enviado para o risco fazer sua avalição do projeto, totalmente independente das anteriores; 7) o projeto voltava para a VITER a qual solicitava os desembolsos financeiros.
QUE desde que assumiu sua função na CEF, FABIO CLETO que iria receber pagamentos de propina nos contratos em que auxiliava o COLABORADOR ou EDUARDO CUNHA. QUE os valores das comissões variavam de acordo com a época das transações, se havia campanha política, quem tinha apresentado a operação, entre outros. Que não sabe se FABIO CLETO fez outras operações sem a participação do COLABORADOR ou EDUARDO CUNHA. QUE com esta primeira transação comercial, o COLABORADOR iniciou uma amizade com JOESLEY, com viagens no fim de semana, viagens para NY, Caribe, Europa, e constantes encontros em São Paulo para se atualizarem. QUE não tem registro de fotos destas p viagens com JOESLEY, pois não queria que houvesse registro de seu relacionamento. QUE após um tempo passou conviver com a família Batista.
QUE desde o início o COLABORADOR deixou claro que seus serviços fariam com que a liberação dos recursos ocorresse mais rapidamente, ressaltando que seriam cumpridos todos os tramites internos da CEF, mas que a agilidade na liberação traria benefícios financeiros ao grupo JBS que teriam a disponibilidade dos recursos antes. QUE especificamente sobre o financiamento da ELDORADO, este estava longe de ser aprovado, pois não tinha amadurecido e não havia antes da entrada do COLABORADOR um acompanhamento constante da JBS, que pleiteava um financiamento para a parte de logística, saneamento e energia, no valore de 1 bilhão e 800 milhões de reais. QUE o COLABORADOR acompanhava o amadurecimento do projeto dentro da CEF, informando constantemente JOESLEY e sua equipe técnica, sobre mudanças que seriam necessárias para a aprovação do projeto baseado nas informações privilegiadas que obtinha dentro da CEF. QUE orientava a JBS baseado em suas comunicações com FABIO CLETO, até o momento em que rompeu relações com FABIO CLETO. QUE assim, quem passou a lhe fornecer as informações internas da CEF foi o DEPUTADO EDUARDO CUNHA, que as obtinha com FABIO CLETO.   QUE durante o processo orientou que a JBS realizasse reuniões com os técnicos que avaliavam o financiamento, informando estes sobre as mudanças que a JBS iria fazer nos projetos, com o intuito de abreviar a análise dentro da CEF. QUE no final de 2012 após a JBS ter feito todas as mudanças acordadas com a parte técnica da CEF, o financiamento foi liberado parcialmente. QUE de 1,8 bilhões requisitados foram liberados 940 milhões, pois o comitê do FI/FGTS constatou que a empresa tinha porte para tomar no máximo este valor. Ainda que a CEF não iria financiar a parte de Energia do projeto da ELDORADO pois entendia que essa parte do projeto não atendia aos requisitos de financiamento exigidos pelo FI/FGTS. QUE o COLABORADOR acertou com JOESLEY uma comissão de cerca de 3%, a qual consta na sua planilha apreendida pela Policia Federal. QUE após a liberação dos valores JOESLEY creditou os valores em uma conta corrente interna que tinha com o COLABORADOR, o qual foi sacando os valores conforme necessitasse. Ressalte-se que essa conta não é uma conta oficial em Banco, e uma contabilidade paralela entre o grupo J&F e o COLABORADOR. Que durante o ano de 2011, enquanto trabalhava no pleito da ELDORADO, o contato técnico dentro da JBS era com um diretor chamado ADESIO LIMA, que desconhecia dos pagamentos de propinas. Que depois passou a tratar, por solicitação de JOESLEY, com JOSE CARLOS GRUBISICH, ANTONIO BARRETO e um funcionário da ELDORADO chamado DANIEL. QUE tanto BARRETO como JOSE CARLOS tinham conhecimento do pagamento de propina para a liberação do financiamento, tendo estes também assinado o contrato de pagamento de comissão relativo ao projeto da ELDORADO. QUE esclarece que raramente JOESLEY fez entregas de valores em espécie ao COLABORADOR, que o procedimento padrão era através de emissão de notas ficais, emitidas por empresas do COLABORADOR, ou por empresas de pessoas que são interpostas deste. QUE os pagamentos feitos no exterior foram através de uma offshore de JOESLEY no Panamá, para a conta do COLABORADOR no CREDIT SUISSE na Suíça, chamada GLOBAL TRADE INVESTMENTS, que pode ter ocorrido pagamentos para outras contas, mas o colaborador não se recorda. Que o nome da Offshore de JOESLEY pode ser levantada junto ao banco. QUE essa foi a primeira operação que foi feita com a JBS, sendo que na sequência houve outras operações de crédito que foram feitas para várias empresas do GRUPO J&F INVESTIMENTOS, tendo sido beneficiada com vários empréstimos (recordando-se de um de 300 milhões e um de 500 milhões). QUE a única operação que fez com o grupo J&F que envolvia a área do FÁBIO CLETO foi a envolvendo a ELDORADO. QUE as outras operações que fez com o JOESLEY dentro da CEF foram na área do GEDDEL. QUE o COLABORADOR esclarece que houve a elaboração de uma carta de renúncia assinada por FABIO CLETO, quando este assumiu a posse da VICE-PRESIDÊNCIA do FI-FGTS da VP DE FUNDOS DE GOVERNO da CEF, a qual seria uma garantia, para o COLABORADOR, CUNHA e HENRIQUE EDUARDO ALVES caso FABIO CLETO não honrasse com os compromissos assumidos. QUE a carta está endereçada ao HENRIQUE ALVES e não ao Presidente da República, pois HENRIQUE ALVES, na condição de líder do PMDB na época, seria a pessoa que levaria a carta ao PRESIDENTE DA REPÚBLICA e pediria que FABIO CLETO fosse destituído de seu cargo. QUE o COLABORADOR participou dos seguintes contratos envolvendo a liberação de valores dentro do FI/FGTS:
• ELDORADO   – os pagamentos foram através de emissão de notas fiscais de empresas do COLABORADOR, havendo vários pagamentos durante o ano de 2013. QUE a propina cobrada foi de aproximadamente R$ 30.000.000,00, paga através de credito na conta interna do COLABORADOR junto ao GRUPO JBS. • BR VIAS   – emissão de nota fiscais de empresas do COLABORADOR, doações para a campanha à Prefeitura de São Paulo de GABRIEL CHALLITA, operacionalizada através do pagamento de fornecedores da campanha e pagamento de notas fiscais de empresas de propriedade do DEPUTADO EDUARDO CUNHA, durante o período de 2012 a 2013. QUE a propina cobrada foi de aproximadamente R$ 10.000.000,00, paga em 2012 através da emissão de notas de empresas do COLABORADOR, pagamentos de fornecedores da campanha de GABRIEL CHALLITTA e pagamento de notas de empresas pertencentes ao deputado EDUARDO CUNHA. • CONVIDA   – que embora houve o acerto de pagamento de propina, não chegou a ser efetuado. QUE a operação da ELDORADO-FI/FGTS, foi a primeira operação com a JBS, momento em que se deu início a conta corrente com a JBS. QUE dentro do GRUPO JBS, havia uma contabilidade paralela controlada por DENILTON e o COLABORADOR, os quais se encontravam a cada 30 ou 45 dias, para conferencia de saldo. Que esclarece que a conta no BANCO CREDIT SUISSE em Genebra estava no nome da empresa GLOBAL TREND INVESTMENTS, sendo que os pagamentos no exterior não chegaram a U$ 1 milhão de dólares. QUE o COLABORADOR não tem mais acesso a esta conta, mas esta diligenciando junto a advogado na Suíça acesso aos extratos e informações da conta.
QUE o COLABORADOR desconhece outros agentes que intermediavam liberações de recursos no âmbito do FI/FGTS. QUE para minimizar o risco de exposição o COLABORADOR apenas realizou operações com pessoas que tinham indicação ou um bom relacionamento.
Funcionamento do FI/FGTS dentro da CEF.
QUE o FI/FGTS é um fundo administrado pela VITER (Vice-Presidência de Recursos de Terceiros) da CEF. A VITER tem o papel de receber os projetos e analisar de forma preliminar se o mesmo se enquadra dentro das regras do FI/FGTS. A função do fundo é financiar projetos de infraestrutura, nas áreas de energia, saneamento e logística. O fundo constituído como sendo uma forma alternativa de financiamento para as empresas, que anteriormente só tinham como fonte de recursos o BNDES, BASA e BNB para esse tipo de financiamento. Os recursos disponíveis no fundo podem ser utilizados pelas empresas de 2 formas:
1. Equity = quando o FI/FGTS se torna sócio da empresa; 2. Debit = quando o FI/FGTS empresta os recursos para a empresa;
Após o projeto chegar na VITER, e análise de cumprimento dos requisitos e regras do financiamento, é feito um estudo aprofundado do projeto, o qual gera um parecer chamado ROPI (Relatório de Oportunidade de Investimento). Esse relatório é então levado ao comitê do FI/FGTS que é composto por 12 membros – três da bancada dos trabalhadores, três da bancada patronal, um membro da Caixa Econômica Federal e 5 membros designados pelos ministérios que compõe o poder executivo. Que para um projeto ser aprovado dentro do FI/FGTS, é necessária a aprovação de por 3/4 dos membros do comitê, observando o quórum mínimo. Após ser aprovado pelo ROPI o projeto volta para a VITER, no qual é feita uma análise com um maior número de informações resultando em um relatório chamado REFI (Relatório Final de Investimento).
