Departamentos Jurídicos

Empresas

O departamento jurídico daqui a 20 anos: vamos nos preparar?

Que tipo de advogado existirá, para fazer o que, e com quais competências?

Imagem: Pixabay

Grande parte da excelência na gestão decorre da capacidade e da habilidade (que temos, ou não) de estimar cenários, e para eles nos preparamos. A própria evolução humana tem comprovado que quem melhor se adapta vai mais longe, e podemos inferir que aqueles que puderem ser mais rápidos nessa adaptação terão ainda mais ferramentas a seu favor se puderem, também, planejar e se preparar. Sabemos que planejar é sempre um desafio, ainda mais num país como o Brasil, tão dinâmico e instável, assim como que é tarefa de fôlego imaginar como serão os departamentos jurídicos daqui a 20 anos.

Difícil mesmo, muito difícil. Mas é necessário que ao menos tentemos imaginar como será a nossa realidade nesse futuro “médio”, para que decisões tomadas “agora” estejam alinhadas com esse projeto. E, naturalmente, os devidos ajustes ocorrerão ao longo do período.

Claro que está que ninguém “acertará na mosca”, mas acreditamos que quem mais perto dela conseguir chegar e melhor se preparar, colherá melhores resultados. Imaginar como deve ser o mundo e a sociedade em geral, e como devem ser as empresas e o nosso país, já será um grande esforço que poderá ajudar bastante.

Que produtos e serviços que hoje conhecemos ainda existirão? Quais desaparecerão? Quais será totalmente diferentes e em que medida? O que será que as empresas (as que conhecemos hoje, e que até lá sobreviverem, serão necessariamente diferentes, e as novas nem sabemos ainda como serão, mas temos que tentar imaginar) farão, como atuarão, que seguimentos despontarão, que rotinas serão alocadas aos departamentos jurídicos, que recursos existirão, quais serão os gargalos, quais serão as oportunidades, que tipo de desafio será mais complexo, que tipo de profissional (e com quais competências) o mercado exigirá? Como trabalharemos e onde? Como nos comunicaremos? Atuaremos em equipes ou em redes? E tantas outras questões. O mais seguro e conservador seria simplesmente nos acomodarmos e “deixarmos o futuro no futuro”. Mas isso não seria planejar.

Os primeiros anos do Século XXI foram, de certa forma, dedicados a uma certa “transição” de modelo de mundo – do “antigo” para o contemporâneo. Do “finalzinho” do Séc. XX para o “comecinho” do Séc. XXI, podemos traçar uma certa faixa de ajuste, do que aqui chamamos de “antigo” para o que ainda podemos apelidar de “moderno” (embora já estejamos na fase “pós-moderna” – nesse sentido).

Foi uma fase de muitas “novidades” para quem esteve no mercado de trabalho nessa época de transição, e com muitos desafios – como foram os de atuar já com a realidade da internet, dos “smartphones”, da mudança do foco dos grandes fundos de investimentos, das “guinadas” políticas nos principais países, o planeta globalizado, e a vida mais digital. Foi a fase também das restrições mais acentuadas (de tempo, de espaço, de pessoas, de dinheiro…).

Empresas, países e todos nós de alguma forma vivemos agora esta nova realidade (de hoje), e temos a certeza de que estamos vivendo a chamada nova revolução industrial. E a “tecnologia”, que permeia tudo isso que vemos e vivemos, tem cada vez mais impacto em todos os aspectos das nossas vidas, seja no aspecto pessoal seja no profissional ou no político, ou no social e em todos os demais. Novos tempos mesmo. E que mudarão cada vez mais e mais rapidamente.

Surgem com tudo isso, muitos desafios. Por exemplo – o que é antigo e o que é moderno? E por quanto tempo o que hoje vivemos continuará a ser assim? Se as mudanças são cada vez mais constantes, rápidas e profundas, como nos prepararemos para elas? Máquinas e humanos conviverão – em que medida? As certezas que tínhamos ainda são possíveis? O que precisaríamos saber e ainda não sabemos?

Por maior que sejam a reflexão e o impacto, em todo o Planeta, temos que pensar também no “nosso dia a dia”. Ou seja, como tudo isso vem transformando e afetará crescentemente os departamentos jurídicos das empresas; e a advocacia corporativa como um todo?

