Departamentos Jurídicos

Departamento jurídico

Seu departamento jurídico é coerente?

Questão nem sempre é bem entendida nas empresas, e mesmo nas equipes

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Muito se fala sobre certo e errado, melhor ou pior, os “mais isso” e os “mais aquilo”, melhores práticas, caminhos certos, alta performance, resultados, mas será que falamos também sobre coerência? Alguém já propôs que se criasse “indicadores de coerência” nas empresas e nos departamentos jurídicos, e talvez em algum momento venhamos a tê-los. O famoso “walk the talk” é uma realidade na sua equipe, no seu departamento e na sua empresa? Há mesmo uma certa coerência entre o que se prega e o que se pratica? Ou há apenas “discurso”?

Essa questão nem sempre é bem entendida nas empresas, e mesmo nas equipes. E talvez seja importante que foquemos um pouco mais nesse assunto, de tanta importância e urgência. Algumas empresas anunciam, por exemplo, que são éticas, que são sustentáveis, que valorizam a diversidade, que tem preocupação social, que dão importância ao bom clima organizacional, à modernidade, à flexibilidade, que se preocupam com as pessoas, que o clima é informal e humano etc. Mas, são mesmo? Certas organizações se dizem muito “tecnológicas”, mas têm práticas, procedimentos e até equipamentos velhos e ultrapassados.

Tudo isso gera muita confusão, pois até mesmo para que você decida se quer trabalhar nesta ou naquela empresa, e se você “combina” com a empresa, é preciso que você perceba (na prática) se há ou não coerência. Se o seu chefe, por exemplo, prega uma coisa, e cobra ou pratica outra, é claro que não tem a coerência como valor e nem como principio.

Empresas que se dizem “éticas”, por exemplo – será que são mesmo? Será que esse é de fato um valor, e que permeia toda a empresa e as suas decisões e ações? Será mesmo que decisões difíceis e que exijam escolhas complexas são mesmo pautadas pela ética? A “famosa rádio corredor” pode “dizer” muito sobre uma empresa e uma equipe, e pode ser um bom “termômetro” acerca da coerência (ou da falta dela). Empresas que se dizem “humanas” – será que são mesmo assim quando se referem aos seus colaboradores e parceiros? Será os tratam dessa maneira (nos momentos mais delicados)?

Será que as empresas que apregoam a boa relação com os parceiros de fato se lembram disso nos momentos em que é necessário ser parceiro “do outro” e não apenas pedir que ele seja seu (parceiro)? Talvez tenha chegado a hora de se buscar a coerência. E de verdade!

Muitas são as organizações que por exemplo pregam a diversidade, mas (na prática) esta não é encontrada entre os perfis mais significativos na estrutura. Outras (organizações) se dizem modernas e informais, mas ainda exigem o formalismo do tratamento e até da vestimenta. Nessa linha – tanto a decoração, o “lay out” e o “dress code”, quanto o “tom” das broncas, as políticas de incentivos, e o estilo de cobrança por resultados são indicativos profundos do grau de coerência que as empresas tem (ou não tem).

A avaliação de desempenho e a progressão de carreira, na sua empresa, por exemplo, refletem (na prática) o que se prega como discurso? Essa reflexão é bastante profunda e muitas empresas tem percebido (aos poucos, e por vezes com muita dor) que não são coerentes, ou muito menos do que gostariam de ser. Temos empresas que sabem que são incoerentes, mas que com isso não se preocupam, e há as que nem mesmo se dão conta disso e do tamanho “do problema”. Você já pensou sobre essa questão em relação à sua? Até mesmo, você já percebeu que se a sua empresa é incoerente com relação a seus parceiros, em algum momento será assim com você também?

Há as (empresas) que se dizem preocupadas com o equilíbrio, e com a vida pessoal, e com o bem estar dos colaboradores, mas que vivem exigindo o cumprimento de metas a qualquer custo, pressionam os colaboradores de maneira fortíssima, e até as que dão sinais desencontrados (por vezes contraditórios). Como conviver com isso? Algumas instituições pregam qualidade, mas no fundo querem apenas custo baixo, e exigem cada vez maior produção e produtividade, em níveis que podem passar e muito do razoável e do possível.. E assim por diante. Você já pensou sobre isso? Já se “auto-avaliou”?

Por exemplo, você entrega à sua empresa o que promete ou prometeu? Você de fato é coerente no que lhe cabe? Você sabe o que esperam de você e tudo faz para que consiga apresentar exatamente isso (ou mais)? Sua equipe e sua empresa podem mesmo contar com você? E “do outro lado” – A sua empresa é coerente? Sua área é coerente? Longe de haver caminhos únicos, ou “certos”, pois cada realidade é própria, e merece ser respeitada (havendo tantos fatores que influenciam uma determinada caminhada – que a ninguém é dado “apontar o certo” de maneira geral e indiscriminada), talvez devamos buscar harmonia e coerência. E, realmente cada caso é um caso.

Uma das maiores incoerência que temos observado está no famoso binômio qualidade x preço, uma vez que muitas são as empresas que “dizem” que privilegiam a qualidade, por exemplo de seus profissionais e do trabalho que realizam, mas são incoerentes ao estimar os custos dessa qualidade.

Vemos a todo momento empresas que “dizem” querer os melhores talentos, os profissionais mais bem formados, com a melhor experiência, por vezes renomados, mas não são coerentes no momento de valorizar (até financeiramente) toda essa qualidade. Essa mesma incoerência, por vezes é estendida aos parceiros, aos membros externos das equipes, como consultorias, parceiros, escritórios de advocacia (no caso do jurídico) e assim por diante. Muitas empresas dizem privilegiar o atendimento e a qualidade do trabalho, mas na prática “apertam” tanto pelo preço/custo, que a qualidade em si é mero discurso.

A incoerência, em alguns caso impede a sustentabilidade, e geralmente impede que os resultados sejam positivos. A parceria entre a sua empresa o escritório de advocacia que lhe atende, por exemplo, precisa de coerência. O “briefing” precisa estar em linha com a realidade, para que a relação seja harmônica e proveitosa. Se a sua realidade permite apenas um determinado padrão de qualidade (por vezes em função da sua realidade econômica), pode fazer mais sentido você se conformar e aceitar esse fato, buscando parceiros, internos e externos, que tenham o “padrão de qualidade” que você de fato pode (ou quer) pagar, do que você insistir em buscar o parceiro que você não pode ter (ou não se dispõe a pagar pelo que diz querer).

O relacionamento interno e externo certamente será muito mais agradável, sustentável e tranquilo, e trará resultados muito melhores à medida em que a coerência se sobressaia. Reiteramos que não há caminho certo ou melhor, e que cada realidade precisa ser conhecida e respeitada, mas propomos que seja buscada a coerência, pelo bem de todos e do resultado. Essa realidade incoerente (que muitos vivem) pode trazer dificuldades e problemas muito graves e sérios, por vezes gerando até uma certa crise de identidade (nas empresas, nas equipes e nas pessoas). Se uma empresa ou área pregam a harmonia e o equilíbrio, o bem estar, o trabalho de alta qualidade, e a realização das pessoas, mas exerce enorme pressão, cobra excessivamente, faz da vida dos colegas “um inferno”, é obvio que o resultado será um tremendo “stress” na equipe e pessoas doentes, além de frustradas.

A coerência, quando existente, ajuda a criar uma “certa unidade” e uma realidade mais harmônica e equilibrada, pois todos os fatores que levam a uma determinada situação tendem a ser homogêneos.

A questão da qualidade x preço parece ser uma das principais do nosso tempo, pois a pressão por resultados e a redução de despesas a qualquer custo, pode estar gerando incoerência, com consequências preocupantes. Um dos exemplos mais conhecidos é o da empresa que exige advogados externos de enorme qualidade, querem a participação direta dos sócios dos escritórios que contratam, querem que todos estejam disponíveis, mas se propõe a pagar apenas pelo trabalho real de pessoas muito juniores, e “com hora mais barata”. Esse comportamento seria coerente? Claro que não.

O pior é que empresas ou gestores que isso fazem, por vezes sequer disso se envergonham, seja por nem perceberem ou por não “darem bola”. Procure refletir sobre esse tema e avaliar se você mesmo é coerente, se a sua pratica e as suas atitudes refletem o seu discurso, se você é parceiro de quem espera isso de você. E da mesma forma, se a sua empresa é assim.

Seus parceiros podem contar com você, e com a sua equipe? E então, a sua empresa e o seu departamento jurídico são coerentes? Praticam o que dizem/pregam? O exemplo do binômio qualidade x preço está bem equacionado entre vocês?

Esse é um dos vários tópicos que a moderna e estratégica gestão jurídica nas empresas vem estudando, e que tem evoluído bastante. Procure conhecer mais sobre a advocacia corporativa, seus desafios, as melhores práticas, e o que se tem feito de mais moderno no Brasil.


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