Opinião & Análise

Artigo

Inovação como ferramenta para facilitar a leitura de contratos

É preciso trazer essa linguagem mais acessível em todo e qualquer tipo de comunicação

Mattos Filho
Crédito: Pixabay

Historicamente o processo que envolve a aquisição de um imóvel residencial sempre foi complexo e demorado. O fluxo normalmente envolve diversos passos burocráticos que passam pelo envio de documentos e informações pessoais, contato com corretores e representantes bancários, assinatura de contratos, registros cartorários e pagamentos de taxas e tributos.

E tudo isso fica ainda mais complexo – e relevante – quando é parte do processo decisório mais importante da vida do consumidor: a realização do sonho da casa própria. Esse cenário burocrático é reflexo da cultura jurídica brasileira, e traz consequências para o cliente, como, por exemplo, resistência no momento de assinar o contrato e dúvidas durante as fases posteriores da compra. Diante do excesso de páginas e informações, o efeito para o comprador muitas vezes é justamente de sensação de desconfiança.

É muito comum encontrarmos contratos redigidos por advogados com linguagem jurídica e termos técnicos, o que dificulta o entendimento da população em geral. Devemos repensar este modelo, em que, muitas vezes, os clientes não conseguem interpretar sozinhos as cláusulas do documento.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a simplificação da linguagem já começou há alguns anos. Em 1972, o então presidente Nixon impôs que o Federal Register utilizasse apenas termos simples em suas comunicações. Já em 2010, Barack Obama aprovou o Plain Writing Act (Lei da Escrita Simples), cujo objetivo principal foi promover comunicação clara do governo para que o público possa entender e usar. 

Aqui no Brasil, para mudar este cenário e trazer ainda mais transparência na compra e venda de apartamentos, a MRV iniciou um processo de “desconstrução” do modelo anterior de redação de documentos, especialmente os contratos, anexos e comunicações que faziam parte do fluxo de compra de um imóvel. O contrato sofreu uma redução significativa no tamanho, passando de 20 para 6 páginas, e houve uma verdadeira revolução no formato e na redação das cláusulas. Através de uma linguagem simples e direta o contrato passou a “falar” com o cliente, tornando-as de fácil compreensão para qualquer pessoa leiga no assunto. É uma inovação no setor imobiliário, vindo de uma empresa que tem a experiência do cliente como uma das estratégias de negócio.

Contratos não deveriam exigir horas de leitura e negociação. Num mundo tecnológico, em que as compras online ganham cada vez mais espaço na vida das pessoas, é essencial que cada um consiga ler e interpretar sozinho este documento tão importante, feito para clientes e não para advogados e juízes. E isso vem ao encontro do recente lançamento da MRV, que passou a trabalhar também com um processo de venda totalmente digital. Nele, o consumidor pode escolher seu apartamento e realizar a compra em até duas horas, recebendo explicação visual através de vídeos das principais cláusulas do contrato e as consequências de cada obrigação assumida. O sonho da casa própria, assim, fica a um clique de distância.

A formatação de um contrato com linguagem clara e objetiva, num discurso direto, exige coragem, transparência e compromisso por parte das empresas. E sabemos que este é um processo de evolução natural. É preciso nos colocar no lugar dos clientes e trazer essa linguagem mais acessível em todo e qualquer tipo de comunicação.


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