Jazz

Comemorações

Grammy: Emanon de Wayne Shorter confirma favoritismo

Cécile Salvant é tricampeã na categoria de melhor álbum de jazz vocal

Foto: divulgação

Emanon (Blue Note), de Wayne Shorter, comemorativo dos 85 anos do saxofonista-compositor, confirmou o favoritismo, e ficou com o Grammy de “best jazz instrumental álbum” de 2018, anunciado no último domingo, na festiva solenidade realizada no Staples Center, Los Angeles.

Como já registrara esta coluna (25/8/18), o álbum triplo (unicamente em versão física) contém um total de seis faixas registradas em apresentações ao vivo do quarteto do gigante do jazz, em Londres, em 2015: The three Marias, Lost and orbits medley, Lotus, She moves through the fair, Adventures aboard the golden mean e Prometehus unbold. No volume com a Orpheus Chamber Orchestra, gravado em 2013, estão também no programa Prometheus, Lotus e Three Marias, além da inédita Pegasus. Todas, é claro, composições de Wayne Shorter.

Já a cantora Cécile McLorin Salvant está comemorando o tricampeonato como Grammy winner. O seu The Window (Mack Avenue) ganhou o “Gramofone de Ouro” na categoria “best jazz vocal album”, como tinha ocorrido nos dois anos anteriores com o duplo Dreams and Daggers (2017) e For One to Love (2016), ambos também lançados pelo selo Mack Avenue.

A vocalista nascida em Miami há 29 anos, filha de um médico haitiano e de uma professora francesa, começou a brilhar em 2010, quando venceu a Thelonious Monk Jazz Competition. No mais recente referendo dos críticos da revista Downbeat (agosto de 2018), Cécile Salvant foi a mais votada, à frente de Lizz Wright, Sheila Jordan, Esperanza Spalding e Dee Dee Bridgewater.

Em The Window, a tricampeã Cécile tem como acompanhante, em quase todas as 17 faixas o pianista Sullivan Fortner, que toca órgão em J’ai L’Cafard (cantada em francês, assim como o original À clef). Em The peacocks, do saudoso Jimmy Rowles, brilha também, como convidada, a excelente saxofonista Melissa Aldana, nascida no Chile, e que ganhou em 2013, quando tinha 24 anos, a Thelonious Monk Jazz Competition.

Ainda na seara do jazz, o trompetista, arranjador e chefe de orquestra John Daversa levou nada menos de três Grammys por seu álbum American Dreamers: Voices of Hope, Music of Freedom (BFM Jazz), com uma big band formada por músicos imigrantes beneficiados pelo programa Deferred Action for Childhood Arrivals (Daca). Este programa foi criado, em 2012, pelo então presidente Barack Obama, para regularizar temporariamente estrangeiros em situação ilegal que tinham chegado aos Estados Unidos quando ainda crianças. Mas está sob a mira do presidente Donald Trump.

No que também soou como uma “declaração política” contra o Governo Trump e seus “muros”, os jurados do Grammy premiaram o CD American Dreamers nas categorias “best large jazz ensemble”, melhor solo improvisado (do trompetista, na faixa Don’t fence me in) e melhor arranjo (faixa Stars and Stripes forever).

A orquestra dirigida e arranjada por John Daversa reuniu 53 dreamers, residentes em 17 estados americanos, e nascidos em outros tantos países, a maioria da América Latina. Nove das 18 faixas do álbum são breves testemunhos de alguns dos jovens músicos-imigrantes.

(Samples de The Window podem ser ouvidos em:itunes.apple.com/us/album/the-window/1419855490)

(Samples de American Dreamers em:www.prostudiomasters.com/album/page/22593)


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