Mercado

Crime financeiro

MPF e PF apuram insider trading em vazamentos da taxa Selic ao BTG Pactual

Operação ‘Estrela Cadente’ se baseou em acordo de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci

Imagem: Pixabay

Operação deflagrada nesta quinta-feira (3/10) pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em São Paulo apura se o Banco BTG Pactual operou no mercado financeiro usando informações privilegiadas (insider trading) sobre alterações na taxa de juros Selic antes de decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, entre 2010 e 2012.

Segundo divulgado pelo MPF, a operação apelidada de “Estrela Cadente” se baseou em informações do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que confessou, em delação premiada, que o ex-ministro Guido Mantega teria vazado informações para André Esteves, sócio do BTG Pactual.

Com as informações, Esteves teria utilizado-as “em favor de um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual, que, com elas, teria obtido lucros extraordinários de dezenas de milhões de reais”.

A instituição financeira foi alvo de busca e apreensão nesta quinta. A intenção dos investigadores é comprovar o possível cometimento do insider trading e apurar “o fornecimento de informações sigilosas por parte da cúpula do Ministério da Fazenda e do Banco Central”.

Além de insider trading, os órgãos de persecução também apuram corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e ocultação de ativos.

Em nota, o Banco BTG Pactual informou que o Fundo Bintang FIM, alvo da investigação, “possuía um único cotista pessoa física, profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à CVM, que nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o banco ou qualquer de seus sócios”.

De acordo com informações do jornal “O Estado de S. Paulo”, Palocci teria dito em delação que o patrimônio do fundo teria crescido de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões em três meses com o uso de informações privilegiadas referente à Selic.

O fundo teria acertado a inesperada redução da taxa Selic, de 12,5% para 12% ao ano, no fim de agosto de 2011, na contramão do mercado financeiro.

O cotista único do fundo era Marcelo Augusto Lustosa de Souza, segundo apurou o JOTA. Ele era o responsável pelas estratégias dos investimentos. Segundo o BTG, ele não tinha ligação com a instituição financeira.

Leia a íntegra da nota do BTG Pactual:

Esclarecemos que, em relação às diversas notícias veiculadas sobre a operação denominada “Estrela Cadente”, recebemos pedidos de informação do MPF referentes à operações realizadas pelo Fundo Bintang FIM. O Fundo possuía um único cotista pessoa física, profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à CVM, que nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o Banco ou qualquer de seus sócios. O Banco BTG Pactual exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo.


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