Do Supremo

Organizações antidemocráticas

Moraes prorroga inquérito das milícias digitais por mais 90 dias

Ao abrir investigação, Moraes disse ver indícios de organização criminosa, com núcleos de financiamento e politico

Inquérito das milícias digitais é prorrogado por mais 90 dias
O ministro Alexandre de Moraes / Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta segunda-feira (10/1) por mais 90 dias o Inquérito 4.874/DF, apelidado como “inquérito das milícias digitais”. A medida visou atender a necessidade de prosseguimento das investigações e a existência de diligências em andamento. A extensão vale a partir do prazo final anterior (6/1). Leia a íntegra do despacho.

A investigação foi aberta no último mês de julho, na sequência do arquivamento do Inquérito 4.828/DF, sobre atos antidemocráticos. A Procuradoria-Geral da República havia pedido, em 4 e 17 de junho do ano passado, que o Supremo arquivasse o inquérito dos atos antidemocráticos. Entretanto, o entendimento da PGR conflitou com as manifestações da Polícia Federal, que defendeu que deveriam ser abertas novas linhas de investigação para apurar, por exemplo, o envio de dinheiro ao exterior para financiar manifestações antidemocráticas e se houve tentativa de obstrução dos trabalhos da CPI das Fake News. A PGR, entretanto, não quis abrir novas investigações e pediu o arquivamento do inquérito.

No inquérito das milícias digitais, são investigados fatos como o recebimento de valores no exterior pelo site Terça Livre, do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, e possível lavagem de dinheiro. Ao abrir a investigação, Moraes afirmou que “há fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e politico”.

De acordo com a PF, alguns dos integrantes do núcleo político que atuariam na organização seriam o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro.

Em agosto, o ministro Alexandre de Moraes determinou, no âmbito do inquérito das milícias digitais, a prisão preventiva do ex-deputado federal Roberto Jefferson, atendendo a um pedido da Polícia Federal.

Na decisão, salientou que a “organização criminosa, ostensivamente, atenta contra a Democracia e o Estado de Direito, especificamente contra o Poder Judiciário e em especial contra o Supremo Tribunal Federal, pleiteando a cassação de seus membros e o próprio fechamento da Corte Máxima do País, com o retorno da Ditadura e o afastamento da fiel observância da Constituição Federal da República”.

Allan dos Santos, do Terça Livre, também foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro, mas se encontra foragido nos Estados Unidos.