Regulação e Novas Tecnologias

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Proteção ao meio ambiente, energias renováveis e economia: algumas considerações

Responsabilidade ambiental e economia andam de mãos dadas

Imagem: Pixabay

Com o país ainda se recuperando de uma grave crise econômica, com a expectativa de que a economia cresça apenas 0,87% ao longo de 20191 pode parecer acessório falar sobre proteção ao meio ambiente e o papel das fontes renováveis na matriz energética brasileira.

De fato, adicionalmente aos compromissos assumidos internacionalmente pelo país no âmbito do Acordo de Paris2, há preocupações mais mundanas para que as empresas analisem mais criteriosamente a origem da energia utilizada em seus processos produtivos, sendo perceptível a redução de custos com energia elétrica em caso de utilização de fontes renováveis ou projetos de eficiência energética.

Considerando-se que a energia elétrica é um insumo imprescindível para a economia moderna, este é um custo incluso nos serviços e produtos vendidos pela generalidade dos empresários. Sendo assim, a redução do custo com energia elétrica sem que seja necessário recorrer a racionamentos ou redução da produção é uma oportunidade única para que as empresas reduzam o preço dos seus serviços ou mercadorias, usem os recursos adicionais para investimentos ou até mesmo aumentar a sua lucratividade.

Para que tais benefícios sejam colhidos, é necessário que haja uma análise adequada de quais as opções possíveis, opções estas dependentes do consumo de energia mensal da empresa, sendo as principais a utilização de projetos de Geração Distribuída, eficiência energética e até mesmo a migração para o Mercado Livre, alternativa disponível para consumidores livres, potencialmente livres ou especiais.

Cada uma dessas alternativas possui vantagens específicas, sendo mais adequadas para um perfil específico de consumo, sendo inclusive possível combinar o atendimento de sua carga por meio de um mix das opções acima citadas, sendo conhecidos projetos de eficiência energética para redução do consumo para climatização de ambientes, substituição de maquinário por outro mais eficiente em termos energéticos e projetos de cogeração de energia3.

Nenhuma dessas alternativas para a redução do consumo global da empresa é antagônica a possibilidades de utilização de projetos de geração distribuída ou mesmo a migração para o mercado livre.

Uma preocupação constante com a substituição do fornecedor de energia elétrica é sobre os custos que serão necessários para tal migração, particularmente compreensível num cenário econômico adverso.

Felizmente, conscientes do desafio que seria fazer um alto investimento inicial para uma série de empresas, várias das empresas ESCOs (Energy Services Company) operam num modelo menos oneroso para os empresários, permitindo que os equipamentos destinados à eficiência energética sejam alugados ou pagos exclusivamente com a economia efetuada na conta de luz456.

Para empresas que tenham consumo menor, projetos de microgeração e minigeração distribuída podem ser alternativas factíveis para a obtenção de redução dos custos com energia elétrica. Exemplar da atratividade da geração distribuída é o fato de existirem 109.075 usinas no país, concentradas principalmente nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo a potência instalada de 1,3 GW7.

Majoritariamente, os projetos de geração distribuída são de fonte solar fotovoltaica, sendo a segunda fonte utilizada as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH), mas muito menos utilizadas.

Desta forma, até considerando as excepcionais condições de irradiação solar no Brasil8, com a Região Nordeste apresentando os maiores valores de irradiação solar em todo o globo, estamos diante de uma indústria na qual o protagonismo do Brasil tem vantagens competitivas importantes e tangíveis benefícios ambientais.

Como resultado, o fomento à utilização de fontes renováveis, sobremodo a solar fotovoltaica, concilia a redução da emissão de gases do efeito estufa com a redução do custo da energia, sendo estimado que as reduções de custo já perceptíveis com a instalação de projetos de geração distribuída vão se acelerar rapidamente.

De fato, a International Renewable Energy Agency (IRENA) aponta que o custo ponderado da energia solar fotovoltaica no mundo caiu 77% entre 2010 e 20189, redução notável que demonstra uma tecnologia de rápido amadurecimento.

Para as empresas de maior porte, a migração para o chamado mercado livre pode ser uma alternativa atraente não somente pela redução e previsibilidade do custo da energia por um largo período de tempo, como também por possibilitar que as empresas escolham ter toda a sua carga atendida por meio de fontes renováveis.

Observa-se que esta já é uma tendência entre as maiores empresas do mundo, sendo verificado que em dezembro de 2018, 156 companhias ao redor do globo se comprometeram a ter 100% do seu consumo atendido por meio de energias renováveis, parte da campanha RE1001011.

Desta forma, responsabilidade ambiental e economia nos custos de um insumo tão fundamental quanto à eletricidade andam de mãos dadas, sendo um incentivo para empresas brasileiras, mesmo as de menor porte se juntar a um movimento global que busca contribuir com a redução da utilização de combustíveis fósseis na geração de energia elétrica.

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1 Focus – Relatório de Mercado. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus Acesso em: 11 set. 2019

2 No âmbito do Acordo de Paris o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. Disponível em: https://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris Acesso em: 11 set. 2019

4 Exemplificativamente, apontamos a Solução Completa da cpfl soluções. Disponível em: https://cpflsolucoes.com.br/como-atuamos/ Acesso em: 11 set. 2019

5 Taxa de sucesso na Ambio Eficiência Energética. Disponível em: http://ambiopar.com.br/areas-de-atuacao/ Acesso em: 11 set. 2019

6 A ENGIE proporciona ao cliente a alavancagem de seu core business e a responsabilidade das utilidades da ENGIE com garantias contratuais de disponibilidade. Disponível: https://www.engie.com.br/para-sua-empresa/eficiencia-energetica/ Acesso em: 11 set. 2019

7 Disponível em: http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/GD_Estadual.asp Acesso em: 11 set. 2019

8 A Região Nordeste apresenta os maiores valores de irradiação solar global, com a maior média e a menor variabilidade anual entre todas as regiões geográficas. Os valores máximos de irradiação solar no país são observados na região central da Bahia (6,5kWh/m²/dia), incluindo, parcialmente, o noroeste de Minas Gerais. Há, durante todo o ano, condições climáticas que conferem um regime estável de baixa nebulosidade e alta incidência de irradiação solar para essa região semiárida. (…)A irradiação média anual brasileira varia entre 1.200 e 2.400 kWh/m²/ano, bem acima da média da Europa, mas há no mundo regiões com valores acima de 3.000 kWh/m²/ano, como Austrália, norte e sul da África, Oriente Médio, parte da Ásia Central, parte da Índia, sudoeste dos USA, além de México, Chile e Perú. Disponível em: http://www.mme.gov.br/documents/10584/3580498/17+-+Energia+Solar+-+Brasil+e+Mundo+-+ano+ref.+2015+%28PDF%29/4b03ff2d-1452-4476-907d-d9301226d26c;jsessionid=41E8065CA95D1FABA7C8B26BB66878C9.srv154 Acesso em: 11 set. 2019

11 RE100 é uma campanha formada por algumas das maiores companhias do mundo, dispostas a ter 100% do seu consumo atendido por meio de fontes renováveis. Para mais informações: http://there100.org/companies


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