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Defesa de Maluf acusa promotor de fazer prisão de medalha olímpica

Ataque envolve Silvio Marques, que investiga parlmentar há mais de 15 anos

Ao opinar sobre a atuação da defesa do deputado Paulo Maluf, o promotor de Justiça Silvio Marques, autor de uma das principais denúncias contra o parlamentar, faz da prisão do réu “uma medalha olímpica”, demonstrando interesse apenas em ganhar uma causa para exibir um troféu. A crítica é do advogado de Maluf, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ao comentar a afirmação de Marques que, segundo o defensor, acusou o deputado de fazer “um teatro de última categoria” em relação a seu estado de saúde na tentativa de cumprir pena em regime domiciliar. 

Kakay afirma que não é médico e que suas petições são baseadas em pareceres técnicos e ataca o membro do Ministério Público: “Nada entendo de medicina. Todas as minhas petições são com base em laudos médicos. Mas julgo ter uma formação humanista que me permite desprezar a opinião deste promotor, que não honra a promotoria, instituição a quem eu presto as minhas homenagens”.

Segundo ele, Maluf tem três doenças graves reconhecidas pelo próprio Instituto Médico Legal e a defesa do parlamentar “não se dá o direito de brincar com a vida”. Para o advogado, o fato de o juiz do caso ter pedido uma série de esclarecimentos sobre a situação de saúde do deputado é uma prova de que a atuação da defesa é exclusivamente técnica.

O promotor investiga Maluf há pelo menos 15 anos. Ele foi um dos responsáveis pelo caso que levou Maluf à condenação pelo STF e, em dezembro último, à determinação da execução da pena. As investigações se iniciaram em 2001, após reportagem da Folha de S. Paulo. Em entrevista ao JOTA logo após a prisão do deputado, em dezembro, Marques classificou as provas contra Maluf como “avassaladoras” e citou que mais de US$ 100 milhões já foram recuperados do esquema de ocultação e dissimulação de valores, entre os anos de 1998 e 2006, oriundos de corrupção passiva, especialmente em relação às obras da Avenida Água Espraiada, realizadas quando ele era prefeito de São Paulo.

Nesta quinta-feira, ele afirmou que o deputado estava trabalhando até dias antes de ser detido e que “aquilo lá é um teatro de última categoria”. “Todo preso faz o que Maluf está fazendo, de alegar problemas de saúde para poder cumprir a pena em regime domiciliar”, disse.

Kakay, porém, argumenta que o Ministério Público deveria se preocupar em dar “dignidade ao cruel e desumano estado dos presídios brasileiros”. “Mas, pelo visto, felizmente, somente para alguns membros do MP, o importante é ter uma prisão como troféu”, critica.


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