Opinião & Análise

Advocacia

Formação do novo advogado

Sheriff, Peacemaker and Dealmaker

júri
Pixabay

Nos dias atuais, diversos são os elementos a demonstrar a tese de que os aspectos econômicos, políticos, jurídicos e sociais, exemplificativamente, estão intimamente ligados ao destino do ambiente empresarial, compartilhando entre si incertezas em decorrência de atos e fatos que preponderem nas “manchetes jornalísticas” e das redes sociais.

Retoricamente, ao diagnóstico das mais diversas questões de gestão e administração empresarial, é sempre entregue a solução pelo viés da necessidade das competências profissionais serem qualificadas através dos recursos e conhecimentos multidisciplinares e, por consequência, da sua complementaridade.

Neste sentido, na atuação contemporânea do advogado e sua complementaridade multidisciplinar, gerir conflitos e oferecer segurança jurídica em um cenário de incertezas políticas e sócio econômicas são mínimos exemplos de que não há como dissociar do advogado contemporâneo a habilidade de comunicação, relacionamento, proatividade e gestão pelo viés científico dos Negócios. Ao advogado corporativo, profissional da lide empresarial, responsável pelo navegar ambíguo e contraditório do risco do empreendedorismo com uma ‘ilusória’ certeza jurídica, a sua formação profissional multidisciplinar através de competências complementares passa a ser essencial para a sua atuação.

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Na sua origem histórica e de formação clássica, ao advogado não é permitido ou admissível o erro, eis que representante dos interesses máximos do patrocínio, o que advém a forma mais explícita do argumento amparado pelo direito. Em contradição, ao empreendedor é lícito o erro, e que seja rápido e antecipado para as devidas correções. Um e outro passam ao largo e distantes enquanto nos ‘bancos escolares’, como que sob um aprendizado de diferentes línguas, para virem a serem postos para trabalhar em harmonia logo mais adiante. Este aspecto educacional, no entanto, podemos refletir melhor em uma outra ocasião.

No caso do advogado empresarial, vivenciando o mundo dos negócios corporativos, outrora navegava apenas pela razão avaliativa e em determinado momento avançado das negociações sob a simples ótica da legalidade do negócio em si e de sua formalidade regular. Com tais propostas, diriam aos clientes como tais negócios poderiam vir a ser realizados e dos riscos legais ali inseridos que deveriam ser equilibrados pelas consequências ou recompensas econômicas, simples e reconfortante assim.

No ambiente jurídico contemporâneo, como elemento participativo das negociações desde o momento de formação das transações, elaborando e planejando cenários do ponto de vista econômico, social e político em concordância aos ditames jurídicos e parâmetros legais, a atuação profissional é elevada ao elemento de gestão jurídica administrativa estratégica e operacional. Sua abordagem é criativa e, também, deve ser colaborativa e participativa, tornando-se o advogado elemento fundamental na formação, desenvolvimento e conclusão dos negócios.

Nesta pluralidade de atividades, facilmente identificável a faceta do advogado ‘Sheriff’ e do advogado ‘Dealmaker’, eis que, enquanto um analisa tão somente a análise jurídica regular e formal da transação, ‘Sheriff’; enquanto que no o outro estabelece uma relação de agente formador do negócio subjacente aos efeitos econômicos e da governança corporativa institucional, ‘Dealmaker’.

Sob outro aspecto, há ainda a ação de unir as partes para apaziguar e gerar sinergia na atividade principal empresarial, facilmente entendida como um papel primário exercido pelo ‘In-House’, de ‘peacemaker’, como autoridade do advogado corporativo para levar adiante seu propósito de parceiro de negócios, aqui na ótica principalmente ‘das relações internas’, poderíamos assim dizer.

Estas habilidades negociais, no entanto, fazem parte do contexto real e verdadeiro do complexo ambiente de negócios em que o advogado contemporâneo encontra-se inserido; e é neste momento que a este advogado é imprescindível avocar a sua máxima competência profissional de ética e integridade, guardião da lei e da ordem: ‘Sheriff’.

Por consequência, surge um questionamento singular, qual seja, em um ambiente de negócios complexos, o papel do advogado empresarial contemporâneo – na condição de gestor legal dos interesses empresariais que representa – as competências de Gestão, Direito, Negócios e Administração são verdadeiramente complementares?

Inúmeras poderiam ser as inanições ‘hipotético-reais’ da verdadeira importância da participação do advogado corporativo em relações empresariais internas e externas à empresa em si. Se dispersos por ‘disputas departamentais’ internas da empresa, em que os interesses primários acabam dispersos, a sua atuação de ‘Peacemaker’ é de importância cristalina para a realização efetiva dos negócios e, por consequência, por cumprimento do seu propósito contemporâneo de ‘Dealmaker’. Então, dispersos ou complementares?

Por outro lado, em sua essência de ‘Dealmaker’, poderá naturalmente atuar proativamente na construção de elos de interesses recíprocos entres os demais envolvidos para a construção de soluções próprias e criativas que atendam aos interesses das partes e, sobretudo, da empresa, portanto, afinal, atuando como ‘Sheriff’. Por si só, sob este aspecto, competências dispersas ou complementares?

E, na forma de advogado corporativo – da concepção clássica de guardião legal das políticas empresariais, de ética, integridade e compliance, tão em voga nos dias atuais – como ‘Sheriff’, na sua excelência profissional deixando absolutamente claro que está disposto aos riscos inerentes aos negócios e ao empreendedorismo, da mesma forma tão em evidência, promovendo o sentido da gestão e dos negócios em alcançar seus objetivos observando os ditames legais, ‘Dealmaker’. Pois sim, competências dispersas ou complementares?

Eis o contexto da liderança jurídica na formação do novo advogado, ‘Sheriff, Peacemaker and Dealmaker’; propósitos fundamentais no alicerce do conhecimento deste profissional contemporâneo, uma cultura de confiança, ética, integridade e parceria nos negócios observados os ditames da colaboração e da transformação da legalidade como interesse da sociedade empresarial.

Os ditames legais e empresariais acerca das soluções criativas éticas e colaborativas íntegras enriquece os seus partícipes e consequentemente, o ambiente empresarial, e desta questão proposta pelo design disperso e multidisciplinar dos negócios é que tende a surgir a solução mais adequada para um problema, e uma nova cultura empresarial transformada através das pessoas, do direito, e da gestão dos negócios pela administração, todos dispersos ou complementares, em plena sintonia.


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