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Fundo de Investimento de Advogados em LawTechs

4 cenários possíveis para o futuro do mercado jurídico brasileiro

Pixabay

No dia 06 de junho de 2017, junto com aproximadamente 1.000 indivíduos, – em sua maioria membros de grandes bancas e departamentos jurídicos das maiores empresas do país –, no Insper, fundamos oficialmente uma entidade que vai ter papel fundamental no futuro do mercado jurídico brasileiro.

A AB2L, – Associação Brasileira de LawTechs e LegalTechs –, nasce congregando mais de 30 empresas de tecnologias que ambicionam resolver problemas relevantes do mercado jurídico. Na reunião interna que precedeu o evento, ficou decidido que o ingresso de advogados individuais, escritórios e empresas será fundamental para o melhor andamento da instituição. Em breve, o site da AB2L (ab2l.net.br) apresentará informações a respeito dos mecanismos de inscrições dos interessados.

Além disso, diante do grande número de aproximações feitas por advogados interessados em investir em tais empresas, passamos a desenvolver uma nova iniciativa muito relevante. Trata-se da construção de fundo de investimento destinado exclusivamente ao setor das LawTechs. O conceito é criar uma rede de profissionais bem colocados que além de contribuírem com relacionamento, concedam combustível financeiro para que pequenas empresas nascentes se tornem gigantes.

Só para ter uma dimensão do mercado, nos Estados Unidos, em 4 anos, o valor de investimento em LawTechs duplicou, e o número de deals triplicou. Assim, somente em 2016, 67 deals foram concretizados e U$ 155 M investidos. Aproximadamente meio bilhão de reais em apostas no futuro do mercado jurídico!

Diante disso, listo abaixo 4 cenários possíveis para o futuro do mercado jurídico brasileiro, partindo da premissa básica de que tal segmento será completamente alterado por conta de plataformas tecnológicas nos próximos anos.

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1º Cenário – Uso de tecnologia estrangeira (o pior cenário).

Fundamento: O ecossistema de LawTechs brasileiro não possui capacidade técnica e financeira para criar boas empresas de tecnologia focadas no mercado jurídico. Os mercados norte americano e europeu evoluem rapidamente, o Brasil é visto como um mercado potencial a ser explorado, sem chances para sobreviventes…

Futuro: Escritórios travam batalhas para impedir a entrada das LawTechs estrangeiras não tendo muito sucesso. Não acredito que seja possível criar a barreira normativa da mesma forma que se fez em relação aos grandes escritórios estrangeiros no passado. A tecnologia já demonstrou que vence, mais cedo ou mais tarde, qualquer tipo de barreira (Vide: Napster e Spotify).

2º Cenário – As LawTechs crescem alheias ao mercado existente (não acredito, diante do grande interesse de grandes escritórios já demonstrado pelas LawTechs).

Fundamento: Escritórios e grandes profissionais do mercado ficam alheios ao movimento crescente, LawTechs se estruturam de forma independente com recursos típicos de VCs, progressivamente comem mercados.

Futuro: Escritórios travam batalhas para impedir a entrada das LawTechs nacionais não tendo muito sucesso. Não acredito que seja possível criar a barreira da mesma forma que taxistas não conseguiram barrar o Uber (Apesar dos advogados serem muito mais fortes, e terem a capacidade de fazerem uma carnificina no mercado de LawTechs nacional). Se isso ocorrer, acredito que seguimos novamente para o 1º Cenário. O espaço deixado no oceano é ocupado por LawTechs estrangeiras.  A tecnologia já demonstrou que vence, mais cedo ou mais tarde, qualquer tipo de barreira (Vide: Napster e Spotify).

3º Cenário – Os escritórios compram suas LawTechs (acho que esse cenário pode existir inicialmente, mas ele acaba por se tornar o 1º Cenário em pouco tempo).

Fundamento: Grandes bancas começam a comprar a integralidade de LawTechs ou participações com grande controle. As LawTechs passam a ser parte dos grandes escritórios (teria que vencer uma barreira normativa existente), e estes passam as defender suas LawTechs como parte do time.

Futuro: A maior parte das LawTechs acaba sendo replicadas pelo número de escritórios disponíveis a entrar na briga. Os mercados passam a ser limitados para as LawTechs. Empresas clientes de escritórios “concorrentes” são bloqueadas. Apesar dos escritórios tentarem se adaptar aos novos tempos, não possuem a agilidade e liberdade de criação. Empreendedores de LawTechs que no momento um foram seduzidos pela estrutura, recursos financeiros e até bônus no ato de “venda” passam a ficar insatisfeitos. Partem para outras e deixam as empresas sem liderança. Não há carnificina, mas não há inovação. Mais uma vez, se isso ocorrer, acredito que seguimos novamente para o 1º Cenário.

4º Cenário – Criação de um Fundo de Advogados focado em investir em LawTechs (aproveita-se a mentoria e a rede de relacionamento dos grandes advogados atuais e se mantém a liberdade de criação e expansão das LawTechs).

Fundamento: Os profissionais de escritórios e departamentos jurídicos, mais antenados com a mudanças, e com uma perspectiva mais colaborativa, acreditam em uma nova instituição apta a contribuir com as LawTechs.

Futuro: Há grande sinergia entre grandes profissionais do mercado jurídico atual e empreendedores de LawTechs. Mentoria + Relacionamento + Recursos Financeiros adequados + Boas ideias + Bons empreendedores = LawTechs brasileiras bem-sucedidas. O mercado brasileiro, diante de suas particularidades, oportuniza o desenvolvimento de grandes soluções tecnológicas. O mercado brasileiro passa a ser pequeno para o Fundo e suas empresas, o Brasil passa a ter a oportunidade de brigar em nível mundial. Acionistas ricos e seguros no futuro tecnológico.


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