Opinião & Análise

Representatividade

Mulheres no comando da OAB-SP

Atual gestão da OAB omitiu-se em relação à mulher e às minorias

Imagem: Pixabay

Quando o Leonardo Sica nos chamou para fazer parte da chapa “Muda pra valer” e contou que tinha a ideia de fazer uma diretoria majoritariamente feminina, o convite mostrou-se irrecusável.

Nossa chapa não promove paridade ou igualdade, incorpora a realidade. Hoje, somos mais de 540 mil advogadas e representamos 48% dos inscritos na OAB. Já em 2020, seremos maioria na advocacia brasileira. 

Contudo, mesmo havendo igualdade numérica, não há igualdade de condições. As mulheres enfrentam mais dificuldades para chegar aos cargos de comando das empresas e dos escritórios. São minoria também em congressos e eventos jurídicos, o que impede que ganhem visibilidade profissional. A maioria das advogadas não tem qualquer apoio na maternidade, dificultando o crescimento profissional. É também central priorizar o combate à violência e o assédio físico e moral, bem como dar voz às questões LGBTI.

Pesa dizer, mas a atual gestão da OAB omitiu-se em relação à mulher e às minorias. Nos últimos três anos, a OAB-SP foi comandada por quatro homens, sendo que três deles agora concorrem à presidência e à vice-presidência nas chapas 11 e 12.

Como lutar pelo direito das mulheres de ocuparem os cargos de comando em escritórios se isso não é feito nem no nosso próprio quintal? Se, hoje, de cinco chapas concorrentes, quatro possuem diretoria majoritariamente masculina, sendo que três delas com presidente e vice-presidente homens?

É salutar que a representatividade das mulheres nas chapas que concorrem aos cargos para a Seccional de São Paulo da OAB venha sendo debatida nestas eleições, mas, em 2018, a discussão tem de ir além da existência de 30% de mulheres na chapa ou então da quantidade de propostas defendidas.

É hora de agir.

Desde o início da campanha, fizemos questão de ouvir as mulheres para saber o que pensam e o que querem da OAB-SP.

Estivemos em inúmeras cidades do interior e do litoral paulista.

No dia 6/11, organizamos o evento “as mulheres vão mudar a OAB”: fomos ao fórum João Mendes para lançar nosso manifesto e ouvir as mulheres advogadas e, juntas, caminhamos até a Câmara Municipal para conversarmos sobre nossas propostas. Veja aqui o vídeo do nosso encontro.

Diariamente recebemos mensagens de advogadas nas nossas redes sociais querendo participar do nosso grupo e nos trazer suas propostas e anseios e é o que nos faz ter força para continuar.

Para nós, da Chapa 14, igualdade de gênero é simetria no poder. E qual o maior poder do que estar lado a lado, par a par, com o homem advogado? Propor, deliberar, decidir e agir todos e todas juntos e juntas.

Equidade no exercício de poderes de gênero, mais do que uma conquista, já é realidade na chapa 14.

***Também assinam o texto:

Ana Lygia Tannus Giacometti – advogada, graduada pela Faculdade de Dirteito da USP e pós-graduada em processo civil pela Fundação Getúlio Vargas. Sócia fundadora da Giacometti, Riva e Medeiros Advogados.

Celia Zapparolli – Advogada, mediadora, coordenadora do Projeto Íntegra de Mediação em Crimes de Gênero e Família. Coordenadora do Centro de Mediação AASP. Sócia da CAMIE- Câmara de Arbitragem, Mediação Interdisciplinar e Empresarial.

Claudia Maria Soncini Bernasconi – advogada criminalista, formada pela faculdade de Direito da USP e sócia no escritório Joyce Roysen Advogados

Daniela Christóvão – advogada e mestre em Direito Comercial pela USP e especialista em gestão pública pela Escola de Governo. Diretora da ABRIG e membro da Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB.

Débora Brandão – advogada, professora titular da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Doutora e Mestre em Direito Civil pela PUC/SP. Pós-doutora em Direitos Humanos pela Universidade de Salamanca, Espanha.

Fernanda Tartuce – Advogada, Doutora e Mestre em Direito Processual pela USP. Professora no programa de Doutorado e Mestrado da Faculdade Autônoma de Direito (FADISP). Coordenadora e professora em cursos de especialização na Escola Paulista de Direito (EPD). Presidente da Comissão de Processo Civil do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Lais de Figueiredo Lopes – advogada, mestre em Direitos Humanos pela PUC-SP; Conselheira representante do Conselho Federal da OAB no Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com   Deficiência – CONADE desde 2006; Vice-Presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Conselho Federal da OAB de 2008 a 2010.

Mariana Lopes da Cruz – advogada com atuação em Direito Civil e Constitucional a, Bacharel em Direito pela Universidade Paulista, especialista em Processo Civil pela Pontifícia Universidade Católica.

Mariângela Tomé Lopes – advogada, Mestre e Doutora em Direito Processual pela USP e Professora de cursos de graduação e pós-graduação.

Monica Rosenberg – advogada formada pela Faculdade de Direito da USP com mestrado em marketing pelo ESSEC Paris, co-fundadora do Instituto Não Aceito Corrupção e suplente de Deputada Federal pelo partido NOVO.

Priscila Akemi Beltrame – advogada, doutora em direito penal pela Faculdade de Direito da USP, coordenadora do Comitê da América Larina e Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres

*O JOTA abre espaço para outras chapas também escreverem sobre o assunto.


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