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Tecnologia

Sem regulação, 5G não chegará ao Brasil por gerações

1º entrave está na disponibilidade das faixas de frequência necessárias ao funcionamento das redes 5G

Imagem: Pixabay

A chegada da quinta geração de redes móveis pode ser uma revolução. Em conexões 5G, a velocidade da transferência de dados poderá chegar a 20 gigabits por segundo, mais de 700 vezes a velocidade obtida na mais rápida rede 4G brasileira.

Esse novo paradigma de conectividade móvel leva a chamada Internet das Coisas a outro patamar. Graças ao 5G, por exemplo, todos os veículos automotores de uma cidade poderiam funcionar interconectados, com ou sem condução humana. Seria possível implementar sistema de tráfego que impedisse a colisão de automóveis – eventos que acarretam mais de 1,35 milhão de mortes por ano segundo a Organização Mundial da Saúde.

O leque de possibilidades que o advento do 5G abre é amplo o bastante para abarcar funcionalidades de entretenimento, como a transmissão instantânea de vídeos de altíssima resolução; a automatização integral de parques industriais e infraestruturas residenciais; a prestação mais eficiente de serviços públicos, e a telemedicina.

Enquanto o 5G será uma realidade em países como Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e China ainda este ano, o Brasil pode ficar gerações para trás. O primeiro entrave está na disponibilidade das faixas de frequência necessárias ao funcionamento das redes 5G.

Na faixa que deve ser escolhida pela Anatel para o primeiro leilão (3,5 GHz), ainda sem data, há apenas 200MHz disponíveis, e estima-se que sejam necessários ao menos 100MHz para que as redes 5G funcionem adequadamente. A escolha de Sofia é entre reduzir o mercado a dois players ou reduzir os blocos leiloados, o que diminuiria a velocidade e ampliaria a latência do 5G brasileiro.

A aposta mais promissora não parece ser a descaracterização precoce da quinta geração no país. Com vigilância e sofisticação regulatória, é possível tutelar os anseios consumeristas por qualidade e modicidade. Ademais, especialmente quando altos investimentos são necessários, a concentração de mercado tende a funcionar como um facilitador do processo de desenvolvimento e implementação das infraestruturas necessárias.

Esse é o caminho que especialistas, como Bengt Nordstrom, têm sugerido para a Europa – que também ficou para trás, não tanto quanto (potencialmente) o Brasil, na corrida pelo 5G.

Em paralelo, a Agência deveria apostar na adequação de outras faixas de frequência à internet móvel – permitindo a posterior entrada de mais atores no segmento, inclusive para explorações comerciais mais restritas, como soluções específicas de IoT para grandes empresas ou cidades.

Como ressaltou Mats Granryd, Diretor-Geral da Global System for Mobile Communications – GSMA, “o sucesso na era do 5G dependerá da capacidade dos Governos de implementarem regulações orientadas para o futuro, que encorajem investimentos consistentes, incentivem a inovação e protejam os consumidores”.


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