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New York Stories cantadas por Judy Niemack

Danish Radio Big Band toca com a vocalista, em arranjos de Jim McNeely

Foto: divulgação

Nascida na Califórnia, há 64 anos, a cantora Judy Niemack teve formação clássica convencional até conhecer a música do lendário saxofonista Warne Marsh (1927-1987). E é ela mesma quem conta: “Fui a primeira vocalista a estudar com Warne. Ele tratou-me como se eu fosse uma instrumentista de sopro (‘horn player’), e mandou-me assimilar solos de Charlie Parker e Roy Eldridge, dentre outros. Foi com Warne que aprendi a improvisar – o que ele chamava de composição instantânea”.

Judy Niemack estudou também no New England Conservatory, e mudou-se para Nova York em 1977, iniciando uma carreira registrada em 12 álbuns, na companhia de jazzmen do quilate de Lee Konitz, Fred Hersch, Kenny Barron e Cedar Walton. Casou-se com o guitarrista belga Jeanfrançois Prins, na década de 1990, e ambos fixaram residência na Alemanha, onde ela passou a chefiar o departamento de jazz do Institut-Berlin.

Esta introdução é para melhor situar, no tempo e no espaço, uma jazz singer extraordinária que não é top star, mas que já mereceu o seguinte comentário do veteraníssimo crítico Dan Morgenstern, ex-editor da revista Downbeat: “Se você quer saber o que pode ser o verdadeiro jazz singing (o que é muito raro) ouça Judy Niemack. Ela é um músico no sentido mais verdadeiro da palavra, tendo dominado o seu instrumento (a bela voz), escolhido sua linguagem e criado o seu próprio estilo”.

Isto posto, recomenda-se vivamente o recentíssimo álbum New York Stories (Sunnyside Records), seleção de nove peças interpretadas pela vocalista à frente da Danish Radio Big Band – uma das melhores orquestras de jazz da Europa, integrada por 19 músicos (5 trompetes, 5 trombones, 5 saxofones, guitarra, piano, baixo e bateria).

big band é conduzida pelo também pianista, compositor e arranjador Jim McNeely, que mereceum parágrafo à parte. Hoje com 69 anos, ele firmou sua reputação não só como pianista do quarteto de Stan Getz, na década de 1980, e do quinteto de Phil Woods, nos anos 90. Mas sobretudo como “composer-in-residence” da Vanguard Jazz Orchestra, que se apresenta todas as segundas-feiras no Village Vanguard de Nova York. Há pouco mais de 15 anos, formou um excelente tenteto, registrado no CD Group Therapy (OmniTone, 2001). Ele foi também arranjador da Frankfurt Radio, à frente da qual gravou A Single Sky (Green Leaf, 2009), tendo como solista onotável trompetista Dave Douglas.

Assim é que Judy Niemack não poderia ter escolhido parceria melhor para fazer do novo álbumNew York Stories o ponto culminante de sua discografia. A começar pela faixa-título (9m40), composição de Jeanfrançois Pins, com letra e recitativo escritos pela vocalista, que também não deixa de exibir os seus dotes de improvisadora na arte do scat singing.

Quatro números da setlist são recriações de reverenciadas composições de Thelonious Monk, das quais a mais “melódica” e conhecida é Round midnight (9m05). As outras peças retiradas do “livro” monkiano, também longas, recebem títulos novos seguidos dos originais: Suddenly/Inwalked Bud (7m), crazy song to sing/Misterioso (11m20) It’s over now/Well, you needn’t(6m40).

A Danish Radio Big Band e os arranjos de McNeely são tão fundamentais para o sucesso do álbum como a performance de Judy Niemack. Há ainda espaço bastante para vibrantes solos instrumentais, como o de sax alto em Suddenly e o de trompete em It’s over now.

(As faixas New York stories e It’s over now podem ser ouvidas em:

sunnysidezone.com/album/new-york-stories)


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