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História

ExCelso: A instalação, não unânime, do crucifixo no plenário do Supremo

Só em 1978 o crucifixo assinado por Alfredo Ceschiatti foi aposto no plenário do STF

A instalação do crucifixo no plenário do Supremo. Fonte: Jornal do Brasil

Aliomar Baleeiro, ministro do Supremo de 1965 a 1975, era agnóstico e rejeitava a ideia de um crucifixo no plenário do tribunal. Quando presidiu o Supremo, entre os anos de 1971 e 1973, decidiu colocar atrás de sua cadeira o quadro “Os Bandeirantes de Ontem e de Hoje”, do artista plástico japonês Massanori Uragami.

A obra, conforme site do Supremo, “traça um paralelo entre as bandeiras de Fernão Dias Paes Leme, os desbravadores da Transamazônica e a fundação de Brasília”.

Em agosto de 1973, depois de jantar na casa de Hermes Lima, com Evandro Lins e Silva – ambos cassados em 1969 pela ditadura – e com Oswaldo Trigueiro, registrou em seu diário a opinião do colega – Trigueiro, ministro de memória prodigiosa – sobre seu sucessor no comando do STF. “OT disse que Eloy não sairá da presidência sem pôr um Cristo no pleno”, registrou na última frase de seus registros daquele dia.

Mas Eloy da Rocha não fez isso. O painel de Athos Bulcão que hoje adorna o plenário do tribunal foi instalado em 1976. E só em 1978 o espaço reservado para um crucifixo foi preenchido pela obra de Alfredo Ceschiatti – uma cruz de 56 centímetros por 52 centímetros. Na presidência do ministro Thompson Flores e para registro na primeira página do Jornal do Brasil.

Leia mais: ExCelso: As duas cadeiras vazias no plenário do Supremo

Na semana passada, o Supremo reconheceu a repercussão geral no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1249095. Em discussão, a aposição de símbolos religiosos em prédios públicos e o conflito com a laicidade do Estado brasileiro.

O relator do processo é o ministro Ricardo Lewandowski que, da sua casa, tem participado das sessões de julgamento por videoconferência, tendo sobre sua cabeça, na parede de seu escritório, também um crucifixo.

Em 2007, o CNJ decidiu que a instalação de crucifixos nos tribunais não conflita com a laicidade do Estado. E esta deve ser a mesma decisão do Supremo, quando o assunto for levado a julgamento.

* A coluna ExCelso é um espaço para lembrarmos e discutirmos a história do Supremo Tribunal Federal por meio de imagens, documentos, entrevistas, livros. A coluna será publicada semanalmente e traz em seu nome uma referência ao atual decano, Celso de Mello, que, pela função e temperamento, funciona como a memória do tribunal. Quem assiste às sessões já se acostumou às suas referências que, não raro, vão até o Império e às Ordenações Filipinas, do século XVI. 


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