Justiça

Responsabilização

Juíza manda prender engenheiros da Vale e diz que tragédia poderia ter sido evitada

Para magistrada, documentos demonstram que não é crível que barragens de tal monta se rompam repentinamente

Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão temporária de três pessoas, responsáveis por atestar em documentos a estabilidade das barragens da Vale S.A. em Brumadinho (MG) que vitimou mais de 65 pessoas e deixou mais de 270 desaparecidos. Também foram presas outra duas pessoas que coordenavam a segurança do complexo minerário onde ocorreu a tragédia. (leia a íntegra)

Os alvos são : André Yassuda (engenheiro), Makoto Namba (engenheiro),Cesar Augusto Paulino Grandchamp  (geólogo da Vale), Ricardo de Oliveira (gerente de Meio Ambiente Corredor Sudeste da Vale), e Rodrigo Artur Gomes de Melo (gerente executivo do Complexo Paraopeba).

Foi determinada ainda a apreensão dos celulares e busca e apreensão nas residências dos cincos presos.

A decisão da juíza Perla Saliba Brito atende pedido do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Serão apurados crimes de homicídio qualificado, além de crimes ambientais e de falsidade ideológica, diante do desastre ocorrido no Córrego do Feijão.

De acordo com o MP, documentos demonstram a existência de indícios de autoria ou participação dos presos nas infrações penais de falsidade ideológica, crimes ambientais e homicídios, crimes estes punidos com penas de reclusão, sendo as medidas pleiteadas imprescindíveis para as investigações, já que as diligências poderão revelar os vínculos entre os investigados, bem como poderá delinear melhor as responsabilidades.

Segundo a magistrada a prisão temporária no caso é imprescindível para as investigações porque envolve apuração complexa de delitos, alguns, perpetrados na clandestinidade.

Saliba Brito afirma que o conjunto probatório demonstra que André Yassuda, Cesar Paulino e Makoto Manba assinaram recentes declarações de estabilidade das barragens, informando que aludidas estruturas se adequavam às normas de segurança. “A tragédia demonstrou não corresponder o teor desses documentos com a verdade, não sendo crível que barragens de tal monta, geridas por uma das maiores mineradoras mundiais, se rompam repentinamente, sem dar qualquer indício de vulnerabilidade”, afirmou a juíza.

Para a magistrada, havia meios de se evitar a tragédia.”Convém salientar que especialistas afirmam que há sensores capazes de captar,com antecedência, sinais do rompimento, através da umidade do solo, medindo de diferentes profundidades o conteúdo volumétrico de água no terreno e permitindo aos técnicos avaliar a pressão extra provocada pelo peso líquido, o que nos faz concluir que havia meios de se evitar a tragédia”.


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