Do Supremo

STF

Barroso diz que empregou tom excessivamente ácido em crítica ao STF

Em entrevista, ministro afirmou que tem gabinete no tribunal distribuindo senha para soltar corrupto

Barroso icms; sindical contribuição
Ministro Luís Roberto Barroso / Crédito: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Luís Roberto Barroso divulgou nota nesta quarta-feira (26/9) para afirmar que empregou um tom excessivamente ácido em crítica sobre  atuação do Supremo Tribunal Federal.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro afirmou que “no Supremo, você tem gabinete distribuindo senha para soltar corrupto. Sem qualquer forma de direito e numa espécie de ação entre amigos”.

Questionado sobre a qual gabinete se referia, Roberto Barroso permaneceu em silêncio e sorriu. O ministro disse ainda à reportagem “que tem gabinetes”. “Quando a Justiça desvia dos amigos do poder, ela legitima o discurso de que as punições são uma perseguição”, completou.

Na nota, Roberto Barroso explica que fez uma avaliação da corrupção no país. “Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, fiz uma análise severa da extensão e profundidade da corrupção no Brasil e uma crítica à própria atuação do Supremo Tribunal Federal na matéria. Todavia, o tom excessivamente ácido que empreguei não corresponde à minha visão geral do Tribunal. Há posições divergentes em relação às diferentes questões e todas merecem respeito e consideração”.

Na manhã desta quarta, após a publicação, o presidente do STF, Dias Toffoli, telefonou para Roberto Barroso e conversou sobre as declarações do colega.

Na entrevista ao jornal, o ministro reafirmou que a corrupção no país é sistêmica e aliança entre “corruptos, elitistas e progressistas” para que o combate a ela seja interrompido.

“A coisa mais importante que há no Brasil hoje é essa imensa demanda da sociedade por integridade, idealismo e patriotismo. É essa a energia que empurra a história e muda paradigmas. A corrupção foi produto de um pacto oligárquico celebrado entre parte da classe política, parte da classe empresarial e parte da burocracia estatal. Precisamos substituí-lo por um pacto de integridade”.

“O nível de contágio da corrupção uniu essas pessoas numa aliança entre corruptos, elitistas e progressistas. Eu não vou citar nomes porque não posso. Mas eu considero que esta é a última missão da nossa geração. Nós derrotamos a ditadura, a hiperinflação, obtivemos vitórias expressivas contra a pobreza extrema. A nossa última missão é empurrar a corrupção para a margem da história. E depois nós podemos sair do caminho”, disse o ministro.

 


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito