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Carreira 4.0: o mundo corporativo e o profissional T

Houve época em que se discutia o valor da visão geral versus especialização. Isso é passado. Empesas agora querem ‘tudo’

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Crédito: Pixabay

A carreira no mundo corporativo 4.0 é um dos maiores desafios da atualidade.

O contexto tem mudado muito rapidamente e em vários aspectos e dimensões, exigindo adaptação constante.

O que “valia” há alguns anos já se transformou, como nos organismos —  e são tantos pontos que uma série de artigos não seria suficiente para abordarmos todo o tema.

Uma avaliação profunda seria ampla e complexa ao mesmo tempo, ao precisar envolver liderança, noção e gestão de equipe, motivação, envolvimento, resiliência, gerações, desejos atuais das empresas e das pessoas, lealdade reciproca, tempo nas organizações, resultados a todo custo, qualidade de vida, inteligência emocional, exemplos, modelo e processo educacional, formato dos cursos e formação dos professores, ensino de modo geral etc.

As “novas competências” (sem nos esquecermos das já abordadas distinções entre os “technical skills x soft skills” – que se alteram e migram do primeiro para o segundo grupo ao longo da carreira, rumo a senioridade) incluem “vários conceitos” como: visão sistêmica e ampla, senso analítico e crítico, num  mundo digital, capacidade de perceber cenários diversos e dinâmicos e tomar decisões, considerar fatores complexos e diversos, e correlaciona-los de imediato, alta performance emocional, comportamental e profissional etc.

Tudo agora deve gerar aprendizado, o conhecimento “está aí”, o tempo todo e em tudo. Tudo deve gerar reflexão e aprendizado. Esse é o novo profissional.

A pessoa é agora mais global, mais interativa, e quem mais cedo percebe tudo isso e melhor se adapta, torna-se mais “completo”, “preparado” e interessante. Esse novo “individuo” corporativo lê sobre tudo, assiste todo tipo de filme, visita exposições inovadoras, viaja para lugares dispares (dos mais comuns e próximos, aos menos imaginados/lembrados…)

Em várias aulas, reuniões e artigos o mesmo mote e pano de fundo já foi abordado, em especial no cenário jurídico, mas é recorrente essa dúvida nos profissionais em geral.

Há pouco escrevemos sobre o “técnico versus a visão do todo” nas empresas, mas profissionais de outras áreas nos perguntam se essa questão (que já chamamos, também, de falso dilema, ou muito antigo) seria exclusivamente nos departamentos jurídicos e a resposta é “não” – é geral!

O chamado Profissional T tende a ser o mais “demandado” nos próximos anos. Até pelo fato de que as empresas querem cada vez menos profissionais, e que entendam de mais assuntos e “façam mais coisas”.

Há uma enorme injustiça social, profissional e corporativa, quando se analisa a “carreira toda”, pois tem sido crescente a procura por especialistas jovens e generalistas maduros (seniores). Ou seja, se forma especialistas e mais tarde se “espera” que esses mesmos especialistas sejam mais “horizontais”? Sim…

Muitos nos perguntam – No mundo corporativo atual o que “conta mais”?

As competências esperadas (por ao menos uns 8 entre 10 CEOs) são muitas, desde a liderança e o espirito de equipe, a resiliência e a capacidade de adaptação, o conhecimento amplo “do negócio”, a efetiva “entrega”, a visão do todo, a atualização permanente, a curiosidade e o “mão na massa”, a inovação, o domínio de certos idiomas e tecnologias etc. Mas o “Profissional T”, que pode ser de “qualquer área ou formação original”, certamente é um dos que mais se adapta a esse momento nas empresas.

Houve épocas em que ainda se discutia o valor ou importância da visão geral x especialização. Isso é passado…. As empresas agora querem “tudo”.

Na criação de um novo possível produto ou serviço, por exemplo, a inovação é crítica, mas a viabilidade econômica também, assim como a agilidade, a existência provável de fornecedores e clientes/consumidores, adequação a aspectos regulatórios, público alvo, tecnologia e mão de obra disponíveis e adequadas, logística etc. (tudo isso dentre vários outros fatores); e se de um lado esse exemplo pode vir a necessitar de várias ou de todas as áreas e equipes numa empresa entre a pesquisa e o desenvolvimento, e a “prateleira”, de outro é preciso que o “criador” já tenha uma “super noção” dessas outras questões. Ou a ideia “não vira nem projeto”!!!

Como não se pode imaginar que alguém seja especialista em tudo (seria ineficaz e mesmo impossível), do ponto de vista do profissional é preciso que se escolha alguns ramos ou áreas do conhecimento para concentração, para que sejam áreas de efetivo “domínio”, mas é igualmente fundamental que se tenha visão geral.

Ou seja, agora temos que atuar “na horizontal e na vertical”, formando justamente o “T”.

Em todos (ou quase) os departamentos e áreas das empresas tem sido assim, e é claro que no departamento jurídico também.

Pode ser complexo para quem não estiver acostumado, ou que acredite ter dificuldades para atuar nas duas dimensões, mas é preciso.

Pontos extremamente técnicos podem demandar sim um “super especialista”, mas isso será “pontual”, e pode ser “comprado na hora”, ao passo que o profissional que tenha um bom conhecimento de uma fatia maior do que a empresa necessita, “sairá na frente”.  E terá muito mais chances de encantar executivos superiores, conselhos e investidores.

Executivos “não jurídicos” certamente não precisam “dominar o Direito”, mas se tiverem dele uma “boa noção”, serão bem mais “completos e preparados”, assim como “devem” ter habilidades com gente, números, logística, contabilidade, “marketing’ e outras áreas a depender do segmento em que atuarem.

Ou seja, a atual “Revolução e a Indústria 4.0” ainda nos desafiam, mas quanto mais cedo a ela nos acostumarmos e com ela aprendermos a lidar, mais felizes seremos, e certamente melhores profissionais também.

Parte dessa questão é ligada ao modelo educacional e de formação de profissionais brasileiro, que insistem em não se modernizar, e em ignorar o que as empresas agora precisam.

Todos estamos observando e aprendendo com essa nova realidade, que (repetimos) é dinâmica e se auto alimenta na transformação.

Considerando que a formação acadêmica básica de um profissional leva ao menos dez anos (muito mais se englobarmos toda a educação infantil, fundamental e média, assim como as “pós-graduações” e cursos complementares) o assunto é extremamente urgente e importante, mas não bastará que as escolas “percebam” essa necessidade, se professores, editoras, educadores, mantenedoras, “conselhos profissionais”, “ministérios e secretarias de educação”, e mesmo os “chefes” das novas gerações nas empresas não se “atualizarem” também.

Estamos vivendo “um tempo” de profissões novas, mas também de reinvenções de atividades, e isso “muda tudo”.

Quem viver verá!!!

Esse é apenas um recorte do que estamos percebendo no mundo corporativo atual em termos de carreira e profissional diferenciado.


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