Nossa vida (no caso, nosso trabalho) será realmente facilitada ou apenas diferente? E em que medida? Nosso trabalho mudou, a profissão mudou, o que seremos e faremos no futuro? Que tipo de advogado existirá, para fazer o que, e com quais competências?

Certamente todos concordam que a ainda chamada “tecnologia” está tão integrada em tudo o que fazemos, que por vezes fica difícil imaginar (na verdade nos lembrarmos) como vivíamos “antes”. Ou como fazíamos as coisas antes.

Há poucos anos comprávamos viagens em agências físicas de viagem, íamos às agências bancárias para tudo ligado a operações financeiras, comprávamos carros, hospedávamo-nos em hotéis, procurávamos por taxis nos “pontos”, tirávamos fotografias com filmes de rolo, e nos utilizávamos de guias impressos para encontrar uma rua – sem contar o telefone apenas fixo, no trabalho, em casa e nas calçadas/ruas.

TUDO mudou!! E mudará ainda mais. Mas quanto, com que rapidez, em que direção? Como será o meu trabalho em 20 anos – para que eu tente me planejar e me preparar para “esse novo trabalho”? Ou até – o meu trabalho existirá?

Há “poucos anos” as empresas ainda utilizavam telégrafo/telex, fax, correio, máquinas de escrever, telefones fixos, mimeógrafos, todo tipo de papel, vendas por catálogo, pesquisas físicas e presenciais nas bibliotecas, reuniões apenas presenciais, tinham sedes grandes e suntuosas, benefícios importantes para os colaboradores, havia previdência social real, havia secretárias etc. Não mais! Tudo isso mudou, e mudará mais e mais – e de forma continua!! A realidade é essa.

Se de um lado temos que perceber e aceitar as “mudanças”, e conseguir usufruir das melhorias, além de termos que nos adaptar ao que é novo, de outro sabemos que temos que “correr” mais do que elas para estarmos sempre atualizados e preparados.

Você pretende esperar o “futuro chegar” para apenas então tentar se preparar para ele (o que já será impossível)? Claro que não! Muitos desafios e muitas perguntas: Como pensar um futuro que por definição não conhecemos e como nos tentarmos preparar para o mundo corporativo “high-tech”, digital, virtual, automatizado, interconectado? O que as “máquinas” farão e o que os humanos farão nas empresas em 20 anos? E que tipo de profissional (e com que características, competências e desafios) terá lugar nesse mundo corporativo ainda em construção?

A lista continua: O que as empresas esperarão de seus advogados será provavelmente muito semelhante – que sejam executivos com foco no resultado e totalmente inseridos no negócio. Mas de que forma? Fazendo exatamente o que? E como essas tarefas serão realizadas? Que novos desafios virão? Como serão as nossas equipes?

Até onde essa revolução e essa inovação irão? Como serão as nossas vidas e os nossos trabalhos no futuro? Haverá advogados em posições realmente jurídicas? Advogados conversarão com advogados ou com sistemas? Que novas profissões existirão e se relacionarão com a jurídica?

Temos, logicamente, muito mais perguntas e dúvidas do que respostas, mas isso é bom, pois demonstra termos à nossa frente uma “folha em branco”. E toda a criatividade neste momento é igualmente aceita.

Esse mundo novo e futuro, que a muitos apavora e a todos deixa inseguros, que todos temos à nossa frente – é tão temido quanto desejado, pois todos podem sonhar, e “correr atrás” desses sonhos. Todos podemos fazer as nossas apostas sobre esse mundo corporativo 5.0, e termos a nossa estratégia para nos prepararmos para essa realidade. E para prepararmos nossas equipes!

Será, provavelmente, uma época de muita transformação das relações pessoais e profissionais, com o fim de muitas tarefas e profissões, e o nascimento de novas, inclusive com novos desafios jurídicos que demandarão ferramentas e posturas que ainda nem conhecemos.

Mesmo no campo mais jurídico propriamente dito… O que o Estado fará? O que exigirá (além de impostos)? O que será regulado? Haverá sindicatos? O Judiciário terá sido reformulado? O contencioso de massa ainda existirá? O processo eletrônico será totalmente virtual?

As “certezas” são agora muito poucas e tendem a diminuir, o que pode ser maravilhoso, pois juntos estaremos num novo “tabuleiro”, com regras novas, e um mar de oportunidades – do “oceano azul” à seleção natural. Sabemos que são as perguntas que movem o mundo, e a humanidade; e que nos fazem refletir, buscar alternativas, inovar e evoluir.