QUE antes da elaboração do REFI é feito o Ratting da empresa (por agência internacional) o legal opinion (por um escritório de advocacia renomado), estudo da viabilidade econômica do projeto e acordo de acionistas em caso de equity. Ainda, o projeto é levado para a Vice-Presidência de Risco da CEF. Após esses passos o projeto volta para votação no comitê do FI/FGTS. O projeto é apresentado ao comitê e levado a votação, a qual só é aprovado por 3/4 dos votos presentes, com quórum mínimo de 3/4 dos integrantes do comitê. Que isso demonstra que FABIO CLETO não tinha como aprovar os pleitos dentro das comissões, e que o esquema de propinas tinha como contrapartida as informações privilegiadas que adequavam os projetos para aprovação. QUE embora os empresários acreditassem na influência do DEPUTADO EDUARDO CUNHA sobre outros membros dos comitês, esta não existia, era apenas fama. QUE a VITER era a área da CEF poderia beneficiar as empresas, pois era a área que selecionava todos os projetos e dava andamento para apreciação ou não.  QUE na demanda de CUNHA junto a FABIO CLETO, envolvendo a novação do FCVS, esclarece que este pleito dependia exclusivamente da área de FABIO CLETO e da liberação do TESOURO e do MINISTÉRIO da FAZENDA. O FCVS depois de novado vira CVS, que é um título público federal com liquidez no mercado financeiro, já que o FCVS não possui grande liquidez e o deságio é grande, se obtém um grande benefício com a novação. O objetivo de EDUARDO CUNHA era transformar os FCVS em CVS do BANCO NACIONAL e pagar todo o passivo do Banco. QUE após a quitação os valores remanescentes iriam ser distribuídos entre as pessoas envolvidas.
Documentos comprobatórios

1- Notas fiscais; 2- Ligações telefônicas; 3- Mensagens com FABIO CLETO e EDUARDO CUNHA; 4- Planilha; 5- Contabilidade diária das empresas do COLABORADOR;
92
6- Possíveis e-mails; 7- Cartões de visita; 8- Anotações em cadernos; 9- Carta de demissão sem data assinada por FABIO CLETO.
ANEXO 19 – EIKE BATISTA (LLX)
QUE a operação feita perante o FI/FGTS para a empresa de EIKE BATISTA, a LLX, foi operacionalizada por EDUARDO CUNHA junto a FABIO CLETO. QUE embora o COLABORADOR nunca tenha conhecido EIKE BATISTA, acompanhou essa operação via EDUARDO CUNHA. QUE o pleito da LLX era referente a um empréstimo para um projeto de área portuária e trens e áreas vinculadas a logística. Que no primeiro pleito junto ao FI/FGTS de EIKE para esse financiamento, o comitê não foi aprovou o financiamento. QUE EIKE não ficou satisfeito com a recusa e com a solicitação da VITER de que o projeto tivesse um aval pessoal de EIKE para liberar os recursos.  QUE com a ajuda de EDUARDO CUNHA, o pleito acabou sendo aprovado dentro da CEF. QUE ainda, o COLABORADOR leu troca de mensagens entre AMAURY PIRES- DIRETOR DE RELAÇOES INSTITUCIONAIS DO GRUPO EBX e FABIO CLETO, tratando desse pleito da LLX junto à CEF. QUE após a aprovação do financiamento tiveram problemas em receber a propina através de doações de empresas de EIKE BATISTA, pois como as empresas não eram operacionais – greenfield- não podiam fazer doações legais. QUE CUNHA encontrou uma solução junto a EIKE BATISTA, para viabilizar os pagamentos pela Odebrecht, pois o ODEBRETCH era prestadora de serviços para a LLX nas obras do Porto do Açu. QUE não sabe como foi feita essa operacionalização, mas a comissão foi recebida, pois CUNHA confirmou o recebimento ao COLABORADOR.QUE EDUARDO CUNHA então informou ao COLABORADOR que os valores referentes a comissão dessa operação foram revertidos em doações para a campanha eleitoral 2014 do PMDB. QUE embora o COLABORADOR não tenha lucrado com tais práticas ilícitas, tem conhecimento de que os executivos do grupo EBX operavam com insider trading com ações do Grupo listadas na bolsa, como a MMX, CCX e OGX.

ANEXO 20 – BRVIAS E OPERAÇÕES FI/FGTS
QUE a BRVIAS é uma empresa de concessionários de Rodovias do grupo CONSTANTINO, de propriedade de HENRIQUE CONSTANTINO. QUE foi apresentado a HENRIQUE CONSTANTINO por um amigo chamado JOÃO JORGE CHAMILIAN, comerciante de automóveis de São Paulo. QUE a operação que realizou para a BRVIAS junto ao FI/FGTS era relacionada a um investimento na área de transportes. QUE HENRIQUE CONSTANTINO havia feito um pleito junto ao FI FGTS de aproximadamente 300 milhões de reais. QUE como o pleito não havia ainda sido aprovado, procuraram o COLABORADOR e pediram sua ajuda para que o projeto tivesse andamento dentro do FI/FGTS e os valores fossem liberados pela CEF. QUE o projeto envolvia melhorias das estradas da concessionária. QUE CONSTANTINO sabia que o contato do COLABORADOR dentro do FI FGTS era ligado a EDUARDO CUNHA, e que essas aprovações dependeriam da influência de CUNHA dentro da CAIXA. Ainda, restava claro que a liberação destes valores estava vinculada ao pagamento de propina para funcionários públicos e políticos. QUE os aspectos técnicos do projeto eram tratados com FABIO CLETO pelo diretor financeira da BR VIAS MARCOS MAXIMO, o qual não tinha conhecimentos das negociações e pagamentos de propinas. QUE com a ajuda de EDUARDO CUNHA dentro da CEF o pleito da BRVIAS foi aprovado e o COLABORADOR recebeu a comissão combinada. QUE teve diversas reuniões nas quais estavam presente CUNHA e CONSTANTINO. QUE já tinha um relacionamento com CONSTANTINO, devido aos valores de adiantamento para a campanha de GABRIEL CHALITA operacionalizados pelo COLABORADOR. QUE após o recebimento de sua comissão pela liberação o COLABORADOR distribuiu a propina para CUNHA e FABIO CLETO. QUE o COLABORADOR participou diretamente dessas operações, mas que houve outras operações em que embora não tenha participado, obteve ganho financeiro devido a sua parceria com EDUARDO CUNHA.
QUE CUNHA informava o COLABORADOR quais valores deviam ser creditados para cada um na conta corrente que mantinham. QUE essa parceria era pelo fato de o COLABORADOR ser um grande arrecadador de fundos para o PMDB. QUE para operacionalizar o recebimento destes valores houve emissões de notas, boletos pagos e entrada de valores nas contas do COLABORADOR. QUE a parte de EDUARDO CUNHA era sempre paga em dinheiro em espécie. QUE ainda, EDUARDO CUNHA emitiu notas de suas empresas para empresas do grupo CONSTANTINO. Que quando foi feito o pleito junto ao FI/FGTS, quem negociava os aspectos técnicos com FABIO CLETO, pela empresa de HENRIQUE CONSTANTINO, era o diretor financeiro da BR VIAS, o SR. MARCOS MAXIMO, o qual não tinha conhecimento do pagamento de propinas. Que a propina era tratada somente entre o COLABORADOR e HENRIQUE CONSTANTINO. Que os repasses a EDUARDO CUNHA eram feitos a pedido do COLABORADOR, o qual indicava a CONSTANTINO quem era a pessoa para entrar em contato nas empresas de EDUARDO CUNHA, e assinar requisitar os dados e instruções de pagamento, repassar os dados para faturamento e assim efetivar o pagamento de propina. Que o COLABORADOR tomou através de HENRIQUE CONSTANTINO que EDUARDO CUNHA e TADEU FILLIPELLI tinham conseguido a diminuição do ICMS sobre combustível para a aviação no Distrito Federal, a qual geraria uma grande economia para a GOL TRANSPORTES AÉREOS de propriedade do GRUPO CONSTANTINO. Ainda, que soube que o DEPUTADO EDUARDO CUNHA atuou para a desoneração da folha de pagamento dos setores em que o GRUPO CONSTANTINO tinha interesse. QUE o COLABORADOR informava a HENRIQUE CONSTANTINO quem eram os responsáveis nas empresas de CUNHA que iriam repassar as instruções de pagamentos. Que ainda, o COLABORADOR tomou conhecimento através de HENRIQUE CONSTANTINO, de que EDUARDO CUNHA e TADEU FILIPELLI haviam conseguido a aprovação de uma diminuição do ICMS sobre combustível de aviação no DISTRITO FEDERAL, gerando assim uma grande economia para a GOL, empresa de CONSTANTINO. Ainda que EDUARDO CUNHA atuou para a desoneração da folha de pagamento dos setores em que o GRUPO CONSTANTINO tinha interesse. Ademais, que HENRIQUE CONSTANTINO contou ao COLABORADOR que tinha um esquema nos mesmos moldes da CAIXA dentro do BANCO DO BRASIL, que beneficiava as empresas de seu Grupo. QUE umas das operações constantes que fazia com o PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL ALDEMAR BENDINI, o DIDA, era a venda de milhas para o BB distribuir como prêmio para sua base de clientes, com o pagamento antecipado para a GOL. QUE CONSTANTINO solicitou ao declarante se conseguiria replicar a venda de milhas na CEF, o qual acabou não ocorrendo. Que HENRIQUE CONSTANTINO pleiteou ao COLABORADOR se a CEF não poderia abrir uma linha de crédito para a GOL, na área de atuação do GEDDEL. QUE haviam tentado abrir essa linha de crédito na CEF, mas os números da companhia eram muito ruins e a CEF sequer chegou a analisar o pleito. QUE em certo momento, HENRIQUE CONSTANTINO confidenciou ao COLABORADOR que a crise do setor de aviação levou-o a conclusão que a única solução seria a venda da totalidade do Capital da empresa para um grupo estrangeiro, ação proibida pela legislação à época. Que a última vez que o COLABORADOR esteve com HENRIQUE CONSTANTINO foi em junho de 2016, no Café Santo Grão na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Que esta conversa foi um pouco antes de o COLABORADOR ser preso. QUE trataram de duas questões, a primeira envolvendo conversas de que o COLABORADOR estaria em tratativas de colaboração premiada, o que não era verdade à época. QUE um advogado do GRUPO CONSTANTINO havia conversado com um advogado do GRUPO BERTIN sobre uma possível delação. QUE os dois grupos estavam sendo investigados devido aos seus vínculos com EDUARDO CUNHA e o COLABORADOR pela delegacia da RECEITA FEDERAL em Belo Horizonte. QUE o segundo assunto foi sobre um valor em aberto de R$100.000,00 de HENRIQUE CONSTANTINO e o COLABORADOR. QUE esse valor era
referente a um saldo era referente a uma nota fiscal emitida por uma empresa do DEPUTADO EDUARDO CUNHA contra uma empresa do GRUPO CONSTANTINO. QUE o objetivo dessa operação era possibilitar que a empresa do DEPUTADO EDUARDO CUNHA tivesse caixa oficial para pagar um veículo Porshe Cayene adquirido da empresa AUTO MIAMI. QUE não podiam fazer os pagamentos ao carro por cheque de terceiros por já haviam tido problemas com os pagamentos dos veículos de CUNHA com cheque do COLABORADOR.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Pleitos junto a CEF; 2. Planilhas do COLABORADOR; 3. Notas emitidas pelo COLABORADOR; 4. Boletos; 5. Registros da contabilidade interna; 6. Chamadas telefônicas entre o COLABORADOR e HENRIQUE CONSTANTINO.

