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Grupo de advogados monta plataforma online para solução de conflitos

Pela internet, sem sair de casa, sem burocracia e com apenas alguns cliques. É a receita que um grupo de empreendedores da advocacia pretende aplicar para resolver disputas entre empresas e consumidores, por exemplo, fora da Justiça.

O Juster será um centro de resolução online de disputas. Será uma alternativa ao caminho convencional de levar à Justiça toda e qualquer disputa. Um dos idealizadores do Juster, Eduardo Dias, leva para o projeto a experiência que teve no Ministério da Justiça com a mediação. E afirma que o Juster não ameaça o mercado dos advogados.

“Não iremos limitar o mercado de trabalho dos nossos colegas advogados. Pelo contrário, acreditamos que estamos abrindo novas oportunidades e espaço para a valorização do advogado”, afirmou.

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Dias e Victor Hugo Marcondes explicam ao JOTA detalhes do Juster, que será lançado no dia 15 de abril.

O que será o Juster? Como funcionará? E qual a missão e inspiração para criar o Juster?

Juster é um Centro de Resolução On Line de Disputas e um Canal poderoso e eficiente de Comunicação, é o futuro trazido para o presente. É uma nova forma de fazer Justiça e de percebê-la. Hoje vivemos a era da tecnologia. As pessoas compram produtos pela internet, fazem transações bancárias, compram carros e apartamentos e namoram online. Não há mais tempo para burocracia, para o trânsito engarrafado e para o papel. O Juster possui um procedimento determinado para cada tipo de demanda, onde pessoas e empresas se encontram para o diálogo, validando interesses e colhendo satisfação. Nossa missão é aproximar pessoas e empresas para que possam alcançar seus objetivos, através da cultura do diálogo, difundindo métodos e ferramentas mais rápidas, justas e eficazes de solução de conflitos. A paixão pela inovação foi e é a grande inspiração do Juster.

Como serão promovidas as resoluções de conflitos? Será tudo on line?

A resolução de conflitos no Juster é simples e rápida. Existem procedimentos exclusivamente on line ou mistos (on line e presenciais) que ocorrerão com a participação de Negociadores, Mediadores, Árbitros, Advogados, mas sempre flexíveis no sentido de alcançar a satisfação das pessoas e empresas. Trabalhamos com um modelo escalonado que contempla diferentes métodos de resolução: a negociação, a conciliação, a mediação e a arbitragem. Uma pessoa que está em sua casa no Acre pode negociar diretamente com um representante de uma empresa que está fisicamente em São Paulo e ambos podem ser auxiliados por um mediador ou um árbitro que está em Porto Alegre. E mais, os advogados que estão em outras cidades também participam do seu escritório.

Como o consumidor terá a garantia de que haverá equilíbrio na resolução dos conflitos? Como serão contratados os mediadores e árbitros? E que experiência eles deverão ter?

Os conciliadores, mediadores e árbitros serão escolhidos e contratados pelas partes, sem um vínculo empregatício com o Juster, e receberão honorários por cada procedimento que conduzirem. Todos terão que cumprir requisitos e padrões de qualidade para atuar no Juster. Os mediadores precisam comprovar que passaram por um treinamento e apresentar declarações que atestem a sua experiência prática. São os mesmos requisitos exigidos pelo Conselho Nacional de Justiça para os mediadores judiciais. Os árbitros também deverão comprovar capacidade técnica e experiência. Mas nós vamos além, todos os profissionais que cumprirem os requisitos terão que participar de um treinamento online antes de atuar no Juster. Dessa forma poderemos garantir o padrão de qualidade Juster.

 Como os cidadãos e consumidores poderão fiscalizar, avaliar, analisar o Juster e os resultados das negociações, mediações e arbitragens?

