Do Supremo

'República de Curitiba'

Gilmar Mendes: nós fomos cúmplices dessa gente ordinária

Ministro do STF diz que é preciso reconhecer falhas no modelo e que “descemos demais na escala da degradações”

Ministro Gilmar Mendes em sessão da 2ª turma do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (27/8) que é preciso reconhecer que o Supremo Tribunal Federal é cúmplice “dessa gente ordinária” e que a Corte também participou de um grande vexame.

A fala é mais uma crítica do ministro aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba diante de revelações das mensagens da chamada vaza jato, série de reportagens do The Intercept Brasil. As declarações ocorreram durante julgamento da 2ª Turma do Supremo que anulou a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine na Lava Jato.

Segundo o ministro, ao homologar delações da Lava Jato o Supremo também carimbou as supostas irregularidades que teriam sido praticadas pelos procuradores.

“É um grande vexame e participamos disso. Somos cúmplices dessa gente. Homologamos delação. É altamente constrangedor. Todos nós que participamos disso temos que dizer ‘nós falhamos’, disparou o ministro. “A República de Curitiba nada tem de republicana, era uma ditadura completa. (…) Assumiram papel de imperadores absolutos. Gente com uma mente muito obscura. (…) Que gente ordinária, se achavam soberanos”, completou.

Para o ministro, os procuradores são corruptos. “Gente sem nenhuma maturidade. Corrupta na expressão do termo. Não é só vender função por dinheiro. Violaram o Código Processo Penal”.

“Descemos demais na escala das degradações. Gente que tem que ter imparcialidade, que tem que ter decência e tem a obrigação de não fazer sobre a acusação um excesso, fazendo esse tipo de coisa”.

O ministro citou a nova matéria do caso apontando que os procuradores teriam tratado, por mensagens, do luto do ex-presidente Lula diante da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, de seu irmão Vavá e do seu neto Arthur.


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