ANEXO 21 — ELDORADO FI-FGTS
QUE o COLABORADOR operacionalizou diretamente com JOESLEY BATISTA a operação da ELDORADO CELULOSE junto ao FI/FGTS. QUE esses trâmites de liberação dos valores junto à CEF ocorreram em 2011 com o desembolso destes valores em dezembro de 2012. QUE como já narrado o COLABORADOR foi apresentado a JOESLEY por PAULO SERGIO FORMIGONI DE OLIVEIRA, o qual informou o COLABORADOR que a JBS precisaria que ajuda com essa liberação. QUE logo após essa apresentação o COLABORADOR já iniciou as tratativas com JOESLEY. QUE houve um jantar na casa do COLABORADOR, juntamente com JOESLEY, FÁBIO CLETO e a namorada do COLABORADOR à época. QUE neste jantar JOESLEY expos ao COLABORADOR que tinha um pleito junto ao FI/FGTS, de um bilhão e oitocentos milhões de reais. QUE deste pleito, somente o foram liberados cerca de 940 milhões, sendo a comissão bruta do COLABORADOR de 3.5% (33 milhões de reais brutos). QUE essa comissão que envolvia os valores que seriam pagos de propina para CUNHA e FABIO CLETO, foi paga através de notas fiscais da empresa ARAGUAIA E VISCAIA, algumas transferências para o exterior, alguns pagamentos de boletos de fornecedores da campanha do CHALITA e uma doação oficial de um milhão e duzentos para PSC nas eleições de 2012. QUE após descontar os 27.5% de imposto, mais o custo para transformar esses valores através de doleiros em dinheiro vivo, a propina foi dividida entre o COLABORADOR e CUNHA e seu grupo político que era composto também por HENRIQUE ALVES e MICHEL TEMER E FABIO CLETO QUE JOESLEY sabia que essas liberações junto ao FI FGTS dependiam de pagamentos de propina ao próprio COLABORADOR, políticos e funcionários públicos. QUE o benefício que obtiveram com o esquema de corrupção dentro da CEF era ter acesso às informações privilegiadas e agilidade na tramitação, que resultavam na produção de documentação com rating, legal opinion, da maneira que a CEF precisava para aprovar o pleito. QUE como a CEF era um órgão muito moroso, era um grande benefício para a JBS apresentar os projetos com toda a documentação preparada, se conseguia pular etapas, ter acesso aos técnicos para consulta, etc.
QUE o projeto tinha que ”estar redondo’ e para “arredondar” o projeto, a JBS precisava ter informações de dentro do órgão, conseguindo a liberação dos recursos mais rápido, fazendo assim o Swap de dividas mais curtas e com custos maiores em cima dos recursos obtidos. Que o COLABORADOR se recorda que no dia em que foi acertar o percentual da comissão do financiamento da ELDORADO na sede da J&F na Marginal Pinheiros, JOESLEY BATISTA solicitou que um de seus assistentes – FLAVIO ou NEILA-, chamassem JOSE CARLOS KRUBIZICH. QUE quando JOSE CARLOS KRUBIZICH entrou o COLABORADOR o cumprimentou e JOESLEY informou qual seria o valor da comissão paga ao COLABORADOR. Que acredita que JOESLEY fez isso pelo fato de JOSE CARLOS ser sócio minoritário da ELDORADO. Que no final de 2012 o COLABORADOR foi no avião de JOAO ALVES DE QUEIROZ JUNIOR para a inauguração da Fábrica da ELDORADO na cidade de TRES LAGOAS no Estado do Mato Grosso do Sul. QUE estavam presentes diversos políticos de relevância local e nacional.
ELEMENTO COMPROBATORIOS 1. Planilhas do COLABORADOR; 2. Boletos pagos; 3. Emissão de notas;
ANEXO 22 — CONVIDA FI-FGTS
QUE o COLABORADOR conhece o dono da empresa CONVIDA, MARCOS ROBERTO MOURA DUBEUX, o qual tinha um projeto que estava travado na área da carteira de investimentos administrada pela VIFUG na CEF. QUE esta área era administrada por um gerente da Caixa chamado VITOR HUGO. QUE em 2012/2013 MARCOS ROBERTO perguntou ao COLABORADOR se poderia lhe ajudar a dar andamento nesse projeto dentro da CEF. QUE os valores deste projeto eram de cerca de 540 milhões de reais. QUE o funcionário da CEF, VITOR HUGO, estava travando o projeto por questões não técnicas, tendo em vista que o projeto atendia a todos os requisitos exigidos pela carteira administrada pelo FI/FGTS. QUE o COLABORADOR atuou dentro da CEF junto a FABIO CLETO e conseguiu que o pleito fosse resolvido. QUE foi aprovada a liberação dos valores em três tranches sendo que o COLABORADOR tem conhecimento que o primeira tranche foi efetivamente liberado. QUE não obteve confirmação se os outros tranches foram liberados pois FABIO CLETO já havia saído da CEF. QUE embora houvesse a combinação de pagamento de comissão ao COLABORADOR e repasses de propinas, a CONVIDA acabou não conseguindo fazer o pagamento pois a empresa já enfrentava uma crise financeira. QUE o COLABORADOR então fez os repasses da parte de propina devida da operação para EDUARDO CUNHA, FABIO CLETO e ALEXANDRE ROSA MARGOTTO de seu próprio dinheiro. QUE ficou acordado que o COLABORADOR iria receber os valores da CONVIDA futuramente. QUE pagou para FABIO CLETO e MARGOTTO cerca de 150 mil reais em espécie para cada.  QUE para fazer esse dinheiro em espécie utilizou os serviços dos doleiros JUCA e TONY e mandou entregar diretamente. QUE a parte de EDUARDO CUNHA foi creditada na conta corrente paralela junto ao COLABORADOR. QUE após um tempo, quando o COLABORADOR procurou a CONVIDA para acertar essa pendência, MARCOS ROBERTO pediu que o pagamento fosse feito em imóveis.