Em relação aos casos resolvidos pelo Juster, que envolvam empresas e pessoas, teremos total transparência. Vamos divulgar o percentual total de decisões contra e a favor das empresas e o grau de satisfação nos acordos. Assim o consumidor terá uma informação importante antes de decidir por iniciar o procedimento e compreenderá que pode optar aderir aos procedimentos certo de que haverá justiça e imparcialidade. E vamos formalizar parcerias com instituições públicas para que haja um acompanhamento e validação das nossas práticas.Todos que participarem de um procedimento de resolução de disputas responderão a uma pesquisa de satisfação, avaliando a facilidade e interatividade da nossa tecnologia, e opinando sobre o profissionalismo e eficiência dos mediadores e árbitros. Todos saberão qual o grau de satisfação dos usuários do Juster.

Como o Juster se financiará? Há outras iniciativas de resolução de conflitos, como o Reclame Aqui. Qual a diferença do que vocês fazem para o que eles fazem?

O Juster é o primeiro e único centro de resolução de disputas online. Por isso não há nenhuma semelhança com o que já existe no Brasil e não pode ser comparado com o Reclame Aqui ou qualquer outro serviço online já disponível. Esses canais já existentes são apenas um espaço para reclamação. No Juster as pessoas tem poder de decisão. As operações do Juster serão precificadas e informadas às partes e empresas previamente à adesão. A massificação e disseminação da internet possibilitam a redução significativas dos custos das atividades, beneficiando todos os envolvidos. É mais barato do que um processo judicial e mais rápido.

Como garantir que os consumidores terão seus interesses garantidos se às vezes eles não têm noção dos seus direitos, do Código de Defesa do Consumidor? E como garantir que as empresas, que detêm mais estrutura e poder econômico, não farão pender a balança em favor de seus interesses?

Esse é o nosso maior diferencial. As empresas e pessoas não precisam conhecer o código de consumidor, seja em uma relação de consumo ou não. O importante é que possam expressar livremente seus interesses, em um ambiente que garante a neutralidade, a imparcialidade e a confidencialidade. Haverá total transparência e respeito aos direitos do consumidor e das empresas, que poderão estar assistidos por seus advogados. Os conciliadores, mediadores e árbitros precisam seguir os preceitos do nosso Código de Ética e vão garantir que haja respeito aos direitos de todos os envolvidos, e que cada parte tome as decisões de forma totalmente consciente.

Como vocês respondem às críticas de que serviços como esses tiram trabalho dos advogados?

O Juster foi concebido por um grupo de advogados. O Juster é um centro de resolução de disputas, e não oferece serviços jurídicos. Os advogados encontrarão agilidade e facilidade para seus clientes, evitando a atividade litigiosa, que é originalmente desgastante, burocrática e morosa. Não iremos limitar o mercado de trabalho dos nossos colegas advogados. Pelo contrário, acreditamos que estamos abrindo novas oportunidades e espaço para a valorização do advogado. Todas as pessoas e empresas convidadas a participar da resolução de conflitos no Juster poderão estar devidamente acompanhadas do seu advogado. O advogado é essencial para trazer segurança jurídica, esclarecer os seus clientes e sempre é muito criativo, ajudando a gerar opções para a solução dos casos. Nada traz mais realização para o advogado do que perceber que o seu cliente está satisfeito. E com o Juster podemos trazer mais agilidade e satisfação para todos os envolvidos. Além disso, os advogados podem também atuar como conciliadores, mediadores ou árbitros. E tudo com economia de tempo e recursos, sem precisar se descolocar para uma audiência.

Podem fazer uma comparação entre o tempo que leva um processo judicial comum e a solução de conflitos pelo Juster?

