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BNDES disponibilizará crédito a juros menores ligados a metas ESG

Banco anunciou condições especiais para setores capazes de reduzir poluição e ampliar conectividade

Crédito: Wikimedia Commons

Empresas que assumirem e cumprirem metas de avanço em seu desempenho ambiental, social e de governança – ESG, na sigla em inglês conhecida globalmente – terão condições mais vantajosas em acesso a crédito do BNDES. O principal incentivo será a redução na taxa de juros vinculada a contrapartidas e objetivos.

O banco anunciou nesta semana o lançamento do BNDES Crédito ASG (versão da sigla em português), destinado a empresas da cadeia da madeira de reflorestamento, fabricantes de equipamentos para energia renovável e eficiência energética, mineração, siderurgia e provedores de internet de pequeno porte. O intuito é que a oferta de crédito seja estendida para outros setores no futuro.

De acordo com o BNDES, o foco nesses segmentos se deve à ligação com a agenda ESG e pela necessidade de apoio rumo a tecnologias mais limpas. Além disso, o último setor direcionado, em que o impacto em potencial deve ser mais social, foi escolhido devido ao aumento da oferta de conectividade ser uma das metas do Plano Trienal do BNDES 2020 -2022.

Embora o cumprimento de objetivos ESG determine a redução da taxa de juros, os recursos não necessariamente devem ser destinados a projetos específicos ou socioambientais. A iniciativa vai ao encontro do aumento da tomada de dívida ligada a esses objetivos pelas empresas, que já vem sendo observado no mercado.

Cada empresa poderá obter até R$ 150 milhões em empréstimos, havendo disponíveis R$ 1 bilhão em orçamento para a iniciativa até 2023. Estipulada em 1,5% ao ano, além de juros e taxa de risco de crédito relacionada ao perfil dos clientes, a remuneração do BNDES poderá ser reduzida em até 0,4% se contrapartidas e metas estipuladas forem atingidas.

Entre as obrigações gerais, que servirão a todas as empresas participantes, estão a publicação anual de política de responsabilidade socioambiental; inclusão de focos prioritários em educação e diversidade nos investimentos sociais da empresa; e a divulgação de relatório de sustentabilidade anualmente. Somado a isso, ela escolherá duas metas ESG pretende cumprir.

Após estudo em parceria com o governo britânico, o BNDES elencou como opções de objetivos: obter uma certificação ambiental ou social que a empresa ainda não possua; realizar inventário de redução da emissão de gases de efeito estufa ou de captura de carbono; ampliar em pelo menos 10% a proporção de fornecedores do Norte e do Nordeste; aumentar a base de clientes de banda larga, no caso dos provedores de internet de pequeno porte.

A iniciativa do BNDES se enquadra nos esforços para a COP26, conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas que acontecerá em novembro em Glasgow, no Reino Unido. Alok Sharma, presidente da COP26, esteve no Brasil nesta semana e foi recebido pelo vice-presidente Hamilton Mourão sem a presença de Jair Bolsonaro (sem partido). Entre as metas para o Brasil, Sharma pediu o comprometimento em zerar as emissões até 2050 e acabar com o desmatamento ilegal até 2030.