QUE depois de liberada a primeira tranche do financiamento para a CONVIDA, o colaborador não teve tempo para tratar do assunto do pagamento de comissão e propina com MARCOS ROBERTO, pois em 2014 estava junto de sua esposa, em tratamento para fertilização in vitro, fora do Brasil. Ainda que como iria receber o pagamento em imóveis, precisava de tempo para analisar quais imóveis teria interesse e como regularizar a transferência dos imóveis. QUE como os imóveis eram todos em capitais no Nordeste, o COLABORADOR acabou não ficando com qualquer imóvel, restando assim esse credito com MARCOS ROBERTO. Esclarece ainda, que como não recebeu o pagamento de MARCOS ROBERTO, repassou a FABIO CLETO e ALEXANDRE MARGOTTO um valor inferior ao combinado, resultando em constantes reclamações e cobranças de MARGOTTO.  Que após as buscas e apreensões na casa de FABIO CLETO e do COLABORADOR, MARGOTTO achou ter sido ludibriado por FABIO CLETO, que o mesmo nunca havia lhe dito que havia recebido quase U$ 3 milhões de dólares título de propina da conta de MARGOTTO.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas elaboradas pelo COLABORADOR; 2. Boletos pagos para JUCA e TONY.; 3. Cadernos e papéis com registros
ANEXO 23 – GRUPO BERTIN
QUE o COLABORADOR conheceu os irmãos e sócios do grupo BERTIN em 2009. QUE a primeira operação que fez para o GRUPO BERTIN foi referente a uma operação de usinas termoelétricas no Nordeste, com a empresa CIBE. QUE a CIBE é uma empresa cuja composição acionária é de 50% do grupo BERTIN e 50% do grupo EQUIPAV, composto por duas famílias do interior de São Paulo. QUE seu relacionamento dentro do GRUPO BERTIN era diretamente com os irmãos SILMAR, NATALINO e REINALDO, que eram diretores. QUE o Grupo BERTIN estava nessa época investindo pesado no setor de energia, motivo pelo qual a BERTIN requisitou os serviços do COLABORADOR para que obtivessem um financiamento junto ao FI/FGTS, com a ajuda de MINISTRO MOREIRA FRANCO e EDUARDO CUNHA. QUE em um encontro com os irmãos BERTIN, estes narraram ao COLABORADOR que estavam com dificuldades para liberar valores junto ao FI/FGTS e que queriam a ajuda do COLABORADOR, pois sabiam que tinha um contato dentro da CEF. QUE o COLABORADOR falou que poderia resolver os problemas para liberar o financiamento e levou o assunto para EDUARDO CUNHA. QUE EDUARDO CUNHA lhe informou que se houvesse uma comissão para MOREIRA FRANCO poderiam atender ao pleito. QUE MOREIRA FRANCO interviu junto a ROBERTO MADOGLIO e o empréstimo foi liberado. QUE desta operação houve pagamentos de vantagem ilícita para EDUARDO CUNHA, MOREIRA FRANCO e o COLABORADOR. QUE após esse primeiro negócio com o Grupo BERTIN, eles ficaram muito satisfeitos e fizeram doações a EDUARDO CUNHA na campanha de 2010. QUE essas doações foram definidas em um almoço organizado pelo COLABORADOR entre NATALINO BERTIN, EDUARDO CUNHA e CÂNDIDO VACAREZA, líder do PT à época. QUE esse almoço foi no primeiro semestre de 2010 em uma suíte do HOTEL MOFARREJ em São Paulo, o qual estava hospedado EDUARDO CUNHA. QUE os recibos das doações feitas por meio oficial eram de usinas de açúcar e álcool e destilarias ligadas ao GRUPO BERTIN – INFINITY AÇÚCAR E ALCOOL. QUE essas foram doações oficiais, mas que houve várias doações via caixa 2 através de saque de dinheiro em espécie por uma empresa que se chama ALAMBARI CONSTRUÇÕES. QUE apesar de terem feito doações de cerca de 40 milhões de reais à campanha presidencial do PT de 2010. QUE após as eleições, o Grupo BERTIN se sentiu abandonado pela EX-PRESIDENTE DILMA. QUE a maior parte dos investimentos da BERTIN se concentrava no setor elétrico, e não houve investimento do governo nessa área. QUE essas doações eleitorais aproximaram os irmãos BERTIN de ANTONIO PALOCCI, sendo que os irmãos BERTIN então abriram esse contato com PALOCCI e outros políticos para JOESLEY BATISTA, seu sócio. QUE outra operação que fez para o GRUPO BERTIN envolvendo repasses de valores ilícitos foi a referente a um financiamento de cerca de 2 bilhões de reais de uma concessionária do Rodoanel de São Paulo, chamada SPMAR. QUE este financiamento foi feito na área do GEDDEL na Caixa Econômica Federal, com repasse de verbas do BNDES através da CAIXA, para a obra fosse concluída. QUE houve pagamento de comissão ao redor de 2,5%., e o recebimento foi através de emissão de notas de empresas do COLABORADOR. QUE a operação ocorreu da seguinte maneira. QUE a BERTIN tinha um projeto envolvendo o rodoanel de São Paulo e entrou com um pleito de financiamento perante a CEF. QUE o COLABORADOR acionou GEDDEL, para que começasse a “pilotar” esse projeto. QUE o COLABORADOR conversava com GEDDEL frequentemente e pediu que este recebesse os diretores e executivos da BERTIN para explicar o projeto. QUE após um tempo, e com a ajuda de GEDDEL na CEF, o financiamento foi liberado em tranches com as garantias que BERTIN indicou, como a arrecadação dos pedágios. QUE a comissão paga ao COLABORADOR ficou em torno de 40 milhões de reais, tendo sido dividida entre o COLABORADOR, CUNHA e GEDDEL. QUE os valores exatos constam nas planilhas do COLABORADOR. QUE o COLABORADOR também atuou na no conflito societário na compra do GRUPO BERTIN pela JBS. QUE essa transação foi licita e não envolveu políticos por se tratar de duas empresas privadas. QUE sua comissão foi em torno de 30 milhões de reais, a qual seria paga pelo Grupo JBS caso fosse concretizada a venda. QUE esses valores ainda constam em aberto junto ao Grupo JBS. QUE o COLABORADOR apresentou a BERTIN ao advogado EDUARDO FERRÃO, para atuar junto a Aneel. QUE a BERTIN tinha uma multa bilionária imposta pela Aneel, devido ao fato de não terem conseguido colocar em funcionamento algumas usinas que não obtiveram financiamentos públicos. QUE o GRUPO BERTIN era proprietário de algumas usinas de PCH`s que tinham como sócio oculto, LOBÃO FILHO. QUE tentaram resolver o problema da multa com a influência de LOBÃO, o qual não obteve sucesso. QUE então, resolveram pedir ajuda ao COLABORADOR para judicializar a questão. QUE o COLABORADOR teve uma reunião com LOBÃO FILHO e REINALDO BERTIN, na casa de LOBÃO FILHO em Brasília, este senador à época. QUE LOBÃO FILHO tinha que ser sócio oculto pois ele, como senador, não poderia ter financiamento BNDES, e essas usinas foram financiadas pelo BNDES. Que essas usinas GRUPO BERTIN, LOBAO FILHO e do Grupo Dias são situadas no Estado do Pará. Que o COLABORADOR possuiu uma procuração para representar a CONTERN em determinadas situações. QUE o COLABORADOR foi conselheiro da MAFE ENERGIA empresa do GRUPO BERTIN. QUE desde 2012 o GRUPO BERTIN passa por uma complicada crise financeira e tenta se desfazer de ativos para quitar dívidas contraídas com órgãos do governo. QUE o COLABORADOR atuou para ajudar o grupo BERTIN nesse problema e em questões societárias com os IRMÃOS BATISTA. QUE o COLABORADOR não cobrou por esses serviços devido a delicada situação financeira do grupo. Que sabe que PAULO SERGIO FORMIGONI DE OLIVEIRA tem alguns investimentos junto com o GRUPO BERTIN, mas não sabe precisar quais.
DOCUMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas do COLABORADOR; 2. Emissão de notas pelas empresas do COLABORADOR;
ANEXO 24 – FUNDOS DE PENSÃO
QUE o COLABORADOR operou esquema de propina e enriquecimento ilícito nos fundos de pensão PRECE e POSTALIS. QUE entrou na POSTALIS em 2010 através de RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL tendo efetuado cerca de três negócios através deste operador. QUE tinha uma operação referente a uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) da EMPRESA DE ÁGUA E ESGOTO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. QUE o COLABORADOR apresentou a RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL o negócio e ambos dividiram a comissão de valores ilícitos. QUE todas as operações feitas na POSTALIS foram por meio do operador RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL, sendo as seguintes:
1- Venda de CCB (Cédula de Crédito Bancário) de emissão da empresa de saneamento de Santa Catarina. 2- Venda de R$ 10.000.000,00 em DPGE (CDB com Garantia do Fundo Garantidor de Credito de emissão do Banco BVA). 3- Venda R$ 5 mm ou 10 mm de debentures do GRUPO PEIXOTO DE CASTRO. QUE a ilicitude da operação estava no pagamento, por RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL aos dirigentes da POSTALIS, dentre elas ALEXEJ PREDTECHENSKY e ADILSON FLORÊNCIO DA COSTA. QUE a POSTALIS era quem definia qual operação seria aprovada. QUE que após a aprovação eram distribuídos os pagamentos de propina e a comissão do COLABORADOR e RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL. QUE embora não consiga precisar quais as transações que tiveram pagamentos ilícitos, sabe que foi gerado um dinheiro através de diferença de taxa de juros. Destes valores 4/5 foi para RICARDO distribuir entre funcionários da POSTALIS e 1/5 para o COLABORADOR. QUE RICARDO LUIZ PEIXOTO LEAL pagou a comissão do COLABORADOR em dinheiro em espécie. QUE o COLABORADOR começou a operar na PRECE através de EDUARDO CUNHA. QUE na eleição de CUNHA para deputado em 2002, o COLABORADOR propôs ajudar CUNHA na campanha em troca da
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administração da PRECE. QUE o COLABORADOR arrecadou valores e fez doações para esta campanha. QUE após a eleição de Deputado e a de Governador do Estado do Rio de Janeiro a qual elegeu a GOVERNADORA ROSINHA GAROTINHO foi cumprido o combinado. QUE a GOVERNADORA ROSINHA GAROTINHO entregou a CUNHA o controle da CEDAE e da PRECE. QUE o COLABORADOR operou dentro da PRECE durante todo o mandato da GOVERNADORA. QUE a PRECE funcionava como um Fundo Terceirizado, ou seja, escolhia-se um gestor, um administrador, e somente se comunicava as operações já feitas ao gestor. QUE o COLABORADOR colocava terceiros para receber a taxa de administração e lucrava com isso. QUE distribuiu entre vários bancos os quais não tinham conhecimento da destinação da propina ali gerada. QUE a PRECE tampouco tinha conhecimento da propina. QUE ROSINHA e ANTHONY GAROTINHO, que operava o caixa dois da GOVERNADORA, estavam cientes do que se passava dentro desses fundos. QUE o COLABORADOR selecionava os gestores e Eduardo Cunha passava esses nomes para que fossem efetivados. QUE o COLABORADOR também operou com papéis da RIO BRAVO INVESTIMENTOS e CDB do BANCO RURAL. QUE as empresas não tinham conhecimento de que parte da comissão paga ao COLABORADOR seria repassada como propina a políticos. QUE as empresas pagavam esses valores por caixa dois QUE o valor da comissão não era repassado para os Fundos. QUE o FUNDO não tinha conhecimento dessa taxa que gerava os valores ilícitos distribuídos. QUE essas operações aconteceram de 2003 a 2006. QUE o COLABORADOR prestava contas a EDUARDO CUNHA aproximadamente uma vez a cada quinze dias, em reuniões em que definiam a porcentagem de cada um. QUE esses valores eram creditados na conta corrente já existente entre os dois. QUE foram repassados valores a ANTHONY GAROTINHO, cerca de quatro vezes através de pessoa chamada SÉRGIO, que trabalhava para ANTHONY GAROTINHO. QUE as entregas foram feitas em espécie no Rio de Janeiro, na cidade de Campos. QUE em uma ocasião, GAROTINHO precisava de dinheiro para seu candidato a prefeito na eleição nessa cidade e em São Paulo e a entrega foi feito para esse fim.
