Carreira

Direito

Cursos de extensão ensinam de psicologia judiciária a programação para advogados

Modalidades de curta duração complementam conhecimentos que não são aprofundados na faculdade

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Crédito: Pixabay

Além das tradicionais matérias e aulas cursos de Direito, os futuros advogados também encontram uma série de cursos de extensão com temas considerados “diferentes” e que não abordam diretamente a linguagem jurídica, mas podem valorizar os profissionais da área no mercado de trabalho.

É o caso de cursos como lógica de programação para advogados, Legal Growth Hacking, psicologia judiciária, inglês acadêmico para advogados, entre outros que são oferecidos por escolas especializadas em cursos de extensão e pelas próprias faculdades de Direito.

De acordo com Erik Nybo, CEO da Edevo, uma escola que oferece cursos de de inovação e negócios. Entre diversos cursos, está o Legal Growth Hacking, que ajuda o advogado a analisar e identificar problemas em todo o processo de conquista de um cliente, criando soluções dentro do meio jurídico, como ferramentas de contrato online.

“Quando analisamos o crescimento de uma empresa, temos que analisar o passo a passo para alguém se tornar um cliente. Muitas vezes, advogados não são ensinados a gerir o próprio escritório, vender seus serviços ou a criar produtos”, afirmou Nybo.

Apesar disso, o curso não ensina somente soluções jurídicas para melhorar a captação de clientes. As aulas, que são presenciais e possuem carga horária total de 15 horas, também ensinam o advogado sobre estrutura de gestão, métricas, análise de dados e funil de vendas, neuromarketing e técnicas de venda.

Para cursar as aulas, não é necessário conhecimento avançado em técnicas de vendas ou ferramentas digitais. “É interessante porque alguns dos advogados falam que não sabiam sobre a existência desse tipo de conteúdo e afirmam que a visão sobre suas carreiras mudou”, explicou Nybo.

A advogada Thais Vasconcellos, especializada na área de startups, foi aluna do curso de Legal Growth Hacking. Ela explica que uma das razões para ter feito o curso foi a sua área de atuação profissional, que obriga o advogado a ter noções de tecnologia e gestão.

“Por ser mentora de uma aceleradora, passei a ter contato com especialistas de outras áreas, como marketing e empreendedorismo. Percebi o quanto a advocacia é defasada nesse conteúdo. Não nos formamos com noção de gestão, administração e vendas”, diz a advogada.

Com 15 anos desde que se formou na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ela explica que decidiu focar a sua carreira em habilidades que possam complementar o seu saber jurídico. “Quando tive acesso a essas tecnologias, senti a necessidade a adequar a minha carreira”, declarou a advogada.

No mesmo viés tecnológico, a Edevo também oferece aulas de lógica de programação para advogados. Nas aulas, os estudantes desenvolvem um produto digital com comandos de programação. “Tem aluno que cria um sistema de contratos automatizados, inserção de dados, tudo de forma automática. A intenção não é que o profissional se torne um programador, mas que saiba utilizar essas ferramentas”, afirmou Nybo.

Ele acrescenta que o público do curso varia entre sócios de escritórios, advogados em início de carreira, departamentos jurídicos de empresas, estudantes de 20 anos e profissionais da faixa etária de 50 a 70 anos.

“Os negócios passaram a ter um componente digital. Se o profissional não tem isso como um realidade, quando todas as empresas migrarem para o digital, inclusive com os processos jurídicos, ele terá dificuldades em atender os clientes dessa nova era”, explicou o CEO da Edevo.

Psicologia Judiciária

Além do campo tecnológico, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) oferece o curso de extensão “Psicologia Judiciária: o universo da lei, o comportamento humano e as emoções”.

O curso é coordenado pela professora Evani Zambon, que ocupou o cargo de psicóloga Judiciária chefe do setor de psicologia das varas de família e sucessões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Para ela, o estudo da psicologia e “facetas” do ser humano ajuda os profissionais do Direito a compreenderem melhor casos jurídicos e até mesmo lidar de forma mais satisfatória com os estresses e pressões da rotina de um advogado.

“Um casal que busca uma solução no Judiciário é apenas uma parte do problema. Há raízes emocionais de histórico familiar, religioso, social dentro de um processo. O advogado que assumir esse caso precisa ter essa consciência de todo esse contexto psicológico envolvido”, explicou Evani.

Ela acrescenta que “conseguir a sentença é só uma parte resolvida. Os envolvidos também querem uma resolução dos aspectos emocionais de suas vidas”.

O curso é presencial, com carga horária total de 36 horas. Além de advogados, há também o interesse de estudantes e profissionais da psicologia que pretendem atuar no Judiciário. Os interessados no curso terão aulas de matérias como relações entre Direito e psicologia, saúde mental, crime e Justiça, criminologia e vitimologia, evolução psicossocial e cultural da visão de família, entre outros conteúdos.

Outra opção de curso de extensão para advogados é o de inglês acadêmico, oferecido pelo Damásio Educacional. Segundo Vanessa Pancioni, diretora dos cursos preparatórios, a modalidade de inglês acadêmico é indicada para advogados, juízes e promotores que pretendem ter uma especialização, mestrado ou doutorado.

“É um diferencial para o mercado, mas essas especializações necessitam de uma carga alta de leitura acadêmica em inglês. Além disso, muitas vezes, há a necessidade de escrever parte de trabalhos de conclusão desses cursos no idioma”, explicou Vanessa.

Segundo ela, o curso também serve para auxiliar alunos que desejam encaminhar suas carreiras para a diplomacia, que exige um maior conhecimento da língua inglesa, inclusive em fases mais avançadas de provas de seleção na área.

Sobre a necessidade de se fazer cursos de extensão, Vanessa acredita ser uma tendência para profissionais em momentos diferentes de suas carreiras devido ao conteúdo “direcionado e segmentado” que é oferecido aos advogados.

“O mercado exige uma atualização e aprofundamento desses conhecimentos segmentados. É uma oportunidade para que os profissionais do Direito não fiquem parados em suas carreiras”, afirmou a diretora.

Ela acrescenta que, pelo fato de o Direito “instrumentalizar” e ter a presença de diversas outras áreas de conhecimento, que muitas vezes não conseguem ser abordadas durante a faculdade, o mercado tende a valorizar profissionais que buscam uma extensão em áreas mesmo que indiretamente relacionadas ao Direito. 


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