Opinião & Análise

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Liderança no departamento jurídico: desafio permanente

Receita de bolo no caso da liderança jurídica corporativa não existe

Desafios realmente não faltam nos departamentos jurídicos das empresas, seja pela sua própria complexidade, seja pelo dinamismo das nossas empresas, da nossa economia, e mesmo da realidade do ambiente de negócios que vivemos.

Até certo ponto, há ainda a peculiaridade de cada empresa e de cada segmento, que por suas próprias características, por vezes apresentam questões específicas, que precisam ser enfrentadas pelo gestor – geralmente com muita cautela, cuidado e coragem.

Alguns deles são, porém, permanentes, e comuns a todo gestor de equipe, envolvendo justamente a liderança.

No caso das equipes jurídicas, temos, inegavelmente, um desafio ainda maior do que nas demais, qual seja a própria personalidade “típica” dos advogados, que via de regra são formados e treinados (ainda que de forma apenas iniciante na carreira) nas faculdades, como se fossem (após a graduação) trabalhar e desenvolver suas carreiras em “bolhas”, isolados, atuando sozinhos.

Se os advogados têm diversas características e competências que permitem que atuem numa das mais lindas carreiras que existem, percebemos que poucas vezes a atuação em equipe e a liderança estão entre as características mais comuns.

Dificilmente um advogado brasileiro terá sido estimulado nas faculdades a pensar que após a sua graduação teria que atuar em equipes, e para tanto iniciar a sua preparação. Ao contrario, na maioria dos casos os futuros advogados são apresentados apenas aos “demais atores” de cada relação profissional como outros advogados (“partes contrárias”), promotores, procuradores, juízes, delegados, dentre outros, que são necessariamente alheios a sua própria equipe. Trabalhar em equipe é algo que normalmente não integra a formação padrão do futuro advogado.

Quase que automaticamente, se a equipe jurídica “padrão” é formada por pessoas que não foram treinadas e nem estimuladas a atuar em equipes, a liderança nesses casos torna-se ainda mais complexa (e desafiadora).

Liderar advogados e “coordenar” a sua atuação conjunta, como equipe verdadeira, é para poucos!

A liderança, porém, é um tema maior e que se mostra necessário em todos os casos da vida corporativa.

Talvez até mesmo nos casos de equipe jurídica composta por apenas uma pessoa (realidade de muitas empresas brasileiras, com a chamada “euquipe”) a liderança seja uma competência importante, pois o advogado interno (nesse caso apenas uma pessoa) pode exercer papel preponderante em algumas situações, em relação a executivos de outras áreas (correlatas, por exemplo), em beneficio da companhia.

A sociedade contemporânea reconhece que a liderança é extremamente importante, e que tem o condão de organizar, unir e motivar (= liderar) pessoas com vistas ao objetivo comum (nos grupos, nas famílias, nas empresas, nos esportes etc).

Deixando de lado (para fins deste breve artigo) se a liderança seria algo inato ao próprio individuo e uma competência que “nasce com a pessoa”, que portanto ou a tem, ou não, bem como se seria algo a ser aprendido e desenvolvido, escolhemos para este convite à reflexão, abordar a sua necessidade.

Se o mundo corporativo já aprendeu que chefia e liderança não guardam nenhum paralelo entre si, sendo uma decorrente apenas da (já “moribunda”) hierarquia rígida nas empresas, e a outra realmente uma competência autônoma e que gera não o temor mas a admiração e a vontade de “seguir” (de fazer parte “daquele projeto”), resta a todos nós (gestores) o desafio de através da liderança, conseguir das equipes o seu melhor.

Na realidade empresarial as equipes precisam “dar/produzir resultados”, que podem ser apresentados em diversos campos, como financeiro, criatividade, espírito de unidade, identidade de valores e objetivos, baixa rotatividade, clima organizacional e tantos outros.

Em muitos casos, sabemos, atualmente, que a criação de indicadores de performance/produtividade para as equipes pode ser uma boa ferramenta para se aferir os resultados (e por vezes da própria liderança).

Advogados, ao menos na maioria dos casos, tem o perfil de “fazedores”, de protagonistas, e muitos acham que se brilho existe na profissão, seria naturamente deles. Sem sequer passar pela cabeça de alguns que não se vive sozinho, e muito menos se produz algo realmente bom numa empresa com essa mentalidade.

A motivação para este artigo (sem qualquer trocadilho), que não pretende “resolver os problemas do mundo” e nem “ensinar liderança” (se é que se consegue ensinar essa competência), passa justamente pela noção do que talvez seja um fio condutor médio da liderança nas equipes jurídicas corporativas, que dentre outras características, tem atualmente a juventude.

Fugindo de conceitos como certo ou errado, bem como melhor ou pior, os jovens de hoje são “movidos” a projetos, a bandeiras, a “motes” em que acreditam. Organizam-se e se unem-se em torno de projetos, causas, estilos de vida, objetivos, que são os seus “drives” de motivação.

Ao lado do salário (remuneração), questões como reconhecimento, ambiente de trabalho e “projetos” são os maiores atrativos e pontos de união entre os jovens, especialmente no mundo corporativo, de forma que a equipe, a empresa, e o líder que quiser atraí-los e motivá-los, terá que necessariamente aceitar essa realidade e aprender a lidar com essa situação.

O líder, nesse caso, precisa ser de fato inspirador e conseguir dos “liderados” uma certa admiração, que passe também pela identidade de valores e de causas, para que a equipe “reme junta”.

Lidar, portanto, com advogados, e com jovens (que já são a maioria), bem como com a diversidade (cada vez mais presente nas empresas), é um desafio atual e permanente, e que conta muito para compor o perfil do líder atual, que precisa de fato entender não apenas do trabalho a ser feito, mas de pessoas, e ser um especialista na sua equipe.

“Receita de bolo” no caso da liderança jurídica corporativa não existe, mas se você líder conseguir entender a sua equipe e descobrir o que a motiva, envolvendo todos e a cada um em torno de um projeto que lhes brilhe os olhos e gere unidade de objetivos, certamente você conseguirá resultados surpreendentes. Experimente!!

Esse é um dos vários tópicos que a moderna e estratégica gestão jurídica nas empresas vem estudando, e que tem evoluído bastante. Procure conhecer mais sobre a advocacia corporativa, seus desafios, as melhores práticas, e o que se tem feito de mais moderno no Brasil.


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