DOCUMENTOS COMPROBATORIOS 1. Planilhas do COLABORADOR;
ANEXO 25 – CPI DOS FUNDOS DE PENSÃO (2015)
QUE o COLABORADOR foi procurado por um amigo que se chama ARTHUR PINHEIRO MACHADO, o qual perguntou se o COLABORADOR poderia conseguir, através de EDUARDO CUNHA, presidente da câmara à época intervir para que não fosse citados seu nome e nem convocados, este e WAGNER PINHEIRO – seu sucessor na PETRUS no relatório final da CPI dos Fundos de Pensão. QUE WAGNER PINHEIRO não queria seu nome citado no relatório pois haviam sido constatadas uma série de irregularidades dentro do fundo, que foram descobertas pela PREVIC. QUE estas irregularidades ocorreram sobre a gestão de WAGNER PINHEIRO e seu sucessor, que permitiram que estas acontecessem. QUE EDUARDO CUNHA informou ao COLABORADOR que não tinha mais como intervir, pois, a relatoria já tinha sido distribuída e ele não tinha influência sobre o presidente ou sobre o relator, mas de qualquer modo iria pedir para o COLABORADOR falar com MARCOS JOAQUIM GONÇALVEZ, um de seus advogados para tentar uma solução com o relator SERGIO DE SOUZA. QUE então o COLABORADOR procurou MARCOS JOAQUIM e perguntou se seria possível influenciar o relatório. QUE MARCOS JOAQUIM, informou o COLABORADOR que havia conversado com o relator SÉRGIO DE SOUZA (PMDB/PR), que afirmou ser possível. QUE o COLABORADOR fez uma reunião com ARTHUR, SÉRGIO DE SOUZA (PMDB/PR) e MARCOS JOAQUIM na casa de MARCOS, situada no lago Sul em Brasília. QUE se recorda que na casa havia uma cópia do quadro Abapuru de Tarsila do Amaral. QUE diante disso foi acertado um valor de propina que ARTHUR PINHEIRO MACHADO iria pagar para o COLABORADOR. QUE foi creditado cerca de 9 milhões de reais através do doleiro TONY. QUE o COLABORADOR repassou a parte dos valores de propina para MARCOS JOAQUIM em Brasília e parte a uma pessoa indicada pelo DEPUTADO SERGIO DE SOUZA em São Paulo, o qual estava hospedado no HOTEL MELIA JARDIM EUROPA – localizado próximo ao escritório do COLABORADOR. QUE de fato WAGNER PINHEIRO, não foi convocado para depor na CPI, nem indiciado no relatório final, QUE no dia marcado para depoimento de WAGNER PINHEIRO a sessão foi cancelada. Que o fato de WAGNER PINHEIRO não ter sido indiciado demostra que o relatório final não correspondia com a realidade, visto que a PETRUS, depois da POSTALIS, é o Fundo que mais tem déficits. QUE parte desse dinheiro foi entregue em espécie dentro de uma mala no Hotel Meliá no Jardim Europa, em São Paulo para um representante do deputado SÉRGIO. QUE o funcionário do COLABORADOR José Carlos Batista foi quem fez a entrega em São Paulo e o resto do dinheiro foi entregue em Brasília, na casa de MARCOS JOAQUIM. QUE o COLABORADOR operacionalizou esses repasses usando os serviços de TONY. Que o COLABORADOR reafirma que o DEPUTADO EDUARDO CUNHA não teve nenhum envolvimento ou recebeu propina com esse episódio,.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS
1. Planilha de contabilidade interna colaborador; 2. Caderno de anotações do colaborador apreendido pela PF.com a relação de alguns valores entregues pelo colaborador a MARCOS JOAQUIM em Brasilia.

ANEXO 26 – MEDIDAS PROVISÓRIAS EM QUE HOUVE PAGAMENTO DE PROPINA E FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO.
QUE o COLABORADOR tem conhecimento sobre as articulações dentro do Congresso para a aprovação de Medidas Provisórias como troca de pagamentos indevidos ou doações de campanhas. QUE além da MP 595/2012 dos PORTOS, já citada em anexo anterior, o qual acredita que beneficiou o GRUPO LIBRA, cujo os acionistas doaram R$ 1.000.000,00 à campanha de MICHEL TEMER, (que nessa MP foi incluída uma emenda que permite a renovação de contratos de concessão na área portuária , mesmo para empresas que tenham debito com a união , desde que essas empresas aceitem discutir o debito em tribunal arbitral) beneficiando também GONÇALO TORREALBA (dono do GRUPO LIBRA) e grande amigo de EDUARDO CUNHA, o COLABORADOR tem conhecimento de outras Medidas Provisórias que foram aprovadas e serão descritas nesse anexo. QUE a MP 656/2014 – que permite a participação de capital estrangeiro, em percentual majoritário ou não em hospitais, laboratórios médicos e planos de saúde –  que permitiu a abertura de capital de hospitais e planos de saúde, beneficiando a AMIL e o COPA D’OR houve em troca pagamentos de propina. QUE essas empresas doaram valores para a campanha de EDUARDO CUNHA. QUE o contato dentro dessas empresas era com o EDSON BUENO na AMIL e com ANDRE ESTEVES na REDE D´OR, pois o BTG é sócio do GRUPO. QUE essas empresas obtiveram benefícios pleiteados e em troca fizeram doações para a campanha de EDUARDO CUNHA. QUE CUNHA conversava e informava o COLABORADOR sobre o andamento das Medidas Provisórias, ressaltando que para que essas MP´s fossem aprovadas, ele já havia “acertado” com os empresários. QUE quando CUNHA se referia a algum assunto como acertado, restava claro que tinha algum pagamento de vantagem indevida. QUE CUNHA tinha um bom relacionamento com ANDRÉ ESTEVES, sendo que além de negociarem a aprovação da MP dos hospitais, também negociavam a questão de FCVS – um título público com o tesouro, para que pudesse resolver o problema do BAMERINDUS e do  QUE queriam transformar esses títulos em CVS. QUE CUNHA comentava que estava trabalhando para a solução desse problema, com o objetivo de levantar a massa falida do BANCO NACIONAL e conseguir com que os créditos do BANCO BAMERINDUS fossem reaproveitados, mas que dependia do aval do Ministro da Fazenda e do Tesouro. QUE CUNHA estava encontrando resistência do Tesouro e da Fazenda. QUE CUNHA lhe informou que havia “resolvido” a questão dos planos de saúde e dos hospitais e estava tentando “resolver” o problema dos títulos do FCVS. QUE outro pleito que ficou sabendo que CUNHA estava atuando para ajudar ANDRE ESTEVES, envolvia a aprovação de uma operação do FI-FGTS para a ESTRE AMBIENTAL, comandada por ANDRÉ ESTEVES e WILSON QUINTELLA FILHO. QUE essa operação da ESTRE acabou não sendo aprovada pois embora houvesse a manipulação política não era possível aprovar pleitos que não estivessem de acordo com os critérios e regras da instituição. QUE outra MP que houve benefícios ao PMDB foi a envolvendo a empresa HYPERMARCAS, de propriedade de JOÃO ALVES DE QUEIROZ FILHO, também conhecido com JÚNIOR D’ARISCO. QUE o COLABORADOR foi apresentado ao dono da HYPERMARCAS por JOESLEY BATISTA. QUE JOESLEY pediu que o COLABORADOR auxiliasse JUNIOR nas suas demandas pois este estava tendo dificuldades com alguns projetos. Ainda, que JUNIOR precisava que uma MP fosse aprovada para beneficiar suas empresas. QUE o COLABORADOR apresentou JUNIOR ao DEPUTADO EDUARDO CUNHA. QUE nesta reunião JUNIOR pediu que o COLABORADOR recebesse seu diretor de relações institucionais NÉLSON MELLO. QUE NELSON MELLO levou os dois pleitos do GRUPO HYPERMARCAS ao COLABORADOR, o primeiro era para que fosse aprovada a Medida Provisória 549/11, que autorizava a venda de