Casa JOTA

TRATAMENTO DE DADOS

Como uma análise espacial de dados pode ser estratégica nas eleições

Webinar do JOTA demonstrou como usar a ferramenta GeoDa, uma plataforma que transforma dados em mapas

Eleições nos Estados Unidos: dados podem ajudar campanhas e Análise espacial eleiçõesleitorais
Eleições nos Estados Unidos: como dados podem ajudar campanhas / Foto: Pexels

Como usar ferramentas básicas disponíveis no programa GeoDa, uma plataforma que transforma dados de tabelas em mapas e permite ao usuário produzir análise espacial de dados, foi tema de um webinar em inglês realizado pelo JOTA, em parceria com o Insper, nesta sexta-feira (30/10). O encontro, focado na produção de análises das eleicões, contou com a presença de Marcelo Marchesini da Costa, professor assistente e coordenador do Programa Avançado em Gestão Pública no Insper, e Matthew C. Ingram, professor no Department of Political Science at the Rockefeller College of Public Affairs and Policy at the University at Albany.

Os professores ensinaram algumas das possibilidades de interpretações a partir dos resultados eleitorais do pleito municipal de 2016 no Brasil, com foco na eleição para vereador no município de São Paulo, e também da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

Na eleição em São Paulo, Marchesini demonstrou, por exemplo, como tirar conclusões ao comparar os bairros onde quatro candidatos a vereador tiveram mais e menos votos. Neste quesito, os professores debateram que os dados podem ser estratégicos para se pensar uma campanha eleitoral.

“A partir dos mapas, podemos responder uma questão básica, como ‘onde podem estar meus votos?’. Há várias outras perguntas que se seguem, como ‘onde vou focar minha campanha?’. São várias as possibilidades de interpretação”, disse Marcelo Marchesini.

Até mesmo para candidatos novos, que ainda não concorreram a nenhuma eleição, esse modelo de análise pode trazer uma vantagem.

“Se eu estou concorrendo pela primeira vez como dados espaciais podem me ajudar? Primeiro que saber como as pessoas votaram para outros candidatos é super útil, mas você também pode adicionar informações, por exemplo, sobre onde ficam os parques na sua cidade e como votaram as pessoas que moram nessas regiões, caso sua estratégia seja promover política ambiental. Muitas estratégias podem ser usadas com dados espaciais”, afirmou Marchesini.

Em seguida, Ingram apresentou as possibilidades a partir dos votos conquistados por Donald Trump e Hillary Clinton, em 2016. Uma das demonstrações foi sobre como analisar as abstenções de votos no estado de Michigan, que tem forte presença de eleitores democratas.

Na cidade de Detroit, por exemplo, 45% da população apta a votar, segundo o professor americano, não escolheu Hillary Clinton. “Por alguma razão, neste forte estado democrata as pessoas não escolheram Clinton. Parte disso pode ser atribuído a uma intimidação de votos, falta de informação. Outra parte pode ser interpretada como uma espécie de desapontamento da população com a candidata democrata”, disse.

A partir das exposições, afirmaram os professores, é possível observar que as ferramentas básicas são importantes não apenas para análises eleitorais, mas podem auxiliar também profissionais de saúde, educação, economia, comunicação, entre outros. “É uma ferramenta poderosa para os tomadores de decisão porque é possível fazer análises de previsões”, apontou Marchesini.

Os especialistas transmitiram, ainda, algumas dicas para começar a encontrar as bases de dados, como procurar repositórios públicos de informações sobre saúde, educação e segurança, além de institutos nacionais de estatística como o IBGE no Brasil.

“Esse tipo de análise, em geral ainda é pouco usada, mas vejo uma movimentação de crescimento nos últimos dez anos. O que vejo que é esses resultados exigem um trabalho intelectual por trás”, avaliou Ingram.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito