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O Código de Ética da OAB e a Inovação na Advocacia

Ou se é diferente e oferece serviços com forte poder de persuasão ou se disputará o mercado apenas por preço

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Em 1º. de setembro de 2016 entra em vigência o Novo Código de Ética e Disciplina da Advocacia. O antigo estava em vigor desde 1995 e era visto por muitos como retrógrado. As novas diretrizes, principalmente no quesito Publicidade, estão longe de acompanhar as regras de propaganda válidas para as demais categorias. Contudo, houve avanços como a abertura dada aos escritórios para publicações em Mídias Sociais, desde que observadas a moderação e discrição características da profissão, bem como a sobriedade da advocacia.

Em pesquisa recente realizada pela empresa Gestão Jurídica Empresarial (Gejur), constatou-se que 83,5% dos advogados são favoráveis a algum tipo de publicidade na profissão. Por mais contraditório que pareça, os advogados mais novos são os que são contra. Isso acontece porque alguns destes recém-formados imaginam que não poderão concorrer com os grandes escritórios se a divulgação for permitida, por questões financeiras. Porém, há de se pensar que o Código de Ética da OAB deve ser apenas um balizador da Comunicação, visto que a emergência de novos meios e plataformas traz consigo uma infinidade de possibilidades de crescimento para os negócios.

Como vivemos um período difícil no país, corre-se o risco de entrar em uma perigosa zona de (des)conforto, onde se sente conformado com a situação ruim e de mãos atadas. Deve ser justamente neste momento que as saídas inusitadas e os serviços que ainda não foram pensados comecem a aparecer. Os departamentos jurídicos das empresas buscam os escritórios que vão oferecer a melhor solução para seu problema. O alto risco envolvido em processos não deixa margem para erros, por isso, estão sempre em busca de segurança jurídica e alta expertise, mas também de dois quesitos fundamentais em toda relação de consumo atual: empatia e inovação.

A empatia está intrínseca em focar para resolver o problema do cliente e da sociedade, independente da maneira como isso será feito. Oferecer respostas de acordo com suas características e necessidades, com atendimento personalizado. Nisso se encontra o sucesso das atuais plataformas de compartilhamento, como Uber e AirbnB, pois os clientes não desejam possuir, e sim usufruir do melhor serviço possível. E aí é que entra a inovação. Criar ideias capazes de surpreender o mercado, com uma visão macro do problema e soluções que podem ser oferecidas. É necessário acabar com a prática de se advogar sozinho, tão peculiar à profissão e cada vez menos útil na sociedade da informação, trazendo para junto de si especialistas de diversas áreas, entre elas e principalmente, da tecnologia, cada vez mais fundamental ao Direito.

Através da Tecnologia e do know-how que oferecem é possível moldar novas soluções para a resolução de conflitos, negociação de processos e mediação, que podem ser feitas on-line, por exemplo. Além disso, ela também auxilia em trâmites burocráticos dos Tribunais, diminuindo a necessidade da presença física dos envolvidos. Outro ponto importante são os arquivos em nuvem e os serviços que podem ser realizados on-line, o que impacta diretamente em economia de tempo e de dinheiro para os escritórios, facilitando o relacionamento com correspondentes, clientes e filiais. A criação de aplicativos próprios, que ainda é novidade no setor, pode trazer uma diversidade de serviços na palma da mão, unindo inteligência, economia e estratégia.

Ou se é diferente e oferece serviços com forte poder de persuasão ou se disputará o mercado apenas por preço.


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