medicamentos, que não precisassem de prescrição médica, em supermercados. QUE isso iria aumentar muito o faturamento do GRUPO. QUE deram início aos tramites da MP, sendo que NELSON MELLO informou que já havia falado com CHINAGLIA, e que embora já haviam acertado com o Ministério da Saúde, mas não tinham conseguido “acertar” na ANVISA. QUE em razão disso a Presidente DILMA não sancionou a MP. QUE a segunda demanda da HYPERMARCAS era uma MP 627/13 a qual mudaria a regulamentação do arrolamento de bens para dividas fiscais. QUE esse pleito foi aprovado dentro de uma outra MP, com a inclusão por CUNHA de um “jabuti, esclarece que quem assinou o ‘jabuti’ foi o deputado SANDRO MABEL. QUE ficou acertado com a HYPERMARCAS que se obtivessem êxito receberiam uma comissão de cerca de 5 milhões de reais. QUE JUNIOR sabia que parte da comissão seria repassada a EDUARDO CUNHA, pois haviam deixado claro que o COLABORADOR era operador do DEPUTADO. QUE nessa mesma MP, teve um outro ‘jabuti’ na qual foi inserida uma medida que beneficiaria as montadoras, que foi incluído pois ANDRE ESTEVES tinha participação na Mitsubish Motors, o qual tinha um bom relacionamento de troca de favores e pagamento de propinas com CUNHA. QUE após a aprovação da MP, JUNIOR não quis pagar os valores devidos alegando que a MP não havia sido aprovado do jeito que ele queria. QUE fizeram uma reunião no escritório de EDUARDO CUNHA na qual o deputado expressou que o dinheiro era devido pois a MP tinha sido aprovada e teria eficácia. QUE o COLABORADOR acabou assumindo o ônus dos pagamentos para não se indispor com CUNHA e resolver o impasse. Que nessa reunião no escritório do DEPUTADO EDUARDO CUNHA no Rio de Janeiro, estavam presentes o COLABORADOR, NELSON MELLO e o DEPUTADO EDUARDO CUNHA. QUE em 2014 com a ascensão ao poder de EDUARDO CUNHA e com a possibilidade de sua eleição para presidente da Câmara, NÉLSON MELLO e JÚNIOR procuraram o COLABORADOR falando que queriam pagar os valores que tinham ficados em aberto, pois não queriam encerrar o ano pendentes com CUNHA. QUE o COLABORADOR fez um contrato de prestação de serviços entre a ARAGUAIA COMERCIALIZADORA DE ENERGIA (empresa do COLABORADOR), BRAINFARMA e a COSMED (empresas do Grupo HYPERMARCAS) para operacionalizar os pagamentos. QUE o escopo deste contrato fictício envolvia a análise da conta de luz dessas empresas, e soluções para redução de custos, entre outros. QUE pagaram cerca de 3 milhões de reais. Que esses contratos foram apreendidos pela Polícia Federal nos endereços do COLABORADOR. QUE após a eleição de CUNHA para a Presidência da Casa em 2015 houve um almoço na casa de NAJI NAHAS no início de 2015, no qual JUNIOR e NELSON MELLO foram junto com o COLABORADOR conversar com EDUARDO CUNHA, pois estavam preocupados que o Ministro JOAQUIM LEVY alterasse a tributação de alguns medicamentos (queriam que continuasse a vigorar o regime monofásico com polo de arrecadação na indústria e alíquota de 12%). QUE queriam que CUNHA barrasse qualquer mudança na tributação. QUE CUNHA tinha mecanismos regimentais e manobras políticas que poderiam ser utilizados para barrar essas mudanças, já que não tinham acesso ao Ministro. QUE por exemplo se fosse aprovado via MP, CUNHA poderia desmontar a MP no congresso. QUE foi acertado com a HYPERMARCAS 24 parcelas de 1 milhão de reais – 1 milhão de reais por mês durante o mandato de Presidência da Câmara. Ainda que se conseguissem a MP da venda de medicamento sem prescrição médica em supermercados iriam pagar mais 12 milhões de reais. QUE alguns meses depois escândalos começaram a cercar EDUARDO CUNHA e houve a busca e apreensão contra o COLABORADOR e a HYPERMARCAS não quis pagar. QUE o COLABORADOR começou a cobrar JUNIOR e NELSON MELLO, os quais não queriam pagar. Que o COLABORADOR e CUNHA não tinham combinado qual seria a parte cabível a cada um. QUE ainda tem conhecimento da articulação por MICHEL TEMER, EDUARDO CUNHA e HENRIQUE EDUARDO ALVES para que a Medida Provisória 563/2012- desoneração dos encargos tributários sobre a folha de pagamento dos setores de transporte aéreo e coletivo rodoviário, a qual beneficiaria as empresas aéreas. QUE a GOL LINHAS AEREAS estava passando por dificuldades financeiras, e HENRIQUE CONSTANTINO achava que a única solução seria a venda total da empresa para algum investidor estrangeiro. Que por conta dessa necessidade do GRUPO CONSTANTINO, HENRIQUE CONSTANTIN, o qual era o membro da família encarregado das relações institucionais, começou a se movimentar para tentar conseguir apoio
suficiente dentro do GOVERNO para a abertura do capital de setor aéreo para empresas estrangeiras. Que durante o GOVERNO da PRESIDENTE DILMA ROUSSEF, CONSTANTINO conseguiu a aprovação ate o limite de 50%, o que não era suficiente para resolver o problema financeiro do GRUPO CONSTANTINO. Assim continuou-se a buscar a solução da aprovação da participação de capital estrangeiro sem um limite previsto. QUE para obter esse pleito HENRIQUE CONSTANTINO e seu irmão CONSTANTINO JR, procuraram o VICE PRESIDENTE MICHEL TEMER, e doaram como contrapartida para a campanha de 2014 o valor equivalente a R$ 20.000.000,00 em horas voadas em aviões de empresas ligadas ao GRUPO CONSTANTINO, tendo como objetivo a aprovação da MP ou PL que liberaria a participação estrangeira em empresas aéreas sem limite. Que todo esse contesto foi narrado ao COLABORADOR pelo DEPUTADO EDUARDO CUNHA, e que o COLABORADOR acredita pode ser verificado através do registro de todos os voos feitos em aviões da marca Gulfestrean, Falcon e do Citation modelo Sovererign no ano de 2014 pertencentes ao GRUPO CONSTANTINO. Que logo que PRESIDENTE MICHEL TEMER assumiu, se tentou aprovar uma MP que contemplava esse pleito, mas não foi sancionada pela PRESIDÊNCIA, que logo depois optou pela resolução do problema através de um projeto de lei. QUE este pleito das aéreas está sendo negociado desde a época em que MOREIRA FRANCO era Ministro da Aviação Civil. Ainda que a medida provisória que desonerou a folha de pagamentos dos setores de aviação e de transporte rodoviário coletivo a MP 563/12 e lei do Distrito Federal de 18/04/2013, que reduziu o percentual de 25% para 12%, do imposto que incide sobre o querosene de aviação, beneficiou muito o GRUPO CONSTANTINO, pois o combustível é o segundo item que mais influi nos custos do setor de aviação. Ainda, fora as medidas acima citadas o COLABORADOR tem conhecimento que o EX-DEPUTADO EDUARDO CUNHA atuou, em troca de pagamento de propina em outras medidas, podendo citar: • Refis 2009 • MP 656-2014 – Liberação de capital estrangeiro Planos de Saúde, beneficiando o GRUPO AMIL.
• MP 563-2012 – desoneração da folha do setor de transporte rodoviário municipal e intermunicipal, visando os interesses do GRUPO CONSTANTINO. • MP – 549-2011liberação de vendas de medicamentos sem prescrição medica em supermercados (vetada). • MP 627-2013 – arrolamento de bens de pessoas físicas.  • MP 595 -2012 – referente aos portos.
