Inova&Ação

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A cidade de São Paulo merece um distrito de inovação para chamar de seu

O 22@ em Barcelona, Ruta N em Medellín, Porto Digital em Recife e MaRS em Toronto são alguns exemplos que existem

Barcelona / Crédito: Aleksandar Pasaric from Pexels

Há experiências exitosas de criação de distritos de inovação em grandes metrópoles com potencial de transformação urbana, econômica e social. O 22@ em Barcelona, o Ruta N em Medellín, o Porto Digital em Recife e o MaRS em Toronto são alguns exemplos.

Por que a Cidade de São Paulo não tem um distrito de inovação para chamar de seu?

Deve haver um conjunto de razões que economistas e a literatura de natureza econômica não se furtarão em explicar. Sem querer entrar numa seara que não é minha, parece haver certo consenso na ideia de que um distrito de inovação, para se estabelecer como tal, precisa estar inserido em um espaço urbano capaz de atrair profissionais inventivos e criativos que gerem produtos e serviços desejados pelo mercado.

Há algo que atrai recursos e gente para a atividade de inovação, sendo que as características do espaço urbano onde eles se encontram são capazes de potencializar o resultado deste match. Ideias, conhecimento e recursos financeiros conectam-se com startups, incubadoras e aceleradoras em espaços integrados com a cidade, onde há condições de moradia, entretenimento e trabalho, tudo junto e misturado no mesmo trecho urbano.

Empresas de base tecnológica, universidades, institutos de pesquisa, laboratórios e agências de fomento participam desse ecossistema, em geral com as cidades, numa verdadeira articulação público-privada em prol do desenvolvimento urbano dos distritos.

Recentemente a FAPESP noticiou que o Estado de São Paulo pode vir a ganhar dois distritos de inovação. Seriam dois ambientes como o Vale do Silício, um situado onde hoje está instalada a CEAGESP (na Vila Leopoldina, na Cidade de São Paulo) e outro na Fazenda Argentina (área da Unicamp, em Campinas). Um projeto em parceria com a FIPE está sendo desenvolvido para estabelecer os parâmetros conceituais e operacionais para a instalação desses ambientes.1

O terrenão de 650 mil m2 que a CEAGESP tem na Vila Leopoldina, onde hoje ainda funciona um enorme entreposto e armazenagem agroalimentar, pode vir a mudar de endereço e uma nova área livre pode surgir na região e sediar interesses urbanísticos, econômicos e sociais.2

A Subsecretaria de Parcerias e Inovação do Estado de São Paulo publicou, em 6/10/2017, chamamento público para a realização de estudos visando à implantação, operação e manutenção do Novo Centro de Abastecimento Alimentar em São Paulo, em parceria com a iniciativa privada (o Novo Ceasa). A medida está relacionada à legítima preocupação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP) com a expectativa do mercado, que estuda transferir o novo entreposto para área com gargalos logísticos decorrentes de sua localização (com possível geração de tráfego em rodovia estadual). Em março de 2018 foram divulgados os quatro grupos que apresentaram propostas.3

As propostas recebidas foram encaminhadas ao Conselho do Programa Estadual de Desestatização (PED) que, em agosto de 2018, deliberou pela necessidade de complementação dos estudos, tendo sido fixado prazo para tanto. Somente após a apresentação das complementações e reanálise dos estudos pelo Estado é que se poderá chegar à modelagem final do negócio.

Portanto, o uso da área onde hoje está o CEAGESP envolve grandes desafios. Além de ela ser de propriedade de uma empresa pública federal, e da mudança da atividade lá em curso para outro espaço, há um conjunto de condicionantes de natureza urbanística a serem observados. A Prefeitura precisa consolidar o plano de ocupação da área (com as definições urbanísticas do uso da área) em um projeto de intervenção urbana (PIU), uma vez que o terreno está inserido em uma zona de ocupação especial (ZOE). É este instrumento urbanístico (PIU da ZOE) que deverá definir o programa de interesse público da área, ampliando as possibilidades de uso do terreno.

Como a vida da Cidade de São Paulo é dinâmica, há mais: o PIU da ZOE CEAGESP terá que conversar com outros PIUs em discussão na cidade – o Arco Pinheiros4, onde se insere a área da CEAGESP; e o PIU Vila Leopoldina-Parque Villa Lobos5, área que tangencia o terreno da CEAGESP.

Parece, ainda haver muito para ser articulado até a criação de um distrito de inovação na Cidade de São Paulo. Mas os ganhos que podem vir com ele fazem valer a pena.

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2 A CEAGESP foi criada em 31/05/1969, resultado da fusão entre o Centro Estadual de Abastecimento (CEASA) e a Companhia de Armazéns gerais do Estado de São Paulo (CAGESP), mantidos pelo governo do Estado de São Paulo. Em 1997, a CEAGESP foi federalizada em decorrência de um acordo de negociação da dívida do Estado de São Paulo com a União.

4 Detalhes do PIU Arco-Pinheiros em <https://participe.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/#/arco-pinheiros>. Acesso em 7/2/2019.

5 Detalhes do PIU Vila Leopoldina-Parque Villa Lobos em <https://minuta.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/piu-vila-leopoldina/#/>. Acesso em 7/2/2019.


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