Hoje um processo judicial é extremamente formalista, com procedimentos demorados e pode resultar em uma espera de 06 meses a até 10 anos, 20 anos ou 30 anos para ser concluído. É impossível prever quando um processo vai terminar. No Juster você pode resolver um conflito em poucos minutos participando de uma negociação ou uma mediação. E no máximo poderá durar algumas semanas no caso de uma arbitragem. O Juster realinha e sincronia esse tempo, fazendo com que o tempo das pessoas e do negócio possam ser o mesmo tempo da solução do conflito, reduzindo para minutos ou horas, o que poderia durar anos ou décadas se estivesse em processo judicial. Além disso, as pessoas tem a oportunidade de construir uma solução em conjunto com a outra parte. Compreender os próprios interesses e o interesse do outro é o caminho para construir uma solução efetiva e que traz satisfação para ambos. O Juster vai colaborar para que a nossa sociedade faça a transição da cultura do litígio para a cultura do diálogo.

Haverá um valor limite para as causas levadas ao Juster? E quais conflitos, de que tipo, poderão ser levados à mediação pelo Juster?

Não há um valor limite. O Juster foi concebido para promover a harmonização de interesses e o diálogo, envolvendo qualquer tipo de conflito. No entanto, temos um planejamento para garantir que nossa missão seja cumprida de forma gradual em três etapas. Na primeira etapa o Juster irá gerir conflitos entre pessoas e empresas, que envolvem desde discussões sobre indenizações, recuperação de crédito, defeitos e atraso na entrega de produtos e serviços e etc. Na segunda etapa os conflitos entre empresas, conflitos societários e etc. E na última etapa receberemos casos de conflitos entre pessoas, como por exemplo os conflitos familiares. A primeira etapa já está em curso. A segunda deve começar no segundo semeste. Enquanto que a última etapa será iniciada no 2° semestre de 2016.

Quais empresas já aceitaram resolver suas pendências por meio do Juster?

Já temos alguns clientes, mas por hora podemos relevar que as maiores empresas brasileiras, como também empresas e instituições fora do Brasil, estão em processo de integração com o Juster. Esse processo será efetivado após o lançamento do Juster, que será realizado no dia 15/04/2015 às 18:00 h. Os segmentos de varejo, instituições financeiras, instituições de ensino, da área de seguro e de consumo devem serão os primeiros a iniciar as operações. As empresas querem se comunicar melhor e resolver os conflitos de forma mais eficiente e respeitosa com seus clientes. O Juster garante economia de recursos, preserva as relações entre pessoas e empresas e traz comodidade e segurança. É o que todas as grandes empresas precisam.

Como o consumidor faz para levar seu caso ao Juster?

O consumidor acessa de onde estiver, por meio de qualquer dispositivo que tenha acesso a internet, como um tablet ou smartphone. O uso é simples e intuitivo. Ele descreve o caso e a nossa tecnologia se encarrega de aproximar o consumidor da empresa, em um ambiente neutro e eficiente. Ele pode ainda, se preferir, acessar o Juster por meio do seu Advogado ou Defensor Público.

Como convencer as empresas a aceitarem resolver suas pendências no Juster? Elas poderiam simplesmente ignorar uma tentativa de acordo e esperar que o consumidor não recorresse à Justiça, que é mais cara, mais burocrática, etc.

As empresas visam lucros e seus lucros dependem dos seus clientes. A continuidade e o crescimento do vínculo comercial entre empresa e cliente é o maior benefício para as empresas, aliado a uma diminuição vertiginosa dos custos operacionais e a imediata valorização da sua imagem e marca. Adiar a resolução de um conflito ou deixá-lo anos tramitando na Justiça é prejuízo para todos, e também para as empresas. Até este momento o que faltava era a forma, o caminho para resolver os conflitos de massa. O Juster chega para viabilizar essa resolução de forma eficiente e vantajosa para pessoas e empresas.

Quais procedimentos ainda serão resolvidos presencialmente?
Todos os procedimentos do Juster são eminentemente on-line, mas caso seja necessário pode ser aberto um ato presencial, seja um documento físico ou uma audiência, que posteriormente será trazido eletronicamente para dentro do Juster, seguindo o fluxo dos procedimentos.


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