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“Ano eleitoral será voltado para a estratégia”, diz Carlos Ferrari

Sócio do NFA Advogados, que cresceu 20% no último ano, fala sobre as apostas do escritório em 2018

Carlos Ferrari, sócio do NFA Advogados
Carlos Ferrari, sócio do NFA Advogados

JOTA abre, nesta segunda-feira (01/01), uma série de matérias sobre o balanço dos escritórios em 2017 e as expectativas para 2018.

O escritório NFA Advogados não tem do que reclamar de 2017. No período, a banca apresentou um crescimento de 20% no número de profissionais. As áreas com maior destaque de faturamento, segundo o  sócio Carlos Ferrari, foram aquelas diretamente impactadas pela crise econômica: repactuação e renegociação de dívidas (mercado de capitais voltado ao setor imobiliário), além da execução de garantias para a recuperação de créditos (contencioso cível bancário).

Uma queda sentida ao longo do último ano, foi na área de emissão de dívidas corporativas de longo prazo. De qualquer maneira, segundo o sócio, o escritório desenvolveu estratégias para mitigar surpresas indesejáveis. O comportamento geral da demanda foi ligeiramente acima do esperado e com boas chances de encerrar o ano com resultados acima do planejado.

Segundo Ferrari, o ano eleitoral de 2018 “será voltado para estratégia”. “As atividades jurídicas serão essenciais para o melhor planejamento, preparação e reorganização de negócios”, afirma. “É como a “relargada na fórmula 1”, todos os carros estão realinhados e os pilotos sabem que em algum momento deverão acelerar”.

As principais apostas do escritório para manter o crescimento no próximo ano são as áreas de Previdenciário e Direito Trabalhista.

Leia a entrevista com Carlos Ferrari, sócio do NFA Advogados:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2017?

As áreas com maior destaque foram, ainda, aquelas que estão impactadas pela crise econômica: repactuação e renegociação de dívidas (mercado de capitais voltado ao setor imobiliário), bem com a execução de garantias para a recuperação de créditos (contencioso cível bancário). Além dessas áreas, trabalhos envolvendo o dia a dia de fundos de investimento, especialmente fundos imobiliários, representaram porção relevante dos serviços prestados pelo escritório no ano.

Quais áreas tiveram retração em 2017?

A emissão de dívidas corporativas de longo prazo.

Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?

Estamos acompanhando desde 2015 os efeitos inerentes à retração econômica bem como o seu impacto nas atividades tipicamente demandadas pelos clientes. A partir disso, desenvolvemos algumas estratégias para mitigar quaisquer surpresas indesejáveis. Na prática, o comportamento geral da demanda ficou ligeiramente acima do esperado e com boas chances de encerrar 2017 com resultados acima do planejado.

Quais as grandes vitórias da banca em 2017 tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo?  

Inovação. Tivemos que rapidamente ajustar o plano de negócios à nova realidade econômica e social. No aspecto operacional e administrativo, desenvolvemos uma estrutura multifuncional com a formação de equipes de trabalho (clusters ou squads), com responsabilidades, metas, objetivos específicos para cada atividade. Esta mecânica nos permitiu atuar com maior agilidade, com substancial ampliação da velocidade e capacidade de entrega dos trabalhos, bem como descentralizar algumas burocracias organizacionais, sem a perda da integração e qualidade.

Prática. Tivemos destaque com o aumento da rapidez para conduzir, defender e concluir os trabalhos de excussão de garantias extrajudiciais (execuções realizadas diretamente com os cartórios de imóveis, fora do judiciário). A estrutura ágil e eficiente, com sócios diretamente atuantes na condução diária das questões, nos deixa mais próximos do perfil de clientes cada vez mais exigentes.

Expertise. O ano de 2017 trouxe um aumento significativo no número de clientes que procuraram o escritório para assessoria legal e acompanhamento de excussão de imóveis alienados fiduciariamente em todas as regiões do país. Esse aumento, os resultados que o escritório tem apresentado nesse campo, e o fato de que uma das principais instituições financeiras do pais tem crescentemente contratado nossos serviços nessa área, rapidamente transformaram essa matéria uma das principais especialidades do escritório.

 E as derrotas mais sentidas?

A atividade de captação de recursos em mercados financeiro e de capitais, apesar da rápida queda da taxa de juros e inflação, ainda está bastante abaixo da capacidade de oferta.

O que esperava que aconteceria neste ano que na prática não se concretizou?

A recuperação o mercado de novas ofertas iniciais (IPO) de cotas de Fundos de Investimentos Imobiliários. Houve um relevante incremento nos trabalhos, porém boa parte das operações não se concretizaram por razões mercadológicas, entre outros aspectos.

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2018?

Em razão das reformas e interferência governamental, as áreas de Direito Previdenciário e Trabalhista começam a se desenvolver com maior relevâncias.

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia em 2018 num contexto ainda de instabilidade política e econômica?

O ano eleitoral será voltado para a estratégia. As atividades jurídicas serão essenciais para o melhor planejamento, preparação e reorganização de negócios. É como a “relargada na fórmula 1”, todos os carros estão realinhados e os pilotos sabem que em algum momento deverão acelerar. Aquele mais atento e mais preparado poderá ganhar posições e sair na frente.

Em 2017, vários escritórios apareceram nas delações da JBS sob acusação de emitirem notas falsas e outros advogados foram acusados de intermediar propina por outros delatores. A imagem da advocacia saiu arranhada neste ano?

Essa prática é repugnante. A lisura e ausência de conflito de interesses na condução da advocacia são elementos essenciais e indispensáveis para qualquer advogado. A presença de advogados (ou melhor pseudo-advogados) é lamentável e deve ser fortemente coibida pela sociedade. Os graves erros de alguns poucos, claramente mal intencionados, não possui o condão de arranhar a imagem da advocacia, mas apenas destes indivíduos.

Quais as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2018?

Fortalecimento das estruturas de garantia e questões fiduciárias, bem como o aprofundamento da compreensão do aspecto sistêmico da indústria imobiliária e seus efeitos na cadeia produtiva.

Este foi o ano da reforma trabalhista. E no ano que vem, que lei será o destaque?

Existe uma expectativa de demandas inerentes às questões societárias (organização sucessória e empresas patrimoniais, em razão da tributação dos FIPs patrimoniais). Além disso, as questões tributárias, em geral, ganharão relevância diante da previsão e nova redução da taxa básica e da inflação. Verifica-se, ainda, o amadurecimento de estruturas voltadas à captação de recursos em mercado de capitais (novas regulamentações da CVM e Bacen) e a expectativa de emissões de Letras Imobiliárias Garantidas – LIG e a atividade de securitização.

Raio-x do escritório

Crescimento percentual: Aproximadamente 20% para 2017 ante 2016

Número de sócios: 7 (sete)

Número de advogados: 42 (quarenta e dois)


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