Saúde

COVID-19

TCU cobra esclarecimentos do MS sobre recomendações de cloroquina e hidroxicloroquina

Corte aponta contradições entre recomendação sem comprovação científica e discurso do MS

cloroquina
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello / Crédito: Alan Santos/PR

O Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou esclarecimentos do Ministério da Saúde sobre as recomendações que a pasta fez para o uso de cloroquina e/ou hidroxicloroquina no tratamento para combate à Covid-19.

Em despacho assinado na última sexta-feira (22/01), o ministro Benjamin Zymler atendeu representação do Ministério Público Federal e de senadores sobre possíveis irregularidades perpetradas pelo MS quando da elaboração de documento para tratamento do coronavírus com recomendação das medicações sem comprovação científica.

Trata-se de mais um alerta do TCU contra as medidas do governo no combate à pandemia, que já destacou e questionou, por exemplo, o planejamento das autoridades sobre a chegada de uma segunda onda e a destinação de verbas a estados e municípios.

De acordo com Zymler, o tribunal constatou que o MS se contradisse ao recomendar o medicamento e, depois, o ministro Eduardo Pazzuelo dizer, oficialmente, que não recomenda nenhuma medicação.

Em recentes manifestações na mídia, nas palavras do ministro, o titular da pasta da Saúde vem se pronunciando no sentido de que o órgão não indica qualquer medicação para ser utilizada no combate à Covid-19 e sim que as pessoas procurem os serviços de saúde de forma imediata.

Os auditores do TCU apontaram, entretanto, que essas manifestações são contraditadas pelos documentos emitidos pelo Ministério, os quais indicam os medicamentos a serem utilizados, com as respectivas posologias, para o tratamento da Covid.

Segundo o ministro, ainda nos documentos de recomendação, “está expresso, nas orientações do Ministério da Saúde que faltam evidências científicas da eficácia e segurança da terapêutica proposta.

Em cinco dias, o MS terá de responder a posição oficial da pasta sobre a medicação e, além disso, a indicação do responsável pelo app TrateCOV, com descrição do seu funcionamento, passo-a-passo de todas as possibilidades dos encaminhamentos; a base médico-científica para sua utilização e a informação sobre se o aplicativo será mantido em funcionamento.

Reportagem do JOTA publicada na última sexta-feira revelou, com base na análise do algorítimo do aplicativo, que o TrateCov indicava cloroquina e outros remédios sem eficácia a quase todos pacientes.


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