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Moraes: há indícios de que cinco empresários financiaram propagação de fake news

Segundo ministro, grupo ‘Brasil 200 Empresarial’ colabora para impulsionar notícias falsas

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão plenária. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Ao autorizar diligências da Polícia Federal nesta quarta-feira (27/5), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), viu indícios de que grupos de disseminação de notícias falsas nas redes sociais são financiados por cinco empresários.

São eles: Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan; Edgard Corona, presidente da Smartfit; Otavio Oscar Fakhoury, investidor; Reynaldo Bianchi Junior, palestrante; e Winston Rodrigues, coordenador do Bloco Movimento Brasil. Leia a íntegra de decisão de Moraes sobre a rede de desinformação. O ministro determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Hang, Corona, Bianchi e Rodrigues. 

Moraes diz, em sua decisão, que há informações de que os empresários “integrariam um grupo autodenominado de ‘Brasil 200 Empresarial’, em que os participantes colaboram entre si para impulsionar vídeos e materiais contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes”. 

O ministro afirma que investigações feitas até agora no âmbito do Inquérito 4.781, que apura disseminação de notícias falsas e ameças e ataques ao STF, mostram que há uma “real possibilidade de existência de uma associação criminosa”, que foi denominada pelos deputados federais Joyce Hasselman e Alexandre Frota como “Gabinete do Ódio”.

Essa estrutura estaria “dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, de acordo com a decisão de Moraes.

“As informações até então acostadas aos autos, inclusive laudos técnicos, vão ao encontro dos depoimentos dos deputados federais ouvidos em juízo, que corroboram a suspeita da existência dessa associação criminosa”, diz o ministro do STF.

Na decisão de 32 páginas, Alexandre de Moraes detalha, inclusive com diagramas os influenciadores, parlamentares e financiadores desse esquema. Por isso, autorizou busca e apreensão nos domicílios de 16 pessoas que estariam envolvidas na propagação de notícias falsas: Allan Lopes Dos Santos, Bernardo Pires Kuster, Edson Pires Salomão, Eduardo Fabris Portella, Enzo Leonardo Suzi Momenti, Marcelo Stachin, Marcos Dominguez Bellizia, Rafael Moreno, Paulo Gonçalves Bezerra, Rodrigo Barbosa Ribeiro, Sara Fernanda Giromini, Edgard Gomes Corona, Luciano Hang, Otavio Oscar Fakhoury, Reynaldo Bianchi Junior e Winston Rodrigues Lima. 

Como se vê de tudo até então apresentado, recaem sobre os indivíduos aqui identificados sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito. Relatório técnico pericial encartado nestes autos, constatou a existência de um mecanismo coordenado de criação e divulgação das referidas mensagens entre os investigados”, diz Moraes.


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