Que venham, então as perguntas”. Procuremos dentro de nós mesmos, e com a mais genuína curiosidade, o “admirável mundo novo” que nos encantará e desafiará “logo ali”….

Como será o mundo daqui a 20 anos? Que perguntas podemos ou devemos fazer para tentarmos nos preparar? Como nos prepararemos para esses desafios futuros?

Vamos buscar informação e conhecimento. De que forma? Serão cursos, serão imersões, serão livros, serão treinamentos, serão a maturidade e a experiência que nos ajudarão? Vejamos…

Como mencionamos acima, e com a ilustração de alguns exemplos, quem nasceu nos anos 2000 não tem a menor ideia de como foi o século anterior e não sabe, por exemplo, que se levava horas para re-datilografar uma minuta de um documento, e dias para se revelar um filme fotográfico, ou mesmo para conseguir uma “linha” para um telefonema internacional, além da necessidade de irmos a cada fórum e cartório pessoalmente e escrever tudo “a mão”, pesquisar apenas em livros e periódicos fisicos (dentre muitos outros pontos).

Essa vivência e essa experiência do antigo será apenas jogada fora ou saberemos aproveitar tudo isso no futuro? Talvez um dos desafios esteja em aprendermos a conviver justamente com o tradicional/antigo de um lado, e com o novo/moderno de outro – de forma harmônica e positiva, celebrando o melhor de ambos.

Alguns exemplos (já mencionados) dessa transição nos mostraram as diferenças entre o “mundo sem internet” e o “mundo com internet”, o mundo da economia nacional e o da globalização, a cultura das grandes linhas de montagem e a da segmentação e terceirização, o mundo analógico e o digital, as reuniões presenciais e as virtuais, a tecnologia limitada e a total e em todos os lugares – dentre tantos outros. A ponto de já ser ultrapassada a noção de “empresa de tecnologia”, pois já não há lugar para as que não estiverem inseridas nessa realidade.

Na passagem dos anos 2010 para os 2020, se considerarmos esse “comecinho” de século como a conclusão da transição, chegamos, portanto ao Séc XXI “para valer”. E agora? O futuro (como nossos “pais” imaginavam) chegou… Repetimos, então – E agora? Se o futuro chegou e chegará cada vez mais rapidamente, deveremos, também, chegarmos a adaptação relâmpago. E o que ainda será diferente? Como será a advocacia corporativa nos próximos anos?

Haverá lugar para o ser humano num mundo tão permeado de robôs, “softwares”, sistemas, aplicativos, inteligência artificial etc? Se essa realidade chegou aos departamentos jurídicos das empresas de forma tão pesada e marcante, e avançará ainda mais, o que será realizado pelas pessoas nos próximos anos?

Como será o futuro da advocacia corporativa? E como nos vamos preparar para essa realidade que nem conhecemos?.

Para que nos possamos planejar, e conquistar conhecimento e competência para os desafios futuros, precisamos estar realmente muito bem preparados para os atuais, e tentar estimar os novos/futuros. E como se pode tentar fazer isso?

Alguns dos melhores gestores de departamentos jurídicos internos de empresas provavelmente já contam com grande parte do que costumamos chamar de melhores práticas na gestão estratégica, passando pelas melhores equipes, gerando os melhores indicadores, utilizando a mais nova tecnologia, integrando com independência a alta gerência e apoiando os negócios e os “Business Partners” – tendo a seu dispor os recursos e a estrutura necessários para o seu trabalho.

Esse patamar, que para a maioria das empresas ainda é um sonho e uma meta talvez já seja realidade para alguns poucos, mas mesmo esses não sabem como será o futuro.

Talvez um dos possíveis caminhos para se tentar estimar esse “futuro” para ele nos prepararmos, seja observarmos como justamente o mundo está mudando e com ele as empresas, e a direção a ser seguida. A advocacia corporativa seguirá, certamente, o mesmo norte.

Quanto mais nos aproximarmos das estratégias e dos planejamentos estratégicos das empresas, melhor nos poderemos organizar e preparar para atuar no universo corporativo, em sintonia com o que de nós se espera.

Esse é um dos temas que a atual realidade dos departamentos jurídicos inovadores mais demanda, e que mais se estuda e debate nos diversos foros que já temos no País. Procure conhecer mais. Pode ser útil a você, e a sua equipe!


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito