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Advogados precisam se adaptar às novas tecnologias

LawTech Conference apresentou o mapa das LegalTechs no Brasil e debateu o futuro da advocacia

Pixabay

Advogados trajam terno, usam abotoaduras e recitam latim. Uma aparência e formalismo um pouco – para não dizer muito – datada para o século XXI. Ao mesmo tempo, lida com os interesses de pessoas e corporações com visões muito mais modernas.

“Estamos atrasados com relação ao resto do mundo”, diz Bruno Feigelson, presidente da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) e CEO da Sem Processo. “O advogado será sempre indispensável, mas precisa se conectar com a nova realidade e se adaptar”.

As adaptações estão longe de ser apenas de forma, mas principalmente às novas tecnologias que estão revolucionando o trabalho jurídico. Este foi o tema da LawTech Conference, realizada última terça-feira (10/10), em São Paulo. O evento foi organizado pela StartSe e contou com diversas startups do universo jurídico. Na ocasião, foi lançado o radar das LawTechs e LegalTechs no Brasil.

A principal questão que permeou grande parte das palestras foi: os advogados serão substituídos por máquinas? A resposta é negativa, mas a maioria dos palestrantes não tem dúvidas de que a inteligência artificial vai transformar o mundo da advocacia. Trabalhos burocráticos e braçais irão diminuir e o advogado precisará se adaptar para utilizar e gerenciar novas tecnologias.

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Mais eficiência e precisão

Para Rodrigo de Campos Vieira, advogado do TozziniFreire, advogados vão ser importantes nas questões de regulação e interpretação sobre normas relacionadas a Bitcoin, Blockchain, questões de privacidade, regras de intermediação, registros públicos, entre inúmeros outros novos temas. Segundo o advogado, a profissão deve encontrar novos caminhos para se manter relevante.

“A tecnologia vai operar a nosso favor e servir como instrumento para exercemos nossa profissão com mais eficiência e precisão”, afirma Vieira. “Assim, poderemos nos dedicar a pesquisar novos temas numa sociedade que resolverá conflitos de maneira mais célere”.

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Além da tecnologia, os valores da nova geração de profissionais, os millenials, também estão reformulando os escritórios. Para Vieira, o mercado deseja uma advocacia mais oxigenada, o que vai afetar o ambiente tradicional do escritório e torná-lo mais moderno e inovador. O caminho, porém, ainda está sendo construído.

Gráficos nas petições

Feigelson lembra que a intenção das LawTechs não é acabar com o trabalho dos advogados – até porque são escritórios e departamentos jurídicos os principais clientes das startups.

“Há um mundo de liberdade e oportunidade, um ambiente de horizontalidade. Quem é bom vai aparecer”, diz, lembrando o caso da Galinha Pintadinha, cuja produção depois de ser recusada por um canal de TV viralizou no YouTube e se tornou um sucesso estrondoso.

Além da tecnologia, os advogados precisam abrir os olhos também para a análise de dados. “O advogado distanciado não cabe mais nesta realidade mais analítica e científica. Hoje, analisar o Judiciário é enxergá-lo em números. As próximas petições terão de ter gráficos. O subjetivismo vai acabar”, analisa.

Uma nova economia?

Os debates extrapolaram o universo jurídico e, em determinado momento, versaram sobre a economia em geral. Segundo Cristiano Kruel, da StarSe, as mudanças trazem uma fantástica oportunidade – não uma terrível ameaça, como veem os mais pessimistas.

Kruel citou a Lei do Retorno Acelerado, de Ray Kurzweil, que percebeu que nossa intuição sobre futuro é linear, quando na realidade a expansão da tecnologia da informação se dá de forma exponencial. “Com 30 passos lineares, chegamos ao número de 30 metros. Com 30 passos exponenciais, chegamos a um bilhão de metros”, exemplifica.

Em 2007, segundo Kruel, não foi aberto shopping nos EUA e, pior, entre 2005 e 2015, 20% dos shoppings foram fechados no país. Por outro lado, entre agosto de 2007 a 2017, o valor de mercado da Amazon passou de US$ 30 bilhões para US$ 470 bilhões.

Além disso, o LinkedIn prevê que em 2020 cerca de 43% da força de trabalho nos EUA será composta de freelancers. E 65% das crianças que estão entrando na escola hoje vão trabalhar em algo que ainda não existe.


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