Do Supremo

Reação

Gilmar ataca força-tarefa e diz que disputa de poder está em jogo

Ministro vê proposta de fundação da Lava Jato com objetivo eleitoral para os procuradores, chamados de cretinos

Ministro Gilmar Mendes durante sessão da 2ª turma do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Um dos principais críticos da força-tarefa da Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, aproveitou o julgamento que discute a competência da Justiça Eleitoral para processar crimes comuns conexos com delitos eleitorais para reprovar a atuação dos procuradores paranaenses.

Gilmar focou no polêmico acordo fechado pelo força-tarefa com a Petrobras que previa a criação de uma fundação para gerir R$ 2,5 bilhões que a estatal acertou com autoridades americanas por desgastes após o avanço da operação e prejuízo para acionistas.

Segundo o ministro, seria uma fundação bilionária que poderia servir para procuradores de Curitiba viabilizarem projetos eleitorais. Gilmar recorreu a “cretinos”, “infelizes”, “reles”, “desqualificados”,”ousadia de gente desqualificada” e “gentalha” para classificar os procuradores e os acusou de fazer ameaça a juízes.

“A fundação do Deltan Dallangnol foi criar um fundo eleitoral. Quantos votos teriam, quantas coisas teriam a disposição. Faria chover com esse dinheiro”, afirmou o ministro, ressaltando que  o caso “demonstrou que o trapezista morre quando pensa que voa”.

“O combate à corrupção da lucro. É preciso combater a corrupção dentro do Estado de Direito. Não se pode ameaçar pessoas, fazendo acordo com irmão como dono de escritório, pressionar por delações. Bendita fundação da Petrobras com R$ 2,5 bilhões. Nem sabemos o que isso significa. Assim se instalam as milícias”, completou.

O ministro ressaltou que é “preciso” ter cuidado nas apurações. “Quem investiga tem que observar o Estado de direito e não pode vilipendiar as pessoas desse jeito”.

“O que se trava aqui é uma disputa de poder. Quer constranger, amedrontar. Mas fantasma e assombração aparecem para quem nele acredita. São métodos que não honram as instituições. Eu vi o que fizeram no TSE com o ministro Napoleão [durante julgamento de pedido de cassação da chapa Dilma-Temer], vazando informações de última hora”.

O ministro ainda criticou ataques da força-tarefa ao presidente do Superior Tribunal de Justiça João Otávio de Noronha. Segundo Gilmar, o presidente do STJ merecia ser chamado de João Notável de Noronha. “Quem encoraja esse tipo de gente, gentalha, despreparada, não tem condições de integrar o Ministério Público. […] “Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”.

Gilmar Mendes ainda afirmou que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tem enfrentado problemas internos porque tem atuado para regularizar pagamentos. “Certamente não vai se pronunciar sobre isso”, disparou.

“É preciso ser transparente e dizer quanto ganha. É inadmissível tentar constranger juízes dessa forma. Vazando informações, atacando pessoas, vilipendiando a igualdades de armas. Não se pode permitir que essa Corte seja achincalhada por pessoas que não mereciam diploma de Pouso Alegre”.

O julgamento dividiu o plenário do STF. Nos bastidores, integrantes da Corte dizem que a revelação do acordo da fundação elevou as resistências à Lava Jato e cresceu a necessidade de se impor uma resposta aos procuradores. Ministros criticaram a campanha contra a Justiça Eleitoral e o discurso radical de que uma eventual decisão da Corte de deixar na justiça especializada crimes comuns conexos representaria o fim da Lava Jato.


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