Do Supremo

Confusão

Após ouvir que STF é uma vergonha, Lewandowski pergunta se passageiro quer ser preso

Advogado fez um ato de repúdio à postura do ministro ao final do voo e diz que será conduzido para PF

Lewandowski
Crédito: reprodução

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), se desentendeu nesta terça-feira (4/12) com um passageiro durante um voo de São Paulo para Brasília.

O advogado Cristiano Caiado de Acioli, 39 anos, que estava na primeira fileira, perto de Lewandowski, chama o magistrado, que estava mexendo no celular, pelo nome: “ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando vejo vocês”.

O magistrado não gostou da crítica e perguntou: “vem cá, você quer ser preso?”. O advogado, então, questionou Lewandowski se não podia se expressar e o ministro pediu ao comissário de bordo que a Polícia Federal fosse acionada.

O homem retrucou: “Eu não posso me expressar? Chama a Polícia Federal, então”. Lewandowski insistiu, se direcionando ao comissário de bordo: “Chama a Polícia Federal. Você vai explicar para a Polícia Federal”.

Após esse fato, agentes da Polícia Federal se dirigiram até a aeronave e questionaram se Acioli iria se manter tranquilo ou procuraria um novo tumulto.

O advogado informou que apenas estava exercendo seu direito de livre manifestação. O agente da PF, diz Caiado, afirmou que o local não era adequado para protestos. Acioli afirmou ao JOTA que, então, se comprometeu a manter a tranquilidade durante o voo.

Na chegada a Brasília, no entanto, o passageiro decidiu fazer um ato de repúdio ao ministro e pediu uma salva de palmas a quem concordasse com ele sobre o sentimento de vergonha em relação ao STF. Segundo ele, houve apoio de outros passageiros.

Na saída, Acioli disse ter ouvido do ministro: “você é muito corajoso, hein!”. O homem afirmou que após os passageiros deixarem o aeronave, um técnico judiciário do STF o acompanhou para a retirada da bagagem e, agora, estaria sendo conduzido para a Superintendência da Polícia Federal.

“Eu estava exercendo apenas o meu livre direito de manifestação. As pessoas têm direito de sentir orgulho ou vergonha das instituições. Agora, é inacreditável um ministro usar o poder dele dessa forma”, disse Acioli ao JOTA.

O advogado é filho da subprocuradora-geral da República aposentada Helenita Amélia Gonçalves Caiado de Acioli, que foi procuradora-geral da República interina.

Acioli foi liberado no fim da tarde e não houve, segundo seus advogados, imputação de crime.

Em nota, a assessoria do ministro informou que: “ao presenciar um ato de injúria ao Supremo Tribunal Federal, o Ministro Ricardo Lewandowski sentiu-se no dever funcional de proteger a instituição a que pertence, acionando a autoridade policial para que apurasse eventual prática de ato ilícito, nos termos da lei.”


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