Cabe ainda ressaltar que EDUARDO CUNHA, dava preferência a Medidas Provisórias que tratassem de temas tributários, tendo em vista que tem amplo conhecimento nesta área. QUE o COLABORADOR nunca operou as Medidas Provisórias para CUNHA, pois seu operador nessa área era o advogado MARCOS JOAQUIM GONÇALVEZ do escritório MATTOS FILHO em Brasília- com grande atuação no direito tributário. QUE o COLABORADOR acredita que além do conhecimento técnico de CUNHA na legislação, o fato que este tinha um protagonismo no PMDB e papel de liderança na Câmara fez com que CUNHA assumisse um papel de liderança nas negociações dessas medidas frente aos parlamentares e empresários. QUE CUNHA negociava diretamente com os lideres do Governo, deputados e senadores, a inclusão e aprovação de ‘jabutis’, nas Medidas Provisórias que estavam sendo votadas. QUE CUNHA não tinha um bom relacionamento com o EXECUTIVO do GOVERNO, mas que com os parlamentares sempre tinha acesso, e avisava que se o Governo e sua bancada não aceitasse os ‘jabuti’ e o aprovasse, CUNHA iria vetar na integralidade, ou “explodir” a medida na Câmara. Que o COLABORADOR pode afirmar que JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR, estava ciente de todas as irregularidades envolvendo os pagamentos de propina pela empresa HYPERMARCAS pelos seguintes motivo: QUE o COLABORADOR tratou em duas oportunidades com JOAO ALVEZ e NELSON MELLO sobre propina. A primeira vez em um escritório da empresa MONTE CRISTALINA e a segunda na residência de NAJI NAHAS.QUE nessas reuniões trataram com o COLABORADOR sobre as medidas provisórias de interesse do grupo HYPERMARCAS e os pagamentos de propina que deveriam ser feitos. Que neste segundo encontro na casa de NAJI NAHAS em São Paulo, logo após a eleição de EDUARDO CUNHA para PRESIDENTE DA CÂMARA, JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR foi explícito ao oferecer propina ao COLABORADOR e ao PRESIDENTE DA CÂMARA EDUARDO CUNHA no valor de R$ 1.000.000,00 mensais para que não fosse alterado o regime tributário, conforme documento apreendido pela policia Federal em busca e apreensão em endereços do COLABORADOR. QUE referido documento foi levado à reunião com o COLABORADOR por JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR, e mencionava o pleito. QUE o GRUPO HYPERMARCOS, também ofereceu propina no valor de R$ 15.000.000,00 para que fosse aprovada e sancionada pela PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA uma medida provisória que permitisse a venda de remédios sem prescrição médica em supermercados.
COMO FUNCIONAVA A DISTRIBUIÇÃO DAS PRESIDÊNCIAS E RELATORIAS DE MEDIDAS PROVISÓRIAS:

QUE a distribuição das presidências das comissões do Senado e da Câmara Federal, são divididas de acordo com o tamanho das bancadas de cada partido. QUE ainda os líderes dos partidos que são os responsáveis por essas indicações, costumam contemplar com esses cargos parlamentares com grande poder de influência dentro das Casas. QUE a principal comissão que existe em ambas as Casas é a CCJ (COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA), seguida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e Comissão de Finanças. QUE muitas dessas comissões são usadas por parlamentares ou grupo de parlamentares para pressionar o Poder Executivo em troca de cargos no GOVERNO FEDERAL ou em empresas Estatais. QUE além disso, utilizam essas comissões para proteger determinados grupos econômicos ou setores da economia que possuam lobby forte dentro do congresso. QUE ainda, os parlamentares usam as comissões como meio de pressão contra empresas ou setores que não estão alinhados com o legislativo e seus membros. QUE cabe ressaltar que nesse caso, pela experiência do COLABORADOR, as empresas que cedem à pressão são as que tem algo ilícito a esconder. QUE pode citar como exemplo o que aconteceu com o GRUPO SUZANO, o qual foi extremamente pressionado a conceder benefícios financeiros em troca de não ser convocado na CPI DA PETROBRAS, mas que a empresa não se deixou intimidar e não pagou valores ilícitos. QUE EDUARDO CUNHA por ser um dos parlamentares com maior conhecimento do REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA, usava o Regimento para manobrar e pressionar empresas, parlamentares e o Governo. QUE outros DEPUTADOS e SENADORES também se utilizavam de manobras permitidas no Regimento Interno para atuar em seus benefícios, mas não com tanta efetividade como EDUARDO CUNHA. QUE EDUARDO CUNHA e sua bancada na Câmara e a BANCADA DO PMDB do SENADO eram os grupos que mais de utilizavam desse tipo de expediente. QUE GIM ARGELLO na época em que foi senador também fazia manobras baseadas no Regimento Interno, assim como ANTONIO CARLOS MAGALHAES. QUE não existe Comissão Parlamentar de Inquérito Mista ou na Câmara e Senado em que não ocorram tentativas de acertos através de propina. QUE esses pagamentos eram necessários para se evitar indiciamentos, convocações e quebra de sigilo. QUE essa é a regra dentro do congresso nacional. QUE todos os membros de comissões ou CPI’S são usados nesse tipo de manobra, desde a escolha da composição dos membros, na qual já e analisado o perfil de cada integrante. QUE cada grupo trabalha para seus próprios benefícios. QUE na CPI DOS PRECATÓRIOS em 1997, o BANCO BRADESCO foi extremamente criticado e alvo de vários requerimentos, mas que acabou não cedendo e continuou na liderança do mercado desenvolvendo suas atividades normalmente durante o período em que a CPI ocorreu. QUE o mesmo ocorreu com o BANCO SAFRA e BRADESCO na CPI DO CARF, no qual não cederam à pressão dos Parlamentares e acabaram recorrendo ao Judiciário. QUE isso demonstra que os empresas que pagam propina são as que têm atos ilícitos a esconder. QUE no caso da Medidas Provisórias é essencial que se tenha controle da relatoria, para assim se obter um relatório favorável atendendo ao pleito de determinado grupo. QUE quem elabora o texto pode incluir ou não alterações
ao texto inicial. QUE para a aprovação de tais relatórios é necessário que o Parlamentar tenha um bom transito com o Senado, Câmara e com os líderes do Governo para conseguir a aprovação. QUE muitas vezes não é o Relator que faz esse papel, mas alguém que está por traz orientando e negociando, sendo que o relator apenas assina o documento.
FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO:
Que o COLABORADOR tem conhecimento, por sua experiência no mercado financeiro e através de fatos que presenciou, que houve o uso político do FUNDO GARANTIDOR DE CREDITO. QUE houve interferência para que após ser aprovado, esse FUNDO pudesse emprestar recursos para intuições adquirirem outras instituições ou para compra de carteira de instituições com problema de liquidez. QUE tem conhecimento de três situações especificas: 1- QUE o BANCO PANAMERICANO, teve um aporte inicial de capital por parte da CAIXAPAR, mas esse aporte se mostrou insuficiente e acabou obrigando o FGC a emprestar dinheiro para o BANCO BTG de ANDRE ESTEVES, para comprar a outra parte do BANCO PANAMERICANO. QUE causa estranheza ao COLABORADORA essa operação, pois o PANAMERICANO nunca foi um Banco de varejo ou seja nenhum pequeno investidor seria atingido pela sua quebra. Ainda que os números do Banco, quando comparados ao tamanho do setor Bancário Brasileiro eram ínfimos, ou seja, não existia risco para o mercado. QUE a CAIXAPAR deveria ter arcado com os prejuízos pela péssima análise feita ao comprar o BANCO PANAMERICANO. Ainda, que se ficasse demonstrado a má fé na divulgação de dados para a CAIXAPAR, está deveria ter acionado O BANCO PANAMERICANO e a holding que o controla. 2 – QUE o segundo caso envolve a compra do BANCO SCHAHIN pelo BMG, visto que as garantias dadas pelo GRUPO SCHAHIN eram contratos que já garantiam outros empréstimos (ou seja, foi dada a hipoteca em segundo grau) e para serem válidos, estes precisavam serem performados com a Petrobras –  o que acabou não acontecendo depois da recuperação Judicial do GRUPO SCHAHIN.
3 – QUE o terceiro caso envolve a compra do BANCO PROSPER PELO BANCO CRUZEIRO DO SUL, que para o COLABORADOR essa compra foi um desastre visto que, mesmo com esses recursos do FGC, O BANCO CRUZEIRO DO SUL acabou quebrando.  QUE a carteira de crédito do BANCO CRUZEIRO DO Sul era quase somente composta por consignados que estão sendo liquidados. QUE o COLABORADOR destaca que na maioria dos casos envolvendo o FGC em aquisições, compra de carteiras e outras operações há sempre a atuação do BANCO BRASIL PLURAL como assessor de alguma maneira na operação. Que no caso da compra do BANCO MATONE pelo antigo BANCO JBS o COLABORADOR acredita que houve o uso de influência política e pagamento de propina.
QUE o COLABORADOR era amigo do dono do Banco, LUIZ OCTAVIO INDIO DA COSTA. Que em razão disso o COLABORADOR procurou em 2004/2005 o EX-SENADOR SÉRGIO CABRAL, para pedir ajuda em um pleito referente ao BANCO CRUZEIRO DO SUL. QUE o COLABORADOR pediu que SERGIO CABRAL, intervisse junto ao então MINISTRO DA PREVIDENCIA ROMERO JUCÁ, para que fosse permitido ao BANCO CRUZEIRO DO SUL, que fizesse crédito consignado a pensionistas do INSS, simultaneamente a permissão para o BANCO BMG. Que efetivamente foi dada a autorização simultaneamente aos dois Bancos e em contrapartida foi feito o pagamento de propina no valor de R$ 3.000.000,00 ao SENADOR SERGIO CABRAL. QUE SERGIO CABRAL recebeu os valores em espécie em seu apartamento funcional em Brasília. QUE os valores foram entregues pelo COLABORADOR. QUE que não sabe qual foi a divisão feita entre SERGIO CABRAL e ROMERO JUCA da propina recebida. QUE esse valor devido pelo BANCO CRUZEIRO DO SUL, foi creditado em dólares em uma conta corrente não declarada que o COLABORADOR tinha junto ao BANCO CRUZEIRO DO SUL.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Notas fiscais; 2. Contratos; 3. Registro de recebimentos do COLABORADOR; 4. Cópia das Medias Provisórias aprovadas; 5. Telefonemas entre o COLABORADOR e HENRIQUE CONSTANTINO, JOÃO ALVEZ QUEIROS JR e NELSON MELLO; 6. Notas fiscais emitidas pela empresa do colaborador contra a Associação Brasileira da Empresas Transportes Terrestres de Passageiros e contrato; 7. Notas fiscais emitidas pela empresa Araguaia contra as empresas COSMED E BRAINFARMA DO GRUPO HYPERMARCAS e contrato; 8. Notas Fiscais contra as empresas do GRUPO CONSTANTINO; 9. Papel com a reivindicação do NELSON MELLO para não mudança do regime tributário, conforme combinado no início de 2015; 10.Cópia do Projeto de Lei das Aéreas; 11.Notícias relacionadas a PL das aéreas; 12.Notas Fiscais ABRATT (ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE TRANSPORTE TERRESTRE); 13.Foto do COLABORADOR e de JOAO ALVEZ QUEIROZ JUNIOR na reunião ocorrida na casa de NAJI NARRAS; 14.Jantar realizado na casa do COLABORADOR com a presença de sua esposa, JOAO ALVEZ DE QUEIROZ JUNIOR e sua noiva KARINA. 15.Troca de mensagens através do aplicativo Wickr com NELSON MELLO codinome no Wickr HYPE, agenda de telefone do celular do COLABORADOR; 16.Prefixo do avião de HENRIQUE CONSTANTINO.

