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TRF3

Psiquiatra diz que procurador que atacou juíza está com perturbação do estado mental

Médico do procurador analisou o paciente após o ataque; defesa vai tentar anexar o laudo independente ao caso

TRF3 Matheus Carneiro Assunção
Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Crédito Flickr/CNJ

O psiquiatra do procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção, que atacou com uma faca a juíza Louise Filgueiras, analisou seu paciente e apresentou um laudo psiquiátrico em que defende que ele foi “acometido por grave perturbação do estado mental”. As informações são do advogado criminalista Leonardo Magalhães Avelar, que assumiu a defesa do procurador.

A defesa de Assunção vai tentar anexar esse laudo psiquiátrico independente ao processo e pedir que a Justiça Federal também realize uma avaliação psiquiátrica no procurador. “É essencial sua internação em clínica especializada, para tratamento e preservação de sua saúde física e mental”, afirma o advogado do procurador em nota. “Matheus é um procurador dedicado e com carreira profissional e acadêmica exemplar”, completa o documento.

O JOTA questionou o nome do psiquiatra do procurador, mas ele, por ora, não autorizou a divulgação de sua identidade.

O procurador segue preso na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, que fica na Lapa, Zona Oeste da capital paulista. Ele vai passar por uma audiência de custódia na tarde desta sexta-feira no Fórum Criminal e Previdenciário na capital paulista. É possível que a audiência ocorra sem a realização da avaliação por parte da Justiça.

O ataque ocorreu na noite da última quinta-feira (3/10) em um gabinete do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo. A juíza foi atingida no pescoço, mas teve apenas um ferimento leve e passa bem. As motivações do ataque são desconhecidas e a Advocacia-Geral da União (AGU) determinou a abertura de uma sindicância para apurar o caso.

Louise Filgueiras trabalhava no tribunal quando foi atacada. Como ela se afastou, ele também jogou uma jarra de vidro em sua direção, mas não conseguiu acertá-la. O procurador foi imobilizado por funcionários até a chegada da Polícia Federal, que o prendeu em flagrante.

Em nota, o TRF3 explicou que Assunção entrou no tribunal dizendo que iria participar do “II Congresso de Combate à Corrupção na Administração Pública”. Ele se identificou com sua carteira funcional e conseguiu entrar no prédio com uma faca de cozinha escondida na roupa.

Perícia

A AGU divulgou nota nesta sexta-feira afirmando que, em conjunto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Ministério da Economia, atuam para que o procurador seja submetido imediatamente a uma perícia médica oficial. Há relatos de que o procurador vinha se submetendo a tratamento médico.

“Uma equipe multidisciplinar composta por médico, psicólogo e assistente social atuará para melhor avaliar a situação e prestar todo o apoio necessário ao procurador, familiares e demais colegas. A medida visa preservar a integridade física do procurador e de terceiros, bem como contribuir para os esclarecimentos dos fatos”, afirma a AGU, acrescentando que lamenta o episódio, se solidariza com a juíza e reafirma seu respeito pelo Poder Judiciário.


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