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infraestrutura

Leilão do 5G: tecnologia será acessível a todos?

De um lado, a necessidade de grandes investimentos; de outro, um desejo ainda pouco evidente do consumidor de pagar mais pelo 5G

Michelle Caldeira
04/11/2021|13:00
Atualizado em 04/11/2021 às 13:16
5G
Crédito: Frederik Lipfert/Unsplash

Hoje, 4 de novembro, está sendo realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aquele que promete ser o maior leilão de espectro já realizado no Brasil: o tão esperado leilão de radiofrequências para o 5G.

Mas o que esperar do 5G? Como podemos extrair do site da Anatel[1], o 5G será até 20 vezes mais rápido que o 4G. Com maior velocidade para downloads e uploads, o 5G criará uma nova experiência através da internet, com possibilidade de conexões instantâneas, velocidades e resiliência sem fio semelhantes às conexões fixas, baixíssima latência, múltiplos dispositivos conectados.

Mas ainda que tudo avance como esperado no leilão de radiofrequências, essa nova geração tecnológica precisará ser acessível para que o 5G chegue de verdade a todos.

O Brasil enfrenta um momento econômico difícil, especialmente relacionado à sua capacidade de atrair investimentos, à flutuação do câmbio e à capacidade de consumo das famílias, que diminuiu drasticamente.

Durante a pandemia, vimos um agravamento da desigualdade social, especialmente pela disparidade na conectividade da população. Enquanto uma parcela de jovens pôde continuar os estudos de forma virtual, outros perderam o ano sem poder estudar. Enquanto uma parte dos trabalhadores foi para o home office, outros perderam seus empregos.

Para que ocorra a democratização do acesso à internet, o investimento em infraestrutura de rede será fundamental, mas os dispositivos para acesso ao 5G também precisarão ser acessíveis. E acessíveis para todos. Apesar dos esforços dos fabricantes, esses dispositivos ainda possuem uma diferença significativa em relação aos terminais que hoje operam o 4G e não podemos ignorar que a população de baixa renda não irá conseguir adquirir aparelhos de R$ 4.000, R$ 5.000, R$ 10 mil. São questões, portanto, que precisarão avançar.

No quesito disponibilidade do serviço, se a cobertura do sinal de celular mesmo nas cidades ainda deixa a desejar, em áreas rurais a situação é ainda pior. A tão desejada agricultura 4.0 depende, antes de tudo, que as conexões cheguem ao campo.

Outro desafio são os modelos de negócios. Ao que parece, o modelo de negócio do 4G não vai funcionar com o 5G em função do alto tráfego de dados.

Em testes realizados na Coreia do Sul, em uma hora de utilização de um aparelho 5G, mais de 6 GB de dados haviam sido consumidos. E aqui nos perguntamos: Como as operadoras de telecomunicações no Brasil irão formular seus planos de serviço? Serão planos mais acessíveis? As franquias de dados serão abolidas para o 5G? São questões que também precisam ser enfrentadas.

Por outro lado, quando olhamos para países que já se mobilizaram para implantar o 5G e traçamos um paralelo dos desafios para a massificação dessa tecnologia, verificamos que, ao mesmo tempo em que as operadoras e fabricantes apostam alto no 5G, os consumidores nesses países ainda não perceberam inteiramente os benefícios proporcionados por uma rede de altíssima velocidade e baixa latência.

Observando os mercados norte-americano e europeu, podemos verificar que algumas operadoras não estão cobrando a mais do seu consumidor pela oferta de melhores taxas de download e upload. Os planos de 4G e 5G têm o mesmo valor, e eventuais variações de preço estão relacionadas a outros fatores, como serviços adicionais.

Nesses países, ainda é possível perceber que o consumidor não está disposto a pagar mais para ter acesso a essa nova tecnologia, até mesmo porque ele ainda não vê com clareza como o 5G pode ajudá-lo no seu dia a dia. E no Brasil? Será que o consumidor estará disposto a pagar mais pelo 5G?

Quanto ao leilão que está sendo realizado nesta quinta-feira, se todas as faixas de radiofrequências forem arrecadadas pelo preço mínimo, o leilão do 5G arrecadará R$ 10,6 bilhões, mas a expectativa é que ele arrecade R$ 50 bilhões, sendo que R$ 40 bilhões poderão ser destinados a investimentos e R$ 10 bilhões serão destinados ao Tesouro Nacional. [2]

Entretanto, a esse valor que será pago pelas licenças de uso de radiofrequência, ainda devem ser computados todos os equipamentos de infraestrutura e antenas para operar o 5G, que também representarão um custo elevado.

Trata-se, por certo, de uma equação um tanto complicada a ser resolvida pelas operadoras. De um lado, existe a necessidade de grandes investimentos e, de outro, um desejo ainda pouco evidente do consumidor de pagar a mais pela nova tecnologia.

Que teremos 5G no Brasil é fato. Mas há um risco de que essa nova tecnologia de 5a geração não seja acessível a todos. Estudos preveem que o 5G poderá movimentar mais de R$ 5,5 trilhões no Brasil nos próximos 15 anos e proporcionar um aumento de 1 ponto percentual no PIB nacional entre 2021 e 2035.

São projeções por certo animadoras, mas que, para se concretizarem, vão exigir que as operadoras de telecomunicações estejam preparadas para este novo cenário e que políticas públicas sejam implementadas para que o 5G não chegue tão somente às camadas mais favorecidas da população, mas, principalmente, para aqueles que ainda permanecem desconectados.



 

[1] https://www.gov.br/anatel/pt-br/assuntos/5G

[2] https://www.gov.br/mcom/pt-br/noticias/2021/outubro/leilao-do-5g-deve-movimentar-r-169-bilhoes-em-investimentoslogo-jota

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Michelle Caldeira

Advogada especialista em regulação de telecomunicações e de satélites de comunicação, com pós-graduação em Business Law pela FGV e com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Certificação em Propriedade Intelectual pela WIPO Worldwide Academy e certificação em Direito e Tecnologia pelo Insper. Diretora Regulatória da SES, operadora global de satélites de comunicação

Tags 5GAnatelInfraestruturaInternetleilão
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