ANEXO 27 –   DEPUTADO ESTADUAL JORGE PICCIANI – PAGAMENTO  DE JACOB BARATTA NA CONTA DO COLABORADOR NA SUIÇA
QUE o COLABORADOR não têm um relacionamento muito próximo com JORGE PICCIANI, tendo sido apresentado por EDUARDO CUNHA. QUE em 2014, o  COLABORADOR recebeu, a pedido de EDUARDO CUNHA, uma transferência, em sua conta no BANCO AUDI, no valor de cinco milhões de francos suíços. QUE segundo EDUARDO CUNHA esses valores eram referentes a um pagamento de valores não declarados feito por JACOB BARATTA. QUE esses valores seriam divididos entre EDUARDO CUNHA e JORGE PICCIANI, para serem usados na campanha de 2014. QUE sua conta fica na Suíça, em nome de uma off-shore, chamada TUINDORP ENTERPRISES. QUE EDUARDO CUNHA pediu que o COLABORADOR recebesse cinco milhões de Francos Suíços na Suíça e disponibilizasse esses recursos em reais no Brasil. QUE operacionalizou o dinheiro através do doleiro TONY. QUE esses valores, pelo que sabe, foram negociados por PICCIANI diretamente com BARATTA para a campanha de 2014. QUE como PICCIANI não tinha conta fora do Brasil, pediu ajuda a EDUARDO CUNHA, que então acionou o COLABORADOR para receber esses valores. QUE o COLABORADOR não recebeu comissão por essa transação, que fez como favor a EDUARDO CUNHA. QUE estes registros constam nos extratos de sua conta no Banco AUDI. QUE uma pessoa chamada MILTON, fez retiradas dos valores a mando de PICCIANI no escritório do COLABORADOR em São Paulo.  Que foi avisado que MILTON iria fazer a retirada por uma mensagem enviada por CUNHA pelo aplicativo WICKR. QUE acredita que o nome usado por CUNHA no aplicativo era CARLOS. QUE o nome do COLABORADOR no WICKR era LIKE15, e que CUNHA se referia ao COLABORADOR como Ziraldo ou Maluco.
DOCUMENTOS COMPROBATORIOS 1. Extratos da conta do COLABORADOR no Banco Audi –IBAN de número CH93 0862 4030 0110 1000B;
2. Documentação de contas e offshores do COLABORADOR; 3. Registro de contatos da WICKR em telefones não apreendidos do COLABORADOR;

ANEXO 2  8     – JACOB BARATA FILHO
QUE o COLABORADOR não conhece BARATA FILHO, nem JACOB BARATA e nunca teve nenhum tipo relação direto com eles. QUE como já descrito em anexo anterior operacionalizou o pagamento de propina de BARATA FILHO para JORGE PICCIANI e EDUARDO CUNHA para a campanha de 2014. QUE PICCIANI pediu que EDUARDO CUNHA o ajudasse a receber os valores no exterior. QUE o COLABORADOR foi procurado por CUNHA, e organizaram o pagamento de BARATA em uma conta do COLABORADOR no BANCO AUDI em GENEVA. QUE os valores foram depositados em uma conta chamada TUINDORP ENTERPRISES. QUE o COLABORADOR tem que requisitar ao Banco os registros das contas e extratos que comprovam a movimentação . Que a razão de EDUARDO CUNHA ter procurado o COLABORADOR seria de  que JACOB BARATA não queria fazer o pagamento em nenhum Banco que não fosse na Suíça, para encobrir o pagamento da propina.
ELEMENTOS COMPROBATORIOS 1. Extratos da conta no Banco Audi. 2. Documentos referente  offshore e conta do COLABORADOR na Suíça.
ANEXO   29   — OPERAÇÕES COM OS DOLEIROS TONY E JUCA
QUE o COLABORADOR conheceu os doleiros TONY e JUCA, através de DARIO MESSER. QUE o COLABORADOR começou a utilizar os serviços de TONY para fazer dinheiro em espécie, remessas para o exterior e entrega de valores dentro do Brasil. QUE TONY tinha estrutura em diversas cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. QUE apesar de do início de seu relacionamento profissional o contato com os doleiros ter sido pelo telefone, posteriormente contactava TONY através do programa de mensagens Messenger e por último pelo programa Pidgin, que TONY utilizava o apelido PETER nesse programa, mas que os nomes de usuários mudavam constantemente. Que o COLABORADOR utilizava os serviços de TONY para três tipos de operações: a primeira para empréstimo de reais quando o colaborador estava com deficiência em seu caixa, feitos através de depósitos de cheques do comércio, realizados pelo doleiro TONY na conta do COLABORADOR; o segundo tipo de serviço envolvia a operação de compra e venda de dólar a cabo – quando tinha dólar fora e precisava no brasil, ou ao contrario; o terceiro tipo de operação envolvia a troca de ted´s por dinheiro vivo. Neste caso TONY enviava boletos que eram pagos pelo colaborador e o valor correspondente era disponibilizado em dinheiro vivo. Em todas essas operações o colaborador utilizava o serviço de “delivery” do DOLEIRO.  QUE utilizou os serviços de TONY de 1997 até 2016 quando o COLABORADOR foi preso. QUE quando as operações eram feitas no Rio de Janeiro era TONY quem fazia a liquidação e entregas, e quando eram em São Paulo o COLABORADOR enviava um funcionário seu para retirar os valores nos locais indicados por Tony. QUE TONY tinha diversos escritórios normalmente em escritórios que se pode alugar salas mensalmente e os quais mudavam constantemente. QUE em São Paulo tinha um escritório na Rua Faria Lima. QUE o COLABORADOR enviava um funcionário seu até o local para pegar ou entregar valores.
QUE quando tinha que receber valores de pagamentos de empresas de outros cambistas o COLABORADOR pedia para que este doleiro creditasse os valores na conta corrente com TONY. QUE COLABORADOR varias vezes, quando precisava fazer reais, o fazia com TONY através de pagamento de boletos para o doleiro. QUE tem guardado inúmeros boletos, normalmente de supermercados pagos para TONY. QUE TONY enviava os boletos por e-mail, o COLABORADOR o imprimia e pagava estes no banco. QUE o COLABORADOR pagava os boletos e TONY lhe entregava os valores, descontado sua comissão em espécie. QUE TONY era o maior fornecedor de dinheiro do COLABORADOR. QUE utilizou os serviços de TONY para entregar valores para EDUARDO CUNHA, HENRIQUE ALVES e GEDDEL. QUE TONY disponibilizava os valores para o COLABORADOR rapidamente. QUE o COLABORADOR preferia deixar valores em dinheiro vivo guardados com TONY e JUCA. QUE tinham uma conta corrente interna. QUE quando o COLABORADOR precisava realizar operações de dólar cabo com o TONY lhe fornecia uma conta no exterior para fazer o pagamento. QUE TONY sempre informava a mesma conta em um banco em Hong Kong chamada ALL CHINA ENTERPRISE. QUE tem como levantar o número dessa conta e as operações junto ao banco que mantinha conta na Suíça. QUE TONY e JUCA eram um dos maiores operados de cambio e logística de dinheiro paralelo do Brasil. Que no dia em que foi preso o colaborador possuía um saldo devedor na sua conta interna junta a TONY de aproximadamente U$1 milhão o qual não foi quitado. Que embora o COLABORADOR não tenha como especificar os beneficiários das operações. Que também tem a relação dos cheques entregues para serem trocados por dinheiro em espécie, assim como os dados de algumas TEDS solicitadas por TONY. QUE mantinham para controle diversas planilhas as quais detalhavam o saldo de dinheiro em espécie, uma planilha com saldo em cheque, outra com saldo em dólares e outra com saldo de dólar cabo. QUE tem como evidencia de seu relacionamento com TONY as mensagens trocadas pelo aplicativo PIDGIN,
os comprovantes de pagamento e as transações no exterior aonde foram feitos pagamentos.
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS 1. Boletos pagos pelo COLABORADOR; 2. Dados de contas utilizadas no exterior; 3. Troca de mensagens via PIDGIN


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